“Talvez o dia de São Valentino não seja tão doce como pensão...”

Pelo menos sempre pensei nisso, eu detestava o dia dos namorados, quero dizer, sempre é dia dos namorados, e isso é só mais uma desculpa para nós gastarmos nosso dinheiro com presentes bobos para quem amamos.

O telefone tocou mais tarde do que eu pensava que iria tocar, olhei no identificador de chamadas...

-Oi amor! São quatro e quinze da manhã – falei meio ríspido, detestava acordar no meio da noite – Aconteceu alguma coisa?

Sentia um sorriso dela do outro lado da linha, não importava do que eu estive-se estressado, ele sempre me acalmava. Boa jogadora, ela também sabia disso.

- A nossa viagem ainda está de pé não é?

-Esta sim querida...

-Ah, antes que me esqueça, feliz dia dos namorados!

Essa foi a ultima bala para mim derrubar de volta a cama, pensei em dizer “pra você também amor” mas ela desligou antes que eu pude-se falar, assim como ela sabia do sorriso, sabia sobre o dia de são Valentino, e com certeza isso poderia criar uma confusão.

Não consegui dormi mais, até porque, estava na hora, tinha que ajeitar minhas coisas e de ultima hora para viagem, a qual Jene e Cass tinham planejado o verão inteiro. “Temos que conseguir um canto diferente para passar o quatorze de fevereiro! Que tal uma casa de praia?!” Suspirei fundo ao lembrar daquela cena.

O sol já começava a entrar pela minha janela, já estava na hora de me mandar dali. Peguei minha mochila, e tranquei a porta do meu quarto e fui em direção ao campus. Avistei a BMW do Alê parado, cintilando a luz do sol, eu babava por aquele carro.

O carro pertencia a Alejandro Yugar, cara legal, para quem vivia montado no dinheiro.

-Fala Yugar!

- Fala Nikki! E ai cara, tudo pronto para a viagem?

Balancei a cabeça com o cenho franzido, ele sabia o quanto eu estava animado por aquela viagem. Íamos começar a colocar papos em dia quando Cassidy e Jane apareceram. Cass estava linda como sempre, pensei ter escutado “Essa é a minha garota” vindo do Alê, mas ainda estava hipnotizado com o sono e pela aquela beleza tremenda que via em minha direção.

- Olá querido – Cass falou entre um beijo e outro, depois se afastou para entrar no carro.

- Bom, então á Palm Beach baby! – Falei com uma falsa animação e entrei no carro também.

A viajem foi um pouco longa, paramos alguns minutos para comermos algo em uma loja de conveniência a poucos quilômetros do nosso destino. Não podia negar, apesar de detestar Palm Beach, lá era um lugar lindo, as praias eram de tirar o fôlego, assim como as mulheres que iam lá. Enfim, era um lugar perfeito para aqueles que procuram diversão, ou até mesmo sossego se você tiver dinheiro! O que não era muito o meu caso, mas era o do Yugar, afinal a casa de praia era dele.

Comodamos nos quartos, depois Cass e eu nos curtimos um pouco, depois fomos tomar banho na praia junto Yugar e Jene. Tudo estava perfeito, a praia, a casa, as brincadeiras, mas à medida que ia anoitecendo o tempo se fechava, ameaçando a qualquer hora começar a chover.

Enfim a chuva veio antes que o crepúsculo termina-se completamente,.

- Que droga, a chuva tinha que vir logo agora?! – Jene exclamou enquanto lava os pratos do nosso lanche – bem que poderíamos ter aproveitado mais.

Todo mundo assentiu com as cabeças deprimidas.

- A gente bem que podia voltar para o quarto... – sussurrei baixinho no ouvido de Cass, que retribuiu com um balançado de cabeça e um beijo no rosto.

Ficamos um pouco em silencio, até que Jane terminou de lavar os pratos e se juntou a nós na mesa.

- Na verdade, eu sei o que nós podemos fazer, tipo se tiverem coragem... – Foi palavra que quebrou aquele deprimente silencio, depois o Alejandro completou – Eu tenho certeza que vi um por aqui, é velho, mas parece que funciona.

Ele se levantou e foi em direção ao porão, enquanto isso nós ficamos nos entreolhando. O que será que ele quis dizer com “é velho mais funciona?”

Demorou um pouco, mas então ele veio trazendo uma caixa velha com certeza cheio de poeira também.

- Lhes apresento a nossa diversão! – ele falou com um tom de sarcasmo e de mistério também, enquanto desembrulhava o objeto que estava dentro da caixa velha.

Não reconheci o objeto, era como uma tabua lisa,olhei para ele com o cenho franzido, o qual nem notou por estar tão entusiasmado com aquilo, então resolvi esperar para depois esclarecer a idéia.

Foi só quando ele virou aquela tabua lisa que eu me dei conta de que era, era uma Tabua de Oujia!

- Como você conseguiu isso?! – Falei animado, apesar de ter medo daquilo.

- Não sei, estava lá em cima há séculos! Nunca brinquei disso, mas estamos aqui sem fazer nada, então por que não?!

As meninas pareciam não entender nada, com certeza, se não conhecendo cass, estaria quase chorando agora.

- Mas pra que tudo isso? Por acaso é algo interessante? – Jane começou examinar a tabua – É algum tipo de jogo?

- O mais assustador que você vai jogar com certeza... – Alê respondeu com um tom sinistro enquanto tirava um papel, que deveria ser alguma coisa como instruções.