Notas iniciais
Olá pessoas. Esse capítulo me ajudou a definir algumas coisas para a fic, e confesso que estou empolgada com os planos =D, como há muito tempo não me sinto com minhas fics.
Espero que gostem, apesar de ter MUITO texto e pouca fala, mas garanto que é extremamente importante para a fic.
E acho que tenho que agradecer ao Kishimoto, pois, sempre que os capítulos de minhas fics são focadas em Kiba, a inspiração flui fácil. ♥ Não me perguntem porque amo esse personagem, coisas do coração são difíceis de explicar.

“É aquela garota, mãe. Kiba faz tudo o que ela quer. Ela estala o dedo e ele vai, como um cachorrinho”.

Foi ainda de madrugada que Kiba perdeu o sono e a habilidade de permanecer de ohos fechados. Às vezes tinha dessas coisas, quando sua mente começava a maquinar seus próximos passos, era como se seu corpo também precisasse acompanhar o ritmo acelerado dos pensamentos. E, invariavelmente, o destino tinha o péssimo costume de fazer isso acontecer na madrugada.

No dormitório que dividia no ano anterior com Shikamaru, Juugo e Suigetsu, tinha conseguido até uma discussão com esse último, por causa de sua insônia inquieta. Mas, por sorte seus três novos companheiros de quarto tinham o sono pesado, que às vezes nem o despertador conseguia penetrar. A não ser no caso de Sasuke, mas Kiba não se importaria em discutir com ele. Vinha acumulando pequenos e grandes detalhes sobre aquele cara, que se instalavam no fundo de seu estômago e lá permaneciam intragáveis.

Kiba livrou-se do cobertor, encarando o frio daquela noite. Apesar do sol ter finalmente dado as caras, não foi suficiente para esquentar o clima gelado daquele começo do semestre. Isso era bom para ele, que estava acostumado com dias assim na fazenda de sua família. Ah, como sentia falta daquele lugar, das pessoas e até do jeito desajeitado de sua mãe, um verdadeiro general no comando da família, da casa e dos negócios.

Apesar de não ter a figura de um pai presente em sua vida, Kiba definitivamente não sentia falta. Tudo o que sabia havia aprendido com Tsume Inuzuka e devia a ela até seu lado mais selvagem. Tsume havia criado os filhos para serem lutadores e vencedores. Fez isso sozinha e deu conta de todas as suas outras responsabilidades. Porém, às vezes era difícil conviver com ela. Mesmo que ele e sua irmã mais velha, Hana, a respeitassem como mãe, os três tinham personalidades muito parecidas e viviam entrando em choque nos raros momentos em que ficavam juntos.

Estudar em um colégio interno sempre foi um sonho de Hana, algo que ele não conseguia compreender. Ela tinha aqueles gostos alternativos e inexplicáveis, e uma habilidade extraordinária para convencer a mãe a seguir suas ideias malucas. E, segundo ela, o Colégio Hashirama era a “única solução para parar Kiba”. Foi assim que ele acabou estudando ali.

De modo geral, os membros da família Inuzuka eram selvagens e sedentos por um pouco de aventura. Kiba não era diferente dos parentes mas, aparentemente, nos últimos anos vinha exagerando na dose e nem mesmo sua mãe, que costumava insentivar nos filhos o espírito de liberdade, conseguia controlá-lo mais. Bem, ele sabia que não era exatamente uma pessoa fácil de lidar, um irmão agradável ou um filho responsável… e também admitia que sua sinceridade, por vezes confundida com “rebeldia”, já havia lhe causado tantos problemas quanto podia contar e proporcionado uma fama nada lisonjeira até entre suas familiares e amigos mais antigos.

Kiba era o único animal que sua mãe, conhecida como General, não conseguia domar. Um exagero que Kiba fazia cada vez menos questão de rebater. Hana o considerava um rebelde sem causa com impulsos autodestrutivos e nada que fizesse faria a irmã mudar de opinião. E, enquanto Hana pensasse assim, Tsume seria convencida pela filha mais velha e ele não teria voz naquela casa.

Por isso, por mais que odiasse a sensação de estar sufocado e o tédio se tornasse um frequente e insistente companheiro, se obrigava a ignorar que seu lugar real no mundo não era um só, não era fixo, e não ficava fechado entre paredes.

A esperança de sua mãe e irmã era que o Colégio Hashirama e sua disciplina rigorosa, seus professores e orientadores fossem capazes de mudá-lo. Algo de que ele duvidava, mas gostava de vê-los tentar. Porém, as ladainhas de Hana não terminavam e, o que antes era divertido, agora começava a irritá-lo de verdade. A garota não parava de tentar achar desculpas para o comportamento do irmão, e, entre suas teorias que mais divertiam Kiba e assustavam Tsume, estava aquela que falava de sua amizade com Ino Yamanaka.

No último verão, Hana tinha levantado essa questão durante um jantar. Eles não sentavam à mesa para comer. Pegavam os pratos e sentavam-se na varanda da casa principal da fazenda, comiam olhando o sol se pôr no horizonte distante. Os cães eram bem treinados por Tsume e Kiba, e ficavam deitados na grama com olhos desejosos, esperando apenas um sinal para avançar sobre os restos, quando haviam. Hana terminou sua comida e jogou um osso de frango para seu cachorro, que pareceu satisfeito.

Ela e a mãe às vezes gostavam de falar sobre ele como se Kiba não estivesse presente. Tinha aprendido a não se importar com aquilo e mantinha uma expressão neutra enquanto elas decidiam sua vida e discutiam seus motivos sem consulta-lo.

Mas, em um momento, precisou forçar-se a engolir a comida e olhou para a irmã, incrédulo.

- É aquela garota, mãe. Kiba faz tudo o que ela quer. Ela estrala o dedo e ele vai, como um cachorrinho obediente.

- Que garota? – Tsume fixou os olhos no filho.

- Ino Yamanaka. Uma loura de olho azul da turma dele. Um tipinho fútil, que se acha superior a todo mundo.

Ela tinha acabado de dizer que ele seguia Ino Yamanaka como um cachorrinho? Ela tinha mesmo insinuado que suas constantes visitas à sala do diretor eram culpa de Ino?

- Repete. – Pediu. – Mas bem devagar para eu ter certeza que você disse essa merda.

Hana o olhou aceitando o desafio.

- Desde que você conheceu aquela garota, tem feito coisas estranhas, que eu sei que você não faria se não tivesse o dedo dela nisso. – Disse, tentando um tom de voz cortante, mas a tentativa esbarrou na expressão de deboche do irmão. – E de que valeu tudo aquilo? No fim do ano ela estava se engalfinhando com a Karin Uzumaki pela atenção de Sasuke Uchiha, enquanto você só assistiu. O que estava esperando, Kiba? Que ela caísse em seus braços quando percebesse que ele estava brincando com as duas? Tomara que ela tenha sido expulsa. Pelo menos você para com essa amizade que não vai te levar a lugar nenhum.

Hana dizia a palavra “amizade” como se estivesse colocando aspas, ela era a primeira a ver em Kiba e Ino um “casal” e, obviamente, tinha asco dessa ideia.

O garoto riu. Não um riso divertido, sequer nervoso. Apenas riu, olhando a irmã com novos olhos. Aquela era a ideia mais estúpida e absurda que tinha ouvido saindo de sua boca. Era verdade que ele fazia algumas coisas por Ino, mas ela podia choramingar o quanto quisesse seus dilemas mesquinhos, mas ele só fazia aquilo que queria. Era escolha sua. E seus motivos apenas interessavam a ele. Claro, se dissesse que Ino retribuía seus favores com outros para ele, Kiba tinha certeza que a irmã insultaria a garota com apelidos nada gentis, antes que ele pudesse explicar o que realmente havia entre eles. Mas naquele momento, ele preferiu apenas rir, guardando a verdade para si. Não gostava de mentir, mas não via problemas em guardar a verdade para o momento certo.

- É uma boa teoria, Hana. Continue trabalhando nisso e quem sabe descobre porque eu sou um perdido sem concerto.

- Kiba. – Sua mãe o chamou, a voz de quem tinha acabado de chegar a uma importante resolução. – Seja lá quem for essa garota, quero que se afaste dela. Não quero ouvir outro telefonema dizendo que você foi para a diretoria e se eu descobrir que tem o dedo dessa menina nisso, eu juro que vou te espancar até você sangrar.

Kiba não respondeu de imediato, a última oração ecoando em sua mente, pois não duvidava que sua mãe fosse capaz de cumprir a promessa. Mas se afastar de Ino? Ela era sua única garantia de diversão naquele colégio, um desafio interessante para ser decifrado. O jeito como ela pensava e agia… Porra, até o maldito jeito como ela mentia deixavam sua mente e seus instintos em alerta, pronto para avançar sobre qualquer preza que se distraísse no caminho deles. E o que o exitava em Ino, de muitas maneiras, era que ela não era sua caça. Ino era a caçadora. Tal como ele, um caçador em busca de liberdade.

Não fazia muito tempo que Kiba tinha adormecido quando o sábado chegou. Mesmo assim, ele levantou sentindo-se mais calmo do que na madrugada passada. Estava cansado pela falta de sono, claro, mas não mais cansado do que de sua mãe e irmã fazendo acusações e exigências o tempo todo. De algum modo, queria que elas pagassem por isso. Queria que ficassem desesperadas diante da impossibilidade de se meter em sua vida e suas escolhas. Queria que elas gastassem todas as energias tentando coloca-lo em um bom caminho, sem sucesso.

E precisaria de Ino para isso.

Notas finais
Espero que estejam gostando da proposta da fic, das situações, dos personagens, da escrita. É muito importante para mim saber a opinião de vocês, boas e ruins. Prometo que, se houver alguma coisa a ser melhorada, farei com muito gosto.
Obrigada por lerem. ^_^