O Lendário Animago
2 Transformando-se em uma fera
John juntou as mãos, estalando os dedos. O príncipe caminhava irritado em direção ao loiro, dizendo:
–Você vai se arrepender de tais palavras. Você sabe quem eu sou? Eu sou o príncipe ...
John o impediu de continuar falando, ocupando a face dele com seu punho, ele golpeou a cara do príncipe com toda a sua força, o jogando novamente dentro da piscina da cachoeira. John para onde estava e fica encarando a água, retrucando:
–Eu já disse que não me importo com quem você é. Você machucou minha princesa, e por isso eu vou acabar contigo.
A água ficou turva, e dela saiu saiu um dragão de água, com presas de gelo, este que avançou no loiro e o mordeu na barriga, levando ele até o alto. John batia diversas vezes contra o dragão, mas nada parecia funcionar. Vaiolet olhava o dragão subir, esperando que o melhor acontecesse ao seu amado, mas seus olhos se arregalaram e seus olhos se encheram de lágrimas quando o dragão se virou com John entre os dentes, começando uma rápida descida.
O vento jogava os cabelos de John para o lado com a velocidade da descida, o loiro não conseguia fazer nada para escapar, as presas da fera o furavam na região da costela, causando uma intensa dor.
Quando enfim bateu contra o chão, o dragão se desfez, transformando-se em neve. John havia afundado até conseguir atingir o chão. Deitado na terra, ele se via preso em um buraco de neve. O príncipe saia de dentro da piscina, com o nariz quebrado e sangue nos lábios. O nobre caminha até o buraco de John, olha o loiro caído e diz:
–Não pense que é o fim. Você sofrerá por atacar alguém da realeza.
John ergue a mão para o alto, em direção ao céu, e começa a gargalhar. O príncipe já estava preparando sua próxima conjuração, porém foi atrapalhado pela gargalhada e forçado a perguntar:
–Do que esta rindo, plebeu?
John então fecha a mão em um punho, encara o príncipe e diz:
–De como você consegue ser ruim, mesmo sendo um nobre.
O príncipe se irrita ao ponto de ranger os dentes. Em sua cabeça ele não acreditava na audácia do homem, então mais uma vez se preparou para conjurar, e da neve surgiram três tigres de gelo. O príncipe então voltou a desafiar o loiro:
–Então, vai subir para me enfrentar mais um pouco, ou vai continuar caído neste buraco?
John fica com um sorriso estampado na face e não o responde. As atitudes destemidas do loiro estressavam o príncipe, que ordenou seus tigres a o atacarem. As feras desceram no buraco, rugindo para o loiro, que sorriu e se levantou, permanecendo a olhar para o príncipe fora do buraco.
Os três tigres o atacaram, um mordeu seu braço direito, outro sem ombro esquerdo, e um sua perna esquerda. O príncipe sorria vendo o sangue escorrer pelo corpo de John, suas roupas completamente rasgadas pelos dentes das feras que o atacavam deixavam esta visão de acabado. Contudo, John não demonstrava dor, sofrimento, ele apenas permanecia a encarar o príncipe mesquinho, dizendo:
–É só isso que seus gatinhos podem fazer?
O príncipe então ordenou que eles o mordessem e arranhassem. Em pouco tempo, John estava quase no mesmo estado que o príncipe, praticamente sem roupa, apenas com a calça, que sobre apenas a perna direita, já que a perna esquerda havia sido transformada em um short. O sangue escorria por todo o corpo de John, que não era definido nem musculoso como o do príncipe.
O loiro sorri pelo canto dos lábios, uma aura vermelha começa a possuir seu corpo, contornando até mesmo as feras do príncipe que se surpreende e questiona:
–O que é isso? Você é um manipulador de fogo?
John ergue o braço direito, levantando o tigre e respondendo.
–Manipulador de fogo? Por favor... Não me compare com a escória da realeza!
Dito isso, ele abre a mão direita, em seus pés se forma um círculo com diferentes símbolos, um língua antiga. Um tremor então faz com que a neve de baixo dos pés do príncipe perca a forma e o faça se juntar ao loiro no buraco. Os tigres de gelo desmancham e se tornam apenas água, ambos agora estão sobre a terra, que começa a criar grama. John encara o príncipe e diz:
–Minha vez.
O loiro avança novamente contra o príncipe, transformando-se em um lobo negro feroz, ele avança no ombro do nobre, mordendo seu pescoço, as unhas cravando em seu peito. O lobo consegue derrubar o príncipe no chão, começando a comer de sua carne enquanto ele grita desesperado de dor, tentando conjurar novas criaturas de gelo, mas sem sucesso. Após algumas mordidas, com a boca já cheia de sangue, John acha o nervo certo no pescoço do príncipe, o mordendo e o arrancando, fazendo o príncipe perder a consciência e desmaiar no chão. Em seguida, o loiro volta a forma de homem, se levantando e limpando o sangue em sua boca.
–Vocês da realeza possuem o pior sabor que eu já senti na minha vida. Urgh.
O loiro sai do buraco e vai ao encontro de Vaiolet, que ainda estava afundada na neve. Ele chega até ela, com a roupa toda rasgada e o corpo todo sujo de sangue, sorri e diz:
–Tá tudo bem ai? Desculpa a demora, estava resolvendo um problema com seu namoradinho.
Vaiolet o encara e diz:
–Para, seu palhaço! Ele era um dos pretendentes por quem eu jamais me apaixonarei. Apenas mais um idiota. E por que demorou tanto?! Eu achei que tinha morrido, seu idiota!
John ergue a mão, oferecendo ajuda a ela. Vaiolet segura a mão do loiro que então a puxa para fora do buraco, a fazendo caminhar sobre a neve. Vaiolet vê o outro buraco e pensa em ir ver o resultado da luta, até caminha em direção ao buraco, porém John a puxa e diz:
–Chega de aventuras por hoje, não?
Vaiolet abaixa a cabeça e aceita, parando onde estava e deixando que John então liderasse o caminho para os muros do castelo.
Vaiolet então pergunta:
–O que você fez com o príncipe?
John abaixa a cabeça e diz:
–Apenas o espantei. Por quê?
Vaiolet repara nas roupas rasgadas e nas presas marcadas na pele de John, dizendo:
–Ele parece que teve uma grande vantagem, olhando pelo seu estado.
John sorri e diz:
–Fico feliz que pense assim. Porque no fundo, esses nobres não são de nada.
Vaiolet então abre um sorriso e diz:
–Por que não desafia eles então?
John para onde estava, encarando Vaiolet:
–Oi? Como assim?
Vaiolet parece animada com a idéia e diz:
–É, você pode derrotar os príncipes, eu falo a meu pai que quero organizar um campeonato, sei lá! E você entra para derrotar cada um desses esnobes, sei que será o vencedor, então nos casaremos!
John abaixa a cabeça e, antes de voltar a andar, diz:
–Não.
Vaiolet não entende o porquê dele agir assim. Ela continua seguindo ele. Contudo, na cabeça de John ainda há pensamentos sobre aquela idéia maluca de sua ruiva. Ele começa a pensar e refletir sobre o assunto. Vaiolet choramingava de cabeça baixa e John sabia da tristeza da garota, então, quando enfim chegaram ao muro do palácio, John a olhou nos olhos e disse:
–Let... Tenho um último segredo pra lhe contar, e eu espero que não me odeie por isso.
Vaiolet o olha nos olhos e pergunta:
–O que é?
John então volta sua cabeça para o alto, admirando as nuvens novamente. Ele então diz:
–A razão pela qual eu não posso me tornar um nobre, é que eu já deixei de ser um humano a muito tempo. Eu fiz um pacto a muitos anos, algo que me tirou o direito de ser um humano... E é por isso que eu não posso controlar meu elemento interior, muito menos lhe ensinar a fazê-lo.
Vaiolet o abraça apertado, ela sente o seu sangue já frio molhar o seu casaco, mas não se importa, apenas o aperta e diz:
–Eu não me importo com isso, eu apenas quero viver com você! Por favor! Esquece isso, ninguém precisa saber, você sabe magia, e isso é algo que eu jamais vi antes! Por favor, por favor!
John acaricia os cabelos da ruiva, a abraçando, apertando ela contra seu ombro não machucado enquanto lágrimas são presas a seus olhos.
–Vaiolet, eu te amo, de verdade... Mas essa é uma coisa que eu não posso mudar... Porém vá em frente com o campeonato, Eu tenho certeza que encontrará seu campeão lá.
Vaiolet o solta e o empurra pra longe, dizendo:
–Uma pena que você não é capaz de ver, você já é o meu campeão.
A ruiva pula o muro de volta para dentro do palácio. John cogita a idéia de segui-la, mas não teria bons resultados, então se encostou com as costas na parede do lado de fora e ficou pensando. O que ele não sabia, é que Vaiolet estava fazendo o mesmo do outro lado, encostada de costas no muro.
Passaram-se alguns minutos até que John se decidiu. Ele vira-se para o muro e encosta sua mão esquerda nele, criando um círculo cheio de símbolos que destruiu a parede e fez Vaiolet perder o equilíbrio. A ruiva não caiu apenas por John segurá-la nos braços.
Enquanto servia de apoio para a garota, ele sorriu e disse:
–Eu tomei uma decisão. Acorde cedo amanhã, pois terá uma surpresa.
Vaiolet já ia respondê-lo, quando foi surpreendida por um beijo. Um selinho demorado. Em todo aquele tempo, esta era a primeira vez que John a beijava. Ela fecha os olhos e se distraí com o beijo, toca a face de seu mago enquanto usa sua língua para invadir a boca dele. Os dois começam a gastar saliva naquele beijo que se tornava melado. Se distraiam com as línguas que se esfregavam uma na outra.
Após o beijo, John a olhou, sorriu e disse:
–Melhor você entrar, seu pai deve estar preocupado.
Vaiolet sorri de canto, e antes que pudesse pedir para John soltá-la, ele desaparece, deixando apenas uma brisa e fazendo a ruiva cair de costas no chão. Ela se levanta furiosa, olha pro meio da floresta e grita:
–Amanhã você vai me pagar por essa brincadeira escrota! E trate de aparecer vestido, seu plebeu fedido!
Ela sai andando, vermelha de raiva, porém com um sorriso de alegria. Havia sido o melhor beijo de sua vida.
Para dentro do castelo ela foi, no salão de entrada, sentado no trono, estava seu pai que a esperava. Ele se levantou e ergueu os braços, dizendo:
–Filha, por onde andou? Que feridas são essas em seus braços?! Vá para seu quarto, descanse, logo apareço lá para conversar contigo, ok?
Assim Vaiolet fez, colocou suas roupas para lavar e tomou um banho relaxante, encostada na banheira, com suas subordinadas lavando suas costas, braços, cabelo, perna, barriga. Na hora de se secar, elas enfaixaram seus braços e vestiram nela uma bela camisola que branca que descia até os tornozelos. Lá estava ela, vestida mais uma vez como princesa.
Ela se deitou na cama e começou a folhear um livro sobre magia.
Após algumas horas lendo, a noite já havia surgido, o dia já estava para acabar e seu pai bateu a porta de seu quarto:
–Filha? Esta vestida?
–Sim, papai! Pode entrar!
Seu pai entra no quarto, já não trajando mais o manto vermelho, apenas um pijama branco de mangas cumpridas e calças cumpridas. Ele senta-se na beira de cama de sua filha e acaricia os cabelos ruivos dela, dizendo:
–Aonde foi esta tarde?
–Eu sai um pouco, papai, precisava pensar.
Seu pai para de acariciá-la e a olha com seriedade.
–Vaiolet, você precisa escolher um pretendente. Todos esses príncipes viajaram apenas para tentar lhe impressionar. Eles treinaram seus poderes apenas para te fazer abrir um sorriso.
Vaiolet sorri e diz:
–Eu já me decidi, pai.
Seu pai abre um sorriso ao ouvi-la, e questiona:
–E quem vai ser?
Vaiolet então diz:
–Faremos um campeonato! E qualquer um pode se inscrever! Eu não quero ser impressionada com belos poderes! Sou mulher, mas gosto de ver sangue! Quero que eles lutem por mim! Lutem pela minha mão e mostrem o quão estão determinados a isso. Porém, quero que até plebeus possam se escrever. No fim, vamos ver se a realeza que veio pedir a mão de sua filha é tão forte quanto parece, ok?
Seu pai olha sua filha surpreso com a idéia da jovem. Ele se levanta, rindo:
–Eu não acho que os príncipes serão capazes de perder para plebeus. Mas certo, eu aceito. Amanhã faremos as inscrições para este tal campeonato, ok?
Vaiolet pula da cama e abraça seu pai.
–Brigado pai! Eu te amo!
Seu pai retribui o abraço e acaba olhando para a cama da jovem, reparando no livro que ela estava a ler, ele a solta, assustado e pergunta:
–Vaiolet, que livro é aquele?
A ruiva se vira e vê a merda que fez, ela não tem pra onde fugir e responde:
–É de magia, pai...
Seu pai avança no livro e o atira pela janela, vira-se para Vaiolet e começa a gritar:
–Eu posso aceitar tudo! Desde que você não controle seu elemento quanto você querer um campeonato com plebeus para disputar sua mão, mas jamais, jamais aceitarei que você aprenda magia! Que aquele livro jamais volte para suas mãos, ouviu?! Agora vá dormir, amanhã temos um longo dia para organizar seu campeonato.
Seu pai saiu do quarto furioso e batendo a porta de gelo. Vaiolet ficou de pé diante da janela, sem reação. Ela não tinha escolha além de se deitar e dormir, pois realmente, o dia seguinte seria um longo dia.
Fale com o autor