O Hóspede.
17 Pressão.
Notas iniciais
O H Ó S P E D E
Uma semana havia se passado depois que Patch e eu começamos a nos envolver. Não sabia ao certo o que tínhamos realmente, pois namoro nunca saiu da boca dele, apenas estava deixando as coisas rolarem. E pela primeira vez, eu estava deixando que alguém me influencie. Claro que meu pai nem sonha que o hóspede que ele colocou dentro de casa, e que tem total confiança, fica pelos cantos da casa agarrando a filha dele.
Chegava até ser engraçado, algumas semanas atrás eu estava histérica e fazendo um estardalhaço para que meu pai colocasse Patch para fora de nossa casa. E mesmo que eu negue até o fim, eu estava amando aquilo tudo.
Mas nem tudo era flores, eu sabia disso. Meu relacionamento com o hóspede de meu pai estava indo bem, mas eu não podia deixar de ignorar aquele sentimento de desconfiança de quem ele era realmente e o que ele escondia. E para que eu não tomasse uma rasteira futuramente eu mantinha um pé atrás com ele.
Patch escondia coisas.
— No que está pensando? — a voz rouca de Patch soando próximo ao meu ouvido fez alguns pelos do meu pescoço arrepiarem, me tirando de meus devaneios.
Estávamos sentados no chão detrás da quadra, possivelmente matando a aula de educação física. Não eu exatamente e sim Patch, pois a quadra estava tomada pelos garotos jogando bola e Patch meio que largou o jogo e veio atrás de mim quando me viu dando minha escapulida.
— Na vida. — murmurei com a voz saindo um pouco estranha.
Eu estava sentada no meio de suas pernas, com a cabeça deitada no seu ombro esquerdo enquanto eu roía a o esmalte azul de minha unha do dedão e olhando um ponto qualquer.
Sua mão deslizou pela minha perna direita e seus lábios macios tocaram o meu pescoço. Fechei os olhos, apreciando mais aquele momento bom de estar nos braços do cara mais misterioso que eu conheço.
— Ah é, e pode me dizer o que exatamente?
Tirei a unha da boca e minha cabeça virou-se para trás, e logo minha boca foi capturada pela dele, num beijo cálido. Minha mão segurou seu braço que estava em minha perna, enquanto meu corpo se inclinava para o lado para ter mais acesso ao beijo.
Precisei de uns dez segundos para poder respondê-lo.
— Do fato de você não ter me revelado nada da sua vida ainda.
Prestei atenção em sua expressão, mas como sempre ele não parecia abalado. Umedeceu os lábios com a ponta da língua, sem desviar seus olhos negros de mim.
— Nós já discutimos isso.
— Não, nós não discutimos isso. — rebati, balancei a cabeça para os lados.
Aquela não era a primeira vez que eu pedia para que ele me contasse um pouco sobre seu passado, mesmo não tão descaradamente assim como acabei de dizer, e sim dissimuladamente. E para minha frustração, nada saía de sua boca. Nada.
Franzi levemente as sobrancelhas e virei mais meu corpo para trás, passando minhas duas pernas para debaixo da sua perna direita e tive total acesso ao seu rosto.
— O que você tanto esconde, hein?
— Você não vai querer saber. — sua mão direita segurava o meu quadril, enquanto a esquerda deslizava por meu braço.
— É claro que eu quero saber. — disse, mordi o lábio rapidamente. — Quero saber em que terreno eu estou pisando.
Sua mão que deslizava em meu braço parou em meu ombro, seus olhos não desviando dos meus.
— Eu não vou fazer nenhum mal a você, Nora, caso seja isso que esteja pensando.
— A questão não é essa, Patch, a questão é que você não confia em mim o suficiente para revelar o que você tanto esconde.
Agora que cheguei onde queria chegar, eu não iria recuar. Eu tinha que colocá-lo contra a parede até ele resolver soltar alguma coisa, mas eu tenho que admitir que estava difícil essa proeza. Patch era como se fosse um cofre impenetrável, feito com o material resistente, mas como todo o cofre tinha uma porta e eu só tinha que achar a chave.
Ele suspirou cansado.
— É sério, Anjo, você não vai querer saber. — ele disse lentamente. — Já fiz muitas coisas erradas nessa minha existência, e não me orgulho em nenhuma delas. Contar para você só iria desencadear coisas que deviam estar enterradas.
Prendi a respiração enquanto todo o meu corpo ficava tenso. E por um segundo a teoria principal que sempre mantinha fixa em minha mente veio à tona, fazendo minha cabeça girar.
— Você... — hesitei. — Você é algum tipo de assassino?
Os olhos de Patch ficaram mais negros e o canto de sua boca ergueu-se para cima, num pequeno sorriso debochado.
— Você acha que eu sou um assassino?
— Eu já pensei um monte de coisas ao seu respeito, e a categoria assassino está subindo de patamar a cada dia.
Dessa vez a gargalhada de Patch soou pelo ar, leve e gostosa.
— Um dia desse eu te conto.
Ele aproximou seu rosto do meu e me beijou, estava fugindo novamente.
— E você não pode adiantar esse dia para hoje? — pressionei, minha boca contra a dele.
Ele se afastou um pouco e me olhou.
— Não sabia que você era tão curiosa.
— Você está me deixando assim.
Sua mão afagou o meu rosto, colocando uma mecha do meu cabelo para trás da orelha. Seu rosto estava sério.
— Não importa o que eu tenha feito no passado, eu só quero que você saiba que você é minha principal prioridade.
Senti meus olhos arregalarem levemente, enquanto meu coração idiota dava sinais de falha. Aquela era a primeira vez que eu escutava algo do tipo, Patch havia declarado o quanto eu era importante para ele. E mesmo que eu estivesse explodindo como fogos de artifícios por dentro, eu sabia que Patch só estava tentando me desviar do assunto principal. Ele era bom e manipular.
Mas o que ele não sabia era que eu era insistente quanto eu queria.
— E mesmo eu sendo sua principal prioridade — comecei batendo na mesma tecla. -, você não quer dividir o seu segredo obscuro.
— Segredo obscuro? — suas sobrancelhas ergueram para cima.
— Sim, para você não querer me contar e fazer todo esse mistério, só pode ser uma coisa obscura.
Seus lábios se comprimiam, ele tentava prender uma risada, mas estava falhando.
— Eu estou falando sério. — declarei.
— Eu não estou duvidando disso, mas a resposta fica sendo não.
Bufei, inconformada, afastando meu corpo do dele com muito esforço. Coloquei uma mão do chão e me levantei, saindo do meio de suas pernas e me sentei ao seu lado, um pouco afastado.
— Eu posso partir para outros meios.
— Ah, é? — seus olhos negros focaram em mim, totalmente predador. — Que tipo de meios é esse, posso saber?
Fiz de tudo para não desviar meu olhar do dele e muito menos corar com a intensidade que ele me olhava.
— Investigação. — soltei, sem pensar duas vezes.
Um sorriso de canto se apossou em seus lábios.
— Fique à vontade.
Patch realmente não estava me levando a sério, talvez ele acreditasse na minha palavra quando eu descobrisse quem ele era de verdade, e que segredo era aquele que ele escondia. E agora mais do nunca eu estava decidida a segui em frente com o plano que aos poucos eu traçava em minha mente e que dessa vez eu colocaria em prática.
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