O LEGADO DE VIDRO , Os Lâfrer

12 ​CAPÍTULO 12: A Tempestade de Aço e Sangue


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​A noite sobre a antiga base do General Vance estava morta. O complexo, um emaranhado de concreto brutalista escondido nas montanhas, parecia uma tumba abandonada. Mas, no subterrâneo, o coração do mal ainda pulsava.

​Acima, a quinhentos metros de altitude, um helicóptero furtivo "Black Ghost", pintado de preto fosco para absorver o radar, pairava em silêncio absoluto. Richard e Maya estavam na porta lateral, com as luzes vermelhas da cabine refletindo em suas fardas táticas.

​Richard ajustou o fuzil de assalto, olhando para a nora. Ele vestia a farda de Coronel com orgulho, mas seus olhos mostravam o peso de um pai desesperado.

​— Maya — ele disse, a voz baixa, cortante como o vento lá fora. — Você tem certeza disso? A Hadassa me fez jurar que eu te traria de volta inteira. Se o bebê...

​— O bebê é um Lâfrer, Richard — Maya o interrompeu, ajustando a braçadeira de seu braço mecânico, que emitia um zumbido grave de sobrecarga. — Ele já sobreviveu a uma explosão em Kandahar e a um baile de gala. Ele vai sobreviver a isso. O Thomas está lá embaixo. E eu não vou embora sem o meu marido.

​Maya ativou a nova interface neural que Thomas instalara. O visor tático em seu olho esquerdo brilhou em vermelho, sobrepondo mapas térmicos do complexo abaixo. Ela olhou para a porta de aço blindado no teto da base.

​— Posição de ataque — ela comandou. — Eu vou abrir a porta. Você cobre a minha retaguarda.

​A INVASÃO

​Eles saltaram. O vento uivava nos ouvidos, mas o visor tático de Maya guiava sua queda com precisão milimétrica. Eles atingiram o teto da base com um baque surdo, mas o verdadeiro barulho estava prestes a começar.

​A porta de acesso blindado era feita de aço de vinte centímetros de espessura, projetada para resistir a ataques aéreos. Maya ajoelhou-se diante dela. Ela desativou os limitadores de segurança de seu braço mecânico. O metal vibrou com uma potência devastadora, os servos emitindo um som agudo, quase um grito de guerra tecnológico.

​Com um rugido de fúria, Maya cravou as garras de titânio de sua mão esquerda no aço da porta. O metal rangeu, protestando contra a força não humana que o atacava. Faíscas voaram, iluminando o rosto de Maya, focado e implacável.

​Com um movimento seco e brutal, ela puxou.

​A porta blindada não apenas cedeu; ela foi arrancada de seus gonzos com uma violência que deformou o metal ao redor. O som da explosão de aço ecoou pelo complexo subterrâneo, o alarme de emergência finalmente sendo ativado.

​Richard, que estava de prontidão com seu fuzil, olhou para a nora com um misto de choque e orgulho.

— Excelente interceptação arquitetônica, Sargento. Você acabou de criar um novo conceito de "entrada não autorizada".

​Eles saltaram para dentro do complexo, descendo por um poço de ventilação. A base estava em caos. Soldados mercenários corriam, confusos com a quebra súbita da segurança. Richard e Maya moveram-se como sombras letais. Richard derrubava alvos com precisão cirúrgica, enquanto Maya usava o braço mecânico para esmagar barricadas, arrancar câmeras de segurança e, quando necessário, usar o metal para desviar de balas em um reflexo puramente tecnológico.

​O REENCONTRO

​Eles avançaram pelos corredores frios, guiados pelo mapa térmico no visor de Maya. O sinal de "Fogo Amigo" de Thomas a levara direto para a sala de tortura central, um antigo laboratório de cibernética que pertencia a Vance.

​Eles arrombaram a porta.

​O laboratório estava mergulhado em uma penumbra sinistra, iluminado apenas pela luz verde-esmeralda dos tanques de estase. No centro da sala, preso a uma cadeira de contenção metálica, estava Thomas. Ele estava ensanguentado, com a farda em farrapos, mas seus olhos azuis ainda brilhavam com aquela teimosia familiar.

​— Thomas! — Maya gritou, a voz trêmula por um breve segundo, antes de voltar à frieza da guerra.

​Mas ela parou. No escuro, atrás de Thomas, algo enorme se moveu.

​Uma figura colossal surgiu das sombras. Não era humana. Era um pesadelo de carne e metal. O General Vance, em seus arquivos secretos, havia criado um protótipo de ciborgue experimental com a tecnologia que roubara anos atrás. O monstro tinha dois braços mecânicos, maiores e mais brutais que o de Maya, e metade de seu rosto era coberto por uma placa de titânio que brilhava com uma luz vermelha ameaçadora.

​E ele estava segurando Thomas como um escudo humano. Um dos braços mecânicos do monstro estava posicionado exatamente sobre a garganta de Thomas.

​— O "Legado de Vidro" finalmente chegou — o ciborgue sibilou, a voz uma mistura mecânica de sons distorcidos. — General Vance nos deixou uma missão: quebrar a família Lâfrer. E agora, eu vou quebrá-lo... começando pela única coisa que o mantém vivo.

​O ciborgue apertou o braço mecânico ao redor do pescoço de Thomas.

​— Solte-o! — Maya sibilou, seu braço mecânico vibrando com uma potência de sobrecarga perigosa, a luz azulada iluminando o laboratório. — Eu sou a Sargento Maya Lâfrer. E eu não costumo deixar um inimigo vivo para contar a história.

​O monstro riu, um som metálico e agudo.

— Você é apenas sucata, como Vance dizia. Eu sou o futuro. E eu vou quebrar você e o fruto que você carrega.

​Maya trocou um olhar rápido com Richard. O Coronel estava com o fuzil mirado, mas não tinha ângulo de tiro sem atingir Thomas.

​O jogo final havia começado. E desta vez, não era apenas sobre sobreviver. Era sobre proteger o futuro de uma linhagem de aço e amor.