Notas iniciais
Uma nova história que passei quase 1 ano escolhendo, renovando os personagens e as cenas. Espero muito que se apaixonem pelos personagens tanto quanto eu. Aproveitem o primero capítulo(prólogo).

A noite estava fria e o ar gélido tomava conta do ambiente. O inverno havia chegado há poucos dias, mas a neve cobria tudo ao seu redor. Ela havia cessado por um momento, mas logo voltaria a cair.

Em uma vizinhança nos arredores de Brooklyn- Nova York, Joseph, cuja aparência era de cansaço, jazia sentado em um banco de madeira, que havia de frente a uma pequena casa. Ele usava uma jaqueta de couro preta, calça pouco rasgada, e luvas de lã. Seus cabelos pretos estavam encobertos por um boné, e seus olhos escuros enfim fitaram duas pessoas caminhando em sua direção.

—Você está aqui. — Uma voz grossa ecoou na vizinhança, que naquele horário, estava deserta.

—Vocês chegaram bem a tempo- Joseph disse encarando os dois e levantando-se – Olá Bobby. Olá Lorie.

Bobby, o rapaz que aparentava ter 29 anos, trazia em suas mãos um embrulho rosa, uma manta, pensou Joseph, que segurava com o maior cuidado. Bobby cobria seus cabelos escuros com um boné fajuto que continha alguns vestígios de neve, vestia uma camiseta de manga longa que dizia "Paz e Amor" e meros coturnos altos gastos com o tempo. Sua calça também estava levemente rasgada, nada que uma agulha e linha pudesse arrumar. Mas Bobby não se importava muito com a moda mundana, e tanto ele quanto Bobby tinham de mudar seus trajes para passarem despercebidos entre os humanos. Lorie estava bem agasalhada usando um casaco bege que combinava com as botas de cano médio. Sua calça com um furo no joelho demonstrava que ela não ligava para essas coisas tanto quanto Bobby. Seu cabelo castanho caia aos ombros e seus olhos fitavam cada movimento de Joseph. Era a primeira vez que ela o via, depois de tantas vezes ouvindo esse nome da boca de Bobby.

—A criança está bem, mas... -Bobby pigarreou — Onde pretende deixá-la? — O pequeno bebê se aquecia nos braços do homem, que olhou de relance para Lorie, preocupado com sua quietude.

—Pensei bem, e vai ser bem ali. -Ele apontou para a casa atrás de si. Ela possuía dois andares, como as típicas casas do Brooklyn. Seus tijolos tinham um tom avermelhado apagado que se destacava em meio as outras. Diferente das outras casas que estavam decoradas com enfeites de natal nas janelas e portas, esta simples casa de esquina estava vazia e silenciosa. Ela aparentava não possuir moradores, o que deixou Bobby intrigado.

—Em uma casa vazia? — Perguntou Bobby, encarando Joseph que observava a casa.

—Eu arrumei os papeis e a comprei. Esperava deixar ela aqui nessa vizinhança afastada. — Ele olhou para o bebê nos braços de Bobby e depois encarou Lorie – Espero que tenha certeza do que concordou.

Lorie ainda fitando Joseph balançou a cabeça, confirmando o que ele tinha acabado de dizer.

— Vou fingir que não fiquei chateado com esse plano que eu não sabia. – Bobby olhou de Joseph a Lorie.

—Eu mandei uma mensagem a ela ontem à noite e contei o meu plano. Desculpe amigo, mas eu tinha que ter certeza que ela concordaria antes de arrumar as coisas.

—Esta tudo bem Bob – dizia Lorie pela primeira vez – Ele está certo. Eu não chamarei muita atenção e sou a pessoa certa para ficar com ela.

Com as palavras que Joseph queria ouvir, ele pegou a menina dos braços de Bobby e ficou observando seus traços. Ela tinha finos cabelos pretos, do pai, pensou Joseph, e lindos olhos verdes, da Mãe. Parecia um anjo. Bobby o olhou com indignação.

—É muito perigoso Joseph. Essa é a primeira vez em muito tempo, e da última vez, nada ocorreu bem. Você lembra muito bem disso tanto quanto eu – Bobby respirou fundo e continuou- Eles virão atrás dela Joseph, pode não ser agora e nem amanhã. As marcas que Elias fez ajudará na proteção, mas você sabe que quando chegar a hora, não será o suficiente. – Bobby sentia-se mal por estar dizendo tais palavras ao amigo e ao mesmo tempo receio pela pequena menina. Ele encarou Joseph, esperando uma resposta, enquanto o mesmo acariciava o bebe em seus braços.

—Eu sei amigo, eu sei, eles virão. Mas é impossível eles saberem. Tomamos todas as precauções necessárias Bobby. Os arcanjos não sabem do que realmente aconteceu, ou até, acredito eu, nem sabem que ela nasceu. — Joseph sabia que tudo aquilo era arriscado, e que a sensação de estar traindo sua própria família era indescritível. Se sentia ainda pior em pensar em seu irmão se arriscando por ele, mas Bob era cabeça dura e sempre apoiou Joseph, mesmo agora, quando ele havia quebrado uma grande regra. Mas ao mesmo tempo, não se arrependia, pois, o amor dos humanos era algo que Joseph nunca imaginou ser tão forte.

­­ – Elias sumiu após dar as marcas a eles. E se aconteceu o que eu estou pensando... -Bobby parou por um instante — eles já sabem Joseph — O olhar preocupado de Bobby tomou conta de toda a sua face. Joseph entendia o que ele queria dizer. Elias era um anjo confuso e de poucas palavras. Ele tinha história com mundados, e Joseph acreditava que isso faria com que fosse o suficiente.

— Ele não faria isso conosco. O que ele vivenciou com os humanos foi muito além da nossa compreensão. Eu pedi ajuda a ele pois ele já passou a algo semelhante a isso, e só ele tinha como dar as marcas. Mas se os Arcanjos ou os nossos irmãos descobrirem, até que se torne útil ou preocupante o suficiente para eles, vai demorar um tempo. Eles não a procurarão — Ele virou o olhar para Lorie que ouvia tudo sem se pronunciar- Bobby confia em você, então eu também confiarei. Deixarei Marie em suas mãos e sei que você a protegerá. – Joseph voltou o olhar para Bobby — Será menos perigoso se Lorie cuidasse dela. Seria melhor, ela crescer sem saber da sua real história, dos seus verdadeiros pais, sem saber de nada. Tentar ter uma vida normal. E se os arcanjos a encontrarem, ela precisará de muita proteção, e eu sei alguém que poderá fazer isso. — Bobby abriu a boca para uma desaprovação, mas fechou-a e balanço a cabeça.

—Vamos... antes que volte a nevar. -Os três caminharam até a porta da casa, se preocupando em não deixar rastros na neve.

—Ela herdou a sua marca -Disse Bobby — Está no braço direito — Joseph tirou a manta que cobria o braço da menina e viu uma pequena cicatriz que tinha o tamanho e o formato de um feijão — Joseph soltou uma risada fraca, mas logo havia desaparecido.

—Oh minha pequena Marie – Joseph olhava fascinado para a menina — Ela tem os olhos de Rose... Verdes claros e puros — Ele a beijou na testa e uma lágrima brotou em seus olhos, mas ele a cerrou antes mesmo de descer ao rosto.

Joseph se certificou de que ela estava bem aquecida e com cuidado passou a pequena bebe para Lorie, que a segurou como se fosse sua.

—E o outro? — Perguntou Bobby intrigado.

—Eu o levarei comigo, e o deixarei com outras pessoas, ou até mesmo em outro país, para que fique bem longe dela. Eu ainda tenho alguns amigos e aliados, eles me ajudarão. E é três vezes mais perigoso se os dois ficarem juntos.

—Pela primeira vez eu concordo com você amigo. — Disse Bobby rindo juntamente com Lorie.

— Mas antes ... quero que prometa uma coisa para mim. — Joseph se virou encarando Bobby, esperando uma resposta, mas logo continuou -Prometa que vai protegê-la amigo. Eu confio minha vida em você e... Sei que pode fazer isso. Conforme o seu crescimento, os perigos irão aumentar, e ela precisará de mais proteção. Ajude Lorie a protegê-la pois eu não estarei aqui para esse serviço. Só quero que prometa para mim. — Joseph queria tanto ser o guardião da pequena Marie. Mas sabia que não era possível, nem ele, nem Bobby. Ser guardião, ou anjo da guarda, como os humanos os chamam, era um trabalho escolhido por superiores e ele tinha receio em continuar a linhagem e os Arcanjos perceberem. Eles não eram burros.

—Sei que não será possível eu ou você sermos guardiões de Marie. – Joseph encarou os grandes olhos escuros de Bob – Logo após Rose, recebi de Uriel um protegido na Irlanda. Pensei em recusar, mas Uriel iria perceber minha tensão. Eu aceitei e terei de ir. Logo após o outro, viajarei para a Irlanda.

Bobby sabia as dificuldades de ser um guardião, mas por incrível que parecia, concordava mais uma vez com Joseph.

—Sim, claro, seria estupidez não ir. Sei que você sente a energia deles- Bobby fixou o olhar em Marie -, então sempre ira saber se seus corações estão batendo ou não. E sim meu irmão, posso não ser o guardião mas tentarei o que estiver ao eu alcance para protege-la. O fato de Lorie ser Prophetam nos ajudará. Vá a Irlanda, eu ficarei aqui, a distância. Tentarei encontrar uma protegida nos arredores, para que Uriel também não desconfie de mim. Sempre tive um protegido e isso me ajudará, de alguma forma, a proteger Marie.

Por um instante, Joseph ficou imóvel. Ele daria a vida pelo amigo e sabia que Bob faria o mesmo por ele.

—Promete? — Bobby sorriu e balançou a cabeça em concordância.

—Eu prometo

—Sei que posso não te conhecer como Bobby mas – dizia Lorie- ele me contou o necessário. Eu também prometo que cuidarei dela e a protegerei com a minha vida. Conheço outra Prophetam que poderá nos ajudar também. Não se preocupe.

Lorie deu um ligeiro abraço em Bobby e apertou as mãos de Joseph que dava um rápido beijo da testa de Marie. Ela pegou a chave com Joseph e entrou fechando porta atrás de si, sabendo que não poderia olhar para trás. Com esse juramento, os dois desceram as escadas em silencio e caminharam por um tempo sem rumo. Os olhos de Joseph se encheram de lágrimas, em pensar que nunca veria sua filha novamente.

Notas finais
Esse foi so um passo inical para voces entenderem mais a história. Fiquem ligadinhos que semana que vem tem mais.