O Horizonte de Claire
19 Brigas e discussões
A vida no Horizonte Negro não era feita apenas de brisas calmas e jantares diplomáticos. A convivência estreita em um navio, somada às personalidades fortes de um pirata veterano e de uma princesa que descobrira sua própria força, criava faíscas que, muitas vezes, incendiavam o camarote.
A Discussão no Convés
Tudo começou por causa de uma manobra arriscada durante uma tempestade tropical. Claire queria manter as velas abertas para ganhar velocidade e contornar o redemoinho, enquanto Yaman, temendo pela segurança dela e da estrutura do navio, ordenara o recolhimento imediato.
— Você não pode me dar ordens como se eu fosse um dos seus marujos, Yaman! — Claire gritou, a voz competindo com o som das ondas e da chuva que começava a cair. Ela estava encharcada, a camisa branca colada ao corpo e os olhos faiscando de raiva.
— No meu navio, as ordens do capitão são lei para preservar vidas! — Yaman rebateu, segurando-a pelos ombros para que ela não escorregasse no convés molhado. — Você se tornou uma navegadora brilhante, Claire, mas a sua audácia vai acabar te matando!
— Minha audácia é o que me trouxe até aqui! É o que me fez suportar os cinco anos em que você fugiu de mim! — Ela o empurrou, o peito subindo e descendo com a respiração ofegante.
O olhar de Yaman escureceu. A menção aos anos perdidos sempre era o estopim para a sua culpa e para o seu desejo. Ele a puxou para o camarote, fechando a porta com um estrondo que silenciou o som da tempestade lá fora.
Do Ódio ao Desejo
Dentro do quarto, sob a luz bruxuleante de um único candeeiro, a discussão continuou, mas o tom mudou.
— Você acha que eu não tenho medo? — Yaman rosnou, aproximando-se dela até que suas testas se encostassem. — Cada vez que você sobe naquele mastro ou desafia o mar, meu coração para. Eu não suportaria perder você de novo.
— Então pare de tentar me trancar em uma redoma de vidro invisível! — Claire gritou, mas sua voz falhou quando ele segurou seu rosto com força. — Eu não sou mais aquela menina de Lâfrer, Yaman. Eu sou sua esposa, sua igual. Se eu morrer no mar, morrerei livre!
— Você é teimosa, impossível e... — Yaman parou de falar, seus olhos descendo para os lábios dela, que tremiam de raiva e frio.
— E o quê? — desafiou ela, desafiadora.
— E eu te amo tanto que sinto que vou enlouquecer — ele confessou, a voz agora um sussurro carregado de uma tensão elétrica.
Sem esperar resposta, ele a calou com um beijo brutal e apaixonado. Claire respondeu com a mesma intensidade, suas mãos puxando os cabelos dele, descontando toda a frustração e a adrenalina da tempestade. A discussão sobre velas e manobras foi esquecida, substituída pelo som das roupas sendo arrancadas com urgência.
A Entrega na Tormenta
Eles caíram na cama de carvalho enquanto o navio balançava violentamente lá fora. O perigo do oceano parecia apenas alimentar o fogo entre eles. O toque de Yaman, antes cuidadoso, agora era possessivo e urgente, mapeando o corpo de Claire com uma necessidade que as palavras nunca alcançariam.
Claire o recebia com a mesma garra. Ela não era passiva; ela o buscava, o provocava, devolvendo cada carícia com uma paixão que deixava Yaman sem fôlego. As brigas sempre terminavam assim: uma explosão de sentidos onde o orgulho de ambos se dissolvia no calor da pele.
Naquela penumbra, entre gemidos abafados pelo som do trovão, eles se reencontravam. A agressividade das palavras se transformava em carícias intensas, e a raiva virava uma adoração profunda. O suor misturava-se à água da chuva que ainda escorria de seus corpos, criando uma fricção que os levava ao limite.
A Calmaria
Quando a tempestade lá fora finalmente cedeu, dando lugar ao som rítmico das águas batendo no casco, o camarote estava mergulhado em um silêncio exausto e doce.
Yaman estava deitado com Claire em seus braços, cobrindo-a com o lençol de seda. Ele beijou o ombro dela, sentindo o cheiro de salitre e o perfume dela.
— Você ainda está brava comigo? — perguntou ele, a voz rouca de sono e prazer.
Claire virou-se, apoiando o queixo no peito dele, um pequeno sorriso vitorioso brincando em seus lábios.
— Estou. E você ainda é um capitão autoritário e irritante.
Yaman sorriu, puxando-a para mais perto.
— Então acho que teremos muitas outras discussões pela frente, Sra. Olivier.
— Mal posso esperar por elas — ela sussurrou, selando a paz com um beijo terno, antes de adormecerem enquanto o Horizonte Negro navegava tranquilamente sob a luz das estrelas, guardando o segredo de que, para aquele casal, a maior aventura sempre acontecia entre quatro paredes de madeira, após o pôr do sol.
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