Notas iniciais
Meus amores, vocês não poderiam ter me deixado mais feliz com a recepção ao Homem dos meus Sonhos.
Ok, já estou descobrindo que ele não é só dos meus sonhos, mas dos sonhos de muita gente, não é?
E, como vocês me deixaram imensamente felizes, como Rob e Kristen apareceram essa semana e como sexta-feira é o meu aniversário, vamos a um presente surpresa da Bella e do Edward para todas nós.
Espero que se divirtam e apreciem essa Bella...

- Anda logo Bella, estamos atrasadas.

Alice está berrando na porta do banheiro de sua casa que eu estou atrasada? Isso é inédito na minha vida.

Mas, eu já estou pronta, e vestida como sempre, com meu jeans velho e surrado, minha camiseta branca de gola V, e meu tênis preto Converse. Essa sou eu. Sempre previsível. O espelho nunca mente meu cabelo levemente ondulado cor de caramelo está preso em um rabo de cavalo frouxo e minhas olheiras são visíveis, graças a uma noite mal dormida.

- Graças a... Ai, meu Deus, você vai assim?

- Assim como Alice? – Minha voz saiu mais esganiçada do que eu pretendia, afinal para mim eu estava bastante apresentável. Vestida como de costume, sem maquiagem e com o cabelo preso, mas isso nunca seria o suficiente para Alice, ela é magnífica, linda, estilosa, sempre perfeita. E eu geralmente finjo que não percebo esse tipo de coisa.

- Parecendo uma mendiga. Bella, nós vamos ao suprassumo do luxo de Boston, o melhor SPA da cidade, no endereço mais caro, também. Você não pode ir assim, volte e faça o seu melhor.

- Alice, esse é o meu melhor. E nós não estamos atrasadas? – Distração é uma coisa que geralmente funciona com Alice. E eu sou mestra nisso.

Alice me olhou com a cara de sempre, e me estirou a língua, será que ninguém avisou a ela que já não tem mais idade para isso? Mas, Alice é sempre Alice, e eu tenho que me dar por satisfeita que dessa vez ela não venceu a discução. Algo muito raro de acontecer.

12 minutos caminhando pelas ruas de Back Bay, com o sol dando o ar de sua graça e nos brindando com o seu calor aconchegante até chegarmos ao numero 776 da Boylston Street. Alice não parou de falar um minuto se quer sobre tratamento de beleza, massagem relaxante, pedicure, enquanto eu tremia a cada menção de coisas que faríamos hoje.

O suntuoso prédio apareceu na nossa frente, com a bandeira dos Estados Unidos e da rede de hotéis e seus funcionários vestidos a caráter prontos para nos ajudar. Agora eu não tenho mais pra onde correr o negocio é encarar. Se bem, que conhecendo Alice como conheço ai de mim se pensar em escapar.

Depois de passarmos pelo suntuoso lobby, fomos levadas ate a sala de espera do SPA, e agora eu estou tomando um chá de ervas. Eu tentei dizer que não queria, afinal, eu só bebia isso quando ficava doente, mas a atendente foi tão simpática que desisti. Eu sempre desisto, mesmo. E por incrível que pareça a bebida desce tão macia, me aquecendo de uma forma maravilhosa, me relaxando como há muito tempo não acontece.

Jasper o namorado, melhor dizendo, noivo da Alice, nos presenteou com esse dia de relaxamento. Meu ultimo dia em Boston, amanhã partirei para Nova York, disposta a começar uma nova vida. Sem minha família, meus amigos ou ate mesmo conhecidos. Mas, eu espero que com ele. Era isso o que mais me preocupava nesse momento, será que ele estaria comigo? Eu conseguia imaginar minha vida sem todas as outras pessoas que eu amo, menos sem ele.

- Senhoritas Brandon e Swan? Por favor, me acompanhem. – Claro que eu fui interrompida em minhas divagações, eu sempre era. Não sei por que dessa vez me irritou tanto.

A jovem de cabelos pretos preso, a pele muito alva, roupa preta do SPA e seus movimentos milimetricamente estudados nos levou até um local onde tiramos nossas roupas e vestimos um robe de lã atoalhado branco, só então fomos encaminhadas para uma sala toda de madeira clarinha, com camas ou eu deveria dizer macas lindamente forradas com tecido de linho egípcio marrom e um sofá de canto. Havia uma musica relaxante e eu estava com vontade de dormir. Maldita noite improdutiva.

Eu me deitei de barriga pra cima e uma moça começou a fazer massagem no meu pé. Meu Deus, essa deve ser uma das coisas, mais fodidamente boas que me aconteceu nos últimos tempos, pelo menos acordada. Eu havia virado gelatina, e estava consciente de mais um ponto sensível em meu corpo. Como eu nunca havia percebido isso antes?

Depois esfregaram o meu corpo para retirar as impurezas. Que impurezas? Eu tomo banho todos os dias. Ok, minha mente não parava um minuto se quer de reclamar. Esse é o meu esporte favorito. Na verdade o único que eu pratico. Reclamo de quase tudo, principalmente quando percebo que era mais um sonho. E que mais uma vez eu havia acordado.

Fui emersa em uma banheira com água morninha e um cheiro sublime de ervas aromáticas, e massageada com pedras quentes. Agora ate meu cérebro havia virado gelatina, e não havia um sinal se quer de que eu não havia dormido bem. Eu rejuvenesci uns 5 anos. O que me levava a ter... 17? Virei uma adolescente de novo? Mas, quando eu saí mesmo dessa fase?

Pra finalizar nossas 6 horas de esfrega, massageia, aperta, estica e tudo mais, recebemos uma linda sessão de manicure e pedicure. Minhas unhas estavam lindas com um esmalte Fantasia e sua cor meio roxa, meio preto. Eu estava pronta para o que o futuro me reserva. Seja lá o que for.

- Alice eu amei, de verdade – Eu mesma estava surpresa com minhas palavras, e era verdade. Amei cada momento – Agradeça a Jasper por mim.

- Bella eu vou agradecer a ele de uma forma bem oportuna, mas não pense que vai fugir, agora vamos para casa que eu vou preparar o seu cabelo e a maquiagem e depois vamos curtir a noite. Não pense que vamos deixar passar a ultima oportunidade de te termos por aqui.

- Alice, não, por favor? Eu quero descansar. Você sabe que eu vou pegar a estrada amanhã cedo, e isso é muito cansativo.

- Bella não discuta, eu não quero brigar, e você sabe que eu sempre venço. Então nos poupe tempo, sim?

Não valia a pena brigar com Alice. Nesse momento seria um desperdício do dinheiro do Jasper, que havia feito um milagre em meu corpo.

- Alice você brincava de boneca antes de eu te conhecer?

- Claro Bella, por quê?

- Eu estava apenas pensando que você talvez não tenha tido infância e está tentando descontar em mim – Ops, acho que falei demais, Alice estava com uma cara assassina e isso não era bom. Assim sendo resolvi me calar.

Agora só, no pequeno banheiro de Alice com o piso em azulejo marrom, a pia em mármore bege e cortina clara no Box, eu estou fazendo o meu melhor para não borrar a maquiagem esfumaçada que destaca meus olhos verdes, e o batom rosado que parece aumentar os meus lábios. Isso sem contar meu cabelo com leves ondas caindo em cachos por meus ombros, enquanto eu visto uma camiseta preta curta sob uma minissaia preta e espero não ver o que eu imagino que esteja me esperando do outro lado da porta.

Eu não tenho sorte. Ali estava à coisa que eu mais temia, e Alice sabia disso. Um sapato de salto, segundo ela muito pequeno, só pra combinar com a saia. Eu tenho certeza que isso é pelo que eu falei com relação a ela não ter tido infância e descontar em mim.

- Alice, eu não vou usar isso aqui. Me peça qualquer coisa, menos isso. – Alice, é uma mulher linda, de formas delicadas, clássica, pele branca, cabelos liso castanho médio, com uma franja muito bem cortada, olhos escuros e sempre se vestindo apropriadamente para qualquer situação. Mas, nesse momento ela me olhava com aquele olhinho demoníaco de cachorro que caiu do caminhão de mudança, fazendo bico e pronta para chorar. E por mais que eu dissesse, quase como um mantra que eu iria resistir, ate eu mesma sabia que não aguentaria nem mais um minuto.

- Ok, você venceu... De novo – Alice estava linda em uma calça justa prata e uma blusa com decote em V bem generoso e uma sandália de salto altíssima e mesmo assim, saltitava, sorrindo sem nem ao menos disfarçar. Ela deveria ser atriz e não arquiteta.

Jasper nos levou como de costume no seu carro sedan preto até o centro financeiro de Boston. O mesmo pub de sempre, onde ele e Alice se conheceram, graças a nosso amigo Emmett. Na verdade, Julep Bar, era a minha única ligação com a vida social.

O lugar todo era muito aconchegante, piso frio, paredes com tijolos aparente e espelhos, teto baixo com lustres, sofás verdes cítricos e chesslong brancas por todos os lados duelando com pequenas mesas e cadeiras, um bar com balcão de alumínio e cadeiras altas de madeira.

Nos esperando já estavam meus outros dois amigos, eu sei que meu circulo intimo é muito restrito, mas eu sou uma pessoa reservada, fazer o quê? Emmett e Rosalie, eles eram verdadeiras visões do paraíso. Ele é lindo, alto, forte, atlético, com o cabelo loiro médio, e os olhos azuis mais vivos e brilhantes que alguém pode ter. Já Rose, sua esposa, está exuberante com sua barriga de 7 meses, seus cabelos loiro morango ate o meio das costas e os olhos profundos verdes.

- Bellita, quanto tempo, você parece ótima – Emm, me apertou como sempre fazia e me tirou do chão, me deixando praticamente sufocar. Não sei como alguém pode não gostar dele.

- Oi Emm... Rose, estava morrendo de saudades.

- E porque não me ligou? Eu aposto que se não fosse por Alice, você iria embora, e nem se despediria de mim, e não voltaria para ver o meu bebê nascer. – Mas, o que há por aqui, essas mulheres tiraram o dia para me torturarem com essas caras de quem foram abandonadas? Será que elas perceberam que eu é que não tenho ninguém?

- Não seja dramática Rose, você sabe que teria ligado para você hoje e passado horas no telefone. Mas, estamos aqui, não é?

- Hum, muito melhor, Bella. Eu bem queria ter arrastado o meu irmão, vai que você tem uma despedida a altura, mas ele está no plantão hoje, então você vai ter que se contentar com os amigos, e não com uma noitada de sexo animal.

Eu estava desesperada por um buraco em que eu me enterrasse, sentindo as minhas bochechas corarem, e a vergonha se apoderar do meu ser, enquanto abria a boca em choque. Emmett sempre conseguia me deixar desconcertada, envergonhada, frustrada e deprimida, tudo de uma única vez. E ele ainda se divertia com a minha desgraça.

Nesse momento estavam todos rindo de mim. Parece que eu era a piada da turma. Onde eu ia conseguir amigos tão verdadeiros como esses? Que mesmo que implicassem comigo me respeitavam como eu era, alguém que está desesperada para ser comum e passar despercebida?

- Ok, vamos deixar a Bella ter a sua noite calma na companhia dos velhos amigos e vamos lhe pagar uma bebida. Faça as honras Emmett, você é o mais rico aqui – Jasper era alto, magro, loiro escuro, olhos verde escuro e um cavalheirismo comovente nos dias de hoje. Sempre vinha em meu socorro, distraindo a atenção de Emm.

- Não explora Jasper, já chega a Alice no trabalho? Eu às vezes tenho serias dificuldades em saber quem é o chefe, se eu ou ela?

Não fizemos outra coisa essa noite que não relembrar. Quando Alice conheceu Rose na faculdade de arquitetura, e se tornaram inseparáveis. Rosalie esbarrando e se apaixonando por Emmett, enquanto fazia Cooper no campus logo no primeiro semestre, para depois descobrimos que ele estava de olho nela desde o segundo dia de aula. Emm apresentando Alice e Jazz, aqui nesse mesmo lugar, e eles brigando a noite inteira, até que no meio da madrugada trocaram um beijo tórrido, e sumiram misteriosamente, me deixando sozinha para pegar um taxi. Era como um filme. A minha breve vida em Boston se descortinando na minha frente.

Estávamos todos bêbados, eu havia bebido vários coquetéis Mai Tai Doli e cervejas Heineken, e já era 01:00 da manhã, em pouco mais de 7 horas eu tinha que estar na estrada se quisesse chegar a Nova York no horário previsto e já estava prevendo a dor de cabeça que seria minha companheira de viajem.

- Meninos precisamos ir embora, pelo menos eu preciso, amanhã tenho que pegar a estrada antes das 8. Por favor?

- Mas, já Bella? É cedo. Pra quê a pressa de se livrar de nós? Quer que eu ligue pro meu irmão?

- Não Emm. Por favor. Quero o sofá da Alice, com urgência.

- Se você ligar pra ele vai ouvir até o natal. Acho melhor ela dormir sozinha.

- É verdade, ele é tão mal humorado às vezes, mas será um ótimo padrinho. Não se preocupe Bella, vocês formam um lindo casal, e vão ficar maravilhosos nas fotos. Você vem pro meu casamento não é?

- Claro Alice. Agora vamos?

- Bellita, vou sentir sua falta. Com quem vou implicar?

- Você vai ter um bebê Emm, ta na hora de... – Eu não consegui terminar a minha frase, uma vez que eu fui sufocada em um abraço de urso dado por Emmett, que quase me bota a nocaute.

- Bella você fez uma mulher grávida chorar – Rosalie era a melhor pessoa do mundo, mas depois que ficou grávida estava tão dramática. Tá, se bem que melhor pessoa do mundo era um pouco de exagero, ela sempre foi uma mulher de muita personalidade, determinada e destemida, geniosa mesmo.

- Daqui a dois meses eu estou aqui Rose, e vou acompanhar o nascimento desse bebezinho. Ele já tem nome?

- Ainda não decidimos, mas eu quero você por aqui. Preste atenção. Aconteça o que acontecer, eu te amo, e você sempre será a minha melhor amiga. Prometa que vai se cuidar, por favor?

- Eu prometo. E eu te amo também Rose – Eu beijei suas bochechas e acarinhei sua barriga levando um belo de um chute do menininho que estava lá dentro.

Acabei dormindo sozinha, no sofá da Alice. Ela e Jasper me deixaram na portaria e foram para a casa dele. Dissemos mais um monte de coisas melosas, onde eu acabei prometendo que vou me cuidar, dirigir com segurança, ligar quando chegar, escrever emails diariamente, e não esconder nada. Nada mesmo dela. E principalmente, estarei aqui três dias antes do casamento deles.

Mesmo estando um pouco alta eu cumpri o ritual de todas as noites. Tomei banho com o meu sabonete de violeta, lavei, sequei e escovei o meu cabelo, e os meus dentes, vesti o meu baby-doll preto com detalhe em renda branco. Não era nada sexy, isso não é para mim, mas é algo da Victoria Secrets, então é o mais próximo que eu sei que chegaria de algo sensual.

Agora deitada no sofá, com as luzes da rua bruxuleando na sala tudo o que eu posso fazer é uma oração para que eu sonhe com ele. Já tem mais de uma semana que eu não sonho nada. Estou com tantas saudades. Sinto tanta falta, e tanto medo que meus melhores momentos tenham acabado, e no meio de tudo isso acabei pegando no sono.

O movimento dos carros com suas buzinas e freadas me acordaram, o sol já está alto, iluminando toda a sala. Minha boca está seca, meu coração apertado, assim como minha cabeça, maldita ressaca.

Eu levantei do sofá branco, tropeçando na mesinha de centro de madeira da Alice, escorregando para o outro sofá, que fica em frente à uma mesa de dois lugares de onde podemos ver a vista através da janela. Que bela forma de começar o dia. Mas, pelo menos eu acordei o suficiente para ver que são 8:15 da manhã.

Merda, estou atrasada, era pra eu estar a pelo menos 15 minutos na estrada há essa hora, e ainda estou aqui. Na tentativa de me levantar, senti tudo girar mais uma vez, merda eu vou...

Vomitei... Vomitei todo o Mai Tai Doli e a cerveja Heineken que ingeri ontem à noite, só que no piso de madeira do corredor da minha amiga. Ótimo, acrescente mais uma hora no mínimo ao meu atraso.

Corri pro banheiro, escovei meus dentes, lavei meu rosto, voltei pro corredor e limpei toda a porcaria que tinha feito por lá. Tomei um banho frio, para ver se acordava de vez, me sequei e prendi meu cabelo em um rabo de cavalo frouxo, vesti minha camiseta branca, um short curto jeans, e calcei o meu tênis Converse preto, comi uma maçã, só pra conseguir tomar um remédio pra dor de cabeça, e consegui colocar todas as minhas malas no pequeno elevador para 4 pessoas do prédio. O que me fez descer os 3 andares pela escada.

Como minha sorte nunca foi algo de se invejar o Sr. Robinson, o sindico do prédio e um apaixonado por seu cachorrinho West Highland White Terrier, Michelangelo, eu sei, o nome é maior que o próprio animal, mas vai dizer isso pro dono? Me parou.

Sr. Robinson me colocou a par de todas as travessuras do Michelangelo, e eu fui obrigada a ouvir pacientemente, porque ele não percebeu as malas que eu estava tentando organizar no meu Chevrolet Metro 1999, vermelho.

Quando não havia mais espaço pra nada no meu carrinho eu finalmente consegui deixar a casa de Alice, com quase 2 horas de atraso, e eu ainda tinha que passar em um posto para abastecer e comer alguma coisa. Eu já estou exausta e ainda nem sai do quarteirão. Mas, dei partida assim mesmo, com destino a minha nova vida.

Depois de comer um sandwiche, comprar água, alguns pacotes de cookies, trocar o dinheiro e abastecer o carro, aqui estou eu na I-90, com destino ao meu futuro. Ansiosa, esperando o que está por vir, morar sozinha pela primeira vez em um apartamento de quarto e sala, mas meu, pegar metrô para ir ao trabalho todos os dias na New York Public Library, e quem sabe, encontrar o homem dos meus sonhos.

Enquanto eu seguia o meu caminho era inevitável não pensar em tudo o que estava deixando para trás. Não só a cidade em que vivi nos últimos quatro anos, quando me mudei para estudar literatura na Harvard University, mas onde eu encontrei meus melhores amigos, menos Alice, que sempre foi minha amiga desde Seattle, Rosalie, Jasper e Emmett, cada um deles marcou a minha vida, aqui estão às certezas, o conforto... Agora não parece fazer muito sentido essa mudança. Porque eu não consegui um trabalho aqui? Porque eu mesmo nem tentei?

E ele? Onde será que ele está? Foi aqui que eu o conheci, onde ele me apareceu pela primeira vez. Será que eu vou continuar vendo-o em Nova York? Será que não era exatamente por ser aqui que ele aparecia? Quando estava na casa de Alice eu só o vi uma vez, dois dias depois de ter me mudado prá lá, já que eu tinha que desocupar meu alojamento no campus. Mas, eu tive esse mesmo medo, e ele não me decepcionou, mas também não voltou. Será que isso significa alguma coisa?

Meu Deus, eu estou tão cansada, e a voz do Paul McCartney e seu sedutor sotaque inglês está me deixando tão mole. Ok, eu amo essa musica e sei que isso não ajuda, muito pelo contrario, In my Life só me faz pensar ainda mais nele. Mas, o som novo, presente de aniversário da Rose e do Emm, funcionando a toda potencia será meu único companheiro, nessa aventura.

Pensar no Emmett e na Rosálie me faz rir, como um homem tão grande pode ser tão apaixonado por uma mulher? Meu coração sempre se encanta em ver a forma como ele a venera. Será que um dia eu serei amada assim?

Não sei por que, mas estou sentindo o meu coração apertado hoje, uma angustia. Já tentei de todas as formas justificar para mim mesma, dizendo que pode ser por estar viajando só, mas eu tinha que levar meu carro, eu posso precisar dele por lá, ou o fato de ter acordado com essa ressaca quando menos deveria, ou ainda por estar deixando a segurança do conhecido e dos meus amigos, para mergulhar no desconhecido. Mas, nada disso parece fazer sentido para mim.

Deve ser isso, eu nunca fui a sociável, ou a que amava as mudanças e a aventura. Essa não sou eu. Me esconder era a minha brincadeira preferida na infância. Rezar para que os professores não me vissem e me perguntassem algo foi meu esporte da adolescência, e gora que sou uma mulher, dizer os sins e os nãos nos momentos precisos para não chamar a atenção para mim mesma estava se tornando a minha maior especialização.

Provavelmente eu me sairia muito bem em uma das maiores bibliotecas do mundo, afinal eu estaria completamente cercada de livros e teria muito pouca probabilidade de me meter em alguma encrenca.

Nossa, de onde veio essa dor no meu pescoço, mesmo tentando me auto massagear e movendo a cabeça de um lado para o outro parece não melhorar. Se eu tivesse mais tempo para chegar à Nova York ou eu pararia e descansaria na primeira oportunidade ou daria meia volta em direção ao apartamento da Alice e viajaria em outro momento, mas por medo de perder a chance de sonhar com ele, eu deixei pro ultimo dia e amanhã eu já começo no trabalho. Só eu mesma.

Estou a 500 metros de uma cabine de pedágio e a porcaria da moeda me inventa de cair embaixo do banco. Se bem que eu estou vendo ela daqui, não está tão longe, e se eu me abaixar só um pouquinho eu consigo pegá-la. Nenhum carro a minha frente, pé no acelerador a uma velocidade constante, isso, posso muito bem me inclinar só um pouquinho...

Ai

De onde veio esse barulho? Onde está o Paul McCartney? Sim, porque me lembro perfeitamente que era ele que estava cantando no meu som.

Porque o sol está tão forte? De onde veio esse clarão? Porque tudo parece me queimar?

Dor. Tudo dói. Minha cabeça, agora parece doer ainda mais, meu pescoço, que está duro, meus ombros, meus cotovelos, meu pulmão, meu quadril, e minhas pernas, meus joelhos estão tão doloridos. Aposto que se quisesse me mexer agora seria incapaz.

E que cheiro é esse? Ferro. Não ferrugem. Para mim tem diferença.

Eu estou molhada. Mas, eu me lembro do sol. Não estava chovendo. Não, ainda não está chovendo, eu vejo o sol, mas porque eu me sinto como nos verões quando eu ia com Alice na praia e deitávamos na areia rodeada de água, só sentindo o frescor do momento?

É tão difícil respirar, é tão pesado. Parece que eu estou me afogando no ar. Aqui não era tão úmido. Frio sim, mas não costuma-se respirar a água, o costume geral é bebê-la. Parece que quanto mais eu tento mais difícil fica.

Meus ouvidos estão me traindo. Onde é o incêndio? Para quê tantas sirenes? Porque ninguém faz isso parar?

Eu estou puta, de verdade muito irritada, que merda está acontecendo com o dia de hoje? Nada parece sair como o planejado? Eu não tinha nada que ter bebido ontem, pra começo de conversa, acordar atrasada, vomitar ate não ter mais nada dentro de mim, sentir essa porra de dor de cabeça, me atrasar ainda mais ouvindo todo o dia a dia do cachorro do vizinho da minha amiga, não conseguir comer e abastecer tudo no mesmo lugar, e ainda a infeliz da moedinha cair do banco. O que me falta acontecer?

E onde estou? Eu ainda nem saí dos limites de Boston e já estou perdida?

Porque não estou vendo mais a estrada e sim esse sol imenso? Deve ter alguma regra de segurança sobre não dirigir com o sol na cara dessa forma. Onde estão meus óculos escuros? Melhor, onde está tudo o que deveria estar aqui?

Hum, o silencio... Como ele é maravilhoso. Vocês podem ouvir o silencio? Nesse momento para mim ele é praticamente divino, mesmo eu amando a voz do Paul McCartney, eu prefiro esse momento atual, sem o barulho estranho de ferro se chocando que veio antes das sirenes.

Meus olhos estão tão pesados, e minha cabeça dói tanto, se bem que ela está doendo desde que eu acordei, mas agora ela piorou ainda mais. Eu não consigo manter meus olhos abertos, mesmo sabendo que eu deveria estar na estrada, mesmo sabendo que eu não posso dormir. É mais forte que eu.

Ai.

- Qual o seu nome? – Quem é esse homem? E porque ele está em cima de mim?

Meu Deus, o que aconteceu? Onde estou? Quem é essa pessoa?

Meus olhos estão pesados de novo. Eu devo me esforçar para deixá-los abertos, mas não consigo. Eu sempre tive controle sobre o meu corpo e minhas pálpebras só me desobedeciam em filme de terror e quando eu bebia muito. O que não me parece ser uma coisa nem outra, então porque não consigo ficar com a porcaria do meu olho aberto?

Agora a coisa está diferente. Para onde foi o sol. Eu gostava dele, era quente, porque está tudo tão frio? Eu vou congelar aqui. Minhas mãos e pés estão congelando e tudo parece escuro. Eu estou com medo. Não estou entendo. O que está acontecendo?

Que porra de sensação é essa? Eu não estou vendo um palmo na frente do meu nariz, a dor é ainda pior que antes, parece que todos os meus músculos viraram uma grande mola se contraindo e se esticando e isso está me deixando exausta.

Eu me sinto a margem, como se houvesse um ponto ainda mais escuro do que onde estou agora, como um poço, o que será que aconteceria se eu me atirasse nele? Parece tão fácil e eu me sinto tão cansada. Deve ser o certo a se fazer, só pode ser o certo a ser feito. Pelo menos é o mais simples. Vou fazer isso.

- O que aconteceu? Pressão e os sinais vitais?

Hum, de onde vem essa voz sexy como o inferno? Ela não vem do poço, parece vir do extremo oposto. Eu deveria estar preocupada com o que a voz disse? Que pressão? E que sinais vitais? E eu também quero saber o que aconteceu? Porque ninguém responde? Eu responderia qualquer coisa que ele me perguntasse? Será que ele me perguntou? Mas, sobre o que ele está falando?

- Onde ela estava? Tinha mais alguém com ela?

Meu Deus será que alguém pode responder a voz sexy como o inferno, por favor? Eu estou aqui e também quero saber de quem estão falando?

- Chame meu pai ou o Aro. Precisamos dos melhores aqui. Não podemos perdê-la.

Quem deve ser o homem que foi capaz de gerar uma criatura com uma voz tão linda e sexy como essa? E quem é esse outro aí? É outro, não é? E melhores em quê? Isso não se faz. Eles não têm respeito por nada? Ninguém me dá atenção? Talvez se eu caminhar para longe desse poço eu possa entender melhor o que está acontecendo. Mas, agora eu vou dormir, não aguento mais, estou tão cansada.

Notas finais
Então, é isso. Só pra dar aguinha na boca dos(as) meus(inhas)queridos(as) leitores(as).
O que vocês acharam do primeiro capitulo? Como sempre, não é o que eu chamaria de um capitulo minimo, não é? Mas, eu sou assim, fazer o que?
Nossa, e o acidente? E essa voz sexy como o inferno? Pai e Aro em uma mesma frase?
Mandem seus palpites, estou ansiosa por isso.
Tomara Deus, que Bella resolva me contar todos os detalhes o mais rápido possível, porque essa coisa de postar uma vez por semana está me deixando louca.
Comentem, comentem e comentem, por favor?
Vocês viram o trailer? O que acharam?
E a capa?
Quero saber de um tudo
Beijooooooooooooooooooooooooooooooooooooos