O Homem Mais Rico do Mundo
2 A Foto de Karter
Notas iniciais
Eu poderia agora perfeitamente falar sobre meu amigo Josh Karter, ou falar da minha profissão novamente e preencher esta maldita lacuna na história narrando como eu me tornei “O Homem Mais Rico do Mundo”. — Claro que eu não vou gastar muito tempo falando do meu passado. O tempo é curto e precisamos concluir essa história!
Durante toda minha vida eu morei no Estado de Rhode Island, nas proximidades da Cidade de Exeter. Foi lá que aprendi a assar carnes ainda criança juntamente com meu querido avô, enquanto minha mãe preparava o almoço para os novos vizinhos que chegavam de Oklahoma.
"Sejam Bem Vindos Donna e George" estava escrito em um Banner na entrada de nosso jardim. O dia era ensolarado e grama estava verde. Foi quando percebi a presença de uma pequena garota, que usava um vestido rosado e duas tranças laterais em seu cabelo longo e loiro. Eu tinha apenas oito anos de idade quando encontrei pela primeira vez Sophie.
– Meu nome é Sophie. E o seu? — dizia ela rebolando em um bambolê.
– David! David Most. – eu respondi a ela com meu rostinho de criança avermelhado por detrás de óculos fundo de garrafa.
– Quando crescer eu quero ser médica e você? – disse ela olhando para mim enquanto o bambolê cor de rosa girava em volta de sua pequena cintura.
– Vou ser o homem mais rico do mundo!
Sophie deixou o bambolê cair ao chão e perguntou:
– Por que você usa óculos?
– Não consigo ver de muito perto — eu respondi encaixando eles no nariz.
– Consegue me ver? — ela perguntou colocando meus óculos acima de meus olhos.
– Você é a primeira coisa que eu consigo ver de perto! – eu respondi.
No dia seguinte, minha mãe teria que levar meu avô para uma clínica longe da minha cidade natal porque ele sofria de uma "doença estranha". Meu avô fumava cigarros demais e como eu era novo para entender de certas coisas, jamais soubera que ele estava com enfisema pulmonar.
– Foi então que eles bateram o carro na ponte porque estava chovendo demais. – eu disse.
– Compreendo! — disse Josh Karter. — Você quer pagar a próxima cerveja?
– Você está prestando atenção em mim?
Josh serviu os nossos copos de cerveja enquanto o garçom recolhia as notas da mesa.
– Quer saber ou não o motivo que eu lhe chamei aqui ou vamos ficar falando da sua mãe? – disse ele um pouco arrogante enquanto enchia meu copo. — Com todo o respeito Dave. Sua Mãe era maravilhosa! Que Deus a tenha.
Então Josh esvaziou com grandes goles até secar o copo. Limpou os a espuma dos lábios com sua mão e voltou a mencionar:
– Dave — suspirou. — Vamos direto ao assunto. Lembra que meu sonho era se tornar fotógrafo, não é, e que vivo tirando fotos de qualquer porcaria?
– Sim, você e esses seus costumes estranhos. — eu respondi.
Realmente Josh era um cara estranho, ele era um típico Nerd careca que usava um par de óculos fundo de garrafa; sempre vestia camisas baratas de marcas simples, junto há uma bermuda bege e um All Star tradicional. Josh poderia beber toda a cerveja de Rhode Island que nunca ficaria bêbado. Ver Josh Karter embriagado seria apenas por um único motivo; seu outro amigo que não tivera sorte na guerra do Golfo. O Melhor amigo de Josh era o falecido Ricky.
– Então, eu andava pelo Park Center, tirando umas fotos. – continuou ele. – E descobri que sua garota do bambolê está lhe traindo.
Foi então que nesse momento, que a cerveja que estava em minha boca voou para o lado, e junto a isso eu gritei com todo o fôlego que tinha no meu pulmão.
– O QUE?! – e todas as pessoas que estavam na lanchonete olharam para nós. Tentei manter a calma:
– Josh. – eu disse a ele. – Me dê um cigarro.
– Mas Dave, você não fuma.
– Me dê um cigarro! – eu repeti.
E assim fomos para fora e acendi um cigarro, e na primeira tragada eu tossi como se um gato estivesse arranhando minha garganta.
– Mas com quem? – eu perguntei ao Josh ao meio das tossidas.
– Bom, eu não sei bem quem é ou qual filho da mãe é. – dizia ele enquanto eu tossia. – Dave, pare com isso, você está tossindo tanto que parece que vai ter um infarto.
– Cale a boca. – eu respondi tentando tragar novamente e tossindo. — Como sabe disso?
Então Josh retirou do bolso de sua bermuda bege algumas fotografias, e entre elas haviam algumas porcarias do estilo dele, como fotos de moscas em sua comida com um Zoom aproximado e de mulheres que corriam no Park do mesmo dia.
Tratava-se de um dos homens mais ricos da cidade. Havia fotos deles se abraçando, se beijando, e ela entrando em seu carro de luxo. E a cada foto que Josh me mostrava, um ódio mortal subia em minha mente, e a vontade que tinha era de esganar a vadia com o mesmo bambolê que a vi usando quando a conheci.
– Vamos ser realistas, Dave. Nenhuma garota gostaria de se casar com um caipira filho de um antigo motoqueiro. – disse Josh tentando me ajudar, mas ele não era nada bom nisso e acabava me deixando mais para baixo. — No mínimo ela fará exatamente o que você sempre quis fazer. Ela sairá de Rhode Island para tentar a vida, e a única diferença entre você e ela; é que você ao menos corre atrás de seus sonhos. E que se dane Sophie! Ela agora deve estar assistindo Titanic com esse safado. – concluiu ele mexendo os braços.
– Se ao menos Deus pudesse olhar para você um segundo ele... – disse Josh, mas interrompi seu argumento antes que ele me deixa-se pior.
– Ele o quê, Josh? – eu disse aborrecido.
– Estaríamos rindo em Las Vegas acompanhados de vadias no Cassino de Golden Nuggets comendo pipoca doce. Agora vamos parar de falar nisso. Tenho que acordar cedo e se ficarmos enchendo a cara aqui em plena tarde, minha ressaca será violenta no dia seguinte. – disse Josh. — Faça o quiser com essas fotos. Procure um psicólogo, compre livros, assista canais da Discovery; mas não enlouqueça. Por favor, Dave...
Josh realmente não era nada bom como conselheiro, ele mesmo não conseguia resolver seus próprios problemas, imagine os dos outros; mas de qualquer forma era o amigo mais próximo que eu tinha em anos. Eu o observei virando a esquina da Rua 7, então virei minhas costas e caminhei até minha casa. Minha cabeça doía, no momento em que estava com Josh, eu sentia raiva, mas agora estava abalado, triste pelo acorrido. Querendo ou não, Shopie era importante para mim, eu havia construído uma fortaleza em volta dela para todos os meus problemas, e agora sabendo disso, essa fortaleza havia desmoronado, e junto vários rancores antigos e sentimentos esquecidos haviam retornado; e um deles foi à perda de minha mãe e meu avô.
Meu avô era meu herói, o chefe da família. Lembro-me de jantares, onde todos nos reuníamos em volta de uma grande mesa ao centro da sala. Meu avô já era viúvo quando eu nasci, e essas lembranças eram de quando eu tinha aproximadamente cinco ou seis anos. Meu avô sempre, em toda a ocasião se sentava à ponta da mesa; e ele adorava dizer que amava olhar todas aquelas pessoas reunidas.
Eu provavelmente era o seu neto favorito, pois tinha um lugar especial ao seu lado e ao lado de meu pai. Na nossa família também tínhamos um ritual, de que sempre o primogênito se sentaria ao lado do seu pai, e assim sempre foi.
Alguns dias antes de meu avô falecer, ele me presenteou com relógio antigo, ele sempre permaneceu ao lado de minha cama durante todos esses anos, e curiosamente, ele acabou ficando com defeito, pois sempre despertava as 01h45 da manhã, 15 para as 02 horas, tentamos consertá-lo, mas o problema persistiu; meu pai até mesmo pensou em jogar fora o relógio, mas eu insisti que não, pois era uma grande lembrança para mim, e assim foi, e todas as noites faltando exatamente quinze minutos para as 02 horas da manhã, a campainha irritante do relógio tocava, e por isso Sophie sempre se recusava dormir em minha casa com o relógio no quarto, eu sempre tinha que retirar as pilhas dele, mas quando ela não estava eu colocava novamente, mesmo tendo que acordar todas as noites para desligar a maldita campainha, porém, isso me trazia boas lembranças de meu avô.
Eu adormeci, e dessa vez o relógio não despertou as 01h45, como de costume, ou eu não havia escutado. Acordei tarde, e nesse momento pensei: “Estou atrasado para o trabalho.”
Peguei minhas coisas rapidamente, coloquei uma camisa social e mastiguei um pão de queijo que estava sobre a mesa bagunçada do café da manhã. Corri até fora de casa com minha mochila nas costas, e meu pai estava lá novamente mexendo na velha moto, tentando arrumá-la, mas desta vez com uma camiseta velha de uma antiga banda de Rock, que ele provavelmente usava muito em sua juventude, e um dos seus velhos amigos estava ao seu lado.
– Dave, pode me ajudar aqui? – perguntou meu pai.
– Agora não velho! – eu disse para ele acenando. – Estou atrasado!
E assim continuei correndo em direção ao meu antigo trabalho no super mercado, com uma jaqueta pendurava sob o ombro que balançava enquanto eu corria.
Era final do outono, e ver o meu pai com o sócio dos antigos tempos na garagem de minha casa, era sinônimo de nostalgia para ambos. Seu nome era Walter Hanson; ele usava um colete de couro com o nome do Clube estampado nas costas: "Rhode and Road Motor Club".
O nome sugestivo levava consigo o Estado de Rhode Island, lugar onde os negócios de meu pai haviam começado. Road Motor Club era apenas um trocadilho de "Estrada" para um Clube que nascera na Garagem de Exeter.
Jerry Morrison e Greg Karter que trabalhavam no Mercado comigo, bem como foi citado no início de nossa história, não bateram com a língua nos dentes ligando para minha casa dizendo que eu estava despedido para meu Velho; Greg era irmão mais novo de Josh, e ele jamais faria isso, pois também tinha consideração por mim.
Minha mente começava a ficar confusa, e talvez, segundo meus psiquiatras de hoje em dia, foram nesses dias que minhas manias estranhas começaram. Eu comecei a pensar em Shopie, e em o que Josh havia me falado; sobre ela estar seguindo a vida, pois eu era apenas um acabado, não tinha emprego, não tinha dinheiro; e não teria nem mesmo um velório digno caso Salvatore estivesse me perseguindo nessa época.
Eu caminhava em direção ao centro da cidade, para procurar emprego, e pude observar uma grande fila na lotérica que ficava no meio do caminho.
Parei ali e esperei; de começo não sei por que, talvez pensasse que tinha os números de meu pai para jogar, como ele sempre fazia. Lembro-me que apostei os jogos de meu pai, como de costume. E em outro novo bilhete, tentei a sorte; mesmo isso sendo o contrário da minha lógica, pois nunca gostei de gastar dinheiro com essas coisas.
Os números vieram como uma sinfonia de Sinatra em minha mente. Apostei a minha idade quando conheci Sophie, os números dos ponteiros do relógio de meu avô que despertavam toda noite, e uma combinação perfeita com datas quando meu avô me levava para pescar em Rhode Island, e a idade em que meu avô e minha mãe tinham ao falecerem. No meu celular, não havia nenhuma chamada da Senhorita agora nomeada: Sophie Maldita.
Quando retornei para casa, meu pai estava dormindo jogado ao sofá com a Televisão ligada, como acontecia algumas vezes, então o segurei em minhas costas enquanto ele retomava 10% de sua consciência cansada, dizendo abobrinhas sem sentido e babando em minha nuca. O levei para cama. Ao apagar as luzes e ir para meu quarto, que agora estava com uma lâmpada; percebi que ele havia deixado um bilhete em minha estante perto da cama:
"Quando tiver tempo, vamos tomar umas cervejas e eu poderei mostrar a restauração que eu e Walter fizemos em sua moto, marque na sua "agenda". Se está difícil para você, para mim está difícil de esquecer também.”
– Jack Most.
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