O Incrível Mundo De Jairus
6 A Batalha – Part I
A noite estava caindo, o céu escurecia a cada minuto que passava. Passou-se três dias desde o acontecimento, a morte da rainha cinza. A procura do corpo dela começou assim que os soldados cinzas notaram sua ausência, desde então, eles sabiam que não achariam ela viva. Mas graças ao Bruno e seus cachorros, o corpo nunca foi encontrado. No castelo cinza, Alexandre estava atordoado. Ele andava de um lado para o outro, sabia que agora estava em perigo. Chinelo ordenou que todos seus soldados tomassem conta do castelo e o protege-se. Porém, ele não fazia ideia do quanto os coloridos eram verdadeiros guerreiros que poderiam quebrar com tudo ali.
O relógio marcava 19h59m, a noite já habitava no mundo de Jairus. Estava tudo tão calmo ali. Mas a calmaria sempre era acompanhada de uma grande tormenta. Chinelo checava pela janela o horizonte, procurando alguma ameaça vindo em direção ao seu castelo. Ele tinha medo todas as vezes que ia procurar por ameaças, ele sabia que os coloridos poderiam vir a qualquer momento. Restavam poucos soldados cinzas e eles estavam sozinhos ali, sem comando algum.
Alexandre respirou fundo e foi mais uma vez para a janela mais próxima que encontrou. E ali, ele viu o que já esperava. Ganhando espaço no campo, estavam vários soldados coloridos. Eles chegavam com fúria. As luzes das tochas os guiavam, seus cavalos eram velozes e furiosos. Tudo parecia muito rápido e em poucos minutos, eles alcançariam o castelo cinza.
Chinelo se apressou e saiu correndo para alertar os últimos cinzas que habitavam o castelo junto com ele. Logo no primeiro corredor, encontrou Fernando, mais conhecido como o Felipe Neto. Ele olhou espantado para o rei cinza. Nunca tinha visto-o andar a toa pelos corredores do castelo.
– Os Coloridos estão chegando! Avise a todos, seremos atacados em minutos! – Alexandre disse.
Fernando olhou para o Rei Cinza em pânico e logo saiu correndo gritando a todos que os coloridos estavam chegando. Em menos de minutos, a castelo estava uma bagunça total. Soldados cinzas se preparavam para a luta, para a morte.
Os cavalos eram cada vez mais rápidos. Nada poderia pará-los naquele ponto, nem mesmo as armas mais poderosas que os cinzentos tinham. Joel chegava cada vez mais perto do castelo, podia notar que eles se preparavam. E a guerra começaria ali. Com um grito, ordenou que seu exército atacasse.
Neste momento cavalos e soldados corriam em direção ao castelo com tudo o que tinham. Rozito foi um dos primeiros a chegar ao castelo, seu cavalo foi deixado de canto quando adentrou as terras do inimigo. As portas gigantes de madeira não era o suficiente, com a ajuda de outros soldados, eles derrubaram as portas e invadiram o campo inimigo. Assim que deram os primeiros passos, cinzas entraram em combate, espadas atravessando corpos e mutilando uns aos outros. A maioria dos que caíram mortos, eram os cinzas. Porém, coloridos foram atingidos também.
Alexandre assistia a tudo dentro do castelo, sua espada tremia em suas mãos frágeis. Ele nunca pensou que isto poderia acontecer. Notou Rozito no campo de batalha, ele estava em fúria e acabara de atravessar sua pexera no peito de um cinzento. O sangue jorrava do corpo como se fosse uma cachoeira, era difícil assistir a morte de seus soldados, ainda mais sabendo que seria o próximo.
Apesar do medo, Fernando conseguiu matar pelo menos três coloridos. Logo ao seu lado notou que um de seus amigos estava em apuros e sem pensar muito mirou a espada na cabeça do colorido que atacava o cinza, o som da lâmina penetrando e se afundando na cabeça do colorido foi música para seus ouvidos. Menos um para eles. Porém ele não conseguiu reagir ao que aconteceu depois: Uma índia apareceu em sua frente e posicionou sua lança na garganta de Fernando. O cinza ficou em choque com aquilo. Seu corpo travou naquele momento e ele não tinha como reagir, apenas esperava por sua morte. A Índia olhou para ele e sorriu, ela estava tramando algo.
– Se implorar, eu deixo você viver! – Falou.
A índia tinha esse brilho nos olhos, indecifráveis. Fernando não conseguiu pensar em nenhuma outra opção. Seu lado humano queria viver, nem que ele tivesse que ser humilhado por uma índia, ele teria que lutar por sua vida e pela vida dos cinzentos.
– M-me deixe viver, por favor! – Gaguejou.
O riso sarcástico da Índia pode ser ouvido com clareza. Fernando não gostava nem um pouco daquela situação. Sentia seu coração mais acelerado a cada segundo que passava. A índia pressionou um pouco mais sua lança no pescoço do cinzento, aquilo não foi profundo, mas foi o bastante para um filete de sangue escapar.
– Suas palavras não me convenceram. Implore de novo... De joelhos. – Ordenou.
Fernando riu para não chorar. Seu corpo obedeceu a índia e logo ele estava de joelhos no meio do campo de batalha. Ele ouvia em sua volta seus amigos gritarem e serem assassinados. Mas seus olhos estavam na Índia.
– Por favor, me deixe viver! – Implorou.
A Índia olhou para os olhos do rapaz por alguns segundos em silencio procurando razões para ouvir as palavras daquele cinzento. Então ela sorriu.
– É... Não! – Disse.
Com essas duas palavras, ela forçou a lança até que ela atravessasse a garganta do rapaz e saísse pela sua nuca. Sangue começou a jorrar enquanto Fernando agonizava de dor e se afogava em seu próprio sangue. A índia puxou a lança de sua garganta deixando um buraco no meio do pescoço do cinzento. Ele rapidamente caiu no chão. Levou alguns segundos até que finalmente ele teve sua paz e faleceu no campo. A índia riu do cinzento morto, esperava que o rapaz implorasse como qualquer outro covarde.
O que ela não esperava é que diante dessa distração. Nissim estaria atrás dela com uma faca na mão. Ao ver seu parceiro morto no chão, ele sentiu o ódio agir dentro de si. Sem nem menos pensar, ele segurou a Índia pelo queixo e levantou sua cabeça. Antes que ela pudesse reagir, ele enfiou a faca do lado esquerdo do pescoço dela e puxou, rasgando até a outra ponta. O sangue jorrou e ela começou a lutar para respirar, o que era inútil. Nissim a empurrou, jogando-a no chão. A morte veio segundos depois.
Nissim matava todos os que os coloridos que via pela frente. Porém, ele já estava machucado. Vários cortes por seus braços e seu corpo. Ele não aguentaria por muito tempo, mas levaria quantos coloridos pudesse com ele para o inferno. Tudo estava sob controle, até que em sua frente apareceu William, um dos coloridos mais brutos, com sua escopeta totalmente carregada e pronta para deixar algum cinza em pedaços. Essa era a nova missão de Nissim: Matar ou pelo menos causar algum dano no Will.
Os dois trocaram um olhar naquele momento e foi naquele momento que Will reagiu. O tiro da escopeta ecoou pelo campo de batalha junto com o grito de dor de Nissim. Menino Izidoro havia sido atingido bem no joelho. Faltava mais um pouco para que sua perna fosse totalmente mutilada. William foi certificar que ele morreria ali mesmo. Andou até o cinzento que estava caído e riu de sua cara enquanto apontou a escopeta para seu rosto. Nissim pegou sua faca e antes que Will pudesse atirar, enfiou-a na coxa do mesmo e rasgou até seu joelho. Os dois estavam prestes a matar um ao outro, e nada poderia impedi-los.
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