Notas iniciais
Você ai que está pensando se vai ler ou não esta fic, só tenho uma coisa a te dizer. Permita-me ser arrogante e dizer que essas 4 mil e poucas palavras não vão te decepcionar!

O ano de 2014 foi marcado por uma grande revolução no conceito de tecnologia. Um vulgar cientista conseguiu o que todos esperavam conseguir apenas na próxima década. Mas não se engane, a cura do câncer não foi descoberta ou qualquer outra coisa surreal.

O nome desse vulgar cientista era Carlos Castro Jardins. Ele não era particularmente genial, foi apenas um momento de sorte e inspiração. Nesse mísero momento, ele finalmente conseguiu finalizar seu trabalho e assegurar seu lugar na história. Ele criou a primeira máquina de imersão total.

Todas as crianças já pensaram em poderem entrar em seus jogos, interagir com suas personagens, lutar contra seus vilões e viver tais aventuras fantásticas. Nesse segundo em diante, isso tornou-se possível. A máquina criada por Carlos conseguia transportar a consciência de seu utilizador para um mundo virtual.

Mas seu "talento" parou por aí. Ele, nem ninguém, eram capazes de alterar aquele mundo vazio. Nem sequer mesmo Carlos compreendia como aquela máquina funcionava totalmente. Já perdendo as esperanças, ele teve uma última ideia: "Porque não utilizar um ser humano para modificar aquele mundo?".

Considerando que era impossível para os cientistas da atualidade modificarem aquele mundo por fora, deixar alguém modificar por dentro parecia razoável. O primeiro teste foi realizado no dia 28 de fevereiro, Carlos fez algumas modificações e colocou o capacete na cabeça de uma das cobaias.

O resultado foi desastroso, o cientista em questão não conseguia sequer projetar seu próprio corpo dentro do jogo. Mas Carlos era persistente e logo identificou a raiz do problema: pessoas só podem imaginar aquilo que conhecem. Muitos dos cientistas do primeiro teste não possuíam grande conhecimento do corpo humano.

Carlos fez novamente os preparativos e dessa vez reuniu os mais renomados estudantes e professores de anatomia humana. Surgiu um raio de esperança, pela primeira vez em 22 de abril, eles conseguiram projetar seu próprio corpo dentro do jogo. Mas só foi isso. Eles declaram que era impossível projetar alguma coisa além disso.

No momento em que tentavam projetar uma simples árvore, suas células deixavam de existir, seu corpo colapsava e para evitar danos cerebrais, o jogo fechava-se automaticamente. E para piorar, a exaustão mental de projetar cada célula, cada tecido, cada órgão, cada sistema de seu corpo era gigantesca

Carlos foi esquecido em meio a tantas novas notícias juntamente de sua máquina de imersão total. Como um humilde desenvolvedor de jogos, ele sustentava-se e ao seu filho de 11 anos. Mas ele não deixou de acreditar que ainda chegaria o dia em que ele seria reconhecido e orgulharia seu filho.

Na verdade, ele nunca quis ser mundialmente famoso ou insanamente rico. Ele apenas queria dar uma boa vida para seu filho que havia perdido sua mãe muito cedo. Outro dia começava, mesmo não estando muito feliz, ele não ousava demonstrar isso para seu filho:

—Bom dia, filho! -Sorria ele arrumando-se. -Já tomou café-da-manhã?

Seu filho respondeu enquanto mordia um pão com manteiga:

—Estou fazendo isso agora!

—O pai está saindo para trabalhar! Tem seu almoço na geladeira, coloca no micro-ondas e almoça! Eu volto de noite!

—Boa sorte!! -Exclamou Douglas terminando de comer seu pão.

Ele levantou-se e pensou:

—Então...o que faremos nesse domingo ensolarado?

Apesar de ter se questionado sobre o que fazer, ele já possuía uma ideia bem clara em mente. Trancou sua casa, escondeu a chave em baixo de um vaso de planta e correu para brincar com seus amigos. Mas nenhuma mãe em sã consciência deixaria seu filho sair para brincar num sol de 40 graus:

—Entendo...então você não pode sair... -Disse Douglas decepcionado. -Então porque não brincamos dentro da sua casa?

Davi encostou-se em sua janela e respondeu:

—Até podemos...mas tem absolutamente nada para fazermos aqui dentro...Douglas respondeu cabisbaixo:

—tá bom então...

—Espera...seu pai não trabalha com videogames? -Perguntou Davi. -Porque você não vê se acha alguma coisa lá enquanto eu reúno a galera?

Ele rapidamente recuperou-se:
—Boa ideia!

O garoto voltou correndo para sua casa e adentrou o quarto bagunçado de seu pai:

—Já disse para ele arrumar isso...

Enquanto procurava por algo útil acabou por encontrar uma máquina velha e moribunda, como se esperasse alguém para jogá-la. Não tinha controles nem mesmo cabos para conectar na televisão e em cima dele estavam algumas instruções.

—Conecte na tomada para ligar, evite deixar outros eletrodomésticos ligados durante o uso da MIT, pois essa gasta uma gigantesca quantidade de energia. Ajuste o número de participantes e decida o/os Criador/Criadores, aquele/aqueles que vai gerar tudo. Observações: O número máximo de participantes é 10 e o de Criadores é 3. É aconselhável ter um alto conhecimento em anatomia humana para participar. Evite jogar mais de 1 hora seguida. O jogo irá fechar-se automaticamente caso alguém perca sua forma física. -Relatavam as instruções.

Douglas fez o que as instruções pediam, desligou outros eletrodomésticos, conectou a MIT à tomada, ajustou o número de participantes e Criadores para 1 e colocou o capacete em sua cabeça.

Rapidamente sua consciência foi transportada para um local totalmente vazio. Mesmo que conseguisse contemplar aquela imensidão branca, seu corpo não existia. Um grande aviso surgiu em sua frente:

—Nesse momento, você não possui forma física, projete uma dentro de cinco minutos ou o jogo se fechará automaticamente para evitar danos cerebrais.

O jovem tentou, mas foi em vão, seus braços ficavam disformes, seu sangue não fluía, seu cérebro não se formava. Cincos minutos se passaram e o jogo foi fechado. Ele pensou em tentar novamente mas lembrou que deveria avisar seus amigos primeiro. Correu até a casa de Davi e entregou a má noticia:

—Que pena...procure mais hoje e amanhã me fale se você achar algo! -Respondeu Davi.

Douglas sorriu e voltou para sua casa. A noite caiu e ele foi dormir. O outro dia nascera ainda mais rápido que o anterior e s sua rotinas iniciou-se. Aquele garoto normalmente não se interessava pela escola, apenas obtinha notas positivas para não reprovar, mas hoje era diferente. Na primeira oportunidade que teve, correu até sua professora de ciências:

—Professora!!!! -Gritou ele histericamente.

Ela voltou-se para trás um tanto assustada:

—O que foi, Douglas? Alguém morreu?

Ele deu uma leve risada e acalmou-se:

—Não, eu que eu queria saber o que é "Anatomia humana"!

—Explicando de forma simples, é o corpo humano por dentro, entendeu?

—Mais ou menos...onde eu consigo aprender sobre isso?

—Acho que eu tenho alguns livros sobre isso...mas para qual propósito você quer aprender sobre anatomia? Isso é algo que você só vai aprender muito para a frente!

—Sabe...eu só me interessei por isso... -Mentiu ele.

A professora ficou desconfiada, mas não via motivos para recusar:

—Vem comigo!

Ele sorriu novamente e seguiu-a. Ela foi na sala dos professores e voltou com três livros em sua mão:

—Me devolva na sexta!

A alegria contagiou seu corpo:

—Muito obrigado, professora!!! Juro que tiro dez no próximo teste! -Respondeu ele correndo de volta para sua sala.

—Eu não vou me esquecer do que você disse sobre o teste! -Afirmou a professora.

O resto do dia ele passou contemplando aqueles livros:

—Nossa...quantos nomes de ossos...quantos tipos de células...quantos órgãos...isso vai dar um trabalho desgraçado... -Suspirava ele.

O resto da semana decorreu sem nenhum acontecimento marcante e a sexta-feira escolar teve início:

-Então, Douglas, já decorou tudo? -Brincou a professora.

Douglas virou-se com gigantescas olheiras, olhos no fundo e uma cara totalmente exausta:

—MEUDEUSCRUCIFICAQUEÉDEMONIO! -Gritou sua professora.

—Que maldade, professora. -Bocejou ele. -Só estou meio cansado...e sim...decorei...

Ela sorriu e achou que ele estava brincando:

—Tudo bem então, "Einstein" da anatomia.

Ele chegou em casa fez os preparativos para ligar a MIT (N/A: Caso ainda não tenham percebido, máquina de Imersão Total, MIT) e correu para chamar seus amigos:

—Davi!!!! -Gritou ele em frente à casa de seu amigo.

Davi abriu a janela meio sonolento e gritou logo após ver a cara de Douglas:

—MÃE!!!! TRÁS A ESPINGARDA QUE TEM UM ZUMBI AQUI EM FRENTE!!!!

—Haha...muito engraçado...-Ironizou Douglas. -Chame os outros que eu achei um jogo...

Davi sorriu e voltou para dentro de sua casa. Douglas voltou para sua casa e esperou, não demorou muito para Davi e mais outros aparecerem:

—Antes de mais nada...eu não sou um zumbi, demónio, invocação, espírito, alma penada, personificação do tinhoso, gárgula ou qualquer outro ser bizarro. -Advertiu Douglas. -Estou apenas meio cansado...

—"Meio"? -Perguntou André. -Parece que seu rosto pegou fogo e tiveram que apagar com um salto alto...

—Pessoal, vamos parar de "zuar" o Douglas? -Interferiu João. -O rosto dele já fez isso por nós...

—Muito bem...me acompanhem seus "zueros"... — Apontou Douglas para dentro de sua casa.

Ele colocou algumas cadeiras e mandou seus amigos sentar nelas, e logo em seguida colocou os capacetes em cada um. Depois de terminar, ele colocou o capacete em si mesmo e começou a entrar naquele mundo. Aquele lugar continuava vazio como sempre e não demorou para o típico aviso aparecer:

—Nesse momento, você não possui forma física, projete uma dentro de cinco minutos ou o jogo se fechará automaticamente para evitar danos cerebrais.

Douglas ignorou o aviso e começou a projetar não apenas sua forma física, mas como também a de seus amigos. Em cinco segundos, ele projetou todas as formas físicas e um solo para caminharem:

—Nossa...que realístico... -Comentou André. -Mas então...fazemos o quê agora?

Douglas pensou um pouco e começou a projetar, ele construiu com perfeição o lugar onde moravam, mas dessa vez fez com que uma árvore gigante criasse uma gigantesca sombra:

—Pronto...agora não temos que nos preocupar com o calor! -Sorriu ele.

—Caramba...que legal!!!! -Admirou João.

Eles entraram naquela realidade virtual por volta das 13:00 e lá permaneceram até as 18:00 que foi quando Carlos chegou. Ele estranhou por não encontrar ninguém em casa e a caminho de seu quarto deparou com um grupo de crianças. Ele observou que elas estavam usando sua MIT.

Carlos sorriu e pensou na inocência de crianças tentarem usar algo que nem mesmo profissionais conseguiram. Carlos resolveu esperar cinco minutos para que o jogo se fechasse, já que pensava que ninguém conseguiria criar sua própria forma física.

Mas isso não aconteceu, espantado, ele desligou a MIT da tomada e logo ouviu vozes irritadas:

—Pai!! -Brigou Douglas. -Estávamos brincando!

Ele sorriu não acreditando:
—Já está tarde...seus amigos têm que ir para casa, seus pais devem estar preocupados.

Todos pegaram seu caminho e Douglas acabou por dormir minutos depois sem jantar. Carlos havia ficado curioso e por isso decidiu verificar os dados coletados pela MIT. Enquanto revia todas as últimas utilizações, ele encontrou a utilização feita por Douglas no domingo, onde ele miseravelmente falhava.

E a utilização feita por Douglas hoje, onde ele conseguia aquilo que ninguém havia conseguido. Projetar não apenas si mesmo, mas como também três outras pessoas e mais de um quilómetro quadrado de paisagem. E não apenas isso, ele havia feito isso por mais de cinco horas. Era loucura:

—Impossível...-Sorria ele.

Carlos ousou interromper o sono de seu filho:

—Filho!!! Filho!!! -Sacudia ele. -Como você fez aquilo?

Mas ele não obteve resposta, Carlos percebeu que seu filho estava transpirando e com muita febre:

—Droga...é claro que ninguém suportaria utilizar a MIT por mais cinco horas...

Ele pegou seu carro e levou seu filho para o hospital com toda a sua pressa. Lá, ele foi diagnosticado com apenas um pouco de cansaço, obviamente, Carlos já sabia disso. Com uma recomendação de descanso, ele voltou para casa. Douglas não pode comparecer a aulas durante uma semana e nem sequer sair de casa.

Atualmente, a única pessoa que sabia do talento de Douglas era Carlos. Antes de revelar ao mundo inteiro a capacidade de filho, ele considerou que era sábio consultar sua opinião:

—Sabe filho...o que você fez é incrível...ninguém mais no mundo consegue fazer aquilo, mas...você pode se machucar se continuar fazendo isso... -Comentou Carlos um tanto apreensivo. -Você quer continuar?

Douglas sorriu:

—É legal...porque eu não deveria?

Carlos sentiu-se igualmente feliz:

—Você é que decide..., mas não exagere! Então...poderia me mostrar como você faz aquilo?

Ele sorriu e levantou-se de sua cama. Carlos fez rapidamente os preparativos e os dois entraram naquele mundo. Dessa vez era diferente, todo o cansaço que Douglas sentia da outra vez, não existia agora.

Antes mesmo do aviso aparecer, ele já havia projetado seu pai e, si mesmo e um solo:

—Acho que só consigo projetar a nossa vizinhança...
Antes mesmo de terminar sua frase, Douglas foi surpreendido por um abraço de seu pai:

—Você é um gênio! Você é realmente um gênio!

—Ah...obrigado? -Respondeu Douglas meio sem jeito. -Mas como eu faço para saber que horas são lá fora?

Carlos constrangeu-se:

—Sobre isso...eu meio que não criei nenhuma forma disso acontecer já que ninguém ficava mais de dez minutos... -Respondeu ele. -Vamos fazer assim, você aprende algumas paisagens enquanto eu faço algumas modificações na MIT. Que tal?

—Vamos...mas como saímos?

—Comando: Logout! -Gritou Carlos estendo sua mão para o céu.

Cada um deles dirigiu-se para a tarefa que deveriam cumprir e rapidamente um mês se passou. Douglas conseguia projetar diversas paisagens, diversos animais, diversas plantas e até mesmo 10 humanos juntos. Carlos havia criado opções para ver que horas eram, opção para visualizar o mundo exterior através de câmeras e várias outras.

Todos os preparativos para apresentar Douglas ao público já haviam sido feitos. Carlos convocou uma reunião, voltou àquele lugar trazia-lhe más lembranças. As pessoas sentadas naquela mesa estavam um tanto desatentas, isso era normal considerando os fracassos anteriores de Carlos.

—Eu queria anunciar que nem tudo está perdido, meus senhores! -Disse ele levantando-se.

Todos olharam para ele com caras desinteressadas:

—Meu filho é o único ser humano do mundo, capaz de projetar até dez humanos por vez e várias paisagens e animais!

Alguns se levantaram e começaram a ir embora com aquele pensamento:

—Ele enlouqueceu de vez...

Mas Carlos não se deu por vencido:

—Eu imaginava que isso aconteceria...por isso eu trouxe ele e a MIT para podermos fazer um teste, o que me dizem?

Além do tempo, eles não possuíam nada mais a perder e acabaram por concordar. Carlos já havia feito os preparativos anteriormente e apenas colocou os capacetes nas cabeças de seus patrocinadores. Todos eles observavam meticulosamente Douglas.

No mesmo segundo que adentraram aquele mundo, todas as formas físicas já estavam formadas, e eles estavam em uma floresta com diferentes tipos de árvores. Foi rápido demais para eles sequer compreenderem. Era tão real e tão perfeito que eles não tinham palavras para descrever:

—Menino...qual é o seu nome? -Perguntou Carol, uma das patrocinadoras.

—Douglas...

—Sabe...você podia fazer um favor para mim?

—Depende, se estiver no meu alcance.

—Você poderia rejuvenescer minha aparência? -Pediu ela.

—Eu até posso, mas eu precisaria saber como você era antes. -Respondeu Douglas.

Douglas ativou alguns comandos:

—Pronto, agora você também é uma Criadora, projete alguma foto para que eu possa ver!

Carol concentrou-se um pouco e logo um retrato surgiu em sua mão, Douglas observou o retrato atentamente e rapidamente recriou-o:

—Meu deus...não pode ser...parece até mesmo que eu voltei no tempo! -Chorava ela.

Antes mesmo de poder agradecer, ela foi interrompida por outros pedidos

—Sabe...eu queria ter cabelo de novo... -Pedia um.

—Eu gostaria de ser um pouco mais malhado. -Dizia outro.

Douglas apenas mostrou-lhes seu sorriso e respondeu:

—Um por vez!

Todos os patrocinadores concordaram e Douglas foi divulgado ao mundo. Já em casa, deitado na cama, seu pai entrou em seu quarto e fez uma pergunta:

—Você não se sente cansado?

—Nenhum um pouco...parece que eu ganhei bastante resistência nesse último mês, acho que posso ficar até dez horas por dia e não vou me sentir cansado. -Respondeu Douglas.

Seu pai preferiu não incomoda-lo. Outro dia nascera, eles tomaram seu café-da-manhã e partiram para a empresa onde seu pai trabalha. Quando chegaram lá, uma enorme surpresa se pronunciou. Uma fila gigantesca, com milhares de pessoas de dezenas de países.

Carlos adentrou o prédio da empresa um tanto preocupado:

—O que significa isso? -Perguntou ele para seu chefe.

—Nós tivemos uma ideia ótima, porque não criar uma LanHouse virtual? -Disse seu chefe. -As pessoas pagam para ficar um determinado período de tempo dentro da MIT com o Douglas, vamos lucrar milhões!

Carlos era forçado a admitir que era uma ideia genial mas mesmo assim ele preocupava-se:

—Está tudo bem para você?

Douglas voltou a sorrir:

—Claro que sim!

Depois de fazerem as preparações e pegar o dinheiro requerido, várias dezenas de pessoas começaram entrar em fila. Sua maioria era constituída por pessoas paraplégicas, tetraplégicas, pessoas com alguns membros amputados, pessoas idosas, pessoas com algumas deficiências, entre outros. Eles entravam na MIT e logo começavam a fazer pedidos:

—Poderia restaurar meu braço?

—Poderia fazer eu mexer minhas pernas de novo?

—Poderia fazer eu ver de novo?

—Poderia me rejuvenescer?

Mas é claro, nem tudo o Douglas podia consertar, ele não era deus, ele era apenas um menino. Em apenas 12 horas, eles lucraram mais de 100 mil reais. Eles haviam retornado a casa e novamente seu pai se projeta na porta de seu quarto:

—Está cansado?

—Não, nenhum um pouco. -Respondia Douglas.

—Não se preocupe, estamos desenvolvendo um sistema que vai permitir conectar mais de mil pessoas por vez. E também vai deixar algumas máquinas gerenciado o fluxo de informações, o que vai deixar seu trabalho muito mais fácil! -Afirmava Carlos.

—Vou estar esperando então.

Um dia passou, dois, três, sete, vinte e quatro e trinta. Num único mês essa empresa havia se tornado uma das mais ricas do país. O sistema que Carlos havia citado estaria pronto em cerca de alguns dias. Eles acordavam de manhã e iam para a empresa e lá se encontravam com aquela gigantesca fila. Isso já havia se tornado uma rotina.

Mesmo encontrando pessoas extremamente arrogantes, Douglas fazia seu trabalho sempre sorrindo. Logo após terminar de projetar dez pessoas por dez minutos, ele pediu um favor a seu pai:

—Pai...eu meio que preciso ir ao banheiro...

Seu pai, obviamente, deixou:

—Pode ir.

Aproveitando essa pausa, ele foi falar com seu chefe sobre folgas. Já que desde o dia que isso teve início, seu filho havia trabalhado todos os dias:

—Chefe, eu acho que vou tirar uma semana de folga com o Douglas, sabe, ele não tem nem tempo para estudar e por isso uma professora dá aulas para ele na nossa casa. -Argumentava Carlos. -Eu pensei em levar ele para algum lugar para nós nos divertimos, tipo um circo ou um parque de diversões.

Seu chefe não pode acreditar no que ouvia:

—Você está me zuando? Uma semana de folga? Como você quer que eu segure essa fila do caralho por uma semana? Eles vão destruir essa porra toda!

Carlos perdeu sua calma:

—Não, você que está me zuando! Meu filho tem trabalhado por um mês inteiro sem folgas! Ou você me dá uma semana de folga ou nossa parceria acaba aqui!

Seu chefe percebeu que estava pressionado em um beco sem saída até que se lembrou de algo:

—Porque não deixamos ele decidir?

Douglas não queria usar o banheiro pelo motivo presumido, mas sim porque seu corpo beirava o colapso. Sua cabeça latejava, seu coração palpitava, seus olhos ardiam, seu estomago doía e era difícil continuar de pé ou acordado. Numa tosse repentina ele manchou a pia do banheiro de sangue:

—Merda...
Ele jogou um pouco de água e limpou o sangue, mas rapidamente sua visão enturveceu-se e ele caiu no chão quase perdendo sua consciência. Ele ouviu algumas batidas na porta:

—Filho, eu quero que você venha comigo...você precisa decidir uma coisa...

Ele se apoiou e levantou-se usando suas pernas bambas e frágeis:

—Espera só um pouco...pai...

Ele forçou todo o seu cansaço para dentro de si mesmo e abriu a porta com um falso sorriso no rosto, como se nada houvesse acontecido:

—Pronto...eu tenho que decidir o que?
Seu pai levou-a até a sala de seu chefe, onde ele explicou-o a situação:

—Então...o que você prefere? -Perguntou Carlos.

Douglas pensou um pouco antes de responder:

—Férias seriam legais...

Seu pai sorriu:

—Mas eu acho que é melhor continuarmos trabalhando...depois podemos ter férias. -Continuou Douglas.

O chefe de Carlos imediatamente fez uma intromissão:

—Pronto! Como tínhamos decidido anteriormente, o menino decide!

Carlos ficou extremamente preocupado, mas antes que pudesse dizer algo, Douglas sorriu e sussurrou para ele:

—Vamos terminar o que temos para fazer!

Ele não pode se opor a opinião de seu filho. Eles voltaram ao trabalho e mais uma surpresa teve início. A pequena pausa de Douglas havia feito o caos reinar na fila. Pessoas gritavam e xingavam loucamente. Carlos com alguma dificuldade conseguiu conter a confusão e logo retomou seu rumo.

Mais dez participantes entraram naquele mundo. Douglas teve de diminuir a área projeta já que a sua dor de cabeça era extremamente dolorosa. Um dos participantes aproximou-se de Douglas e fez um pedido:

—Poderia projetar minha mulher que morreu há alguns anos atrás... -Disse um homem projetando uma foto de sua falecida mulher.

Antes do homem conseguir terminar, Douglas parou-o:

—Eu temo que não possa fazer isso...

O homem ficou irado:

—Porque não?

—Sabe...quando eu crio um corpo, eu só crio ele e deixo o dono desse corpo controla-lo. Se eu criar um corpo sem dono, será como se eu tivesse criado um novo ser humano...eu prefiro não ficar brincando de deus...

O homem ficou ainda mais irritado e levantou Douglas por seu pescoço:

—Só por isso? Por causa da sua mísera opinião, eu não poderei me reencontrar com ela? Faça isso agora seu pirralho!! -Gritava ele.

O cansaço mental de Douglas ultrapassou limites que não deveria ultrapassar. Ele colapsou levando todo o mundo e pessoas a sua volta com ele. O jogo fechou-se automaticamente. Seu pai estranhou aquele acontecimento, considerando que aquilo não havia acontecido antes.

E ao chegar o estado de Douglas espantou-se:

—Ele está queimando de febre!

O dia de trabalho de Douglas foi finalizado ali, seu pai levou-o até o hospital rapidamente. Ele foi atendido imediatamente, ser uma peça importante para o desenvolvimento da ciência tem suas vantagens. Os médicos começaram a lhe injetar soro na veia juntamente de vários outros medicamentos.

Passados alguns minutos de terror, um grupo de médicos aproximou de Carlos, esperava na sala de espera e lhe disse:

—Seu filho...quer falar com você...

Carlos não hesitou nem por um segundo e correu até a sala onde Douglas estava. Douglas sorria como se nada houvesse acontecido, mas Carlos não era tão forte assim:

—Porquê...porquê...porque você não me disse nada? — Chorava Carlos

Ele sorriu e ignorou a pergunta:

—Sabe...a mãe sempre me disse para ajudar as pessoas quando eu fosse capaz...eu acho que ela não se orgulharia de mim, se eu ficasse chorando e desperdiçando meu potencial...

Carlos permaneceu em prantos:

—Não fale bobagens...eu tenho certeza que ela se orgulharia de você...

Douglas sorriu pela última vez:

—Entendo...eu fico feliz com isso...

Seus olhos fecharam e sua mão caiu sem vida. Carlos não pode conter seu sofrimento. Ele sentia seu peito ser perfurado e dilacerado por um sentimento grotesco. Era uma dor que não podia ser descrita com palavras. Mas ao lado dessa dor, estava um sentimento de ódio esperando para ser liberado.

Ele limpou suas lágrimas, colocou a MIT em seu carro e dirigiu loucamente para a empresa onde trabalha. Correu carregando a MIT em seus braços até a sala de seu chefe. Seu chefe cumprimentou-o inocentemente:

—O que te traz aqui...

Antes mesmo de terminar sua frase, Carlos atingiu-o com um grande soco no rosto que o derrubou de sua cadeira. Ele fez as preparações e começou a transmitir um vídeo para a toda a empresa, e toda as pessoas que esperavam do lado de fora:

—Sabe...há alguns momentos atrás, o meu filho morreu...ele morreu por ter dado tudo por vocês, mas ele não se arrependeu disso nem mesmo na sua morte.
Carlos fez uma pausa e limpou suas lágrimas:

—Ele era chamado de génio, espetacular e até mesmo deus. Mas antes disso tudo, ele era uma criança. Uma simples criança que não tinha feito nada de errado durante sua pequena vida, mas mesmo assim ele morreu. E vocês? Uns bastardos egoístas que sugaram a vida de uma pobre criança apenas para se satisfazerem. Vocês são uns monstros, mas eu tenho certeza que não se sentem culpados por isso: "Não tem nada a ver comigo", deve ser isso que vocês estão pensando.

Carlos parava e olhava para todos através das câmeras:

—Eu estava construindo um sistema que poderia colocar mais de milhares de bastardos iguais vocês dentro da MIT, de uma só vez. Se vocês tivessem esperado só um pouco, se vocês tivessem pensado em alguém além de si mesmo só um pouco, ele ainda estaria aqui, sorrindo inocentemente, enquanto esconde suas próprias feridas.

Carlos percebeu que não havia mais muito para falar, pegou no MIT e mostrou-a para todos:

—Ei...não faça nenhuma bobeira...Carlos... -Disse o seu chefe caído no chão.

—Essa é a única MIT do mundo!! -Sorriu Carlos. -Eles pensaram em produzi-la em massa mas mudaram de ideia já que apenas o Douglas conseguia utiliza-la. Boa sorte tentando satisfazer os vossos prazeres sem isso!

Carlos jogou a MIT pela janela e depois de alguns segundos, um grande barulho ecoou. Ele sorriu e saiu pela porta da frente de sua empresa, entrou em seu carro e saiu dirigindo seu rumo. Acendeu um cigarro e largou o volante de seu carro:

—Estou indo encontrar com você...Douglas...

Uma grande curva com vista para um precipício se aproximava...

Notas finais
Essa foi uma fic difícil de se escrever e principalmente de se corrigir (Tirando o fato de que independente do que eu fizesse, os espaços não apareciam ;-;), por isso perdoe os meus erros. Muito obrigado por ler, comente sua opinião e se estiver interessado em mais histórias não hesite em visitar o meu perfil! (EDIT: Finalmente consegui colocar parágrafos nessa jossa!!!!!!)
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!