As portas de um gigantesco palácio de gelo se abrem. Sentado no trono do salão de entrada, o rei, vestido com trajes de realeza, e em meio ao seu salão azulado pelo gelo, ele é coberto por um manto vermelho. Seus cabelos brancos escorrem pelos lados de sua coroa, cobrindo suas orelhas.

Sentada ao lado do rei está a princesa Vaiolet, uma jovem de 16 anos. Cabelos ruivos e pele branca como a neve. Em seu rosto, pequenas sardas. Ela veste um vestido verde-água, colado em sua barriga e seios, e solto nas pernas, descendo até a altura dos tornozelos. Nos pés, sapatilhas pretas, e no pescoço um colar com o símbolo do reino, um floco de neve.

Pela porta entram 8 pretendentes para a princesa. Príncipes formados em dominar o elemento interior. O rei se ajeita em sua poltrona, ansioso pelas demonstrações, enquanto a princesa se apoia com o cotovelo no braço de sua poltrona, respirando fundo e deixando que tudo comece.

O primeiro pretendente é um rapaz branco de cabelos negros em asa delta, musculoso e definido, vestido apenas uma calça preta, andando completamente descalço e sem camisa naquele ambiente hostil abaixo de 0. O rei já se surpreende com a audácia de garoto de se apresentar em trajes ousados, com o peitoral musculoso a mostra. Ele ergue os dois braços para frente, sem expressar emoção alguma, ele começa a controlar o gelo do chão do palácio. O salão inteiro treme, enquanto o chão se quebra e se desmonta, sendo transformado em flores gigantescas. Uma dessas flores de gelo erguem o príncipe, que esta reverenciando o Rei e a Princesa enquanto é erguido pela planta de gelo e diz:

-Para você, princesa. Flores do elemento de sua vida.

Os olhos do rei brilham impressionados com a beleza das flores de gelo. Contudo, Vaiolet não se impressiona. Na verdade, ela apenas suspira e diz:

-Certo, obrigado por vir. Próximo.

O rei aparentemente se zanga com a reação da garota, mas deixa que ela faça o que deseja. O príncipe desconjura as flores, voltando elas ao chão e deixando tudo como estava antes, virando de costas em seguida e saindo pela porta. Os outros príncipes estão rindo dele, enquanto ele sai pela porta enfurecido.

O próximo é um príncipe loiro com penteado de militar, vestido com um casaco preto e um cachecol vermelho assim como as luvas, suas calças também são pretas e seus sapatos também são vermelhos. Ele se posiciona de frente para o rei e a rainha, aparentemente tremendo de frio. Seus braços estão cruzados enquanto seu corpo treme. Ele atrita as mãos nos braços, aumentando a temperatura de seu corpo, até enfim acender chamas em suas mãos, e em seguida por todo o corpo. Ele reverência o rei e a princesa com um sorriso de canto e diz:

-Para a princesa... Eu queimo meu coração.

Seu sorriso se estampa entre seus lábios, o fogo que cobre seu corpo é intensificado, se tornando uma esfera de chamas que aquele a princesa, fazendo com que sua pele fria aqueça. Contudo, ela não se impressiona. A princesa se levanta e diz:

-Certo, eu cansei, vocês podem ir para casa já. Eu estou de saída.

O rei fica surpreso com a atitude da garota. Ele se levanta, colocando as mãos para fora do manto vermelho e fazendo sinal para que os príncipes se retirem. O que é obedecido de imediato.

As portas do palácio se fecham, Vaiolet já estava saindo do salão principal quando seu pai a questiona:

-Que atitude foi essa? Você sabe que um casamento é necessário!

Vaiolet se vira para seu pai e diz:

-Por que é necessário? Esses idiotas não me conhecem, só vem aqui pra tentar me impressionar com seus poderes e corpos definidos, bando de metidos!

Vaiolet vira as costas e sai andando, deixando seu pai no salão, de boca aberta e pensativo.

Vaiolet caminha até seu quarto, arrancando o vestido fora e ficando apenas de calcinha e sutiã. Ela abre seu armário de gelo e veste um casaco preto, com capuz bordado por pelos brancos, calça azul, botas pretas e luvas brancas. Seus cabelos são jogados para frente de seus seios enquanto sua cabeça é coberta pelo capuz. O rei bate a porta de seu quarto, preocupado com sua filha. Ele bate três vezes e diz:

-Filha, posso entrar?

Vaiolet não responde, ela fecha o armário e vai até a varanda de seu quarto, saltando da mesma e caindo sobre o jardim do palácio. Ao andar mais para frente, ela se encontra com o muro, saltando por ele e correndo para a floresta de árvores de gelo. Seu pai entra em seu quarto e repara sua ausência, mais uma vez sua filha desaparecia sem se explicar.

A ruiva caminhou pela floresta, suas botas afundavam na neve, mas ela não se importava, apenas continuava se esforçando para seguir andando, os flocos de neve que caem em seu casaco ficam marcados nela. Cada passo dado torna-se mais difícil a caminhada, pois os pés da jovem se enterravam mais ainda na neve branca.

Quando já havia entrado alguns passos na floresta, seus pés ficaram presos na neve. Ela tentou tirá-los de toda maneira, até mesmo segurando a própria perna para erguê-la, mas nem isso funcionou.

De repente, um homem de aparentemente 20 anos apareceu diante dela. Cabelos loiros cortados em estilo executivo, uma jacketa marrom com um capuz de bordas com pelo negro, uma blusa preta, calças azuis, sapatos pretos. Ele esta com as mãos no bolso da jacketa e sorrindo para Vaiolet, se aproximando dela sem dificuldade, andando calmamente pela neve. Ele a encara e diz:

-Problemas de novo para chegar até a cachoeira?

Vaiolet o encara séria e responde:

-Me ajuda a sair daqui logo, John! Ninguém merece sempre ficar presa!

John ri, dá de ombros e diz:

-Você nunca vai aprender a andar na neve, nem a dizer por favor, não é? Então se vira.

O loiro vira de costas e sai andando, Vaiolet se estica para tentar puxá-lo, mas acaba caindo na neve. Ela então diz:

-Não, espera. Certo. Por favor, me ajuda John!

O loiro ri, se vira de frente para a garota que esta deitada de bruços na neve. Ele se abaixa dobrando os joelhos e encara os olhos da ruiva.

-Tá gostosa a neve?

Ele ri, pega na mão de Vaiolet e a ajuda a sair do buraco em que ela mesma se meteu. Agora os passos da jovem estão totalmente acima da neve, com a ajuda de John ela já não mais afundava. Ela então diz:

-Nunca vou entender como você consegue isso.

John ri. Os dois começam a andar de mãos dadas para mais fundo para a floresta de gelo. John então a responde:

-Não existe apenas um estilo de magia, eu já lhe disse isso, não?

Vaiolet o segue, olhando seu rosto, ela o responde:

-Isso ainda não faz sentido.

John para, puxa Vaiolet para perto de si e a encara nos olhos. Ele abraça a cintura dela com seu braço livre enquanto a outra ainda segura a mão da jovem. Ele então diz:

-Magia não faz sentido, você sabe.

Vaiolet abaixa a cabeça, John a solta e os dois seguem em direção a cachoeira em silêncio.

Após minutos de caminhada eles avistam, uma parte não coberta por neve, onde a água não se congelou. A água sai do meio das pedras e cai numa pequena piscina. Vaiolet e John sentam-se na beira da cachoeira e continuam em silêncio.

A ruiva então começa a balançar os pés dentro da água, ainda calçada, com as mãos para trás, ela as usa de apoio para o corpo. John esta com as mãos no bolso da jacketa, encarando a queda da água. Vaiolet se desencosta e coloca sua cabeça encostada no ombro de John, dizendo:

-Já faz quanto tempo que nos conhecemos?

John olha para o céu cheio de nuvens que escondem o Sol, pensando um pouco, então ele a responde:

-Já tem mais de um mês, por que?

Vaiolet então o abraça e responde:

-Todos os dias meu pai me obriga a conhecer príncipes de diversos reinos, esperando que eu me apaixone de cara por algum deles.

John a olha pelo canto do olho, vendo que a mesma estava de olhos fechados, totalmente encostada em seu corpo.

-E...? O que isso tem a ver com o tempo que a gente se conhece?

Vaiolet o aperta, corando fortemente e dizendo:

-John... É que... Eu te amo desde o primeiro dia que te conheci.

O loiro fica extremamente corado assim como a ruiva. Ele então diz:

-Eu já disse, não podemos ficar juntos... Não sou um nobre e nem controlo o elemento interior de meu corpo.

-Isso não importa, você pode simplesmente falar com meu pai! Tenho certeza que ele entenderia.

-Seu pai jamais aceitaria um plebeu como...

-Mas você sabe magia, meu pai vai ficar admirado!

-Você não contou a ninguém sobre isso, certo?

-Não...

-Ótimo. Sabe que isso é um segredo... Olha, eu quero muito estar com você. Porém não creio que isso jamais seja possível.

-Por que não tenta? Lute por mim! Você mesmo me disse que me ama no nosso último encontro. Por favor, tenta!

O loiro se solta dos braços da ruiva e se levanta. Ele acaricia os cabelos dela, descobrindo a cabeça dela do capuz e dizendo:

-Let... Eu já andei por grande parte do mundo, eu já vi muitas coisas em toda minha vida... E você continua sendo mais linda do que todas elas. Eu te amo, de verdade... Mas jamais poderei ser o seu príncipe... Me desculpa.

John então sai andando, deixando Vaiolet para trás. Ela não pode segui-lo, pois sem a ajuda dele ela é incapaz de andar na neve da floresta. Então ali ela ficou, onde pensou muito sobre a vida.

Após horas, o primeiro príncipe a se apresentar para ela surgiu, caminhando perdido pela floresta. Ele avista Vaiolet e vai até ela, sentando-se ao lado dela e colocando os pés dentro da água. Vaiolet nem o encara nos olhos. Ele abaixa a cabeça e diz:

-Você é uma garota bem forte. Dá pra ver, não vai se casar com um príncipe. Mas sabe que isso é errado, certo? Seu pai um dia falecerá, e você como mulher não conseguirá jamais governar um reino tão grande.

Vaiolet desce a mão no rosto do príncipe, e só não deixa a marca de seus dedos no rosto do rapaz por estar usando luvas. Apesar disso, a porrada ainda foi forte o bastante para deitar o príncipe na neve. Ela o encara e diz:

-Eu não ligo pra quem você seja, ou para o que faça, mas eu jamais me casarei com você.

O príncipe se levanta. A encara no fundo dos olhos e diz:

-Então é bom que seu pai arrume uma nova herdeira. Eu cansei de você!

A neve começa a se mexer, o chão treme, os cabelos do príncipe se arrepiam enquanto uma aura azul cobre seu corpo, ele então cria 2 leões de gelo, seres ferozes e feitos de cristal. As bestas avançam contra Vaiolet, que não pode fugir das bestas, ela tenta, mas afunda na neve ao tentar correr. Cada leão pega em um de seus braços, mantendo os dois erguidos para os lados. O príncipe encara Vaiolet de frente e diz:

-Quero ver me bater agora, sua princesa nojenta! Arranquem os braços dela, meus lacaios.

Os leões mordem com força o braço da ruiva, arrancando sangue. Ela grita de dor, mas eles estão tão longe na floresta que ninguém pode ouvi-la. Os leões puxam os braços dela, tentando arrancá-los, ela sente cada tendão de seu corpo sendo esticado, e quando seus braços estavam prestes a sair, John aparece, dando uma voadora e chutando a cabeça do príncipe que é lançado para dentro da piscina.

Após aquele golpe, o príncipe perdeu a concentração, o que fez seus leões desaparecerem. John segurou Vaiolet pela costela e a retirou do buraco na neve. O loiro olhou a princesa nos olhos e pergunto:

-Você esta bem, pode sentir os braços?

Vaiolet o encara com raiva e diz:

-Não! Eu não estou bem, dois leões morderam meus braços! Eu posso senti-los, estão doendo muito! E se não fosse por isso eu te bateria muito por ter me deixado sozinha aqui, seu idiota!

-Desculpa, eu não sabia que algo assim aconteceria!

John coça a própria nuca, constrangido, enquanto Vaiolet praticamente cospe na cara dele enquanto grita. O príncipe então sobe até a superfície e olha o casal de pé na neve. Ele encara John e diz:

-Seu miserável! Você sabe quem eu sou?! Vai morrer por atacar alguém da realeza!

John então solta Vaiolet, deixando a ruiva afundar na neve. Ele dobra os joelhos, acaricia os cabelos dela e diz:

-Fique aqui.

Em seguida, ele se levanta, colocando ambas as mãos para dentro dos bolsos da jacketa e olhando o príncipe esnobe:

-Eu não me interesso por quem você seja... Você atacou a minha princesa.

John começou a caminhar em direção ao príncipe que se retirava da piscina, encarando o loiro com ódio. Então John terminou de falar:

-E por isso eu não te deixarei sair daqui vivo!