Notas iniciais
Bom essa é a primeira vez que posto uma história, então leiam e se quiser comente falando sobre o que achou. Boa leitura e espero que goste.

Capítulo 1 — Mudanças.

Estava sendo um dia absurdamente quente e entediante, sempre arrumando coisas para lá e pra cá, suspirei lentamente.

-me diz de novo por que não podemos ir para um lugar gelado? – reclamei

-você sabe porque – ele foi em direção a casa à sua frente.

Não era uma casa diferente, tinha dois andares, era pequena com apenas três cômodos no térreo e os quartos no primeiro andar, era de uma cor azul desbotada, com alguns revestimentos de madeira, uma mistura de alvenaria e madeira.

Entrei a passos lentos naquela casa estranha e me sentei na bancada que dividia a sala da cozinha. Mesmo com alguns ventiladores de teto a casa continuava quente e malmente entrava uma brisa para refrescar o lugar.

- ainda acho que não devíamos ter mudado para Índia – falei mais para mim do que para ele – o que tem de bom em Mumbai?

- o que não tem de bom em Mumbai? – retrucou

- só estou dizendo – me ajeitei para a beirada da bancada – que tem outros lugares mais legais do que aqui, você poderia fazer esse seu trabalho em um lugar mais frio – suspirei novamente.

- é um trabalho importante e requer que eu fique aqui, e onde eu for.... – ele começou a falar.

- ...eu irei junto – completei sua frase de sempre.

Fiquei o encarando por alguns segundos, ele aparentava estar normal apesar do calor e de toda aquela viagem e coisas de mudança. Sua camiseta preta estava um pouco amassada por causa da caixa que carregava, usava também sua calça jeans surrada, seu tênis ALL Star preto e branco que tinha alguns furinhos em sua lateral, mas ironicamente ainda tinha uma aparência de novo. Algumas mechas de seu cabelo Loiro caiam sobre seus olhos castanhos escuros, mas não empatavam-lhe a visão, seus cabelos eram longos o que deixava sua aparência mais jovem do que já era, que no caso aparentava ter 17 anos quando realmente tinha 21 e completando tudo era um cara alto e com porte esportivo.

- Axel...- falei quase em um sussurro.

-sim? – ele colocou a caixa no chão e olhou atentamente para mim.

- você...-pensei em falar algo, mas logo desisti e acabei falando a primeira coisa que veio à mente– vai ficar aqui o dia inteiro?

- sim – ele disse cautelosamente já prevendo o que eu iria falar.

- então vou dar uma volta – falei rapidamente enquanto pulava da bancada e ia em direção a saída. – volto depois.

Antes que ele pudesse fazer menção de dizer algo, eu já tinha corrido até a porta e saído daquela casa batendo a porta atrás de mim. Andei rapidamente até estar fora do campo de visão dele e longe o suficiente daquela casa, quando finalmente me dei por satisfeita da distância que tinha percorrido, eu parei por alguns instantes e ajeitei meu cabelo ruivo em um rabo de cavalo deixando uma mecha cair sobre meus olhos castanhos claros, ajeitei minha bota, minha calça jeans preta e minha camiseta regata vermelho, ao terminar olhei ao meu redor. Não tinha nada de mais naquele bairro e principalmente onde eu estava, apenas um parque de diversão sem crianças e com brinquedos inabitáveis há um bom tempo. Me aproximei do parque e me sentei em um dos balanços, era um lugar perfeito, estava silencioso e com poucas pessoas passavam por aquela rua o que deixava o lugar perfeito.

Fiquei sentada por um tempo até escurecer, o sol se pondo lentamente enquanto a escuridão invadia o resto de sol que se espalhava por aquele parque. Pensei em ir, mas logo mudei de ideia, a casa era perto poderia ir mesmo estando tudo escuro; aproveitei o resto de sol e fiquei me embalando naquela iniciar de escuridão. Até que ouvi um som estranho vindo de trás de mim, me virei e apenas vi o parque vazio com algumas folhas sendo levadas ao vento, dei de ombros e continuei me embalando.

-você é uma garota muito difícil de achar, sabia? – ouvi uma voz logo a minha frente onde apenas havia escuridão sendo impossível saber quem era o dono da voz.

- quem está ai? – levantei e perguntei firmemente de onde vinha a voz.

- me chamam de muitas coisas – ironizou.

- você não me respondeu – falei sem entrar em seu jogo.

- respondi sem responder – ele riu secamente como se apenas ele entendesse a piada — vejo que está sozinha, onde está seu guardião? – seu tom ficou mortalmente sério.

- não preciso de guarda-costas – falei rispidamente – sei me cuidar muito bem – encarei o local onde estava apenas vendo o contorno de seu corpo – ainda mais com idiotas como você.

- direta – ele deu um passo à frente, mas sem sair totalmente das sombras, ainda escondendo seu rosto – devo-lhe avisar, minha cara, que irá de vir comigo – deu uma pausa e logo prosseguiu – agora – ordenou.

- e por que eu faria uma idiotice dessas? –respondi elevando minha voz, mostrando que não me intimidava com seu tom de voz.

- porque, minha cara – falou em escarnio – você não tem opção. – e saiu totalmente da escuridão mostrando sua faze semicoberta por um capuz, mas dando para ver nitidamente seu rosto que era parcialmente coberto por uma cicatriz, indo de seu olho ao queixo. Usava um sobretudo preto, com sapatos sociais, e um cordão de prata com um símbolo que de cara não conseguia ver o que era.

Fiquei surpresa por alguns instantes, apenas encarando aquela figura desconhecidas que havia surgido, aparentemente, do nada. Minha surpresa não durou muito pois logo ele estava vindo em minha direção, andei repentinamente para trás me esbarrando bruscamente no balanço atrás de mim.

- não se aproxime – avisei

-senão? – ele se divertiu com minha reação

- você não viverá o suficiente para saber – ameacei firmemente.

- oh valentona – riu –se acha isso, então demonstre.

Serrei os punhos, de todas as pessoas com quem encrencavam com ela sempre iam embora com uma ameaça, principalmente quando ela não agia gentilmente, mas esse cara queria comprar briga comigo.

- vá embora – falei inflexível

- me tire – abriu os braços como quem espera ser levado – ou você só é uma garota de palavras e não de ação? – abriu um grande sorriso maliciosamente aterrorizante em sua face.

-se não for embora, vai conhecer que tipo de garota eu sou – tentei manter minha voz firme.

- como diz o ditado – puxou uma adaga de dentro de seu sobretudo e com isso seu sorriso se tornou mais malicioso – cão que ladra não morde.

Sentir todo o ar de meus pulmões se esvaziarem, minhas pernas ficarem bambas e um desespero começava a tomar conta de meu ser, sentir uma gota de suor descer pelo meu rosto e meu coração aumentar a batida. Encarei fixamente a adaga que ele segurava, tinha um cabo reluzente com três gemas vermelhas encrustadas na base, ele meneou a adaga e apontou diretamente para mim.

- então, o que vai ser? – ele falou ainda com aquele sorriso em seu rosto.

- isso não muda nada – tentei manter minha voz firma, mas não conseguia tirar meu olhar adaga.

- ainda durona? – jogou a adaga de uma mão a outra apenas para ver meu olhar seguindo a lâmina. – vamos ver se ainda vai continuar.

Ele veio rapidamente em minha direção com a adaga em direção ao meu pescoço, rodei para trás e joguei o balanço em sua direção, dando tempo para que eu corresse dali. O pânico tomando conta de mim me fez sair correndo e pulando pelo parque sem nem ao menos olhar para trás, quando estava preste a pular a cerca do parque e ir em direção a um lugar seguro, senti uma mão puxando minha perna para baixo me fazendo cair bruscamente de costa. Automaticamente rolei para o lado desviando da adaga que vinha em direção ao meu tórax, dei uma rasteira nas pernas dele fazendo-o cair e me arrastei tentando me levantar mas logo ele segurou firmemente minha perna me impedindo de levantar, ele se distraiu ao tentar pegar a adaga, aproveitando a oportunidade, girei meu corpo e dei um chute meia lua, acertando-o fortemente no rosto fazendo que ele rolasse para o lado com o impacto, me levantei e sai correndo mal percebendo que minha perna tinha sido cortada.

- já vai embora? – ele falou ainda irônico – a festa mal começou.

Parei surpresa por ele ainda está se levantando, me apressei em sair dali, mas ouvi um ruído metálico cortando o ar onde não houve nem tempo para pensar, apenas para sentir a adaga passar cortando meu ombro. Cai no chão em agonia, minhas mãos foram automaticamente para meu ombros pressionando a ferida e tentando para a dor; meus ouvidos zuniam e apenas conseguiam sentir meu ombro latejar.

Ele se aproximou de mim e me puxou pela gola da minha blusa, fazendo com que fosse junto a ele apesar da dor. Tentei me levantar e resistir, mas a dor era muito grande sendo quase impossível de me manter em pé.

- vamos – falou rispidamente – já perdi muito tempo.

Antes que ele pudesse dar outro puxão em mim, senti seu braço me soltar bruscamente e o vi ser jogado para o outro lado do parque, em seguida sentir mãos me ampararem e me carregar cautelosamente.

- você não consegue ficar algumas horas sem arrumar confusão não é? – reconheci a voz de Axel.

- só estava participando de uma festa – sussurrei irônica.

- festa animada – Axel falou sarcástico

- pensa que acabou? – o homem de sobretudo se levantou e mesmo atordoado ainda tinha grande disposição para lutar.

Axel me colocou em um canto seguro e ficou a minha frente, me protegendo, tentei não apagar, mas minha consciência a cada minuto se esvaiava, Axel fechou os punhos e se preparou para tudo que o oponente poderia fazer.

- não poderá me vencer nessa forma – o homem falou, agora sua voz ficando mais rouca e sombria – Querubim.

- saia da minha frente Kocabiel – Axel falou autoritário.

- como se eu fosse obedecer – sua voz saiu em rugido e ele partiu na direção de Axel, suas mãos agora com garras, sua pele se tornando negra e vermelha, seus olhos totalmente pretos, surgindo chifres enormes em sua testa de dentes extremamente pontudos em sua boca.

Axel fez um giro de 360º e deu um salto, uma luz branca e dourada começou a emitir de Axel, como se fosse uma supernova, seu salto foi a dois metros do chão e ao cair atingiu ferozmente a cara daquele ser demoníaco fazendo-o cair no chão ainda com o pé cravado em seu rosto. Em dois movimentos Axel estava de novo a minha frente, em posição de batalha, o corpo que antes era do homem começou a se desfazer transformando-se em uma poça negra de piche.

Os olhos de Axel ficaram mais atentos para qualquer coisa, até que foi atingido por um soco que veio do chão para cima, em uma manobra de defesa Axel estendeu o braço e impulsionou o corpo fazendo com que desse um salto com os braços e se reerguesse novamente em pé.

O demônio sem esperar ele se recompor, correu como um cachorro em sua direção, Axel se preparou para impacto e aproveitou a guarda aberta dele e chutou seu peito fazendo-o subir e sequentemente socou as costa demoníacas dele, dando sequências de golpes o demônio cair bruscamente no chão e não levantar, para encerrar seus golpes quebrou o pescoço do demônio pondo então fiz a vida daquela coisa.

Quando vi Axel vindo em minha direção, seu brilho dourado ainda continuava acompanhado de um longo par de asas brancas.

-asas? -olhei em sua direção espantada antes de apagar completamente.