O Livro De Beelzebub

3 A reunião - O homem perdido


Notas iniciais
E aqui começa a minha saga pessoal de continuar a história de um rapazinho bacana chamado Beelzebub e que só quer um pouco de amor. (Ou não.)

– Então é aqui que você queria vir? — Perguntou Trent ao parar o carro na frente do único bar de River Falls. Beelzebub abriu a porta do carro com certa animação e puxou o padre pelo braço, logo fazendo com que ficassem lado a lado.

– Vamos nessa, irmãozinho. A gente não tem muito tempo. Quanto mais cedo todo mundo se reunir, mais cedo isso vai acabar. — Trent sabia que no bar daquela cidade só haveria gente da pior espécie e não estava nem um pouco interessado em entrar lá. Mas não teve muita escolha ao ver Beelzebub correndo em direção a porta e puxando seu braço com uma força maior do que ele pôde resistir.

...

Já havia se passado tanto tempo desde que lhe chamavam pelo seu nome que as vezes nem ele se lembrava mais, todos ali o conheciam apenas como Leonel. Gostava desse nome. Teria dado esse nome ao filho se um dia tivesse algum, mas só teve uma filha e mal conseguia vê-la. Agora ele estava sentado no bar com o seu chapéu no balcão e revelando sua cabeça já sem nenhum cabelo. Pediu uma dose de whisky e bebeu de uma vez só. E então duas pessoas curiosas entram pela porta do bar. O homem de cartola chamava a atenção de todos, mas o padre não ficava muito atrás.

– Dale Garza? — Beelzebub falou em voz alta ao apontar para Leonel. Aquilo primeiro fez com que ele sentisse raiva, mas depois lhe deixou curioso. Como, diabos, aquela pessoa conhecia o seu verdadeiro nome?

– Quem é você? — Falou de forma rude. Nesse momento o bar já tinha um completo silêncio e todos os olhares se voltavam para os três.

– É melhor irmos embora.... — Sussurrava Trent enquanto segurava em um dos braços de Beelzebub com as duas mãos.

– Nós somos os seus melhores amigos. Ao menos por enquanto. E precisamos da sua ajuda. — Beelzebub respondeu.

– Não conheço vocês. Deem o fora daqui. Por bem ou por mal. — Foi o que o Leonel disse antes de colocar o copo de whisky sobre a mesa com tanta agressividade que fez o copo se quebrar.

– Eu tenho bebidas no carro. Whisky, na verdade. Só precisamos da sua... companhia. — Beelzebub insistiu e percebeu que Leonel entendera a mensagem. Leonel, então, se colocou de pé e ajeitou suas duas pistolas que estavam na sua cintura, talvez mais para intimidar do que por necessidade e então perguntou:

– Para onde vamos? — Leonel pôde perceber um sorriso aparecer no rosto de Beelzebub.

– Agora eu entendo porque você pediu para comprarmos aquele Whisky antes de vir para cá... — Sussurrou Trent mais uma vez, mas agora afastado dos outros dois. Fuller foi na frente e deixou que os dois o acompanhassem. Beelzebub foi conduzindo a viagem enquanto Trent se sentou no banco ao lado e Leonel no banco de trás, com as duas pistolas colocadas sobre os bancos. Imprudência, talvez. E Beelzebub começou a explicar as coisas para Leonel.

– Nós vamos para Las Vegas. Uma coisa muito ruim vai acontecer se não chegarmos lá a tempo.

– Certo... Estamos indo para Las Vegas. Certo, vocês são loucos. — E Leonel pegou uma das garrafas de Whisky para que pudesse beber um pouco. — E que tipo de coisa ruim?

– Vai ser uma espécie de... Invocação. O destruidor vai aparecer lá. Na verdade ele já está lá, mas está adormecido. Daqui a uma semana ele vai ter a energia necessária.

– O destruidor? — E Leonel deu uma grande gargalhada — Porque vocês não chamam o batman?!

– Porque não estamos em Gotham City. Lembre-se que estamos indo à Las Vegas.

– Muito engraçado.

– Eu sei.

– O que nós vamos enfrentar, afinal?

– Pelo que eu entendo na igreja — Trent intrometeu-se — Abaddon, também conhecido como o destruid...

– Na verdade não é Abaddon em si. — Beelzebub interrompeu — Mas sim uma energia capaz de adquirir as suas caracterísitcas.

– Como um clone? — Trent perguntou.

– Exatamente, como um clone.

– Estamos enfrentando o quê? Demônios? — Leonel já se questionava se estava ficando bêbado.

– Não exatamente. Como eu disse, é apenas uma energia capaz de adquirir as caracteristicas de uma energia. E isso está sendo feito por mãos humanas. Naturalmente, qualquer humano seria capaz de um feito assim. Mas você precisaria de muitos seguidores. É preciso de muita energia pra isso.

– Então eu tenho que matar esse humano?

– Nós temos que matar esse humano e também acabar com a energia que ela está criando. Se chegarmos lá antes de uma semana... Se preocupem apenas em matar a pessoa.

– E qual o nome desse humano em questão?

– Maxine Dietrich.

– Isso não é uma...

– Mulher? Exatamente. E sim, você pode abusar do cadáver dela depois.

– Eu não estava pensando nisso. — Leonel retrucou.

– Ah sim.

– Mas já que você comentou.... — E pela primeira vez os três riram juntos. Até mesmo Trent que não gostava desse tipo de assunto acabou se divertindo. Beelzebub ligou o rádio e o carro continuou pela autoestrada ao som de Black Sabbath.


"A mão de Deus marcou a hora

Dia do Julgamento, Deus está chamando

Ajoelhados, os porcos de guerra estão rastejando Implorando perdão por seus pecados

Satã, gargalhando, expande suas asas

Oh, Senhor, yeah!"

♫

Notas finais
E assim é concluída A reunião e a introdução ao livro de Beelzebub.