Uma semana se passou desde vários cinzas foram massacrados. Giovanna finalmente já podia ir a luta com todos os outros que sobraram. Mas ela não aguentava mais ter aquela ideia de entregar Chinelo em sua cabeça. O pior de tudo, é que a maioria dos cinzas queriam aquilo, queriam o fim da guerra. Muitos queriam ver a paz de volta no mundo de Jairus, queriam voltar para suas famílias. E todos sabiam que ir à luta com os coloridos, era suicídio. Talvez Nissim estava com a razão, era preciso sacrificar uma vida para salvar milhares de outra. E Giovanna não admitia, mas preferia ver Alexandre morto. Não aguentava mais essa guerra, estava tudo um caos.

O sol estava indo embora, dando lugar a imensa lua que começava a brilhar no céu de Jairus. A pequena chuva que caía, levava embora os restos de sangue que permaneciam no solo do campo de batalha. Giovanna estava ali. A chuva não a atrapalhava, era até bom. A cinzenta estava no campo de batalha sozinha, observando as marcas de destruição no chão. Ficou um bom tempo ali pensando no que deveria fazer. Sabia que não havia outra opção, ela precisava entregar o Rei Cinza.

A garota começou a ouvir passos preencher o silencio que estava ali, em alerta, pegou sua katana e segurou-a firme em suas mãos. Olhou em sua volta e parou quando viu uma silhueta se aproximar. A pessoa foi se aproximando aos poucos, até que cinzenta reconheceu. Era um colorido em especial: Rozito. Ele se aproximou sem dizer nada e ficou em sua frente segurando suas pexeras. Os dois ficaram calados se olhando por um tempo, aquilo era muito estranho.

– Já não matou cinzas o suficiente? – Perguntou.

Giovanna disse com um sorriso sarcástico no rosto. Ela conhecia Rozito o suficiente para saber como ele era esquentado.

– Não matei quem devo, ainda. – Respondeu.

Rozito estava mais calculista que Giovanna pensava. Ele sempre fora um bom homem. A cinzenta resolveu que iria parar com essa guerra naquele momento.

– Rozito, preciso falar com seu General. Chame Joel, por favor. – Pediu.

Giovanna foi sincera, mas não o bastante para o colorido. Era preciso mais convicção.

– Chamar ele aqui para você, mata-lo? Não sou idiota, Cinzenta! – Raivou.

Rozito levantou sua pexera, ameaçando-a. Giovanna recuou, tentando acalmar seu ex-amigo.

– Eu não estou aqui para brigar, Rozito. Por favor, eu quero acertar as coisas. Não irei atacar ninguém! – Exclamou.

Giovanna jogou sua katana no chão, em sinal de paz. Ela não poderia atacar Rozito, não quando queria acertar as coisas com os coloridos. Mas com o soldado imortal, era diferente. Aquela era a melhor chance que ele tinha de tirar mais um cinza do mapa. Assim que Giovanna soltou sua katana, o colorido levantou sua pexera e enfiou logo ao lado do coração da cinzenta. Giovanna sentiu a lâmina atravessar seu corpo e rasgar sua pele, em suas costas. Nesse momento a dor veio, junto ao desespero. Rozito então arrancou a pexera dela, fazendo a cinzenta cair. Amaldiçoou-se por ter confiado em Rozito naquele momento, e com o resto de segundos que lhe sobrava, Giovanna pensou em todos aqueles cinzas que morreram ali, como ela. Rozito observou a cinzenta lutar para respirar por mais alguns segundos, mas a força de vontade dela de viver não foi o suficiente. Segundos depois apenas restava o corpo falecido dela. O colorido pegou a katana de sua vitima, seria um ótimo troféu por ter matado a rainha cinza. O sangue dela em sua pexera também era algo de muito valor. Rozito deixaria seu General orgulhoso. Agora Alexandre está sozinho no reino, e será mais fácil de captura-lo.

Chegando ao reino colorido, Rozito foi até a sala do trono. Onde o General e outros dos melhores soldados se encontravam, conversando. Ao ver Rozito, Joel olhou rapidamente para a katana que havia em sua mão.

– Essa katana é de quem eu estou pensando? – Perguntou.

Rozito foi até seu General e lhe estendeu a espada. Joel pegou-a e logo notou as inicias da cinzenta marcada na lâmina.

– Eu matei a Rainha Cinza, General. – Afirmou.

Todos naquele cômodo olharam para Rozito impressionados. Queriam saber como ele tinha feito tal ato. Potter, que estava ali, não acreditou no que ouvia.

– Isso só pode ser mentira, você não a mataria sozinho! – Disse.

Potter disse isso mesmo sabendo das consequências que havia ao duvidar de Rozito.

– Está me chamando de mentiroso, Potter? – Esbravejou.

Rozito foi até o soldado com passos pesados e largos. Sua raiva era grande, e ele poderia descontar no rapaz.

– Só estou dizendo que é meio impossível você mata-la. Pode matar soldados, mas não chega ao nível da rainha cinza. – Explicou.

Rozito tentou respirar fundo para se acalmar, mas só tinha uma coisa que poderia acalma-lo, e ele a fez. Pegou a pexera não usada anteriormente e sem mesmo dar tempo do rapaz fugir, Rozito enfiou a pexera na cabeça de Potter, que imediatamente caiu falecido. Sangue escapava da cabeça do rapaz e sujava todo o chão da sala do trono. Rozito abriu um sorriso, feliz por ter tirado a vida daquele que só trazia problemas.

– Alguém chame o pinguim para limpar essa sujeira. Não quero meu chão manchado! – Exclamou.

O General disse sem a menor preocupação, estava feliz pela morte da Cinzenta. Era um grande passo para chegar até Alexandre. William que estava ali, limpando sua escopeta tinha uma duvida agora que a garota cinza estava morta.

– O que faremos agora? – Perguntou.

Joel começou a andar de um lado para o outro, pensando na melhor maneira de fazer aquilo. Apesar de Giovanna ter falecido, ainda tinha Nissim ao lado de Alexandre. Bruno que estava logo ali do lado, observava tudo atentamente.

– Rozito, onde deixou o corpo da Cinzenta? Preciso alimentar meus cães. – Perguntou.

Rozito apenas riu e deu o local que Bruno queria. Seria ótimo acabar com o que resta da garota cinza. Joel então, chamou a atenção de todos, que logo se calaram.

– Vamos pegar tudo e todos que temos, e iremos invadir aquele castelo e não vamos deixar um cinza vivo!