Notas iniciais
Olá gente, como vão? Sim galera eu demorei muito e mais uma vez deixei vcs esperando um capítulo, a única coisa que tenho para falar é pedir desculpas. Agradeço aos comentários - que ainda irei atualizar - e aos favoritos. Bom esse capítulo foi difícil de escrever e tive algumas dificuldades, e era para ter atualizado no começo da semana, mas minha internet estava muito ruim e não deu, e só para vcs saberem, essa é a quinta vez que tento postar esse capítulo. Espero que vcs gostem e achei que ficou legal o resultado. Boa Leitura.

O H Ó S P E D E

Acordei com o som chato do despertador, fazendo com que um eco entrasse por meus ouvidos, me deixando atordoada. Com os olhos semicerrados consegui desligar aquele som irritante, voltando a me deitar na cama e me encolher nas cobertas quentinhas. Mas eu não podia ficar muito tempo ali, pois me conhecia bem o suficiente para saber que se eu cedesse àquela preguiça, acabaria perdendo a hora.

Espreguicei-me, abrindo os olhos mais uma vez, sentindo a claridade do dia entrar por aquelas cortinas de renda. Deixando as cobertas de lado, sentei-me na cama, sentindo a friagem quando os meus pés tocaram àquele chão frio. Olhei por todo o meu quarto e de repente as lembranças de ontem chegou como um rolo compressor, me deixando tonta.

Cozinha, Patch, Tacos, Beijo...

— Minha nossa! — levei a mão na boca, sentindo meus olhos arregalarem e o coração acelerar algumas batidas.

Não podia acreditar no que havia acontecido. Patch e eu nos beijamos novamente, e eu havia gostado, havia gostado tanto que resolvi abaixar minha guarda e aceitar aqueles sentimentos estranhos que sentia quando ele estava por perto.

O que foi que eu fiz?

Minhas mãos tocaram meus lábios, podia sentir a boca dele na minha, o seu beijo caloroso, suas mãos firmes em minha cintura e seu cheiro gostoso ainda era vivo na minha memória. Fechei os olhos e suspirei pesadamente, tentando acalmar meus hormônios que estavam totalmente descontrolados. Eu mal me reconhecia ali. Não tinha a mínima ideia de como iria agir na frente dele. Eu estava me sentindo hesitante, morrendo de vergonha de encará-lo. O que eu iria falar? Como é que ele iria agir comigo?

Suspirei.

Para de bancar a covarde, Nora! Disse para mim mesma. Olhei mais uma vez o relógio despertador, percebendo que iria me atrasar se continuasse que nem uma idiota pensando nas coisas que nem aconteceram ainda.

Levantei-me da cama e caminhei até meu guarda-roupa, peguei as roupas que usaria hoje e deixei na cama. Agarrei a toalha e corri para o banheiro, agradeci por ele está vazio. Fiz minha higiene pessoal rapidinho e tomei um banho para tirar aqueles vestígios de preguiça e ficar mais desperta. Enrolei a toalha no meu corpo e abri de vagar a porta do banheiro, olhei para o corredor percebendo que estava vazio, quer dizer, sem sinal de Patch.

Não pensei duas vezes e corri para meu quarto, mas não pude deixar de escutar o som da maçaneta do quarto da frente girar, entrei no quarto rapidinho e fechei a porta. Eu não podia ficar fugindo, uma hora eu teria que encarar Patch e essa hora iria chegar mais rápido, pois não havia me esquecido que eu iria para escola com ele.

Coloquei meu jeans escuro, uma camiseta vermelha simples e minhas sapatilhas. Nos meus cabelos optei por uma trança travessal, evitaria aborrecimentos do decorrer do dia com meu cabelo rebelde. Passei um pouco de gloss vermelho nos lábios, um lápis no olho e rímel nos cílios, e foi aí que percebi; eu estava me maquiando mais do que o normal.

Eu estava querendo ficar mais bonita para ele.

Larguei tudo em cima da minha penteadeira, peguei minha mochila e meu novo celular e saí do quarto. Logo quando cheguei na sala, fui arrebatada pelo cheiro de café feito. Deixei a mochila no sofá e entrei na cozinha encontrando meu pai de costas para mim enquanto tirava algumas coisas da geladeira.

— Bom dia, pai.

Ele virou seu rosto para mim e sorriu, fechou a geladeira.

— Bom dia, querida, dormiu bem?

Assenti com a cabeça, sentando-me na cadeira, a mesa já estava posta.

— Como foi lá com o padrinho? Não vi o senhor chegar.

Papai colocou o queijo e o presunto em cima da mesa. Peguei o pão e comecei a cortá-lo.

— Foi bom, ficamos conversando e acabei perdendo a noção do tempo, cheguei tarde.

— Hm.

Meu pai colocou o suco no copo para mim e café na xícara para ele, sentando-se em seguida na cadeira da ponta da mesa.

— Bom dia, Patch.

Meu coração deu um salto com o nome dito por meu pai. Ergui meu olhar para cima e o vi entrando na cozinha vestido impecavelmente com seus trajes preto, o que o deixava terrivelmente lindo. Um frio rodou meu estômago quando fui banhada por seus olhos negros e intensos, e não pude deixar de perceber uma pequena sombra de um sorriso de canto.

— Bom dia, Harrison. — seus olhos desviram dos meus por um segundo, focando em meu pai, e isso foi o suficiente para voltar minha atenção para o meu café da manhã e evitar o constrangimento do meu rosto que estava ficando vermelho. Era impossível não olhar para Patch e não me lembrar de ontem à noite. — Bom dia, Nora.

Eu senti algum toque de malícia em sua voz quando ele pronunciou meu nome, deixando-me mais encabulada. Ele estava me provocando, até por que, ele nunca tomava café junto comigo e meu pai.

— Bom dia. — minha voz saiu num sussurro, não ousei olhar para ele, mas sentia seus olhos queimando em minha pele.

— Que milagre é esse, tomando café com a gente? — começou meu pai, seu tom com aquele humor que só ele tem de manhã.

— Acordei faminto hoje.

Levantei meu olhar disfarçadamente para cima, ele estava me fitando enquanto levava a xícara de café na boca. Seus olhos soltou um brilho diferente e o canto de sua boca ergueu-se para cima, num discreto sorriso de lado. Desviei meu olhar para meu pai, ele estava distraído demais colocando o queijo e o presunto no pão para perceber qualquer investida cumplice de Patch para mim.

O restante do café fiquei na minha, meu pai começou um diálogo com Patch sobre alguns assuntos do restaurante e agradeci por isso. Alguns minutos depois, me preparei para sair, Patch logo lembrou que me levaria e que só iria pegar a mochila no quarto. Não o esperei, despedi-me de meu pai e saí de casa, descendo as escadas, e antes que eu chegasse à garagem subterrânea, Patch conseguiu me alcançar.

Só a sua presença ao meu lado me deixava nervosa, não sabia o que estava acontecendo comigo, ele era só o Patch, o hóspede estranho de meu pai, o cara mais lindo que eu já vi e possivelmente a pessoa que eu tinha sentimentos.

Viramos o corredor que dava para o restaurante e o portão de saída e descemos mais um pequeno lance de escadas, chegando à garagem.

— Está quieta. — ele começou, seu braço roçava o meu.

— Impressão sua. — tentei fazer com que minha voz saísse o mais natural possível.

— Não precisa ficar envergonhada pôr ontem.

— E quem disse que eu estou envergonhada? — eu sentia seus olhos me queimando mais uma vez, minhas mãos estavam soadas.

— Então por que você não olha na minha cara?

Parei de repente, o sentindo parar também. Olhei para seu rosto que estava com uma expressão séria e novamente tentei contornar aquela situação.

— Eu estou olhando, satisfeito?

Ele soltou um sorriso sarcástico, balançando a cabeça para os lados.

— Você disse que não iria fugir.

— Eu não estou fugindo.

— Mentirosa.

Não consegui respondê-lo e muito menos tive tempo para isso. Ele pegou minhas duas mãos e as colocou em volta de sua cintura, para em seguida subir suas mãos até meu rosto e colar sua boca na minha.

Com aquele ato um pouco conhecido por mim não evitou com que sentisse aquelas borboletas no estômago e sentir meu coração disparado. Nossas bocas estavam totalmente sincronizadas enquanto sua língua travava uma batalha com a minha. Agarrei com força a sua cintura o trazendo mais para mim, subindo vez ou outra minhas mãos por suas costas e sem querer eu senti uma contubernaria elevada e longa através do tecido de sua camiseta preta.

Patch encerrou o beijo de repente, descendo suas mãos por meus braços e fazendo minhas mãos soltarem suas costas delicadamente.

— O que foi? — perguntei sentindo meu cenho franzir levemente.

— Vamos nos atrasar assim desse jeito. — ele sorriu, e me puxou pela mão até sua motocicleta estacionada ao lado do carro do meu pai.

Deixei-me ser levada, ainda confusa com o que senti. Ele me entregou o capacete extra e o coloquei na cabeça, me enrolando um pouco. Patch subiu na moto — já com seu capacete, inclinando um pouco para o meu lado. Usei seus ombros como apoio e subi, agarrando sua cintura em seguida.

Não demoramos muito até chegarmos à escola, o estacionamento estava cheio o que fez Patch estacionar sua moto bem longe da saída.

Novamente usei seus ombros como apoio para descer, e novamente me enrolei naquele capacete.

— Deixa que eu ajudo.

Com maestria Patch conseguiu desafivelar o capacete e finalmente me vi livre dele.

— Obrigada.

Passei minha mão no cabelo para ver se não estava fora do lugar.

— Não está bagunçado. — ele declarou à minha frente, me olhando. Ele levou a mão ao meu rosto e passou o dedo polegar abaixo do meu lábio como se limpasse algo. — Você está mais bonita hoje.

Seu olhar focou-se no meu mais uma vez, e novamente sentia aquelas borboletas.

— Obrigada. — murmurei, sentindo minhas bochechas ficarem coradas.

— Mas eu prefiro você sem isso no rosto, você não precisa disso, não quando se tem uma beleza própria.

Senti meus olhos arregalarem de leve, e meu rosto deveria estar uma pimenta de tão vermelho.

Diante do meu estado constrangedor ele sorriu, tirando sua mão do meu rosto e agarrando a minha mão, entrelaçando nossos dedos.

— Respire, Nora.

Foi aí que percebi que prendia a respiração. Soltei todo o ar de uma vez e quase me engasguei com isso.

— Vamos. — ele me puxou pela mão naquele estacionamento.

Eu apenas assenti com a cabeça, impossibilitada de dizer alguma coisa. Minha atenção logo foi totalmente voltada para Vee que estava a alguns metros mais à frente, ao lado de seu Neon. Seu olhar estava vidrado em mim e no meu hóspede, especificamente em nossas mãos entrelaçadas.

Deixei escapar um suspiro, sabia que seria metralhada de pergunta e suposições, e teria que responder tudo, já que nós duas tínhamos um pacto que fizemos quando éramos pirralhas de uma contar tudo a outra, pois isso era o que melhores amigas faziam.

Paramos em sua frente, ela não disfarçava sua expressão incrédula variando seu olhar entre mim e Patch.

Isso tem como ficar pior?

— Oi, Vee. — minha voz parecia ter a tirado de seu transe interno e me fitou.

— Oi.

— Vee. — cumprimentou Patch, ela apenas assentiu meio embasbacada. — Vou deixar vocês duas sozinhas.

Patch apertou minha mão enquanto me olhava, e soltou, levando embora o aconchego e a quentura de sua mão enquanto se afastava, sem olhar para trás.

Não precisava dizer que Vee acompanhou com o olhar todo o percurso que ele fez até entrar no pátio do colégio antes de voltar a focar sua atenção em mim.

— Nora, o que foi isso que eu vi? — ela começou, sua voz baixa e cautelosa. — Vocês dois estavam com as mãos entrelaçadas. — seus olhos arregalaram. — Não me diga que...

Umedeci os lábios, sentindo o gostinho de morango do gloss.

— Nós estamos juntos.

Sua boca se abriu num pequeno “O” e seus olhos arregalaram mais.

— Ah Meu Deus! — ela pôs as mãos na boca. — Ah meu Deus! Ah meu Deus! Ah meu Deus! Ah meu...

— Para de repetir a mesma frase! — a interrompi, e um sorriso se abriu em seu rosto.

— É que eu não estou acreditando. — ela estava animada demais. — Sério isso?

Revirei os olhos, e comecei a andar, ela me seguiu enquanto tagarelava:

— Eu não estou acreditando que Nora Grey está pegando Patch Gostosão. Gente, que foda! Agora você está me dando orgulho, garota, é assim que se faz.

Olhei de ombro.

— Menos, Vee.

— Menos os cambal, nós temos que comemorar. — ela riu enlaçando nossos braços. — Finalmente você está a um passo de perder o lacre.

— Fala um pouco mais alto, acho que a escola não escutou ainda, sua louca. — minha voz saiu repreensiva e irônica. — Nós mal estamos juntos e você já está pensando na parte de ir para cama?

— Não é loucura, é possibilidade. — revirei os olhos. – Sabe, o cara é um absurdo de gostoso e tá na cara que ele é experiente, e você sabe, caras experientes nunca se dão por satisfeito só nos beijinhos.

— Tá bom sua exper em rapazes, dá para você se calar agora?

Entramos no pátio movimentado, algumas pessoas nos fitavam.

— Não é que eu seja exper. — ela gesticulou com as mãos. — Mas eu tenho que saber o suficiente para eu pode tirar suas dúvidas.

— Fala sério.

— Eu já imaginava que vocês iriam ficar juntos, depois do que você me disse naquele dia que se atracaram não tive mais dúvidas. Ele está tão na sua.

Revirei os olhos mais uma vez.

— Tudo bem, agora eu quero ver o celular.

Desagarrei de seu braço e tirei uma alça do ombro, trazendo a mochila para frente. Abri o bolço pequeno e tirei o celular entregando para Vee.

— Caramba, esse cara te ama mesmo. — ela disse revirando o celular. — Iphone 6S, nem eu vendendo meu rim ou a minha alma conseguiria dinheiro suficiente para comprar um.

— Nem eu. — murmurei, tentando imaginar onde Patch havia conseguido dinheiro para isso.

Ela me devolveu o celular.

— Você está com sorte mesmo.

E olha que nem contei sobre o carro ainda.

Entramos no prédio e nos separamos. Vee teria aula de matemática e eu de inglês, o sinal começava a tocar.

Parei no meu armário e peguei meu livro de inglês. Assim quando fechei a porta do armário senti um braço em torno do meu ombro.

— E aí, Grey, como vai?

Olhei para o meu lado podendo ver Scott ao com aquele sorrido convencido e aquele ginga de malandro quando quer alguma coisa.

— Vou bem até agora que você chegou e está me fazendo além de carregar o meu próprio corpo agora tenho que carregar seu braço pesado.

Ele tirou seu braço na mesma hora, fazendo uma careta.

— Você é tão doce quanto limão, sabia?

— Faço meu melhor. — sorri de lado.

Ele revirou os olhos.

— Deixando isso de lado, queria te pedir uma coisa...

— Não vou fazer nenhum trabalho para você. — o interrompi, enquanto entravamos na sala, a professora não tinha chegado.

— Que bicho te mordeu? Não é isso, também se fosse não pediria para você.

Sentei-me em meu lugar, ele sentou-se atrás de mim.

— Fale o que quer?

— Você poderia falar com seu pai e arrumar um trampo para mim? Estou precisando de dinheiro.

Virei meu corpo para trás.

— Scott, você sabe que trabalhar com meu pai não é a mesma coisa que esses trabalhinhos que você arruma e que vai um dia e depois desiste. E, aliás, meu pai sabe perfeitamente como é você e acho difícil dele ceder alguma vaga para você.

— Eu sei perfeitamente que com é seu pai. Eu tenho que ter profissionalismo, eu vou ter, eu juro.

— Eu não sei. Não quero ficar escutando meu pai falar no meu ouvido durante meses por ter arrumado emprego para você e depois você deixá-lo na mão.

Ele bufou.

— Eu não vou fazer isso, confie em mim.

Hesitei por um momento, confiar em Scott era um pequeno problema, um pequeno problema que poderia causar um problemão para mim.

— Scott, eu realmente não sei.

— Caramba, Nora, me ajuda, por favor. — ele implorou, fazendo uma cara de cachorro sem dono. — Eu preciso do dinheiro para comprar um baixo novo, estou vendo com uns caras aí uma vaga para entrar numa banda.

Além de ficar horas na academia malhando os músculos ou ficar vadiando por aí, Scott tocava baixo. Há dois anos ele fazia parte de uma banda, Os Furúnculos Inflamados, um nome meio estranho, mas bandas de rock tinham nomes estranhos, não é? Mas a banda nunca passou da garagem, e acabou depois que Austin — o vocalista e o guitarrista da banda — se mudou para a Flórida ano passado, fazendo com que os integrantes fossem cada um para o seu lugar.

Suspirei, dando-me por vencida.

— Tudo bem, eu vou falar com meu pai.

Scott agarrou meu pescoço, num abraço desajeitado.

— Valeu, Grey, sabia que não iria me deixar na mão.

— Você está me machucando. — ele me soltou, sorrindo do canto a outro. — Mas eu não prometo nada em conseguir alguma coisa.

— Você vai conseguir. — ele disse confiante.

Virei-me para frente, e nessa hora a professora entrou na sala, fazendo todos ficarem calados.

❊ ❊ ❊

As aulas tinham sido a mesma coisa, no intervalo passei com Vee, e nem sinal de Patch, só o vi na aula de química, e perguntei onde ele havia se metido, recebendo um sorriso convencido, mas disse que estava com Scott, já que o mesmo também não havia dado as caras.

Quando o sinal tocou o término da última aula, arrumei minhas coisas e saí da sala, não demorei em encontrar Patch e juntos caminhamos para o estacionamento. Sua mão segurou a minha mais uma vez, entrelaçado nossos dedos e percebi alguns olhares curiosos em nós.

Paramos em frente aquela monstruosidade que ele chamava de moto, e entregou o capacete para mim. Desta vez fiz o possível para não me atrapalhar, eu estava ficando craque. Patch subiu na moto e subi logo em seguida, agarrei sua cintura, sentindo o calor de seu corpo inalar através de sua camiseta. Sua mão segurou minha perna que pressionava em seus quadris antes dele girar o guidão e sair do estacionamento da escola.

Conforme a moto ganhava velocidade, meus braços agarravam em sua cintura, me senti um carrapato. Depois de várias rotas, Patch pegou uma totalmente diferente, uma que não era a de casa.

— Para onde está me levando? — perguntei.

— Já está pensando que estou te sequestrando?

Revirei os olhos e ele acelerou mais.

Depois de algum tempo, entramos numa rua, não havia muito movimento, e Patch estacionou em frente a um conjunto de blocos de concreto. Ele inclinou a moto para que eu saltasse, e assim fiz, ele desceu logo em seguida, tirando o capacete.

— Que Lugar é esse? — perguntei com o capacete em minhas mãos, olhando toda a estrutura do prédio, e logo a cima da porta havia uma placa retangular escrita com letras grandes:

FLIPERAMA DO BO

— Fliperama do Bo. — Patch respondeu reforçando o que eu havia lido. Lembrava-me de ele ter dito algo um dia desses de estar vindo a esse lugar. — Tenho que resolver um negócio, vai ser rápido.

Voltei a olhar para ele, franzi o cenho, não estava gostando disso.

— Que negócio? Patch, não é nenhuma encrenca não, né? — minha voz saía desconfiada, ele tomou o capacete de minhas mãos levantando o assento da moto e guardando-a lá.

— Relaxa, só vim pegar uma coisa minha.

Ele se virou para mim e sorriu mínimo, pegando minha mão e me puxando para o interior do local. Logo no começo paramos em frente à catraca, ao lado havia uma cabine de caixa, e um cara mal-encarado com os braços tatuados estava lá dentro. Eu fiquei encarando as diversas tatuagens em seu corpo, pensando quantas ele deveria ter, quando percebi seu olhar zangado para mim pelo tempo que fiquei o encarando. Desvirei meus olhos para o lado, intimidada, o cara dava medo.

Patch tirou duas notas de dez da carteira e o entregou, o cara mal-encarado assentiu com a cabeça para ele, liberando a catraca.

Descemos um lance de escadas e chegamos a um salão com várias mesas ao redor, com algumas pessoas jogando baralho. Havia alguns fliperamas ao redor em pontos estratégicos e lá no fundo, bem afastados, havia algumas mesas de sinuca.

O ambiente era fechado, e as poucas janelas que haviam ali eram cobertas com jornais, fazendo aquele terrível cheiro de charuto e tabaco formar uma massa fina de fumaça por todo o local.

— Minha nossa.

Patch me puxava pela mão, caminhando por aquele salão extenso e largo, alguns caras estranhos nos encaravam, e alguns acenavam para Patch como se o conhecesse.

Então era aqui que ele pedia seu maior tempo?

Atravessamos aquela área com algumas pessoas com fichas nas mesas apostando em cartas de baralho e entramos na área das mesas das sinucas. Não havia ninguém ali além de um cara alto e magro, estava de costas, mas seus cabelos eram pretos, estava jogando sozinho.

Conforme nós nos aproximávamos, o cara virou seu corpo para nós e um sorriso apareceu em seu rosto quando olhava para Patch.

— Patch, que surpresa. — sua voz era animada, percebi um leve sotaque holandês. Seu olhar focou e mim, e ergueu as sobrancelhas. — Está acompanhado? Quem é a boneca?

Paramos em sua frente, Patch largou minha mão e se aproximou mais dele.

— Deixa ela em paz. Quero saber da minha grana.

Wow — o cara moreno deu um passo para trás, mas sem perder o humor. -, calma cara, depois de tanto tempo sem ver o amigo aqui, a primeira coisa que você faz é me cobrar?

— Eu só quero o que é meu.

Eu estava ali parada os encarando, não estava entendendo muitas coisas, aquele cara estava devendo grana para Patch, e os dois eram amigos. O carinha alto sorriu colocando o taco em cima da mesa de sinuca.

— Eu vou te dar o que seu.

O cara alto atacou Patch como se estivesse num jogo de futebol americano. Patch segurou seus braços e os dois começaram a travar uma briga ali naquele meio entre as mesas de sinuca. No começo meu assustei, mas logo percebi que eles estavam de brincadeira.

Revirei os olhos e encostei-me a uma daquelas mesas, esperando até quando aquela palhaçada terminaria.

Patch deu uma chave de pescoço no carinha, ficando de costas para mim. O cara alto tentou se soltar e no ato ele puxou a camiseta de Patch para cima, revelando suas costas e duas cicatrizes grandes e grossas, uma ao lado da outra, formando um V de cabeça para baixo.

Prendi o fôlego com aquela imagem, aquelas cicatrizes eram grotescas, não tinha a mínima ideia de onde ele havia conseguido elas. Deveria ser acidente? Completamente, mas não conseguia especificar na minha mente qual acidente poderia tê-lo deixado com aquelas marcas.

O cara alto conseguiu se soltar, e Patch se afastou, puxando a camiseta para baixo.

— Admita, você luta que nem uma garotinha. — disse o cara alto, rindo debochado.

— Você me pegou num dia que não estou com bons reflexos. — Patch se defendeu, fazendo o outro rir mais e perceber mina existência ali os observando.

— Sabe por que esse cara carrega o apelido de Patch? — ele perguntou para mim. Não respondi e ele continuou: — Ele resolveu se meter em luta livre algum tempo atrás. Ele era péssimo, só vivia machucado, perdi as contas de quantas vezes tinha que cuidar dele, e no final ele estava mais remendado do que uma colcha de Patchwork, e daí veio o apelido.

Olhei para Patch que revirava os olhos com uma expressão tediosa.

— Vamos deixar as histórias para depois — ele disse. -, amanhã as vinte e uma eu quero meu dinheiro.

— Relaxa Brow, as vinte uma pode vir que estarei com seu dinheiro.

Patch não respondeu, apenas virou-se para mim e agarrou a minha mão, me puxou em direção a saída.

— Vamos.

Ainda virei minha cabeça para trás e pude ver o cara alto acenar com a mão para mim. Voltei a olhar para frente e não demorou para estarmos do lado de fora. Consegui respirar aquele ar puro, do que aquele poluído lá dentro.

— Quem era aquele cara? — perguntei, observando Patch pegar os capacetes e entregar um para mim.

— Rixon.

Ele não disse mais nada, colocou o capacete e subiu na moto, apenas fiz o mesmo e quando subi Patch partiu, indo para casa.

Não demoramos até ele estacionar na garagem subterrânea do Borderline. Desci da moto e ele fez o mesmo, entreguei o capacete a ele e fui caminhando na frente, e não demorou muito para que ele me alcançasse.

Depois que subimos as escadas e entramos no corredor onde ficava a casa, senti sua mão nas minhas costas até parar na minha cintura. Parei em frente à porta e procurei as chaves na mochila, senti-o atrás de mim, me agarrando por trás. Logo senti seus lábios no meu pescoço, fechei os olhos e quase errei a fechadura por causa de sua distração.

— Meu pai pode aparecer a qualquer momento. — disse num sussurro.

— Ele está lá embaixo.

Abri a porta, e assim quando entramos meu corpo virou-se para trás, se chocando com o corpo dele e sua boca na minha. Ouvi a porta ser fechada e meu corpo foi colado nela em seguida, enquanto sua língua encontrou a minha.

Deixei minha mochila cair no chão e agarrei seu pescoço, o trazendo mais para mim. Eu estava me acostumando a esse novo nível de relacionamento, e estava gostando tanto que tinha medo de que aquilo pudesse acabar.

Seu corpo pressionou mais o meu contra a porta, e agarrou minha cintura. Sua boca largou a minha e começou uma trilha de beijos do meu queixo até meu pescoço. Percebi que era sensível naquela área e automaticamente soltei um gemido baixinho. Minhas mãos desceram por seus braços e foi de encontro a suas costas, lembrei-me da cicatriz grotesca que havia ali, e me afastei um pouco.

Ele me olhou confuso.

— O que foi?

— Onde você conseguiu a cicatriz?

Seus olhos não havia sinal de hesitação ou surpresa, parecia que eu não havia dito nada sem importância.

— Você viu. — aquilo não era uma pergunta.

— Sim. — meu cenho franziu levemente. — Ela é enorme, como a conseguiu?

Sua boca ficou em linha reta, e seu corpo deixou de vez o meu.

— Não é uma boa hora falar sobre isso.

— Por quê? – insisti, aproximando-me dele.

Ele se agachou e pegou sua mochila, não havia percebido que ele havia jogando no chão.

— Eu tenho que descer para o restaurante, e estou atrasado.

Ele me deu um beijo um pouco demorado e se afastou para seu quarto.

Peguei minha mochila no chão e fui para o meu quarto. Nos encontramos no corredor, ele parou a minha frente e beijou minha testa.

— Nos falamos depois. — em seguida saiu, entrando na sala e saindo da casa.

Olhei para trás, ele havia fugido do assunto e isso só me deixou mais curiosa. Não sabia nada dele além de seu nome. Patch era um mistério e a cada dia mais coisas estranhas aconteciam.

Sabia que ele escondia alguma coisa, ele próprio havia declarado que escondia várias coisas. E mesmo que meu coração dizendo o contrário, minha razão ainda estava ali. Eu tinha de investigar e saber quem Patch era de verdade, eu tinha que saber quem era o cara que eu estava me envolvendo. Eu tinha que fazer isso logo, antes que eu me enrolasse mais e me envolvesse mais do que estou envolvida com Patch.

Notas finais
O que acharam? Alguém tem algum palpite de onde Patch conseguiu as cicatrizes? Nosso casal teve alguns pegas rsrs e para aqueles que já quer ver o hentai, ainda é cedo o casal mal se oficializou, dá um desconto gente. Será que Nora vai mesmo investigar? E o que ela vai encontrar? Ah estou com uma fanfic nova totalmente Patch e Nora, e fiz diferente e fugi do tema sobrenatural e vim trazendo um tema mais light sabe... ela se chama "Amigos, Amigos, Amores a Parte", só entrar em meu perfil. Bom nos vemos em breve. Bjs.