O Legado de Hórus
2 Capítulo 2
Capítulo 2
Lara desceu do quarto e se dirigiu à saleta da hospedaria, onde Indy a esperava. Arrumava os coldres presos ao cinto e exibiu um sorriso de bom dia ao avistar o companheiro.
— Conseguiu dormir, Indiana?!
Ela desconfiava que, assim como ela, o arqueólogo talvez nem houvesse conseguido pegar no sono, ansioso pelo amanhecer. Estavam ali para combinar o trajeto que tomariam a partir de então, tendo como prioridade a procura do Templo do Saber Perdido de Hórus. Lara trajava sua costumeira roupa de \"trabalho\": uma regata em tom verde, colada ao corpo, os shorts curtos de cor marrom e o par de coturnos. Os cabelos castanhos formavam uma fina trança que chegava até a cintura da jovem, e, nas costas, trazia sua inseparável mochila. Era o suficiente para a aventureira, que agora se certificava de as pistolas estarem carregadas.
Indiana surgiu com um semblante relativamente cansado. Tentara ocultar tal fato, mas era provável que houvesse exagerado nas bebidas quando estivera no bar em que fora encontrado por Croft e talvez ainda encarasse as conseqüências de uma ressaca. Estava vestido exatamente como no dia anterior, trazendo consigo sua bolsa, chicote e, é claro, o chapéu, mas não mais a jaqueta, devido ao calor. Assim, tinha o tronco coberto apenas por uma camisa surrada na cor caqui.
— Eu dormi com os faraós... – respondeu o aventureiro, em meio a um bocejo. – Sonhei que já estava explorando o tal templo. E olhe que é difícil eu ficar ansioso assim por algo que não estava buscando antes...
Ele então aproximou-se da jovem a passos um tanto lentos, olhos detendo-se então no balcão do estabelecimento.
— Onde você deixou as chaves da sua moto? – perguntou ele.
- Estão aqui comigo! – replicou Lara, levantando uma das mãos e mostrando-as. – Vamos realmente usá-la?! Pensei que o breve passeio de ontem não o tivesse agradado tanto...
Ela fingiu adquirir um semblante triste com o que dissera, ciente que Jones se lembraria do breve sufoco que passara em cima do veloz veículo na tarde anterior.
Jones, em resposta, deu uma risadinha sem graça e cínica antes de falar:
— Eu posso encarar isso de novo... Aliás, já passei por situações piores...
Ele lembrou-se então de quando estivera a bordo de um carrinho de mina desgovernado nas entranhas da montanha na Índia onde uma seita Tugue, liderada pelo terrível sacerdote Mola Ram, procurava as Pedras Sankara, alguns anos antes. É, não podia mesmo reclamar. A pitoresca moto da inglesa era brincadeira de criança perto daquilo.
Virou-se novamente para a companheira e indagou:
— Podemos ir? Ou vai querer tomar café da manhã antes?
Logo que terminou a frase, o professor percebeu as preces matinais entoadas pelos muçulmanos na mesquita perto da hospedaria. Sorriu. Já se esquecia de como era estar no Cairo.
- A fome pode esperar, Indiana – foi a resposta de Lara, que já se dirigia para a saída da hospedaria. Estava ansiosa demais para pensar em sentar para o café. Não queria perder tempo; mesmo porque, não se esquecera da perseguição no dia anterior, e sua intuição e experiência diziam que ainda não se livrara totalmente de quem quer que estivesse atrás dela. E não só dela, mas atrás do que a aventureira carregava consigo...
— Por onde começaremos?! – ela perguntou, afastando por hora a preocupação da mente e virando-se para Jones.
Indy caminhou até ela com uma das mãos no queixo, conforme se dirigiam até a saída do local, murmurando:
— Bem, vamos ver...
Pensativo, o arqueólogo norte-americano tentou relembrar a localização das escavações dos irmãos Clarent e conseguiu traçar um mapa quase perfeito em sua mente já acostumada àquele tipo de coisa. Em seguida explicou:
— Devemos deixar a cidade pelo sudoeste... E acompanhar a margem oriental do Nilo por cerca de dez quilômetros ao sul. Nessa sua moto, chegaremos bem rápido, creio. Mas saiba que não tenho certeza do que, ou quem, encontraremos lá... – em seu íntimo, Indiana desejava ao máximo que não fossem nazistas. Não desejava cruzar com qualquer um deles novamente. Ele os odiava.
- Uhum... – Lara concordava com a cabeça, assimilando todas as orientações de Indiana. Sempre desejava que não aparecessem perseguidores em seu caminho: pessoas de olho no mesmo artefato que você trazem apenas atraso e dor de cabeça. Mas sabia que isso era inevitável na maioria dos casos, então não se importava tanto. O que contava, realmente, era achar o Templo antes que adversários desagradáveis o fizessem.
— Bem, Indiana, você deve suspeitar dos tipos que possam estar atrás da mesma coisa que nós. Temos de estar preparados para certas companhias... – ela concluiu, subindo na moto e ligando o motor. – Espero que para isto você esteja bem-equipado...
Croft não conseguiu evitar um olharzinho desdenhoso para o chicote que Jones carregava. Já havia reparado nele e, interiormente, duvidava que o homem fosse capaz de se defender muito com aquilo...
- Mas o quê? – Indy replicou com evidente indignação.
Ele ficara realmente irritado com a colocação da colega. Como assim? Ela insinuava que ele estava mal-equipado? Por que será que resolvera lhe dizer algo assim?
— O que está querendo dizer com isso? – o arqueólogo desejou esclarecer, incomodado, enquanto subia à garupa da moto, já se preparando para mais um passeio agitado.
- Calma, meu caro... – após assim responder, por um momento pareceu que Lara não falaria mais nada, mas ela continuou, assim que deu a partida: – Só acho que um pedacinho de couro como esse não pode causar tantos estragos. Nunca pensou em algo realmente eficaz? Armas de fogo, por exemplo...
Com um sorrisinho, ela deu uma breve olhadela para o inseparável par de pistolas preso à cintura e logo seguiu o caminho que Indiana indicara há pouco, esperando que desta vez a velocidade não o surpreendesse tanto.
Segurando-se como podia à traseira do veículo, não se esquecendo de manter também uma mão sobre o chapéu para não perdê-lo, Jones fez questão de responder:
— Para começar, senhorita Croft, esta tira de couro à qual se denomina \"chicote\" já salvou minha vida inúmeras vezes... Além do mais... – mostrou então algo que trazia também preso à cintura, imperceptível até então: um coldre contendo um revólver – Eu também carrego sempre isto comigo! – completou.
Nisso, Indy olhou ao redor e viu pessoas e construções ficando para trás conforme cruzavam as movimentadas ruas e vielas do centro do Cairo, a moto de Lara como sempre chamando atenção. Ainda ficava imensamente intrigado com a origem daquele meio de transporte tão impressionante...
Croft, por sua vez, demonstrava estar acostumada com a motocicleta. Quanto mais velocidade adquiria, mais a mulher se inclinava sobre o guidão, e mesmo em curvas ou ruazinhas estreitas, parecia não se preocupar em diminuir a velocidade ou tomar muita cautela. Toda essa rapidez fez com que, em poucos minutos, a cidade fosse ficando para trás. E não demoraria muito para que estivessem seguindo pela margem oriental do Nilo, como Indiana havia proposto.
Lara permaneceu quieta durante o restante do trajeto, concentrando-se na estrada à sua frente. A poeira e o sol quente eram desanimadores, mas saber que a poucos quilômetros poderia estar o Templo que acreditavam existir fazia com que corpo e alma da dupla de arqueólogos fossem tomados por uma energia, uma sensação reconfortante. Precisavam certificar a existência desse Templo e, claro, ambos acreditavam nela.
Já Indiana, pelo trajeto, observava a paisagem do Nilo que tanto o fascinava: as palmeiras, papiros, as águas correntes do rio que fora fonte de vida e crescimento para uma grande civilização no passado. Sentindo uma agradável brisa atingir seu rosto conforme a moto vencia o percurso, Jones perguntou-se se ele e Lara não estariam se envolvendo em algo grandioso demais, quiçá perigoso... Que tipo de misticismo poderia estar relacionado àquele Templo? Será que algo enterrado por tantos anos nas areias do deserto deveria ser perturbado?
Quebrando finalmente o silêncio – e a calma que a paisagem poderia trazer – a voz de Lara saiu aparentemente tranqüila, a princípio:
— Indiana... lembra aquele revólver que você me mostrou?
Ela então deu uma olhada pelo espelho retrovisor da moto, confirmando suas suspeitas.
— Acho que é uma boa hora para usá-lo... estamos sendo perseguidos! – em seguida Lara revelou, acelerando bruscamente, sem sequer tirar os olhos do espelho.
Aturdido, Jones olhou como pôde para trás, notando realmente rastros de poeira não muito distantes que com certeza não pertenciam à moto de Croft. Corriam mesmo perigo iminente. Ele exclamou, face se alternando entre os prováveis inimigos e a guia:
— Malditos... Quem serão eles?
E, como a britânica recomendara, sacou seu revólver, verificando a munição no tambor. Seis balas, estava cheio. Fechando um dos olhos numa expressão que lembrava uma careta, virou-se para trás fazendo mira para disparar, pronto para puxar o gatilho ao mínimo sinal de hostilidade.
Um disparo foi ouvido e logo em seguida o ruído de algo sendo estilhaçado, vindo do espelho retrovisor esquerdo da moto de Lara, que fora atingido.
— Não sei quem são, Indiana. Mas é bom acertar o imbecil que estragou a minha moto! – o tom de voz e expressão de Lara mostravam o quanto aquilo a irritara. Cerrando os dentes, fez questão de acelerar mais ainda o veículo: se não conseguisse despistá-los, ao menos dificultaria a mira dos perseguidores.
O professor, por sua vez, mordeu os lábios, ainda fazendo mira. As nuvens de poeira logo se tornaram silhuetas, que por sua vez rapidamente tomaram a forma de motocicletas guiadas por homens armados com armas que Indy não conseguiu identificar, já Croft, numa breve olhadela, concluindo se tratarem de submetralhadoras Uzi. Quatro veículos, tão arrojados e potentes quanto o de Lara, Jones começando a achar que um modelo novo e revolucionário fora lançado no mercado enquanto estivera viajando pelo Egito.
— Há quatro deles! – informou ele à companheira, aturdido.
Em seguida disparou uma vez, a bala se dirigindo até um dos inimigos... Mas errando o alvo por míseros centímetros, o mesmo respondendo com uma nova rajada de projéteis. Indy gritou:
— Cuidado!
A guia debruçou-se sobre o guidão, abaixando a cabeça o máximo que pôde a fim de desviar da mira. A velocidade das motocicletas perseguidoras também aumentava conforme percorriam o trajeto e, por mais que Lara corresse, sentia que em breve o grupo inimigo estaria em seus calcanhares.
— Eles estão se aproximando, Indiana! Atire! – ela ordenou, acelerando ainda mais.
- OK, OK! – ele replicou, sem descuidar da mira e ao mesmo tempo atento a novos disparos.
Jones mordeu os lábios e pressionou mais uma vez o gatilho do revólver, que parecia agora subitamente ineficaz contra adversários que pareciam tão formidáveis. O arqueólogo nunca vira antes aquelas estranhas armas que portavam, e pareciam tão potentes quanto as motos.
A bala de Indy, por sorte, atingiu um dos perseguidores na perna esquerda, fazendo-o perder o equilíbrio e cair de cima do veículo num grito abafado, o veículo desgovernado logo tombando e capotando algumas vezes antes de finalmente parar, as rodas fora do solo girando frenéticas e espalhando areia ao redor. O piloto acidentado ergueu-se do chão, vivo, mas incapacitado de continuar, o uniforme preto que trajava agora repleto de rasgos. Um inimigo a menos para se preocuparem.
Não demorou, porém, para que mais um disparo inimigo fosse ouvido. A rajada acertou a lataria da moto, não prejudicando o funcionamento do veículo por ter sido pego de raspão. Lara se assustou com o barulho e o impacto, virando bruscamente a motocicleta e por pouco não fazendo a mesma derrapar. Logo se recompôs, voltando ao seu trajeto. O único problema foi que, com o ato, os inimigos conseguiram se aproximar ainda mais...
— Droga! Indiana, acerte-os! Eles estão nos alcançando! – ela exclamava.
Entre o trio restante, um perseguidor em especial seguia à frente, parecendo se aproximar a cada metro. Apesar da nuvem de poeira provocada pelas motocicletas, podia-se ver claramente que a dupla de arqueólogos estava sob a mira de sua submetralhadora.
- OK, vou tentar! – respondeu Jones, fazendo o que podia.
O aventureiro cerrou os dentes, tentou manter a arma apontada na direção do oponente adiantado... E disparou. Para sorte dele e da companheira, a bala acertou o peito do inimigo, fazendo-o voar para trás, caindo da moto enquanto pousava de costas sobre a areia, morto. Seu transporte logo derrapou, rodopiou e tombou de modo violento no caminho... Servindo de obstáculo a um outro veículo que vinha logo atrás, seu guia desviando no último momento e por pouco não deixando a perseguição também de modo fatal.
— Faltam dois! – Indy informou à britânica, enquanto continuava se segurando como podia à garupa.
Lara verificou a afirmação olhando pelo retrovisor direito que sobrara da moto. Um dos perseguidores vinha logo atrás, aproximando-se pela direita da motocicleta da arqueóloga, e esta pôde ver o inimigo prestes a atirar mais uma rajada de projéteis contra a dupla.
— Segure-se! – bradou ela.
A guia virou o quanto lhe era possível a moto para a esquerda, e de resultado ambos escaparam por pouco da mira do perseguidor. O veículo, entretanto, derrapou dessa vez, inclinando tanto que o joelho de Croft por míseros centímetros não raspou no chão. Por um momento a mulher chegou a pensar que cairiam da motocicleta, o que faria os inimigos darem cabo da dupla. A moto virara tanto que seria impossível Lara retomar o caminho que estava fazendo sem ter de pará-la. Arriscou a única solução que lhe veio em mente, e continuou a virar a moto até que ficasse na direção contrária, de frente para os perseguidores. Pelo retrovisor pôde ver a expressão perturbada no rosto de Indiana, mas mesmo assim continuou seu percurso, acelerando ainda mais e disparando de encontro com um dos inimigos, que antes seguia mais atrás dos aventureiros.
- O que está fazendo? – exclamou Jones, atordoado.
Segurando-se à moto, ele tentou ao máximo confiar na inglesa e em seu julgamento. Afinal, já encarara a morte de perto muitas vezes, e na maioria delas correr o maior risco representara a melhor saída para a situação. Respirou fundo, tentando apontar a arma para frente, à esquerda de Croft.
— Bem, vamos lá então... – ele murmurou, notando a rápida aproximação das motocicletas adversárias.
Os perseguidores também ficaram surpresos com a atitude de sua caça e, sabendo disso, Lara planejava ser mais rápida do que o inimigo à sua frente. Aliás, esperava que Indiana fosse rápido e certeiro; afinal, dependeriam da mira do arqueólogo.
Enquanto a dupla se aproximava, o adversário à frente disparava, errando o alvo por pouco graças à velocidade da motocicleta de Lara e ao \"zigue-zague\" que a guia fazia justamente para dificultar a mira. Os disparos não cessaram até que Croft estivesse a pouquíssimos metros da motocicleta inimiga. A aventureira então segurou firme o guidão, preparando-se para incliná-lo para a esquerda. Era o momento certo.
— ATIRE! – gritou a Indiana, desviando a moto no último segundo e passando ao lado direito da inimiga, seguindo o caminho contrário da mesma. Torcia para que Jones não a decepcionasse.
Jones não pestanejou. Pressionou o gatilho.
BANG!
O projétil zuniu no ar e atingiu a cabeça do oponente, derrubando-o imediatamente da motocicleta enquanto esta avançava sem guia por mais alguns segundos, finalmente tombando sem maiores conseqüências. Restava apenas um último veículo perseguidor, seu piloto já erguendo a arma na direção dos arqueólogos para eliminá-los. Indy calculou rapidamente a distância entre as duas motos e tentou prever as ações do inimigo. Torceu para que a sorte continuasse do lado dele e da nova amiga.
— Tente chegar um pouco mais perto, e abaixe-se – pediu a ela. – Torça também para eu não errar os tiros. Meu tambor está quase vazio!
Croft concordou com a cabeça, olhando de modo fixo para o último perseguidor restante e aproximando-se velozmente com a moto. Fez o mesmo que com o anterior, esquivando dos disparos sempre que necessário. Faltavam poucos metros para que os veículos estivessem frente a frente, e a arqueóloga considerou a hora certa de seguir com o combinado.
— Agora! – Lara inclinou-se o máximo que pôde sobre a moto, abaixando a cabeça e esperando convicta ouvir o revólver de Jones anunciar a vitória naquela perseguição.
O disparo veio, Indy efetuando-o com um dos olhos fechados e torcendo para que sua mira não falhasse...
Escutou-se a seguir o som de algo sendo partido... O material do qual era feita a viseira do capacete do perseguidor se partindo, enquanto filetes de sangue surgiam através da abertura... O corpo já sem vida tombou para a direita, a moto descontrolada empinando rapidamente e depois sendo destruída num giro que quase a partiu ao meio. Triunfante, o norte-americano suspirou aliviado enquanto guardava o revólver de volta no coldre.
— Lembre-me de trazer mais balas da próxima vez em que pegar carona com você! – o aventureiro falou à companheira, ajeitando o chapéu.
- Pelo menos estamos livres deles... por enquanto! – ela replicou.
Lara finalmente pôde diminuir um pouco a velocidade e suspirar, aliviada. Pela correria e o trajeto que tinham feito até então, estavam bem próximos do ponto que Indiana descrevera na hospedaria. Seguiram por mais alguns minutos, até que a aventureira parou a moto.
— Aqui está bom, Indiana?! Eu devo ter corrido muito até chegar ao Cairo, – deduziu um pouco confusa, afinal ainda não entendia exatamente como chegara tão rápido ali durante a primeira perseguição – e depois dessa nossa experiência, creio que o combustível da minha moto não vá durar por muitos quilômetros ainda...
Dizendo isso, ela desceu do transporte, observando a lataria machucada do veículo. Passou os dedos pelo estrago que os projéteis haviam feito, e balançou a cabeça em sinal de desagrado.
Indy, por sua vez, também deixou o veículo, ainda ofegante. Em seus quarenta anos, começava a ficar velho para aquele tipo de coisa. Não que fosse evitar experiências como aquela.
— Creio que está bom sim... – respondeu o professor, endireitando as vestes amarrotadas. – De acordo com o que eu ouvi...
Ele interrompeu a frase olhando ao redor, sua atenção por fim se centrando numa duna próxima dali, sua altura relativamente grande impedindo que enxergassem o que havia além.
— Os vestígios do Templo devem estar logo atrás de toda essa areia! – completou, apontando para a elevação. – Largue essa moto esquisita e vamos atrás da tal entrada, antes que mais desses atiradores apareçam! Aliás, são amigos seus?
Logo após efetuar a indagação, fitou de longe, com as mãos na cintura, um dos motoqueiros mortos, com seus trajes e armas pitorescos que mais pareciam saídos de um filme expressionista alemão.
- Não... – respondeu Lara, retirando a atenção da moto, mas sem se preocupar em olhar o cadáver inimigo que ficara para trás. – Porém dividem os mesmos interesses que eu...
Olhou então para Indiana, com um pequeno sorriso de canto, corrigindo a frase:
— O mesmo interesse que nós, pelo visto.... Bem, vamos à procura do Templo!
Dito isso, começaram a caminhar em direção à duna, a moto de Lara ficando para trás e a expectativa de que fossem bem-sucedidos nessa busca os tomando.
- Certo... – Jones murmurou, já subindo pelo monte de areia.
A subida foi um tanto rápida, seus pés seguindo de forma relativamente firme sobre os grãos do deserto, apesar de afundarem aqui e ali. Voltando a cabeça para trás para se certificar que a colega o acompanhava, Indy parou ao atingir o topo, abrindo os braços para o cenário à sua frente.
— Aqui estamos! – gritou ele.
Diante dos dois havia um complexo de construções e ruínas soterrados pelo tempo e a areia. Junto a uma duna mais baixa via-se, como se lutasse contra as forças que o encobriam, o topo de um obelisco tombado, contendo vários hieróglifos e símbolos egípcios ao seu redor. Também parcialmente afundadas havia várias colunas, blocos de pedra, estátuas incompletas... Enfim, o majestoso Templo do Saber Perdido de Hórus ali se encontrava, apenas aguardando ser escavado e desvendado até o fim.
- Uau... – Lara passou por ele, escorregando pelo monte de areia, dando passadas largas até chegar ao local \"descoberto\". Uma expressão satisfeita tomava o rosto da arqueóloga, que ao chegar ao lado de uma das colunas semi-soterradas passou os dedos por ela, afastando a areia. Virou-se para Jones, abrindo um sorrisinho convidativo enquanto dizia:
— Está esperando o que, Indiana? Temos muita areia para tirar de nosso caminho... vamos!
- Vamos... – Indy respondeu num murmúrio, aproximando-se da companheira enquanto também explorava o ambiente.
Continua...
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