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Fazia frio quando Lily saiu de casa naquela manhã de sexta-feira para ir à escola. Andou um quarteirão e depois virou à direita, como de costume, parando na frente da segunda casa depois da esquina. Tocou a campainha três vezes. Quando Dean apareceu na porta depois de cinco minutos ela jogou a mochila mais para trás das costas e fechou a jaqueta preta que vestia.
-Você demorou –resmungou entre dentes.
-E você parece mais rabugenta que o normal –Dean respondeu fechando o portão.
Dean e Lily se conheceram a quase dois anos no grupo de apoio, pela psiquiatra:
-Pessoal, essa é a nova integrante do grupo. Ela se chama Lilith Davis. –ela estendeu o braço para mostrar Lily e todos disseram “Seja bem vinda Lilith”- Então Lily, –ela continuou- quer contar-nos do que você gosta?
-Eu gosto de balões –ela disse baixinho. Ao ouvi-la, Dean levantou os olhos que estavam encarando o chão desde o início do encontro e olhou para ela com curiosidade. A psiquiatra não disse nada, somente sorriu e anotou algumas palavras na prancheta que tinha no colo e voltou à atenção para outras crianças. No final do encontro ela estava se apressando para ir embora, mas Dean veio ao encontro dela:
-Por que balões? –ele perguntou, e ao ouvir, ela parou no primeiro degrau e virou-se para ele. Seus olhos, ela percebeu,pareciam duas bolas de gude inteiramente pretas e curiosas.
-Porque eles só precisam de ar –ela respondeu- e mais nada –ele ainda parecia não entender, então ela continuou:- eles não precisam de amor, família, amigos ou qualquer outra coisa que nós, humanos precisamos. Só precisam de ar.
-Como você se chama mesmo? –foi tudo o que ele respondeu depois de algum tempo de silêncio.
-Lilith Davis.
-Eu me chamo Dean Evans e meu pai morreu há quatro semanas dois dias, e como minha mãe morreu quando eu nasci, vou ter de morar com minha avó agora.
-A reunião já acabou, mas tudo bem se quiser desabafar –ela ergueu as sobrancelhas e se virou para continuar o caminho.
-Espera –ele gritou- não quer me contar o que aconteceu?
Ela bufou jogando a cabeça para trás, mas recuou os quatro degraus que havia avançado.
-Meus pais foram mortos na minha frente na semana passada. –disse sem expressão no rosto e largou os braços como se dissesse “sinto muito, não há nada que eu possa fazer”.
Ele ficou boquiaberto por um instante, mas parecia entender sua dor, então franziu o queixo antes de se esticar e abraçá-la. Ela ficou surpresa. Não era o primeiro abraço desde que os pais morreram, mas esse pareceu ser o mais verdadeiro de todos, foi ai que decidiu gostar de Dean.
-Por que diz isso? –ela franziu o cenho.
-Eu mal sai de dentro de casa e você já estava reclamando, e também –ele fez uma pausa- você nem me deu bom dia!
-Me desculpe Dean. Bom dia –Lily falou sorrindo falsamente.
-Como se isso valesse –ele debochou enquanto apertava o ombro da amiga.
-Descobriu mais alguma coisa?
-Infelizmente não.
Dean se referia a quem matou os pais de Lily. Como ela o viu já que estava escondida ao lado da lareira quando ele entrou e se lembrava de todos os traços do rosto do homem, estava fazendo uma pesquisa para tentar encontrá-lo. O problema era que ela não sabia o nome nem nada, somente sua fisionomia.
-Sinto muito –ele parecia aborrecido- Sua tia não sabe que você está procurando por ele?
-Não, e não quero que saiba –ela respondeu apreensiva- ela me mataria por tentar ir atrás de um assassino.
-Ttalvez não, lembre-se que seu pai era o irmão dela também.
Lily assentiu e olhou para o outro lado da rua. Viu a mercearia que costumava ir quando sua tia precisava de alguma coisa. Estava fechada. Ela queria parar de falar sobre isso, mas não podia.
-Hoje faz dois anos Dean –ela sentiu um aperto enorme no coração. O mesmo que sentia todas as vezes que se lembrava dos pais.
-Lily –ele parou- por que você não disse? Eu não teria perguntado nada deles se você tivesse falado! –ele estava se sentindo culpado por ter aberto a boca sobre esse assunto. Mas como saberia? Ela sempre falava abertamente sobre isso. Foi isso que aprendeu no grupo de apoio, que por sinal tinha parado de frequentar há cerca de dois meses.
-Esta tudo bem –ela disse e voltou a andar. Depois de alguns passos limpou discretamente a lágrima que escorrera pelo olho direito.
-Eu sinto muito. Você sabe disso. –ele tentou.
-Eu sei –ela disse e tentou sorrir- E eu também sinto.
Eles continuaram seu caminho até a escola.
No almoço, sentaram-se numa mesa perto da janela. Dean olhava apreensivo para trás dela. Ela sabia o que ele estava olhando.
-Sabe, -ela começou e então comeu um pedaço da lasanha de queijo- você deveria convidá-la para sair.
-O que? –a voz dele afinou num tom estranho- Do que você está falando? –ele fez que não com a cabeça fingindo que não sabia.
-Estou falando de Georgea –Lily apontou para trás com o garfo e Dean olhou- Georgea Carter? A garota por quem é apaixonado desde que entrou na escola?
-Cale a boca –ele disse arregalando os olhos- ela não sabe disso!
-Por isso você deveria falar! Ela não vai adivinhar sozinha –Lily balançou a cabeça e voltou a comer.
-Eu não vou falar é nada, Lily.
Assim que ele disse isso Georgea parou ao lado deles e sorriu. Ela não era popular nem nada, mas mesmo assim fazia as pessoas olharem para ela quando passava.
-Olá Lily e Dean.
-Oi Georgea, seu cabelo está muito bonito hoje –Lily disse e sorriu.
-Obrigada –ela disse e continuou seu caminho.
Dean estava estranhamente vermelho.
-Você deveria pelo menos tentar disfarçar não acha?
-O que? –ele perguntou.
-Deveria tentar não virar um tomate e falar alguma coisa quando ela está perto de você. Se não, meu querido –ela fez que não com a cabeça e enrugou o queixo levantando a parte esquerda do lábio superior.
Ele fez uma careta e voltou a comer a pizza de calabresa.
Naquela tarde, Lily resolveu pesquisar mais algumas coisas e tentar descobrir alguma informação que a ajudasse a encontrar o homem que havia matado seus pais e entender por que isso havia acontecido.
Estava na penumbra do quarto quando caiu no sono em cima do teclado do computador. E teve aquele sonho novamente. Aquele que a perseguia todas as noites:
Lilith estava sentada a mesa da cozinha fazendo a lição de casa e seus pais estavam sentados em frente à televisão. Ela tinha quatorze anos. Quando terminou a conta que estava fazendo olhou pela janela ao seu lado rapidamente e ouviu um barulho.
-Mãe –disse ela se levantando- o que foi isso?
-O que? –seu pai respondeu, alarmado, levantando-se também- você viu alguma coisa? Ouviu alguma coisa?
-Na verdade sim, ouvi um barulho vindo de fora de casa –ela tirou os olhos do pai e encarou a janela.
-Se alguma coisa acontecer você sabe onde se esconder, não sabe? –a mãe disse apreensiva.
Ela assentiu. Sabia do que a mãe estava falando.
Desde que se conhecia por gente, seus pais, Marcelle e Bryan Davis tinham repetido isso para ela. Se algo acontecesse ela deveria se encolher no vão entre a lareira e a estante da sala. Era suficientemente grande para que coubesse um adulto lá, mas era muito pequeno ao mesmo tempo. Ela se escondera lá algumas vezes quando pequena para fugir dos pais quando ficava chateada, mas nunca achou que realmente o usaria em uma situação de emergência de verdade.
Enquanto se lembrava de uma das vezes que havia se escondido lá, a janela estilhaçou ao seu lado e ela não teve tempo de se proteger com as mãos. Alguns pedaços de vidro a alcançaram e sangue começou a escorrer pelo lado direito do corpo, saindo de seu braço e do seu rosto. Ela correu e se enfiou no vão. Viu seus pais correrem até a escada e pegarem revólveres de um degrau que ela percebeu ser uma caixa. Da janela quebrada, ela viu um homem louro entrar, ele era esguio e um tanto estranho. Usava um colete a prova de balas e calças e camisa escura.
Exibiu dentes alinhados e muito brancos num sorriso desafiador quando viu os pais de Lily. Ela não sabia o que ele queria ali ou quem era ele. Sabia que seus pais trabalhavam para uma agência, nunca perguntou pelo nome dela ou o que faziam lá. Ela colocou as mãos na boca com medo que sua arquejação chegasse aos ouvidos do homem, e percebeu que seu rosto estava coberto de sangue e suor. Estremeceu. O homem empunhava uma adaga, Lily percebeu, e, além disso, tinha um revólver em cada lado da cintura. Ele tinha olhos escuros, o que ela considerou anormal para alguém tão louro como ele.
-O que quer aqui? –o pai de Lily perguntou.
-Você sabe –ele ainda sorria daquele jeito estranhamente desafiador.
-Mas você sabe que preferimos morrer a dar o que você quer, não sabe? –a mãe de Lily falou ainda segurando o revólver.
Lily não esperava ter de assistir aos pais segurando um revólver na direção de um homem estranho, nunca em sua vida. Ela continuou ali encolhida,os vendo conversar, mas ela não conseguia mais entender, o pânico era grande demais.
Enquanto a mãe dizia alguma coisa para o homem, seu pai olhou para ela quase sem virar a cabeça e fez um movimento tão microscópico que nem ela sabia ao certo se ele o havia feito de verdade.
Ela sentiu gosto de sangue na boca quando se encolheu mais no vão da lareira porque viu que seus pés estavam para fora do vão.
Calma, pensou, nada vai acontecer, ele pode somente estar querendo dinheiro.
Ela via a boca dos pais mexendo enquanto falavam com o homem mas ela não entendia e nem mesmo ouvia a conversa.
Lily não conseguia mais olhá-los, então fixou o olhar na janela da sala. De repente viu dois homens passarem por ela. E em menos de dez segundos eles entraram pelo mesmo lugar que o homem louro e se posicionaram logo atras dele segurando armas enormes em direção aos pais dela.
Ela arregalou os olhos na direção dos pais e não conseguiu mais ver nada além deles. Os dois pareciam calmos e decididos.
Ela os viu dizer alguma coisa e logo depois disso o homem louro fez um sinal de desistência com raiva.
-Basta! –ele gritou.
E as armas dos dois outros homens dispararam.
Lily acordou arquejando.
-Droga –ela resmungou enquanto passava a mão no rosto e no cabelo freneticamente- isso de novo.
Mecheu o mouse a sua direita e a tela do computador ficou clara mostrando sua última pesquisa. Ela percebeu que ao deitar no teclado, uma página havia abrido a partir da que ela estava. “Dicas para descobrir pistas numa cena de crime.”
O site que ela pesquisava tinha como especialidade resolução de crimes, já que ela queria descobrir o que havia acontecido na noite do assassinato dos pais ela achou a melhor opção de pesquisa.
Lily leu rapidamente os tópicos que indicavam as dicas e sem pensar muito imprimiu a página, pegou o celular e discou o número de Dean. Ele atendeu ao terceiro toque.
-Dean! –ela começou- preciso da sua ajuda.
-O que aconteceu? –ele tinha preocupação na voz.
-Nada, é que eu tive aquele sonho novamente e preciso que você me ajude.
-Chego aí em cinco minutos –ele concluiu depois de alguns segundos de dúvida e desligou.
Lily pegou a mochila que havia trazido quando veio morar com os tios. Foi à única coisa que trouxe da antiga casa. Ela jogou uma lanterna dentro dela.
Enquanto trocava de roupas decorou os itens da folha. Ao descer as escadas lembrou-se que teria de dar alguma satisfação aos tios.
-Lily! –a tia chamou assim que a viu na escada- não a vi o dia todo, onde esteve?
-Fui à escola tia Amy, e depois fiquei no meu quarto fazendo algumas pesquisas para a escola.
-Mas que ótimo –ela disse enquanto secava as mãos no pano de prato- Eu fiz panquecas –ela sorriu com orgulho. Amy e Jack, seu marido, tomaram conta de Lily quando seus pais morreram. Amy não trabalhava fora já que o salário de Jack era suficiente, então ela passava o dia em casa fazendo seus afazeres, portanto a casa estava sempre limpa e ela sempre tinha um coockie ou um pedaço de bolo a oferecer. Seu sorriso dolorido e acolhedor sempre estavam no rosto acompanhado de cachos dos longos cabelos pretos- Você não planeja sair de casa certo?
Ao dizer isso a campainha tocou. Dean.
-Na verdade tia, Dean e eu pensamos em ir a um café hoje. –Lily sorriu tentando fazer a tia não se sentir desapontada.
-Por que vocês não vão depois de comer? –ela insistiu e Dean apertou mais uma vez a campainha.
-Porque se comermos aqui vamos fazer o que lá? -a campainha gritou novamente- Mas que droga Dean!
Lily foi até a porta. Dean estava com o dedo indicador no botão pronto para apertar novamente.
-Lily! –ele sorriu mostrando os dentes brancos- Aonde você quer ir?
-Em lugar nenhum ainda, minha tia quer que eu fique para o jantar –Lily soltou os braços e revirou os olhos.
-E o que tem para o jantar?
-Panquecas, por quê? –Dean passou por Lily e entrou indo até a cozinha sem ao menos responder.
-Boa noite Senhora Davis! –ele estendeu a mão e apertou a mão da tia- Lily e eu ficaremos para o jantar!
-Mas que ótima notícia –ela celebrou- vamos! Sentem-se.
Lily se virou e empurrou a porta com o pé indo até a mesa.
-Se eu soubesse que você iria vir até aqui para comer da comida da minha tia não teria chamado.
Ele sorriu maliciosamente.
-Deixe de bobagem e mau-humor Lily –ela se chateou- sente-se e coma.
Lily se sentou e observou que Dean havia vindo rápido mesmo. Ele estava com pedaços da camiseta dentro da calça jeans. Seu cabelo escuro estava bagunçado e ele tinha uma marca de travesseiro na bochecha esquerda. Dean não deixava isso acontecer. Ele podia não ser popular nem nada disso na escola, mas ele sabia muito bem ser um.
Lily pegou uma panqueca da forma de vidro. Dean fez a mesma coisa depois dela.
Ela comeu dois pedaços da panqueca e perdeu a fome. A ansiedade era grande.
-Dean –ela alertou- lembra que temos de estar no café às nove?
-Pra que mesmo? –ele disse enfiando outro pedaço na boca, ela arregalou os olhos para ele e ele sentiu que se não colaborasse estaria encrencado- claro, claro! O café as nove.
Um carro buzinou na frente da casa interrompendo qualquer que fosse a resposta da tia que correu até a janela.
-Mas pelo amor a Deus! –ela resmungou abrindo a gaveta da estante- Pelo jeito seu tio Jack esqueceu o controle do portão no trabalho outra vez. –ela foi até a janela e apertou o botão em direção ao portão.
-Por que ele tira de dentro do carro? –Lily perguntou.
-Não faço ideia.
-Bom, eu já comi o suficiente, e você Dean?
-Eu também.
-Bom, você precisa de um espelho e eu de algumas coisas lá do quarto, então vamos!
Enquanto eles subiam as escadas até o quarto, Jack entrou pela porta dos fundos.
-Jack! –Amy exclamou- ainda bem que chegou, precisamos conversar.
Lily ouviu e percebeu a preocupação na voz da tia.
-Por quê? –ele deixou a maleta na poltrona e beijou a esposa.
-Está vendo esse prato? –ela apontou para o lugar que Lily estava sentada.
-Sim, por quê?
-Esta cheio! Ela não come Jack! Nem no café da manha, nem no jantar. No almoço duvido muito que coma também.
-O que você está tentando dizer? –ele disse tirando o paletó
-Estou tentando dizer que isso começou há uma semana mais ou menos. E que hoje faz dois anos. Jack, ela está sofrendo!
-Todos nós sofremos com o que aconteceu Amy, ela sabe que estamos aqui para ela.
-Eu faço tudo o que posso para agradá-la e fazê-la esquecer de tudo o que viu. –Amy começou a chorar.
-Eu sei disso –Jack respondeu com muita calma- Mas não podemos simplesmente apagar a lembrança da mente dela. E além disso, ela não está sozinha. Dean sente as mesmas coisas que ela. Por isso ela prefere passar mais tempo com ele do que conosco. Não se preocupe, isso é normal. Ela encontrou alguém para confiar e afogar a dor.
-Mas eu sinto o mesmo que ela –ela disse com dor na voz.
-Não, Amy, você perdeu um irmão. Ela perdeu um pai.
Lily sabia que não era certo ouvir conversas de outras pessoas escondida. Mas eles estavam falando dela, e mais que isso, estavam preocupados com ela.
Então ela se virou e entrou no quarto. Dean estava em frente ao espelho e aparentemente já havia percebido que estava com a aparência fora do normal.
-Droga –ela disse.
-O que foi?
-Eles estavam falando de mim.
-E você estava ouvindo? –ele tirou os olhos do espelho ainda passando a mão no cabelo e sentou-se na cama. Agora era ele mesmo. Um garoto alto, cabelo preto e naturalmente bagunçado, charmoso com sua jaqueta de couro preta contrastando com a camiseta e a pele brancas- que coisa mais feia Lily.
-Não seu idiota –ela andou e se sentou ao lado dele- eles estão preocupados comigo Dean, acham que eu estou sofrendo pelo que aconteceu.
-E você não está?
Lily não respondeu. Apenas começou a chorar depois de vinte segundos de silêncio. Dean a abraçou.
-Todos temos direito e liberdade para sofrer nossas perdas, Lily. Só não podemos deixar que esse sofrimento nos consuma para sempre –Ele disse com a bochecha direita e a mão esquerda acariciando o cabelo escuro de Lily.
-Eu não quero ser consumida por ele, Dean. Mas ele parece ser tão mais forte que eu.
-Ele não é! Você sabe que é a única que pode controlar isso.
Ela levantou a cabeça do peito dele e logo ficou de pé.
-É, eu sei disso.
Ela foi até o banheiro e limpou o rosto. Ao voltar abriu o guarda-roupa e pegou uma jaqueta de couro como a de Dean. Ele tinha dado a jaqueta de presente no ano anterior para Lily. Ela se sentou na cama e vestiu o tênis. Quando terminou pegou o papel que havia imprimido e colocou a mochila em um único braço enquanto andava até a porta.
-Você é forte Lily. É pessoa mais forte que eu conheço. –Dean disse a alguns passos dela. Ela se virou com um sorriso no canto da boca.
-Se eu sou forte é porque você me fez ficar assim.