O Livro De Beelzebub
2 A reunião - O senhor das moscas
Notas iniciais
O tal sujeito estava preso na cadeira de balanço de Earl, amarrado por uma corda que, felizmente, ele tinha guardada ali. O rapaz usava uma cartola comprida, de cor preta. Um balandrau fechado e tão longo que era capaz de cobrir seus pés, o traje possuíra a mesma cor da cartola. Seus cabelos compridos e negros deslizavam até a sua cintura e no seu rosto tinha um desenho de uma das faces de um dado de seis lados. A sexta face.
Earl esperou Trent chegar, mirando o rifle na direção do homem de cartola durante todo esse tempo. Trent Fuller demorou por volta de dez minutos e chegou carregando um pequeno crucifixo de metal em uma de suas mãos. Olhou para o homem de cartola. Estranho, mas aparentemente inofensivo. Aproximou-se até ficar a alguns passos de distância e se colocou de joelhos, para ficar do mesmo tamanho do homem que agora estava sentado.
- Qual é o seu nome? – Fuller perguntou, se atropelando um pouco nas palavras.
- Beelzebub.
- O seu verdadeiro nome. – E, ao ouvir isso, o homem de cartola ergueu o rosto para o alto e soltou uma longa e alta gargalhada, antes de voltar a olhar para o padre com certo sorriso de desdém e voltou a falar. Sua voz não tinha nada de monstruoso, muito pelo contrário:
- Então o padre não acredita em demônios? Céus, vocês estão perdidos.
- Quer que eu acredite que um demônio veio parar em River falls e possuiu o corpo de um cadáver?
- Admita, o corpo ficou muito melhor comigo. – Trent balançou a cabeça em sinal de negação e se levantou. Beelzebub arregalou os olhos e começou a se mover na cadeira, tentando ir de encontro a ele. A cadeira balançou tanto que por um momento pensou que ia cair. As primeiras horas no mundo dos humanos eram as piores, praticamente não tinha força nenhuma, era como se fosse um deles. E falou, em tom alto e demonstrando algum desespero:
- Não, espera... Você precisa me tirar daqui. Vocês precisam de mim, Trent. – Dessa vez foi o próprio Trent que se surpreendeu. Colocou seu rosto a alguns centímetros de distância do homem que dizia ser um demônio.
— Como você sabe o meu nome?
— Sei de muitas coisas sobre você, padre. Sei de como decidiu se tornar padre para se afastar do resto do mundo. – Trent por um momento pensou em socá-lo.
— Não estou lhe chamando de covarde, padre. É por isso que preciso de você.
— Um demônio precisa de mim?
— Você é... Sensível, padre. Um dos poucos. Uma sensibilidade espiritual. E tem conhecimento das cerimônias da igreja. Vocês precisam de mim, padre. Eu não preciso de vocês. Posso voltar pro inferno quando eu quiser.
— O que você quer de mim? – O tom de voz de Fuller já estava irritado.
— Quero que venha comigo, padre.
— Para o inferno? – Beelzebub deu mais uma gargalhada.
— Na verdade, para Las Vegas. Tenho companhias mais interessantes para levar para o inferno.
— Las Vegas? Por quê?
— Em exatamente uma semana, O Destruidor vai surgir em uma catedral, padre. E isso vai acontecer em Las Vegas.
— E porque não apenas apareceu em Las Vegas e acabou com isso?
— Porque adoro passear pelo seu mundinho de bosta, padre. – Disse Beelzebub em tom de ironia antes de continuar:
- Estou dizendo que preciso de você. Mas não se ache especial, temos que achar outra pessoa por aqui. E logo. Solte-me.
Trent voltou a se colocar de pé e deu as costas para Beelzebub, ficou durante algum tempo a fixar os olhos no rosto de Earl, que estava evidentemente assustado. Beelzebub voltou a falar:
- Padre, se eu quisesse ter me soltado e matado vocês dois eu já teria feito isso, será que podemos ir logo com isso?
Trent Pegou a água benta que carregava consigo, molhou a mão livre com ela e tocou de leve no rosto de Beelzebub. O demônio pôde sentir seu rosto queimando.
- Solte-o. – Disse Trent enquanto começava a se afastar do demônio.
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