O Legado da Fênix

5 Primeiros Conflitos


Notas iniciais
Desculpem a demora, tive uma crise de bloqueio mental e acabei não postando. Espero que gostem...

Acordei com o barulho de batidas na porta, mas estava com tanto sono que só consegui murmurar um "entre", juro que nunca mais viu perambular com o Levy pela sede até altas horas da madrugada.

– Bom dia florzinha! É hora de acordar, você tem aula hoje! — Berrava Violetta animada.

– Mas já? — Falei com voz arrastada.

– Shiiii... o que foi que aconteceu com você? Tá com essa cara toda amassada, e essas olheiras gigantes, o que são esses olhos vermelhos hein dona Hazel? Você não andou fumando ervinhas, né?

–Hã? Claro que não, eu só dormi...- bocejei- ...um pouco tarde. — Menti. Eu não iria que eu e Levy estávamos passeando pela sede de madrugada, muito menos que eu tive uma crise de choro antes de dormir, mas de fato, eu sentia falta dos Belthor, muita falta, eu ainda tenho a esperança de que Loriel e Fin estejam vivos, eu sinto isso, eu lutarei, serei forte, por eles, mas a força vai toda embora quando o seu amigo tem uma personalidade muito semelhante a seu irmão postiço desaparecido, a dor é quase insuportável, mas sofrer é inevitável.

– Vou tomar banho. -Avisei e Violetta assentiu.

Entrei em uma das portas dos banheiros, ele era bem grande, era pintado em um tom de azul quase branco, tinha uma banheira que eu acho que era de cobre, um box, uma privada e uma pia, nas paredes haviam algumas estantes com produtos de limpeza e beleza, também algumas toalhas brancas, também tinha alguns espelhos e produtos de higiene pessoal. Despi-me e entrei no box, liguei o chuveiro e deixei a água cair sobre meu corpo, era realmente relaxante, me ensaboei e fiquei mais um tempo curtindo a água.

Saí do box e me enxuguei com uma das toalhas e depois me enrolei nela e saí do banheiro, procurei uma roupa no baú mas Violetta me impediu, cuidadosamente apontou para a minha cama, onde se encontravam às roupas que eu havia usado ontem. — Será seu uniforme! – Afirmou.

Peguei as peças de roupas e voltei para o banheiro, para me trocar, quando saí, Violetta segurava um pente, ela me olhou e apontou para o banquinho, sentei-me e ela penteou os meus cabelos cuidadosamente, ela havia refeito minha trança, depois que calçei minhas botas e acompanhei Violetta para fora da casa, andamos em direção ao refeitório, era um espaço amplo não muito aberto, era cheio de janelas de vidros, haviam várias mesas espalhadas pelo lugar, e no fundo estavam algumas ninfas atrás de três balcões que estavam repletos de comidas, e também haviam algumas bandejas, pratos, talheres e copos empilhados um em cima do outro como pequenas torres. Apanhei uma bandeja e dentro dela coloquei um prato, um copo e os talheres necessários, Violetta puxou a bandeja de minhas mãos, e comentou: — Não vou deixar Você comer besteiras no café da manhã.

– Eu não pretendia mesmo. — Dei de ombros. -Quando foi que você decidiu se tornar sacerdotisa?

–Quando completei a maioridade, quando eu era criança eu costumava admirar o trabalho de sacerdotes elementais, então decidi que quando crescesse me tornaria uma. — Respondeu-me.

– O que um sacerdote elemental faz?

– Bem, nos sacerdotes somos fomos conselheiros de ministros da Supremacia Celestial, temos permissão para viajar ente os quatro mundos livremente por que somos autoridades. Nosso dever é ajudar os ministros com os acordos e outros tratados entre as dimensões, para que elas sempre fiquem em total harmonia e paz.

– E os ministros o que fazem?

– Eles são os grandes líderes da corte, eles que tomam a decisão finais sobre tudo o que acontece nas quatro dimensões, são sábios que fazem papel de juízes e reis ao mesmo tempo. Ao todo são quatro ministros, Mestre Shigeru que é da nossa dimensão, Solon, ministro da dimensão e das providências de Órion, Marion que é da dimensão que vocês intitulam "mundo real" ou Terra e Locke, ministro da dimensão Ômega.

– E os cavaleiros vermelhos? Só matam?

– Cada dimensão tem sua tropa de cavaleiros, nós temos os cavaleiros negros, os Ômega tem os cavaleiros vermelhos, eles são elementais de elite treinados para missões de níveis elevados, e também cumprem ordens e protegem seu ministro.

– Mas... por que o ministro de Ômega iria querer matar a minha família? O que foi que eles fizeram de errado? Por que eles querem me matar?

– São muitas perguntas para poucas respostas, não é porque eu faço parte do conselho que eu sei de tudo o que acontece, tem coisas que eu tenho que manter em sigilo seguro, ou seja que eu não tenho permissão para contar.

Suspirei pesadamente e me surpreendi quando vi que minha bandeja estava repleta de comida." Essa mulher quer me engordar, só pode." — pensei.

–Acho que tem alguém alí esperando a sua presença. — Comentou Violetta. Vasculhei a cantina com os olhos e avistei Levy sentado sozinho em uma mesa mais afastada, ele olhava diretamente para mim, sorri para ele e o mesmo sorriu em resposta.

– Vocês já se conhecem? -Perguntou Violetta confusa.

– Sim, nos conhecemos ontem à noite, ele estava treinando perto de meu dormitório, na verdade eu fui dar um passeio e encontrei ele.

–Hum- murmurou em entendimento. — E qual é o nome dele?

– Levy Black. — Respondi andando em direção ao mesmo.

– Ah, sim, ele é o filho do Jack! Bem que ele comentou sobre o filho dele estar aqui na sede.

– Jack? Aquele sacerdote que estava na sala do Mestre Chang?

–Sim, ele mesmo! As pessoas ao redor me seguiam com os olhos, algumas sussurravam coisas umas para as outras e outros apenas se concentravam em comerem suas comidas.

Sentei-me de frente para o Levy com Violetta ao meu lado.

–Porque as pessoas estão olhando para a gente? -Perguntei.

– Deve ser porque você é novata, ou porque não é comum sacerdotes fazerem refeições com a gente. — Levy deu de ombros. Eu e Violetta nos entreolhamos e começamos a tomar café em silêncio, Violetta comia junto comigo.

Depois de acabarmos de comer, a jovem sacerdotisa nos guiou até o templo e lá dentro nos acompanhou até a porta, deu leves batidas e logo foi atendida. Um homem muito alto, loiro, de olhos cor de mel, vestia um conjunto de roupas negras, abriu espaço para Levy e eu entrarmos, o albino já familiarizado com o local se dirigiu logo para uma das mesas no fundo da sala, tentei acompanhá-lo mas o homem me segurou pelo capuz antes que eu pudesse fazê-lo.

Olhei para os lados a procura de Violetta, porém a mesma não se encontrava mas lá. Suspirei e olhei para frente encarando os outros alunos da sala, é, parece que a vergonha tirou o dia só pra cuidar de mim!

–Apresente-se para a turma.- Ordenou o professor, ele mantinha a expressão séria e sua voz era muito grave.

–E-eu me chamo Hazel- Falei alto o suficiente para a turma ouvir.

– Hazel...?- Incentivou o professor.

– Flami...- Continuei, porém fui interrompida por alguém, era aquele garoto que eu havia visto no dia anterior, ele mantinha sua pose arrogante e um ar de superior.

– Não precisa fazer esforço para descobrir, está na cara que ela é a menina falha do clã Flaming!

– RICK! — Repreendeu o professor.- Só fale quando você for autorizado. Eu pedi para ELA se apresentar, e não pra VOCÊ apresentá-la! Ponha-se no seu lugar. — Completou.

– Posso ir me sentar professor? — Perguntei.

– Sente-se atrás do senhor Bugg. — Apontou para a mesa atrás de um garoto de cabelos negros, pele morena igual a minha e tinha olhos tinha olhos tão verdes que pareciam folhas de de árvores no início da primavera, o mesmo mantinha seus olhos fixados em um livro de capa marrom avermelhado e parecia estar vem distante dalí, a mesa era a última que estava vaga, e era entre a mesa do Levy e do tal de Rick.

Sentei-me na cadeira e apoiei meus cotovelos na mesa. O professor iniciou a sua aula, era sobre estratégia de guerra, ele entregou para todos um livro cujo o nome era: "Estratégias para iniciantes". Em seguida tive aulas de geografia, matemática e por fim história.

– Todos conhecem a história do primeiro Elemental, não é? — Perguntou o professor, todos assentiram que sim.

– Pois bem...- Pirragueou. — Hoje eu vou falar para vocês sobre a descendência da Fênix e do surgimento de outros elementais. Depois de alguns anos após a guerra entre Ogon e a Fênix, houve um curto período em que ela "reinou" os quatro mundos, os dragões ficaram revoltados e resolveram criar seus próprios exércitos para uma provável rebelião, foi nesse período que nasceram o primeiros elementais de raça pura. Na batalha houve alguns imprevistos como, os elementais de sombra se voltaram contra os puritanos e decidiram lutar a favor da fênix, já que a mesma tinha como aliados os elementais de fogo. No fim da guerra o lado puritano ganhou e a fênix foi derrotada, dizem que ela foi "morta", porém, alguns povos acreditam que ela irá renascer e trará consigo todo um exército, mas é apenas uma suposição. — Explicou.

Uma garota loira sentada na primeira carteira levantou a sua mão esperando a atenção do professor.

– Mas professor, eu já ouvi dizer que a fênix já renasceu, e no corpo de uma mulher, aquela guardiã...- Pausou para tentar se lembrar de algo. — Ah, sim, a Vexy Flaming! -Completou.

Paralisei. Como assim? Impossível! E como assim uma guardiã? Minha mãe era uma caçadora, assim como meu pai, eu me lembro, as vezes eles passavam o dia caçando e eu ficava em casa sendo vigiada pela vizinha. Fui cortada de meus devaneios pela voz só professor:

– Isso nunca foi confirmado, de fato ela era a melhor elemental de fogo e de origem o seu poder vinha da fênix, mas eu acho que a força do poder dela era muito grande apenas pelo legado ter ficado mais forte nela.

O sinal bateu dando fim a aula, os alunos saíram apressadamente da sala, eu fiquei para trás com o Levy ao meu encalço.

– Você está bem?

– Fisicamente sim, psicologicamente péssima.

– O que aconteceu?

– Nada Levy, nada...- Resolvi não contar, seria melhor se ele não soubesse.

– Eles te privaram da verdade, não foi?

– Essa me pegou de surpresa, como ele sabia? Estava tão claro assim?

– Como Sabe?

– Vi sua reação quando soube que sua mãe é uma guardiã, então deduzi isso. Vem comigo!

– Peguei os livros em cima da mesa e acompanhei Levy, o mesmo me levou até uma imensa biblioteca, ela tinha inúmeras prateleiras abarrotadas de livros, algumas iam do chão ao teto, diversas estantes, mesas com alguns alunos lendo ou estudando.

Levy segurou a minha mão e me levou até uma estante, pegou um livro chamado "guardiões do século" e folheou até chegar na página que ele queria e me entregou. Falava sobre minha mãe, dizia que ela era a primeira mulher a conseguir subir ao cargo de guardiã suprema e a pessoa mais jovem a conseguir realizar a "flor de lótus" e inventar uma magia chamada fusão.

– Sua mãe era genial Hazzie, ela era a melhor, os únicos que ficavam a altura dela eram o seu pai e o ministro da dimensão Ômega, ele foi companheiro de equipe dela.

– E o meu pai?

– Ele foi o ministro mais jovem de todos os tempos, pois chegou ao poder aos dezessete anos e ainda inventou as chaves de portal e muitas outras coisas, o homem que governa agora é o Master Shigeru, não se engane pela aparência, ele tem mais de 125 anos, ele foi o fundador da sede dos elementais e reassumir o seu posto de ministro após a morte de seu pai. -Explicou-me.

– Pelo visto a minha família era importante.

– E você também será! — Animou-me Levy.- Venha, vamos almoçar!

Nos direcionamos ao refeitório em silêncio, ambos pegamos uma bandeja e começamos a nos servir, quando de repente e esbarro em alguém, o meu almoço caiu todo em cima da pessoa e no chão, ele ou ela e eu também estávamos no chão, para ser mais exata, caímos um em cima do outro.

– NÃO OLHA PARA ONDE ANDA NÃO SUA DESASTRADA? — Gritava a pessoa, que até então eu percebi que era o Rick, levantei- me e estendi a mão para ajudá-lo, mas o mesmo recusou.

– Não preciso da sua ajuda sua problemática. -Vociferou carrancudo. Arregalei os olhos com a ofensa que ele me fez, problemática? Eu?

– Desculpe-me pelo incidente, eu não te vi, mas também não precisa insultar. — Exasperei-me aborrecida.

– Não aguenta a verdade Flaming? -Riu debochado.

– Vá embora, aqui não é o seu lugar!

– Se eu soubesse onde é, tenha certeza que eu iria para lá sem pestanejar, até porque, até a morte é preferível a ficar o tempo todo em um lugar em que eu seja obrigada a olhar para a sua cara estúpida todos os dias.- Retruquei calmamente.

– Então porque não morrestes? — Perguntou irritado.

– Certamente porque ainda não chegou a hora dela! — Respondeu Levy se intrometendo na conversa.

– Defendendo a namoradinha Black? — Riu.- Chegastes mesmo no fundo do poço para andar com o fracassado Hazel? Realmente vocês dois se merecem.

– E se for? Você não tem nada a ver com isso! E o único fracassado aqui é você. — Virei-me e puxei Levy comigo pela manga de seu casaco e o levei para fora do refeitório, quanto mais longe daquela praga melhor.

– Para onde vamos? — Perguntou.

– Eu não sei. — Murmurrei baixinho.

– Ei, você, pare! — Ouvi alguém berrar atrás de mim, suspirei cansada de tanto bater boca com os outros.

– O que é? — Perguntei irritada e me virei, dei de cara com uma menina loira de olhos verdes, usava uma regata verde musgo, uma saia preta de babados e um par de botas marrons, ela me olhava com uma expressão furiosa.

– Escuta aqui garota, não é porque você é descendente direta do primeiro elemental que você pode sair por ai esculachando os outros. — Vociferou irritada.- Se você chegar perto do meu Rick novamente eu vou te dar uma surra! — Ela virou e cruzou os braços se acalmando.

–Acabou? — Perguntei entediada. — Não se preocupe com isso, não tenho a menor vontade de gastar meu tempo com aquele idiota, já você, não faço questão nem de dirigir a palavra, já que tamanha infantilidade e futilidade me enojam. — Respondi calmamente.

– Pelo visto o jeito estranho do fracassado já tá te contaminando, se eu fosse você parava de andar com ele. E eu não sou fútil, posso ser até infantil, mas fútil não! — Eu ri debochada e sorri.

– Eu ando com quem eu quiser, e tenha certeza que eu prefiro o Levy a você. E sim, você é fútil. — Virei as costas para ela é levei Levy até o lago, onde dividimos o almoço. Pensei em tudo o que acontecera desde que cheguei aqui, olhei para o lago e me afundar ainda mais em pensamentos, daí eu me lembrei de que não sabia de nada sobre os outros mundos, nada sobre magia elemental, não sabia de nada, nem sobre meus pais eu sabia, eles realmente tiveram cuidado para me privar de tudo sobre esse mundo, certamente fizeram isso para me proteger, mas a pergunta é:” — me proteger de quê?”

– Obrigada. — Fui cortada de meus devaneios por Levy, franzi o cenho confusa.

– Pelo que?

– Por ter me defendido, nunca ninguém fez isso por mim, todos aqui me chamam ou de estranho ou de fracassado por eu não saber controlar os meus poderes e ser o maior desastrado. — Ele se encolheu e abraçou as suas pernas, apoio a sua cabeça em seus joelhos e ficou admirando a água.

–Então somos dois fracassados, porque temos os mesmos problemas, eu não ligo para o que eles dizem, porque até agora você foi o único que não me julgou por eu ser uma Flaming, e eu o agradeço por isso.

– Eu não o fiz porque sabia o que fizeram com você, meu pai ficou encarregado de te vigiar e eu descobrir sobre algumas coisas que aconteciam com você.

– Me vigiavam esse tempo todo? — Perguntei irritada.” como assim eles me vigiaram esse tempo todo? Eles viram todos aqueles que eu amo morrerem e não fizeram nada?”

– Seu pai pediu para que te vigiassem até o dia que você viesse para cá, para te protegerem. Meu pai ficou encarregado de te rastrear durante sua estadia na Terra, e eu bisbilhotava de vez em quando. Ma nós a perdemos no dia do ataque na sua vila no Brasil. Não conseguimos encontrá-la, e o processo para lhe encontra novamente durou seis anos.

– No dia do segundo ataque...-Murmurei.

–Exato! Mas ninguém mais sabia que você estava lá além de nós, por isso deduziram que há um espião dentro do nosso conselho.

– Espião?

–Sim, ele pode ter denunciado o seu paradeiro para os cavaleiros vermelhos, mandaram imediatamente Violetta, meu pai e mais outro sacerdote para lhe encontrarem quando descobriram que eles te encontraram, mas eles chegaram tarde demais.

–Eu não sabia... Eu não sei nada sobre esses mundos. Me sinto confusa.

– Você não sabe de nada mesmo não é? — Perguntou retoricamente. — Pois bem, vou te ensinar tudo o que sei.

– Então você vai ter um longo trabalho pela frente. — Rimos juntos.

Levantamos e nos direcionamos a biblioteca. Levaria um bom tempo para eu entender sobre tudo naquele mundo, já que agora eu teria que acreditar no impossível, mas afinal, é nisso que devemos crer quando estamos no mundo surreal.

Notas finais
Espero que tenham gostado e por favor, COMENTEM!