O LEGADO DE VIDRO , Os Lâfrer
11 CAPÍTULO 11: O Eco do Sacrifício
O impacto do vídeo foi como uma granada de concussão explodindo dentro da sala de comando da mansão. O silêncio que se seguiu ao ruído ensurdecedor da explosão e ao chiado da tela preta era insuportável.
Maya estava de pé, cercada por equipamentos táticos e mapas holográficos. Hadassa segurava um tablet com as mãos trêmulas, enquanto Richard permanecia imóvel, os olhos fixos na tela agora escura onde, segundos antes, o rosto ensanguentado e pálido de seu filho aparecera.
No vídeo, Thomas parecia exausto. Ele olhara diretamente para a câmera, não como um oficial dando um relatório, mas como um homem se despedindo da vida.
"Maya... se você está vendo isso, é porque eles falharam em me quebrar, mas não vão falhar em me matar. Não venha. É uma armadilha baseada nos arquivos antigos de Vance. Eles querem o seu braço, eles querem o seu sangue... Fique onde está. Proteja o que temos. Eu amo você. Mais que a minha farda, mais que a minha vida. Logo... eu não estarei mais entre os vivos. Adeus, meu amor."
O som da explosão final ainda ecoava nos ouvidos de Maya. Ela sentiu os joelhos fraquejarem por um milissegundo, a mão de carne indo instintivamente ao ventre, onde a vida de Thomas ainda pulsava silenciosa. Mas então, algo mudou.
Ela não chorou.
A fúria que emanou de Maya foi quase física. O braço mecânico emitiu um zumbido agudo, as juntas de titânio brilhando com uma luz azulada de sobrecarga. Ela caminhou até a mesa de carvalho e, com um movimento seco da mão de metal, cravou uma faca de combate exatamente sobre as coordenadas da base de Vance no mapa.
— Ele acha que pode me dar ordens? — Maya sibilou, a voz gelada, os olhos cinzas como o aço de uma lâmina. — Ele acha que eu vou ficar aqui sentada esperando o luto chegar?
Hadassa se aproximou, a dor de mãe lutando contra a lógica da médica.
— Maya, o vídeo... a explosão foi muito próxima. A probabilidade de sobrevivência é...
— Zero. Eu sei — Maya a interrompeu, virando-se para Hadassa. — Mas Thomas Lâfrer é filho de Richard Lâfrer e Hadassa Nymerelle. Ele sobreviveu a você o irritando por vinte anos, ele sobreviveu a mim o espancando no tatame. Ele não vai morrer para um bando de fantasmas do Vance.
Richard, que estivera em silêncio, finalmente falou. Ele pegou sua antiga boina de Coronel que estava sobre a mesa.
— Ele mentiu no vídeo.
Maya e Hadassa olharam para ele.
— O que disse, Richard? — perguntou Hadassa.
— Thomas piscou em código Morse no último segundo — Richard disse, um brilho de esperança e guerra surgindo em seus olhos. — Ele disse: "Fogo Amigo". Ele não estava morrendo. Ele causou aquela explosão. Ele está criando uma distração lá dentro para que possamos chegar.
Maya deu um sorriso letal, o primeiro em dias. Ela começou a ajustar as braçadeiras de seu braço mecânico modificado.
— Então vamos dar a ele o apoio que ele pediu. Richard, eu quero o pelotão de veteranos pronto em dez minutos. Hadassa, eu quero aquelas toxinas de paralisia nervosa que você desenvolveu.
Hadassa limpou as lágrimas e assumiu a postura da mulher que enfrentou generais.
— Já estão no hangar. E Maya... se você trouxer ele de volta, eu prometo que nunca mais te chamo de paciente difícil.
Maya carregou o fuzil, o som do ferrolho batendo selando o destino de quem quer que estivesse naquele complexo.
— Não se preocupe, Hadassa. Eu vou trazer o seu filho. E vou garantir que ele se lembre de que a única pessoa que tem permissão para explodir as coisas perto dele... sou eu.?
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