Prometi a mim mesmo não ficar chateado com o que a Hermione Granger disse sobre mim, talvez tudo tenha sido em um momento de raiva, sei lá. Talvez o Neville tenha falado com ela sobre isso porque ela tá mais amigável comigo, inclusive disse que seria legal fazer dupla comigo para o teste do Bins, se bem que ela só aceitou porque Rony e Harry sempre fazem dupla, mas já sei que no final eu terei que passar cola pra eles mesmo.
Hoje é dia de quadribol, Rony irá jogar como goleiro e eu já estou mais do que pronto para dar a maior força pra ele.
Conforme o previsto, ganhamos da Sonserina, e o melhor foi ter Hermione sentada ao meu lado. Apesar de ela não tirar os olhos de Rony, ela aceitou os meus sapos de chocolate, então já é um avanço. Dizem que eu voo super bem e o Harry me perguntou se eu não queria fazer testes para alguma posição no quadribol, mas a verdade é que eu sou melhor expectador. Morro de medo de falhar na frente da escola inteira. Então não, eu prefiro torcer.
O mais engraçado de tudo é que todo fim de jogo sai briga. Dessa vez eu enfeiticei o goleiro da Sonserina pra ele não bater em Harry, e acho que Dumbledore viu, mas ele me olhou como quem diz que ficará tudo bem. É legítima defesa, não?

— Você não devia fazer feitiços assim com a Umbridge por perto, ela vai acabar te dando detenção por isso! Depois não diga que eu não avisei. – disse a Mione pra mim.

Ela deveria é ficar feliz por eu ter salvado o amigo dela, mas tudo bem. Neville ia dizer algo pra me defender, mas eu o silenciei com a mão porque eu não quero me indispor com Hermione Granger de novo, e depois, ela tem razão.
Depois que Dolores Umbridge chegou a escola, as coisas em Hogwarts ficaram um tanto chatas. As aulas de DCAT são uma piada, e eu sempre vejo a minha Hermione resistir bravamente, mas dessa vez foi Harry quem levou a pior: uma detenção por semana. É por esse e outros motivos que eu tenho orgulho de ser da Grifinória, embora eu não tenha nem a metade da ousadia do trio de ouro. Eu e Neville preferimos ficar olhando de escanteio.

— Você foi muito corajoso, Harry, aliás, você também, Hermione. – eu disse enquanto me aproximava do trio de ouro junto com Neville após a aula da Umbridge.

— É verdade, eles não deviam tratar uma matéria importante assim com tanto descaso, além do que todos deveriam saber que você-sabe-quem voltou. – completou Neville

— Eu realmente não acredito como Dumbledore pode permitir que essa sapa velha venha ditar as regras aqui, afinal ele ainda é o diretor. – disse Rony

— Eu sei, Ron, mas o Ministério está intervindo justamente porque Dumbledore está fazendo o que é certo: informando a todos que o perigo se aproxima. Pelo jeito teremos que aguentar Umbridge por um bom tempo. Lembra do discurso que ela fez no começo do ano, Mione? – perguntei diretamente para Hermione.

— Discurso que pelo jeito só nós dois escutamos. O que eu não entendo é o porquê de você-sabe-quem não se mostrar abertamente. Quer dizer, os grandes bruxos já sabem que ele está de volta. – disse Hermione.

— Faz toda a diferença, Mione. – eu disse olhando pra ela – desse jeito, ele poderá agir livremente sem a intervenção ministerial. É como se ele fosse invisível perante todos e pudesse fazer o que quisesse. Se eu fosse você-sabe-quem, faria do mesmo jeito.

— Em primeiro lugar, meu nome é Hermione. Em segundo lugar, temos poções agora e Snape ficará uma fera se chegarmos atrasados. – disse Hermione em tom cortante e eu só abaixei a cabeça pra não ver ela se afastar.

— Não liga pra ela, ela só está irritada pelo mal estar com a Umbridge. – disse Harry enquanto colocava a mão em meus ombros, e eu apenas suspirei porque parecia que eu tinha perdido todo o progresso que eu tinha feito com ela.

A aula de Snape foi tão interessante quanto a de Umbridge com o acréscimo de que ele se esforçava ao máximo para humilhar o Harry que aguenta até bem. Por mais que eu olhasse suplicante para o professor Snape pra ver se ele parava ao menos um pouco, nada adiantava. Malfoy parecia se divertir com toda a cena e eu só queria mata-lo. Matá-lo. Será que meu pai pensava assim antes de cometer algum assassinato?
Enquanto eu pensava, a aula se encerrou e eu fiquei pra trás de propósito. Eu queria falar com o professor Snape.

— Professor, enquanto eu fazia a poção de hoje, eu fiquei tentado a jogar este frasco de pimenta selvagem porque eu vi que ela neutraliza um pouco dos efeitos colaterais de qualquer coisa que se misture. Os passos dessa poção devem ser seguidos religiosamente para que dê certo. Se eu jogasse essa pimenta na poção, eu descaracterizaria a poção? — perguntei ao professor. Ele sempre respondia bem as minhas dúvidas.

— Como sempre, Harris, você me aborda com as mais interessantes questões. Eu nunca tinha pensado nisso quando estava na sua idade. – disse o professor sorrindo pra mim. Sim, Snape sorria pra mim. – mas, mais uma vez você está certo. Adicionar as pimentas selvagens amenizariam os efeitos colaterais que são extremamente dolorosos pra quem ingere a poção. Só um bom preparador de poções conhece esse segredos.

— Obrigado por esclarecer, professor, mas na verdade eu só pensei nisso porque li em algum lugar há um tempo atrás, mas só me lembrei agora...

— Sabe, Jason, às vezes esqueço quem são seus pais. Você é um garoto brilhante. Espero estarmos fazendo um bom trabalho com você aqui. – disse o professor enquanto colocava a mão em meu ombro.

— Como ele era, professor? Me perdoe, mas é que eu sei que o senhor... é... me desculpe, eu não devia perguntar... – eu disse me arrependendo do que eu ia dizer. Imagine só: eu relembrar o passado de comensal pro professor Snape. Eu já estava esperando a bronca quando...

— Não há problema em querer saber, Harris. – disse o professor baixando o tom de voz a quase um sussurro – ele é um grande bruxo. Apesar de não usar a magia para o bem, é tão talentoso quanto você virá a ser, com a diferença de que você continuará a ser um bom garoto e não irá de meter com a magia das trevas.

— Não senhor! Mas, às vezes me pergunto se as coisas seriam diferentes se ele tivesse tido pais que o amassem...

— Seu pai teve pessoas que o amavam, Harris, mas ele preferiu trilhar o caminho que seguiu. Agora está tarde, vá. – disse o professor Snape. No fim todos tentam se livrar do assunto.

Senti uma vontade enorme de chorar após sair da sala professor Snape, era horrível não ter ninguém pra conversar sobre os meus sentimentos em relação ao meu pai. Sei que é loucura porque eu deveria ser feliz com os pais que a vida me deu, mas eu só queria poder entender aquele que me deu a vida, embora nem ele mesmo saiba disso.
Neville estava me esperando na porta, e quando ele perguntou o que eu tinha, eu respondi: Hermione, embora dessa vez não seja verdade.
Quando chegamos na sala comunal da Grifinória, Fred e Jorge estavam testando mais uma das suas criações e eu fui ver do que se tratava, então Denis Creevey apareceu pra entregar um bilhete, e antes que eu o lesse, Lino Jordan o arrancou da minha mão e leu em voz alta.

Jason Harris,

Não paro de pensar em você,
Me encontre nas estufas às 20:00
Pois não me canso de te querer

Com amor, sua admiradora.

Senti minhas bochechas esquentarem ao escutar a risada de todos daquela sala. Era bom saber que alguém gostava de mim, mas não era legal ser zoado assim por todo mundo. Mas, mas coisas pioraram quando ouvi Fred gritar:

— Hermione, é melhor decidir logo se vai ou se não vai querer o Jason porque se não vai acabar perdendo ele pra sempre!

Eu olhei esperançoso pra Hermione ela apenas balançou a cabeça e voltou a concentração para o que estava fazendo. Eu achei aquele bilhete muito ousado e com todos sabendo, eu preferi ignorar o conteúdo dele e o possível encontro que eu teria naquela noite. A verdade é que eu sequer havia dado um beijo na vida, apesar de falarem que eu sou garoto bonito. Acho que eu não conseguiria ficar com alguém enquanto outra habitasse os meus pensamentos. Como eu já estava cansado e não havia mais nada pra eu fazer ali, eu preferi ir dormir.

Notas finais
Imagine Voldemort surtando porque tem um filho Grifinório que além de tudo é fofo hehehe