O Jogo de Jonh
2 Instruções aos desavisados
- Como assim o mais assustador?
- Isso é uma Tabua de Oujia, um objeto que faz com que a gente se comunique com espíritos. – falei rapidamente sem mistério ao contrario do Alê.
Me virei a tempo de ver a cara de espanto das duas. Peguei com delicadeza a mão da cass e sussurrei no seu ouvido que não precisava ter medo. Ela assentiu com a cabeça, então olhei para o Alejandro e falei.
- E então vamos jogar ou vamos ficar só fazendo hora?!
Alejandro e eu nos terminamos o que faltava e então nos sentamos na mesa, mas Cassidy e Jane continuaram em pé com semblantes apavorado, me levantei e abracei Cass e novamente sussurrei em seu ouvido que não precisava ter medo. Então finalmente ela cedeu e nos sentamos para jogar.
Alejandro começou a ler as regras:
“Nunca jogue sozinho. São necessários no mínimo dois jogadores.
Nunca permita que os espíritos levem o ponteiro para as extremidades do tabuleiro de forma que possam sair dele dessa forma. É assim que ocorre a possessão.
Se o ponteiro se mover para os quatro cantos do tabuleiro significa que o espírito contactado é mau.
Caso esteja a jogar numa mesa ou local onde o tabuleiro fique elevado: se o ponteiro cair no chão, o espírito foi perdido.
Se o ponteiro apontar para o número oito repetidamente, um espírito mau está no controle do tabuleiro.
O tabuleiro deve ser fechado corretamente após a sessão, ou o espírito pode fugir e assombrar os usuários.
Nunca use o tabuleiro de Ouija quando estiver doente ou enfraquecido, tendo em vista que estas situações o mantém vulnerável à possessão.
Não fazer do uso do tabuleiro de Ouija uma rotina. Os espíritos às vezes cativam o jogador a ponto de que o contato se torne um vício.
Os espíritos contactados através do tabuleiro tentarão ganhar sua confiança através de mentiras. Por exemplo: um mau espírito pode alegar ser bom, ganhando assim a sua confiança e trazendo-lhe mal posteriormente.
Procure manter contato sempre de forma respeitosa e só convide pessoas confiáveis, seguras e que farão a sessão seriamente. Nunca irrite o espírito ou lhe faça perguntas com ironia.
Antes de sair ou mesmo de entrar numa sessão, peça a permissão do espírito. Caso contrário, está sujeito à possessão pelo mesmo.
Nunca use o Ouija em cemitérios ou locais onde houveram mortes brutais. Isto pode trazer maus espíritos para o tabuleiro.
Às vezes, um mau espírito pode habitar permanentemente um tabuleiro. Quando isso ocorrer, não se poderá manter contacto com outros espíritos além desse até que ele decida sair.
Se o seu ponteiro for de vidro, você deve limpá-lo antes e depois de cada sessão, de forma que nenhum espírito possa entrar ali. Para isso, passe-o sobre uma vela acesa.
Tabuleiros de Ouija que são jogados fora incorretamente libertam diversos espíritos que voltarão para assombrar o seu dono.
Nunca empreste o seu tabuleiro a ninguém. Use-o com exclusividade. Se necessário, faça o seu próprio e recomende aos colegas que façam o mesmo.
Se puser junto do tabuleiro uma moeda de prata pura, espíritos maus serão incapazes de manter contacto.
Nunca deixe o ponteiro sozinho sobre a tábua se não o estiver a utilizar. Se o espírito o levar para fora do tabuleiro,estará liberto.”
-Não temos uma moeda de prata! — Cassidy nos alertou, com certeza ela ainda estava com medo.
- Aqui é West Palm Beach! As únicas coisas ruins que podem ter acontecido por aqui – ele deu uma pausa procurando palavras – Um cara não querer pagar um programa de uma garota!
Aquilo era para ser uma piada quase ri, mas estava com um frio na barriga, igual aquele que você sente antes de descer em uma montanha russa pela primeira vez. Ela assentiu novamente e então cada um colocou um dedo indicador em uma coisa circular com um furo na ponta, eu com uma outra segurei a mão de Cass.
Fizemos a primeira pergunta, mas nada aconteceu, continuamos a tentar, mas o ponteiro não se mexia.
- Eu sabia que isso era balela! Bom pelo menos tentamos não é?! – Exclamou Yugar ainda com o dedo sobre o ponteiro.
Então finalmente ele começou a se mexer, senti um calafrio ao ver andando e o que ele formava a cada letra.
N-A-O-D-E-V-E-R-I-A-M-B-R-I-N-C-A-R-C-O-M-O-Q-U-E-N-A-O-S-A-B-E-M
Senti meu sangue fugir da minha face, não podia acreditar, aquilo realmente dava certo!
Cass apertou minha mão com força , não olhei para ela mas podia ver seu rosto apavorada, mas nenhum de nós tiramos a mão do ponteiro, ficamos em choque, até mesmo Alejandro que esnobava totalmente aquilo.
- Alguém mexeu isso não mexeu?! – A voz de Jane era apavorada, talvez eu e Cass não fossemos os únicos com medo ali – Por favor digam que mexeram!
Todos continuavam em silêncio, pelo menos Jane, Cass nem eu tínhamos mexido naquilo, pela aparência de Alejandro, estava pálido mesmo tendo aquela pele bronzeada.
- Você é um espírito mesmo? – Perguntei atropelando um pouco as palavras, mas eu acho que ele entendera bem o que eu estava querendo dizer.
Então ele foi para um canto do tabuleiro que estava escrito SIM
-Já chega, eu não quero mais brincar disso! – Cassidy tirou a mão do ponteiro.
-Também não quero mais! — Jane fizera a mesma coisa de Cassidy
Então todos nós tiramos o dedo do ponteiro, que ficou lá estático, o silencio se prolongou por muito mais tempo que qualquer outro que tivera na viagem. Cassidy me abraçou, talvez nós tenhamos cometido um erro em brincar com aquilo, mas devo dizer que o medo e a adrenalina que corria nas minhas veias eram uma coisa que eu gostei de sentir.
Então quebrei o silencio.
- O que vamos fazer para comer mais tarde?
Todos olharam pra mim, talvez chocados por eu falar tão naturalmente depois daquilo, ou também por pensar em comida em uma hora daquelas. Mas tinha que quebrar aquele silencio que me deixava louco.
- Está cedo, eu acho que seria bom nós irmos comprar alguma coisa no mercado aqui perto! – Alê me ajudou, com certeza aquele silêncio também o deixava louco. – Eu acho melhor algum de nós irmos e outros ficarem aqui começando a preparar as coisas, amanhã temos um piquenique afinal!
Todos ficaram desconfiados, talvez com medo de irem só, então mais uma vez para não prolongar o silêncio eu me posicionei.
- Eu vou pode deixar Alê.
Cass me segurou pelo braço, ela ainda estava com medo então sussurrou baixinho:
- Não vai amor, por favor...
Eu tive que fazer um esforço para segurar o riso na frente dela, o que ela pensaria que poderia acontecer? E também por que ela tinha se assustado tanto? Aquilo não era nada!
- Ta certo então eu vou – Alê se levantava com os lábios franzidos, tentava segurar o riso também – Jane querida você vem comigo?
- Claro! Eu não quero mais ficar aqui! – ela se levantou apressada.
-Ah é! Já que vocês vão ficar aqui, arrumem a mesa e lavem as panelas para fazermos as coisas.
Assenti sério com a cabeça, então depois eles pegaram os casacos e saíram. Me virei para Cassidy logo depois com um sorriso malicioso na cara.
- E então o que nós vamos fazer enquanto eles estão fora? – fiz questão de destacar a palavra “fazer” para ela.
Ela riu e bateu no meu ombro me puxando pela camisa.
- Arrumar a cozinha como dissemos que iríamos fazer.
Começamos a arrumar a mesa, dobrei com bastante cuidado o tabuleiro, e coloquei de novo o jarro de flores em cima da mesa enquanto Cass tirava as coisas dos armários para lavar, estava tudo tão cheio de poeira, meu nariz ficava doido com tudo aquilo, bom, outros membros também estando sozinho com Cass naquela casa, mas isso não vem ao caso. Depois que guardei aquele tabuleiro bizarro fui em direção a pia ajudar Cassidy, então aconteceu uma coisa que mais uma vez fez o sangue fugir da minha face.
O jarro que eu acabara de colocar no meio da mesa tinha acabado de se chocar com a parede bem atrás de nós!
Viramos apavorados para ver de onde vinha aquele barulho e quando vimos que era o jarro e que não havia mais ninguém na casa, comecei a ficar com muito medo, Cass me abraçou forte, e eu a abracei também, e sussurrei no ouvido dela:
- Calma, calma não foi nada, eu apenas coloquei o jarro de mau jeito – Menti para ela, sabia que tinha colocado no meio da mesa, mas isso ela não precisava saber.
Ficamos assim abraçados por um tempo, até que Alejandro e Jane entraram na porta com cara de quem acabou de ver um fantasma! Droga, que péssimo trocadilho para aquela hora.
- O que houve? Vocês foram assaltados ou algo do tipo? – Perguntei pausadamente, com medo da resposta, que era não.
- Não, não fomos! – Disse Jane apavorada – Escutamos passos atrás de nós, o tempo todinho enquanto vínhamos, foi assustador! Principalmente quando olhávamos para trás e não víamos ninguém!
Cass apertou minha mão bem forte.
- Com certeza era algum maluco querendo nos assustar! Palm Beach está cheio deles! – falei pra tentar acalmar todos, mas falava a verdade também, Palm Beach estava cheio de fanáticos assim.
Cassidy balançou a cabeça.
- O jarro, eu vi você colocando no meio da mesa! Não tem como negar isso, não depois disso! – Ela falou um pouco nervosa, eu estava começando a achar a mesma coisa.
-Jarro? – Alejandro e Jene acabaram de chegar com essas caras e não deu nem tempo de nós contarmos sobre o jarro. – Que jarro?
- O jarro que caio sozinho da mesa – Falei com um tom como se estivesse falando de um copo que estava na ponta da pia ou algo desse jeito.
- No Meio da mesa! – Cass completou com um tom de desespero. – Sabia que não deveríamos brincar com aquilo, agora ele está nós assombrando!
Todos nós ficamos calados fitando o chão, então tive uma idéia, “Por que não jogar novamente e perguntar ao espírito?” Mas apenas fiquei calado. Alê tirou o casaco e o jogou no sofá, e se sentou.
- Eu acho que estamos fazendo tempestade em copo d’água, talvez seja só coincidência.
- Se você acha que um jarro cair do meio da mesa momentos antes de vocês entrarem é uma coincidência com o caso de serem seguidos até aqui por uma coisa invisível então sim! – Cassidy falou por fim mais calma e um pouco irritada.
Foi ai que eu disse minha idéia, todos olharam pra mim com reprovação e um pouco de medo.
- Talvez esse seja o único jeito afinal.
Eles se entreolharam mais uma vez como antes na mesa antes de aceitarem.
- Não, eu não quero brincar com aquilo de novo! – Jane parecia apavorada também – Nós brincamos uma vez e olha no que deu!
Então duas regras mim vieram na cabeça: “O tabuleiro deve ser fechado corretamente após a sessão, ou o espírito pode fugir e assombrar os usuários.” e “Tabuleiros de Ouija que são jogados fora incorretamente libertam diversos espíritos que voltarão para assombrar o seu dono.”Será que eu tinha fechado errado? Não sabia o que fazer a não ser jogar novamente. Então as luzes se apagaram, Cassidy e Jane gritaram, Definitivamente não sabia o que fazer, então eu escutei Alejandro gritando.
- Está bem! Nós jogamos!
As luzes se acederam automaticamente como aquelas em que a gente bate palma para acederem, mas no nosso caso era anunciar que iríamos jogar com um fantasma. Sentamos novamente na mesa, desembrulhei o tabuleiro e colocamos o dedo de novo no ponteiro, sussurrei que tudo ficaria bem para Cassidy de novo, mas ela não falou nada apenas virou o rosto. Nem precisamos fazer nenhuma pergunta para ele começar a se mexer sozinho.
S-E-J-AM-B-E-M-V-I-N-D-O-S-D-E-V-O-L-T-A.
Fale com o autor