O Legado da Fênix

4 Meias verdades- a sede dos elementares


Notas iniciais
Desculpem a demora, mas eu tenho motivos: 1- Eu estava em semana de prova . 2-Eu estou sem not então tive que digitar pelo celular mesmo. Por eu ter demorado tanto fiz um cap grande pra vcs .

Olhei para frente admirando o portão a minha frente, ele era enorme e feito do mais puro ferro, e ao seu lado algo que parecia uma mini-casa, e de lá saía uma criatura gorda de cara emburrada de pele esverdeada. Olhei interrogativa para a sacerdotisa e a mesma respondeu-me:
– Ele é um gnomo, seu nome é Godlyn, e é o porteiro.
– Mais uma peste para me infernizar? — Perguntou mal-humorado.
– Esta é Hazel, a menina que procurávamos.- Respondeu um sacerdote.
– A Flaming defeituosa?- Indagou.
Fiquei furiosa com aquilo, só porque eu era diferente não quer dizer que eu seja defeituosa.
– E você é um, oinc, oinc mal- humorado.- Sussurrei baixinho furiosa.
A sacerdotisa olhou para mim e abaixou para ficar na minha altura.
– Te deixaremos nas mãos de uma ninfa, ela lhe limpará e arrumará para poder nos encontramos com o líder da sede.- Explicou-me.
Assenti com a cabeça e fui a contragosto até o gnomo, este me olhando indiferente como se fosse alguém superior, e me guiou para dentro da sede.
Impressionei-me com a beleza do lugar, chega a ser mais bonito que a Aldeia do Norte, milhões de vezes mais.

O chão era feito com pedras cinzentas, mas apenas cobria uma pequena parte do chão, como uma estrada e o restante era pura grama, fresca e verde, por todo o lugar havia espalhadas várias "casas" nas quais eram pintadas em tom vermelho e possuem o telhado dourado, e tinham aspecto chinês, (mesmo que eu nunca tenha ido a China, eu já vira várias fotos das casas de lá) no centro do lugar havia um imenso templo de dois andares que seguia o mesmo estilo das "casas".
Haviam árvores espalhadas por toda a parte e variados tipos de flores que eu não conhecia, o canto dos pássaros ecoavam, o vento batia mais suave que uma brisa de primavera e balançava levemente as folhas das árvores fazendo um barulho chiado que se misturava com o som de água correndo dos rios que banhavam alguns campos e beiravam a floresta que tinha mais lá atrás e por fim as montanhas no fundo.
Acordei de meus pensamentos quando o gnomo Godlyn parou de caminhar, pude ver que paramos em uma daquelas "casas" e de lá saiu uma jovem moça, parecia humana, até você olhar para suas orelhas, que pareciam orelhas de duendes, por serem pontudas, suas roupas eram floridas e enfeitadas com pequenas florezinhas.
Ela segurou a minha mão e me puxou para dentro da "casa". Lá dentro era como um banheiro gigante cheio de banheirasde variados tamanhos, toalhas, sabonetes, perfumes, cremes, shampoo's, e etc. Uma das banheiras estava cheia de água e espuma, e cheirava a alfazema e camomila.
Cuidadosamente a ninfa começou a retirar as minhas roupas, sem pensar duas vezes tirei a mão da minha blusa e recuei alguns passos.
– Não gosto de ficar nua na frente dos outros.- Murmurei acanhada.
– Não se preocupe, ninguém está olhando e estamos entre nós aqui, sou profissional no que faço, não debocharei de seu corpo.- Tranquilizou-me a ninfa, tentando novamente me despir, mas desta vês teve sucesso. Cuidadosamente ela me colocou dentro da banheira, pegou uma cuia e mergulhou na banheira e jogou o líquido espumante nos meus cabelos e esfregou graciosamente os meus cabelos. Emergi e submergir rapidamente e comecei a esfregar meu corpo.
Depois de ter tomado um bom banho, a ninfa enxugou-me e me enrolou em uma toalha. Ela caminhou em direção á um guarda-roupa e voltou com um conjunto de roupas negras, que se constituía em um calção e uma blusa regata. Também trouxe consigo roupas íntimas e me vestiu com elas. Secou os meus cabelos e os penteou, logo em seguida fez uma trança embutida com dois cachos soltos nas laterais de meu rosto.

Entregou-me um par de botas cinzentas e um belo moletom em dois tons de azul, um mais claro e o outro mais escuro, que se misturavam num degrade, e por fim o colar que o Fin me deu.

Fin...como eu sentia a falta dele, de suas piadinhas, dele me chamando de menina louca.... como eu me sinto egoísta por ter virado às costas para ele, logo ele, que fez seus pais me adotarem, foi o amigo-irmão que me deu um lar, que me deu tudo, e o que eu fiz por ele? Virei as costas na primeira oportunidade, eu o abandonei, nem me importei com Loriel, me importei somente comigo.


Senti meu coração doer, pus a mão no colar em cima do peito, onde podia sentir ele bater aceleradamente, suspirei e fechei os olhos.
– Muito obrigado! — Murmurei para a ninfa, a mesma assentiu com a cabeça e calada me guiou para a porta onde a sacerdotisa me aguardava com um sorriso e juntas caminhamos em direção ao templo central.
– Qual o seu nome? — Perguntei para a sacerdotisa.
– Violetta.- Respondeu-me.
– Para onde estamos indo? — Indaguei curiosa.
– Vamos ver o mestre, e ele está a nossa espera, e ele quer muito te conhecer. — Respondeu sussurrando a última parte.
Quando entramos no templo percebi que ali era uma espécie de escola, cada corredor havia cinco salas, o silêncio entoava no local como um grito surdo, sendo interrompido por apenas alguns ruídos e sons de professores falando. Chegamos a uma imensa escada que ficava no final do terceiro corredor e obviamente levava até o segundo andar. Subimos a escadaria e andamos pelo imenso corredor até chegarmos à frente de uma porta feita de uma madeira estranha, Violetta abriu a porta e pude ver uma imensa sala repleta de prateleiras com inúmeros livros, haviam duas janelas e uma mesa não muito comprida no centro. Sentado em uma cadeira atrás da mesa havia um velho senhor de cabelos curtos, era um pouco careca, e possuía uma barba não muito comprida, vestia uma túnica laranja-amarelada e mantinha a cabeça apoiada sobre as mãos.
Encostado em uma coluna perto da janela havia um rapaz, ele era bem jovem, não chegava aos 20 anos, tinha cabelos compridos e castanhos iguais aos meus, só que lisos, possuía um rosto fino em uma expressão dura, tinha olhos azuis e vestia um... um quimono, isso, um quimono branco, amarrado na cintura havia uma faixa preta, e usava um par de... All star? Sério isso? O cara usa roupas de um japonês, é sério pra caramba e usa um par de All star vestindo um quimono? Fala sério!
E encostado em uma parede lendo um livro estava um sacerdote, tinha cabelos brancos e olhos cinzentos e me olhava cuidadosamente.
– Seja bem-vinda menina Hazel, esperei muito pela sua chegada e admito que fiquei curioso sobre o seu caso, me chamo Yukino Chang.- Apresentou-se — Aqueles alí são Seth e Jack.
– Apontou para o moreno de cabelos longos e o sacerdote albino.
– Quero saber sobre os meus pais e a minha família por favor, eu agradeceria se o senhor fosse direto ao ponto.- Falei impaciente, Jack riu baixinho e o mestre suspirou.

– Tudo bem, o que a senhorita deseja saber? — Perguntou me fitando por um pequeno instante, eu queria que essa conversa fosse rápida para eu logo eu poder ir embora.
– Quero saber o porque as pessoas ficarem me perseguindo.
– Bem, como você deve saber, você é uma elemental de gelo, mesmo sendo uma Flaming, e por isso eles querem te matar.- Explicou. Franzi o cenho confusa, não havia muito sentido essa história.
– Desculpe, eu não entendi.
– É uma longa história.- Mestre Chang suspirou cansado.
– Estou pronta para ouvir.- Falei confiante.
– Bem, há muito tempo, na época em que as quatro dimensões eram uma só, existiam vários dragões com diversos poderes, aqueles que conseguiam controlar os elementos básicos, que são fogo, água, terra, ar eram chamados de dragões puros, já os que tinham controle sobre dois elementos misturados eram chamados de dragões lendários, ao todo são 4, de magma, o de gelo, o de trevas e o de relâmpago.
Ogon, o dragão de magma sempre se dizia o mais forte por ser considerado o filho do fogo, da água e da Terra, mas isso não interferiu na harmonia em que os mundos viviam, até a chegada da fênix.
Ogon e a fênix viviam em conflito por causa de poder, e isso, um dia resultou em uma grande guerra, onde quem vencia era o mais forte. Humanos e criaturas lutaram e morreram na guerra, até que um homem, usando todas as suas habilidades com magia, selou Ogon em um imenso caixão, onde foi condenado às trevas e à escuridão eterna. Como agradecimento ao homem que a ajudou a vencer a guerra, a fênix tornou ele hospedeiro de parte de seu poder, tornando ele o primeiro Elemental a surgir nos quatro mundos, e seu nome é conhecido por todos como Dareon Flaming.
Com o passar dos anos Dareon teve seus filhos e netos, e o poder fora passado para todos eles, e por várias dinastias o poder fora passado de pai para filho como uma herança, como um legado, o legado da fênix.- Mestre Chang explicou a história com o máximo cuidado possível com as palavras, a história me deixou perplexa, mas eu ainda não compreendia o que aquilo teria haver comigo e com as pessoas me perseguindo.
– Mas eu ainda não compreendo o que essa história teria haver com as minhas perseguições!? — Indaguei, mas desta vez quem respondeu as minhas perguntas foi Jack, o albino caminhou em direção à mesa do mestre Chang onde ficou apoiado e me olhando nos olhos.
– Essa é a história de seu clã, que por séculos fora formado apenas por magos elementais de fogo, o que significa que você é a primeira elemental do clã flamejante a não controlar fogo, por isso eles te perseguem, por que eles querem te matar, para eles você não passa de uma grande falha que deve ser a todo custo destruída.
– Então por que mataram todos que eu amo? O problema deles era comigo, não com minha a família! — Berrei furiosa, mas para minha surpresa o que se espalhou não foi uma fina gelada pela extensão da sala e sim estacas de gelo de tamanhos e larguras variados. Um grito de horror escapuliu de minha garganta, mestre Chang, Jack, Violetta e Seth olhavam admirados para as estacas de gelo espalhadas pelo cômodo, me encolhi um pouco diante da situação, porém, não consegui disfarça o susto.
– Me desculpem, eu estou nervosa. — Murmurei envergonhada.
– Eu entendo, é muita informação pra você, não é? — Indagou mestre Chang me olhando em sinal de compreensão, eu assenti com a cabeça.
– Aconteceram muitas coisas hoje, eu acabei de perder novamente minha família, e também é meu aniversário, acho que a vida fez questão de marcar este dia como o pior da minha vida. — Suspirei pesarosa- Eu quero voltar para casa.
– Mas não pode... — Falou Violetta, mas logo foi cortada por mim.
– Eu sei, mas, eu sinto que eles não estão mortos, eu sinto como se eles estivessem precisando de mim. — Confessei aflita. Olhei para todos os presentes na sala, meus olhos começaram a lacrimejar, a angústia se tornou presente e meu coração novamente começou a doer.
– Se você sair daqui provavelmente morrerá, mas se ficar e confiar em nós, poderemos lhe proteger e talvez investigar o que aconteceu com sua família, tudo bem? Você tem duas escolhas, esta livre para ir, mas não garanto que você voltará.- Propôs Seth, seu olhar era arrogante e sua voz era rouca e baixa, embora estivesse sério, não aparentava se irritar facilmente.
–Eu não tenho muitas escolhas, eu não quero esperar para procurá-los por que neste exato momento eles podem estar precisando de mim, ou podem estar mortos! Sei que devo ficar aqui, mas meu coração está se esmagando com essa dúvida. Não quero que mais ninguém morra ou se machuque por minha causa! –Desabafei aflita.

–Então deve ficar para poder ficar mais forte, treinar seus poderes e a sua força física e mental. Se não quer que ninguém mais morra por sua causa então deixe de ser fraca e proteja aos outros ao invés de apenas deixar que eles a protejam! – Seth disparou suas palavras e elas me atingiram como flechas. Era verdade, eu mal sei me proteger e queria partir em uma busca sem saber nem por onde começar, sem nem ao menos saber como controlar o poder que me foi concedido.

–O poder é muito forte, ele me domina ao invés de eu dominá-lo... ele é extenso, duradouro e devastador dependendo de minhas emoções. Não consigo controla-lo sozinha, desde que nasci fui mantida longe de tudo e de todos, tenho poucas informações sobre estes mundos por onde passei, por que sempre fui privada de descobrir a existência de pessoas como eu. Na Terra uma pessoa como eu é considerada uma aberração, um monstro, pessoas como eu são desumanizadas por serem diferentes, os humanos temem ao diferente. Meus pais nunca me contaram que também tinham poderes, então eu sempre achei que estava sozinha. –Meus olhos lacrimejaram e minha voz ganhou um tom embargado. – O medo das pessoas me atingiu, eu também comecei a temer esse poder, eu também me vi como um monstro, mas isso não me fazia triste, por que eu sabia que ainda havia pessoas que não sentiam medo de mim, mas eu as perdi, simplesmente por sentir medo desse maldito poder!- Desabafei tudo o que eu sentia.

–Podemos ajudá-la, podemos curar essas feridas, não precisarás mais sentir medo do seu poder. –Pronunciou-se Violetta.

–Suas propostas me dão nos nervos! Sei posso morrer lá fora se for procura-los, mas pela primeira vez eu quero correr esse risco, mesmo que eu tenha que morrer, mesmo que o preço pelas minhas tolices seja caro, eu quero fazer alguma coisa! — Olhei para o mestre Chang e o mesmo sorria como se minhas palavras fossem engraçadas.
–Acha que simplesmente querer irá trazer seus entes queridos de volta? -Você é muito burra por pensar isso! Se você acha que é poderosa é por que você ainda não viu o que poderá enfrentar lá fora, essas estacas o que quer que você seja capaz de fazer mais é lixo, um arranhão pertos de certas habilidades. Se você partir morrerá, por que não está preparada para sobreviver sozinha lá fora! Seus esforços não darão em nada, é isso o que deseja? –Questionou-me Jack.

–Não... –Murmurei derrotada.

– Então qual é a sua decisão? –Perguntou Chang.

–Eu fico.

– Ótima escolha Hazel! -Falou Violetta no meu ouvido.
– Mas tem um problema.- Olhei para baixo envergonhada- Minhas coisas não estão aqui.
– Mas não tem problema, as ninfas vão arrumar tudo para você, só tem um detalhe, você tem que escolher qual casa vai ficar, não temos uma casa para o seu elemento, por isso terá que decidir entre água e vento.- Explicou Violetta.
– Eu não sei.- Murmurei.
– Então, vamos, eu vou te mostrar a sede melhor.- Violetta esticou a mão para mim e eu a segurei, mas antes me virei para despedir dos restantes alí presentes.
Eu e Violetta descemos as escadas, os alunos não estavam mas em duas salas e sim nos corredores, a maioria se dirigia o seu olhar a mim, minhas bochechas esquentaram devido a atenção que eu recebia, as pessoas andavam todas em grupo, menos um garoto, aparentava ter a minha idade, tinha cabelos negros e olhos cor de âmbar, vestia uma camisa de manga comprida preta e uma blusa de mangas curtas cinzas a estava toda aberta, como um casaco, uma bermuda jeans preta e um All star também preto, ele tinha a pele bem branca, o que de certo modo realçava seus cabelos bagunçados, acho que ele percebeu que eu o analisava e me fitou de baixo para cima e semicerrou os olhos, por um breve momento olhamos um no olho do outro, fora uma troca de olhares intensa, arrepiou até a minha espinha, estava com um mal pressentimento.

Eu e Violetta caminhamos para fora da "escola", fomos até uma casa que ficava mais distante das outras, ficava em uma parte alta da sede, e para subir até lá tinha uma enorme escada, feita de pedras, algumas plantas se enroscavam na escada e delas nasciam pequenas flores brancas, a casa lá no topo devia ter uma vista privilegiada de toda a sede, era lindo demais ver aquilo tudo, no topo é onde bate mais vento, era a casa dos Elemental de ar, o mais perto possível do céu e do vento.
– Gostou daqui? — Violetta me perguntou admirando o lugar.
– Sim, é perfeito, mais ainda quero ver a casa dos elementais de água.- Respondi e Violetta assentiu, e descemos e caminhamos em direção ao rio que tinha perto da floresta, em meio a vários arbustos havia um imenso rio de uma água tão pura e cristalina que se era possível ver o fundo, tão brilhante que reluzia a luz do sol, como se houvessem estrelas na água, havia também uma pequena ponte de madeira para poder atravessar o rio, e ao lado de uma árvore grossa e grande havia uma imensa casa de dois andares igual a casa dos elementares de ar, só que esta tinha desenhado na porta o símbolo da água, em contornos simples e suaves, e mesmo assim belos, era aqui, aqui que eu iria ficar.
– Eu quero ficar aqui, é perfeito! — Sorri e toquei de leve na porta, olho pra Violetta e a mesma me olhava curiosa e um tanto nervosa.
– Aqui? Err... tudo bem, mas tente não congelar nada.- Advertiu-me.
– Algum problema? Você me parece nervosa.- indaguei olhando para ela é a mesma mantinha o olhar distante.- Violetta... Violetta... VIOLETTA!
– Hã? O que foi?
– Você tá aí, desligada, o que foi que houve? Me parece preocupada.
– Estou bem, bobagem minha, não é nada.
– Ok!
Adentramos a casa e a mesma se encontrava vazia, havia vários quartos que eram separados apenas por um corredor que dava a escada.
– Lá em cima são os quartos das meninas, meninos só podem entrar lá com permissão, soube que o último quarto à direita esta vazio.
Caminhamos em direção ao cômodo que Violetta me indicou, quando entrei no cômodo me encantei ainda mais, tinha cinco camas com cortinas nas falando as laterais, as camas tinham as colchas e os travesseiros em vários tons de azul, ao ledo da cama havia um espelho e um banquinho em uma madeira estranha em um tom azulado.
– Vou deixar você sozinha agora, tenho que resolver alguns problemas pendentes. — Falou Violetta caminhando lentamente em direção a porta, antes de sair ela virou e sorrio para mim e me deixou sozinha no cômodo em seguida.
Examinei melhor o quarto e vi uma imensa janela com a madeira que emoldurada pintado em dourado, tinha a vista para o lago e para as montanhas e um pequeno pedaço do céu, Fin teria gostado de ver tudo isso, me recordo das tardes que passeamos pelas florestas para assistir o pôr- do- sol, e também das tardes que é voltava do treino de arco e flecha com meu pai, como ei sentia falta daquilo!
Bocejei cansada e me deitei na cama mais próxima da janela e adormeci absorta em pensamentos.
Quando acordei já era de noite, não muito tarde, olhei ainda sonolenta para o quarto e vi que a cômoda ao lado de minha cama estava cheia de produtos, na frente da minha cama se encontra um imenso baú, deveriam ser as minhas roupas a ninfa deveria ter arrumado tudo enquanto eu dormia, olhei para o lado e vi duas portas- "Desde quando estavam ali? Morri e não sabia que aquelas duas portas existiam, deveria ser o banheiro... ou os banheiros." — pensei.
Caminhei para fora do quarto ainda sonolenta, pude ouvir muitos barulhos de conversa e algumas meninas no corredor. Desci as escadas e o corredor se encontrava vazio, sai da casa dos elementares de água e resolvi caminhar pela floresta, a brisa noturna era fria e suave, balançava quase que lentamente as folhas das árvores, e os vagalumes sobrevoavam o céu noturno como estrelas viajantes que vagam pela noite na terra.
Sentei- me de baixo de uma arvore e fiquei observando o horizonte até avistar de longe um menino, ele estava treinando, ele tinha cabelos brancos, cheios e bagunçados, as pontas eram de um tom cinzento semelhante ao prateado, usava uma blusa e um tênis azul celeste, bermuda cinza e um casaco preto com detalhes em azul marinho, tinha olhos verde água e bochechas vermelhas. Ele era incrivelmente fofo. Ele tentava controlar na palma de sua mão um redemoinho, e estava conseguindo até o redemoinho voltar contra ele é lança-lo contra o alto de uma árvore, onde ele bateu com bastante força as costas e o braço esquerdo, e iria cair no chão de uma altura perigosa, eu rapidamente apontei para a árvore, mas precisamente no chão, e criei uma pequena montanha de neve para amortecer a queda do garoto.
– Hey! Você está bem?
– Num into a hima unda.- Murmurou meio grogue.
– O que? — Indaquei confusa.
– Num into a hima unda! — Falou um pouco mais alto. Franzi o cenho sem consegui compreender até que novamente perguntei:
– O que? Não consigo entender, fale mais alto!
– NÃO SINTO A MINHA BUNDA! — Berrou e abriu os olhos.
Botei a minha mão na testa decepcionada e um tanto irritada perguntei:
– Fora isto você está bem?
– Tá frio! -(Avá) Exclamou se encolhendo no montinho de neve, até que urrou de dor e segurou o braço esquerdo. — Acho que quebrei o braço.
– Tem alguma enfermaria por aqui?
– Tem sim, já vou pra lá.
– Eu te acompanho!
– Mesmo? — Perguntou empolgado, assento com a cabeça.
Ajudei-o a se levantar e juntos caminhamos até a enfermaria, ela era uma das casas que ficavam perto do templo/escola, só que essa tinha a placa avisando que era a enfermaria. Mal adentramos o local e a enfermeira já havia perguntado:
– O que foi que você quebrou desta vez Levy?
– O braço! — Respondeu animado, ele empinou o nariz e depois falou: A minha área VIP, por favor.
Franzi o cenho confusa até que avistei no final da enfermaria um leito que tinha um travesseiro cujo o qual havia bordado na fronha o nome Levy, uma coberta estampada de ursinhos e na parede um mural com várias fotos dele. Comecei a gargalhar loucamente, até que em meio a minha crise de risos consegui perguntar:
– E a masculinidade, cadê?
Levy riu comigo, enquanto isso a enfermeira examinava o braço dele.
– Você não o quebrou apenas o bateu, eu vou enfaixá-lo, tente não forçá-lo por três dias.
– Depois você tira uma foto minha com ela por favor?
Ruborizei ao máximo que pude, em meus lábios se formou um pequeno sorriso nervoso.
A enfermeira sorriu maliciosamente para mim e sussurrou para o Levy uma pergunta que eu pude claramente escutar.
– É a sua namorada?
Levy e eu ruborizamos ao máximo, ambos apreciamos pimentões, as minhas bochechas queimaram como se estivessem em chamas.
– Ela não é a minha namorada, ela é a minha...
– Amiga, sou amiga dele — Cortei Levy no meio de sua explicação, o mesmo parecia surpreso com a minha afirmação e a enfermeira mantinha no rosto um sorriso satisfeito.
Ela se virou e saiu, deixando eu e Levy a sós.
–Por que disse que era minha amiga?
– Por que eu também não tenho amigos.- Respondi o olhando nos olhos.
– Sou Levy Black, Elemental de ar. — Se apresentou estendendo sua mão para mim.
– Sou Hazel Flaming, uma Elemental de gelo.- Apresentei-me
– Uma Flaming de gelo? Que peculiar! — Exclamou impressionado, sorriu para mim, um sorriso sincero e singelo, segurei a sua mão estendida e sorri.
– Amigos? — Perguntou-me.
– Amigos! — Afirmei.
– Agora você tem um amigo! — Afirmou.
– Um bem desastrado pelo que pude notar. — Rimos, a enfermeira voltou, com uma câmera.
– Sorriam! — E assim ela bateu a foto, eu e Levy sentados em um leito "VIP" sorrindo para a câmera.

E foi assim o meu primeiro dia na sede, e meu aniversário, foi o pior dia da minha vida, perdi tudo o que tinha novamente, mas ganhei um amigo.

O desastrado Levy.

Notas finais
Comentem.