O Guarda Diamante
1 Capítulo 1
Quando a carta chegou minha família toda ficou feliz, finalmente teríamos algum dinheiro de verdade, minha mãe me abraçou como se o amanha não existisse, meu pai ficou orgulhoso, tantos dias de treinamento desde que eu era uma criança serviu para alguma coisa, agora eu serei um membro novo da guarda real.
— meu filho! –meu pai disse sorrindo- um belo guarda.
—isso merece uma festa! – minha mãe disse enquanto agarrava a colcha que estava costurando para minha irmã caçula- quando Ashley crescer e souber disso terá orgulho de você! Tanto quanto a gente.
—conte para ela logo querida. –meu disse animado. Nunca o vi tão animado desde meu aniversário de 17 anos quando eu consegui ficar em cima do touro mecânico mais que o filho do inimigo/ amigo dele.
—ora Gabriel! –minha mãe disse em um tom de contestação – ela só tem três anos. Ela não ia lembrar-se disso, então meu filho? Quem vai convidar?
Eu suspirei minha família amável, sei que eles queriam comemorar, mas nos não temos nem um tostão nem para comprar um pedaço de carne boa. Só temos para o necessário e para pagar algumas poucas contas.
— gente. Nada de festas. – eu disse levantando a mão – passei somente na primeira fase, ainda falta mais dois. –minha mãe odeia quando digo que estamos sem dinheiro por isso essa outra forma menos “dolorosa” da realidade.
Minha mãe fechou o sorriso dos lábios ate que me encarou, acho que ela captou a mensagem.
— quarto? –perguntei
—quarto. – ela afirmou.
Subi as velhas porem limpas escadas da casa claro sem fazer barulho para não acordar a pequena Ashley, eu amo aquela garotinha. Antes entrar em meu quarto fui ver ela. Abri a porta de um quarto totalmente rosa e branco sempre que entro em seu quarto penso que estou em um desenho de menininha logo cheguei perto de seu berço onde ela estava dormindo sem nenhuma preocupação, essa época que é a melhor que tem. Não tem preocupações, tarefas de casa, escola, trabalhos, você apenas dorme e ainda tem um cheiro de talco. Além de todos olharem para você e se derreterem.
Ouvi os passos de alguém se aproximando então corri para meu quarto pensando que era minha mãe, imagine um garoto de 19 anos 1,80 apanhando da mãe igual a uma criança de seis anos.
Escondo-me em meio às cobertas porem as sinto serem puxadas quando olho desesperado e vejo o rosto de Lucy.
— e ai loirinho. – ela me chama assim desde criança
— oi daltônica. – repreendo – quantas vezes tenho que dizer que meu cabelo não é loiro! É castanho claro.
— ah sim, e o meu é verde- ela sorriu.
— na verdade está azul e roxo, garota modinha! – eu só recebi uma tapa no braço e varias vezes o travesseiro se encontra com meu rosto, enquanto sorria.
— cala boca! Eu não sou de modinha! – ele me batia ficando com o rosto vermelho e exausta ela se senta na minha cama.
Lucy é a mais nova de quatro irmãos ela perdeu a mãe e o pai na guerra. A guerra que não existe mais matou os pais dela e mesmo assim ela vive sorrindo. Quem a criou foi seu irmão mais velho que é um cientista.
— que blusa é essa?- digo puxando a blusa regata preta dela.
— ah! É de uma banda muito, muito antiga. – ela sorri- achei nas coisas do meu pai.
— Guns and Rose, parece nome de jogo sei lá menos de uma banda.
— eu sei. — ela cheira a camisa- mas tem o cheiro do perfume do meu pai ainda. Claro que fiz uns ajustes.
— e você já ouviu alguma musica deles? –pergunto já sabendo a resposta.
— Não. – ela me encarou – e não diga modinha.
— não ia falar.
— acho bom.
— Poser. – sorri enquanto ela me batia – mas é verdade! – eu ria muito junto dela.
—Eu estou sabendo que você entrou na Guarda real. – por um minuto seu rosto animado se tornou um rosto triste.
— Lucy, é uma oportunidade única, eu não entrei – peguei ar para falar- Ainda.
— e nem vai! – ela disse cerrando os punhos.
— Sem agouros mocinha. Vou entrar sim, eu preciso!
— Luke! – ela disse meu nome em um tom de grito- isso é suicídio!
Ela deixou uma lagrima escapar, Lucy não chorava atoa ela não era ESSE tipo de garota. Os anos vividos com os garotos a fizeram uma mulher antes da idade. Quando ela derramou essa lagrima senti a preocupação dela.
Ela perdeu os pais nova, em sua linha de raciocínio ela iria me perder também, provavelmente o medo e a angustia estão matando ela de pouco em pouco.
— Lucy a guerra acabou... — ela me olhou com raiva.
— mas eles podem atacar novamente, não lemos mente Luke... E se a guerra voltar? E se você tiver que lutar no campo?
Todas as frases dela atacavam meu coração, cada “e se” fazia meu coração se partir cada vez mais, agora sinto culpa por deixar ela triste, porem me lembrei da falta de dinheiro das horas que meu pai trabalhava a mais para trazer mais e mais dinheiro e ainda não ser o suficiente da minha mãe que quando passava perto de uma faculdade suspirava desejando estudar novamente.
Senti o ar entrando em meu pulmão, meu sangue passando por todas minhas veias, igual quando eu treinava com meu pai, olhei para ela e disse.
— então, se esse dia chegar, queira os nobres não, eu irei de cabeça erguida e pensando em todos vocês, além de derramar meu sangue por vocês e tentarei voltar vivo com honra.
Claro que não era isso que ela queria ouvir, ela se virou e se aproximou da porta escondendo o rosto cheio de lagrimas provavelmente. Ela disse com a voz mais áspera do mundo.
— quando você irá partir?
— olhei para o lado esquerdo vendo uma foto na cabeceira da minha cama de nós dois juntos, como tenho saudades daquela época, mas isso acabou faz três anos.
— Amanhã antes de o sol aparecer por completo.
Ela apenas fez um sim com a cabeça e saiu andando frustrada.
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