O Lado Sombrio do Amor
29 A história não contada parte 1
Narrado por Isabella Swan – 20 anos atrás
Eu me lembro exatamente do momento em que vi as duas listras no teste. Estava no banheiro apertado do pequeno apartamento que dividia com uma colega da faculdade. Meus joelhos fraquejaram, a vista ficou turva e a realidade me golpeou com força.
Eu estava grávida.
Grávida de Edward Cullen.
Fechei os olhos e sorri por um breve segundo. Edward… Eu amava ele. E a ideia de carregar uma parte dele dentro de mim me enchia de esperança. Eu podia vê-lo rindo, se ajoelhando, dizendo que estaríamos juntos. Mas tudo isso se despedaçou com uma ligação.
— Bella, não me liga mais. O que você quer provar com essa história? Você se deitou com outro cara, não vem jogar essa criança no meu colo!
A voz dele, fria, distante. Cortante. Ele não acreditava. Não queria acreditar.
E então, como se o universo tivesse decidido me castigar de uma vez, ela apareceu.
Eu estava saindo da biblioteca quando um carro preto parou rente à calçada. O vidro se abaixou lentamente, revelando o rosto impecável de Irina Denally.
— Entra, Bella — disse ela, com um sorriso que não chegava aos olhos.
Eu hesitei. Mas minha curiosidade — e talvez a ingenuidade — me venceram.
O carro era silencioso. Caro. Perfumado. Irina me observava como se fosse uma barata que havia conseguido rastejar até seu mundo brilhante.
— Então é verdade — ela começou. — Você está grávida.
— Sim — respondi, tentando manter a postura.
Ela soltou um riso debochado.
— Você realmente achou que um homem como Edward ficaria com… isso? — disse, apontando sutilmente para minha barriga ainda discreta.
— Eu não preciso dele. — minha voz vacilou, mas mantive a cabeça erguida. — Eu vou criar essa criança.
Irina suspirou, revirando os olhos com um leve sorriso nos lábios.
— Não, Bella. Você não vai. — Ela abriu a bolsa e tirou um envelope. — Aqui tem cinquenta mil dólares. O suficiente para sumir. Fazer um aborto. Ou dar a criança. Não importa. Desde que ela não exista.
Meu coração parou por um instante. Eu olhei o envelope, depois os olhos dela. Gelados. Vazios.
— Você está louca.
— Estou protegendo o que é meu. A imagem da família Cullen. O futuro de Edward. Essa… aberração não tem lugar no nosso mundo.
Senti meu estômago revirar.
— Eu não vou aceitar. Eu não sou um erro. Essa criança não é um erro.
Irina se inclinou para mim. Seu tom era mais frio que o inverno em Forks.
— Se você não aceitar, Bella, eu acabo com você. O emprego do seu pai. A sua faculdade. A sua paz. Você não tem ideia de com quem está lidando.
A ameaça pairou no ar como veneno. Quando o carro me deixou na esquina de casa, minhas mãos tremiam. O envelope estava comigo. Eu não abri. Não queria. Mas o recado havia sido claro.
Naquela noite, liguei para meu pai.
E dias depois… deixei tudo para trás.
Edward não queria o bebê. Irina queria destruí-lo. E eu? Eu só queria proteger meu filho.
Mas eu era só uma jovem… e estava prestes a tomar uma das decisões mais difíceis da minha vida.
A luz fria do hospital me feria os olhos. O som de passos apressados nos corredores parecia distante, abafado pela dor surda no meu peito.
Eu tinha acabado de dar à luz.
Ela era tão pequena… tão perfeita…
Tinha os olhos fechados, as mãozinhas minúsculas, e um fio de cabelo acobreado que cobria sua cabecinha como uma penugem delicada.
Meu coração batia num ritmo estranho, como se não coubesse mais dentro de mim.
— Bella… — disse uma voz suave ao meu lado.
Levantei os olhos e encontrei Isa , minha melhor amiga, uma das poucas pessoas que ainda me estendia a mão. Ela havia chegado ao hospital assim que soube que eu estava sozinha. Ela era a única amiga que havia restado.
— Não faça isso, querida — ela implorou, olhando para a criança nos meus braços. — Essa menina é sua filha. Você não precisa se desfazer dela.
— Eu não estou me desfazendo — murmurei, apertando levemente o pequeno corpinho contra meu peito. — Estou… salvando ela.
— Bella, você está cansada. Com medo. Mas há outras formas. Eu posso ajudar. Posso cuidar de vocês duas. Você não está sozinha.
Fechei os olhos por um momento. Como explicar o que ninguém parecia entender?
— Eu sou uma ameaça para ela, Isa...
Irina me persegue. Edward... — minha voz falhou. — Ele me chamou de mentirosa, me virou as costas sem nem me ouvir. Disse que o bebê não era dele. E Charlie…
— O que tem Charlie? — ela perguntou, com gentileza.
Nesse instante, Renée entrou no quarto. Ela carregava uma expressão rígida, que tentava disfarçar o cansaço.
— Ele não quis vir — disse. — Disse que se ela decidiu seguir com a gravidez, que não pode olhar para você é vê o que fez da sua vida.
Minha garganta se fechou. As palavras da minha mãe foram um soco. Eu sabia que meu pai era orgulhoso, mas… não esperava o abandono.
As lágrimas escorreram silenciosas pelo meu rosto enquanto eu olhava para aquela menina frágil em meus braços.
— Ela merece um lar seguro, uma família que a ame sem precisar se esconder…
Sem ameaças, sem medo… sem Irina. — engoli seco. — Ela merece tudo que eu não posso dar.
Renée cruzou os braços, evitando me encarar.
A enfermeira entrou com a papelada. Era hora. Eu precisava assinar.
Antes de entregá-la, olhei uma última vez para o rosto sereno da minha filha.
Toquei sua bochecha com a ponta do dedo e beijei sua testa.
— Me perdoe, meu amor… — sussurrei. — Um dia, talvez você entenda… Um dia, eu espero que me perdoe por não ter sido forte o suficiente.
Entreguei a Isabella Newton. E com ela, entreguei meu coração.
A porta se fechou, e o som do choro da minha filha foi se apagando até virar silêncio.
O silêncio mais doloroso da minha vida.
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— Bonnie, eu não lembro do que aconteceu naquela noite… — minha voz soava mais frágil do que eu gostaria.
Ele me encarava, os olhos escuros vibrando com uma dor mal disfarçada.
— E é exatamente por isso que estou aqui, Bella. — Bonnie passou as mãos pelos cabelos, nervoso. — Porque você sumiu por dois dias, apareceu na minha casa completamente abalada e… ficou. Dormiu no meu sofá. Mas nada aconteceu entre a gente.
— Mas por que todos acham que aconteceu?! — eu dei um passo para trás, meu coração batendo forte.
— Porque Irina espalhou, Bella! — ele rebateu, frustrado. — Ela foi rápida. Inteligente. Sabia que Edward ia cair como um patinho.
— E você não fez nada? — perguntei, magoada. — Nem tentou contar a verdade?
— Você acha que ele queria ouvir? — Bonnie deu uma risada amarga. — Edward já estava convencido de que a criança não era dele. Eu fui o bode expiatório perfeito.
Eu me calei, sentindo a vergonha me apertar o peito.
Bonnie respirou fundo, e os olhos dele suavizaram.
— Bella, eu nunca menti pra você. Nunca te toquei. Mas eu te amei, desde o primeiro dia em que nos conhecemos na faculdade. — sua voz quebrou. — E mesmo depois de tudo, eu ainda amo você.
— Bonnie, não diz isso… — sussurrei, virando o rosto.
— Por que não? Porque você ainda está cega pelo Edward? Por um homem que te abandonou, te humilhou e te deixou sozinha num hospital com a própria filha nos braços? — ele avançou um passo. — Você ainda não entendeu, Bella. Ele não vai voltar.
— Você não sabe disso! — retruquei, a voz embargada.
— Sei sim. Porque se fosse eu no lugar dele, eu nunca teria te deixado! — E, com isso, ele virou as costas e saiu batendo a porta.
Fiquei paralisada por um momento, o coração acelerado, o ar rarefeito.
E então… três batidas firmes na porta.
Abri devagar… e ali estava ele.
Edward Cullen.
Os olhos dourados fixos nos meus.
— A gente precisa conversar.
Meu mundo parou.
◇◇◇◇◆◇◇◇◇◇◇◆◇◇◇◇
Eu mal conseguia respirar.
Cada passo em direção àquela casa parecia me roubar o ar dos pulmões. O lugar era simples, tranquilo, cercado por árvores e o som suave do vento. Um bairro de classe média, aparentemente pacífico. Mas, para mim, era o centro do turbilhão que me consumia há um ano.
Edward caminhava ao meu lado, calado. Seus olhos estavam duros, decididos. Os meus, marejados. Era ali que ela estava. Minha filha. Nossa filha. Renesmee.
Quando a porta se abriu, o tempo parou.
Mike Newton nos encarou como se tivesse visto fantasmas. Seu rosto empalideceu, e ele imediatamente se colocou na frente, bloqueando a entrada. Isabella Newton apareceu logo depois — e nos braços dela, como uma pintura viva, estava minha filha.
Renesmee.
Meu coração se partiu.
Ela segurava um laço vermelho nas mãos pequeninas e balbuciava sons infantis enquanto olhava curiosa para nós. Tão inocente. Tão perfeita.
— Essa é... — minha voz saiu como um sussurro rouco. — Ela... é minha filha.
— Não — Mike rebateu com firmeza. — Essa é nossa filha agora. Legalmente. Você a entregou, Bella. Assinou os papéis. Abriu mão dela.
— Eu era uma garota assustada! — explodi. — Fui ameaçada, humilhada, abandonada! Irina destruiu a minha vida, e vocês sabem disso. Eu só queria proteger minha filha...
Isabella Newton segurou Renesmee com mais força. As lágrimas já corriam pelo seu rosto.
— E nós protegemos. Nós amamos essa menina todos os dias da vida dela. Você não pode aparecer depois de um ano e querer levá-la como se fosse um objeto, como se ela fosse algo que você esqueceu e agora quer de volta.
— Ela é minha filha — eu disse novamente, agora com mais firmeza. — Eu a pari, eu senti cada chute, eu escutei o coração dela antes mesmo de vê-la. Eu nunca quis deixá-la. Fui forçada a isso.
Senti a mão de Edward envolver a minha.
— E ela é minha filha também — ele falou com firmeza. — Não vamos desistir dela. Nem hoje, nem nunca.
Mike fechou ainda mais o corpo, bloqueando a entrada.
— Pois então vão ter que brigar na justiça — ele disse. — Porque vocês podem ter dado a vida a ela, mas nós demos tudo depois disso. Amor. Casa. Família.
— E dor — eu acrescentei, com a voz baixa. — Porque eu senti isso todos os dias. Eu sinto até hoje.
Edward me puxou com delicadeza, afastando-me da porta.
Saímos da casa com o coração em ruínas, mas a certeza de que não pararíamos. Renesmee era nossa filha. E eu não ia deixá-la para trás outra vez. Não importa quanto doesse.
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