O Golpe!
2 A noite é uma criança!
Notas iniciais
Antes mesmo de sair do carro me olho no pequeno retrovisor revisando minha aparência, respiro fundo e decidida saio e caminho até a entrada da enorme boate "Diamonds", o som é estrondoso mesmo fora da boate, dezenas de jovens entrando e saindo. Ao entrar no enorme espaço porem tão cheio que chega a parecer pequeno vejo todos dançando e sinceramente? Não tem nem cinco minutos que cheguei e me sinto tão velha quanto realmente sou ao ver que não me encaixo em nenhum grupo que vejo, mas ainda decidida a tentar mudar minha noite eu vou até o bar.
— Um gim por favor. — Pego minha bebida e bebo rapidamente logo pedindo mais, bebo umas 4 taças. A música que toca começa a ser mais aceitável depois de algumas taças e gim e umas doses de tequila, é eu sei que não deveria misturar, mas é isso jovens fazem não é mesmo?. Deixo a música alta entrar da mesma forma que que o álcool entra nas minhas veias e sem me dar conta já estou dançando e rindo sozinha.
— Tão bela como sempre, mas porque tão sozinha? — Uma voz um tanto irritante e bem conhecida alcança meus ouvidos e logo duas mãos alcançam minha cintura e me viro automaticamente. — Porque essa cara de assustada Lu? — Que inferno, logo hoje esse infeliz resolve aparecer? Ele não vai estragar minha noite, achando que vou me derreter com seu belo sorriso, que após muitos anos descobri que é mais falso que nota de 3 reais.
— Que diabos você está fazendo aqui?! — Disparo já em um revirar de olhos e um tanto alterada tirando as mãos dele de mim, mas logo ele as coloca de novo e as afasto novamente. — Não encosta a mão em mim Mário! — A vontade de voar no pescoço dele é ainda maior com o álcool, e olha que não imaginava que poderia aumentar essa vontade.
— Vim comemorar o aniversario da linda mãe dos meus filhos. — O tom irônico dele só serve para me irritar ainda mais.
— Porque você não vai a merda e me deixa em paz?! — Grito mais alto do que eu queria. Vejo que após meu grito ele me encara e logo desvia o olhar de mim mas não sei para onde está olhando, mas ele parece ainda mais irritado e conhecendo ele, isso me assusta, será que exagerei?
— Ele está te incomodando? — Uma voz grossa me tira dos meus pensamentos e sinto uma mão firmar na minha cintura e um perfume amadeirado invadir minhas narinas, é refrescante, um perfume diferente mas muito bom. Viro-me e me deparo com um homem de pele morena bem clara, olhos azuis da cor do céu quando esta limpo, cabelos escuros e ondulados e bem arrumados, aparentemente nos seus 22 a 25 anos, não dou mais que isso pra ele, mesmo ele sendo alto, com um corpo super cuidado e forte ele ainda assim me parece muito jovem. Suspiro diante de tal beleza que por um instantes me faz esquecer da indesejada presença do meu ex marido, me viro novamente e olho para Mário e depois olho de novo para o homem que aperta minha cintura ainda mais e que olha em meus olhos esperando uma resposta. Quem diabos é ele? Porque está segurando minha cintura? Ah, não importa, vou aproveitar essa brecha para tirar Mario daqui. — Sim, ele está me incomodando! — Respondo fuzilando Mário com o olhar.
— Posso ajudá-lo? — A voz agora mais firme, e me puxa ainda mais forte em um abraço inesperado mas realmente muito aconchegante, acho que estou bêbada demais. — A bela moça não está disponível. — Ele dispara ao mesmo tempo que puxa meu cabelo para o lado e massageia meu pescoço. Não sei quem está mais espantado eu ou Mário, mas consigo evitar que Mário veja como estou confusa com tudo isso e me entrego a massagem para parecer que isso é comum para mim, e sinceramente? Está tão bom que nem preciso me esforçar muito para conseguir isso.
— Quem você pensa que é garoto?! — Vejo Mário fechando o punho e então me coloco a frente tentando me recompor da massagem que já estava afetando outras parte de mim, e de alguma forma isso me faz ter uma crise de riso meio que de desespero e olho para ele disposta a jogar tudo na cara como sempre fiz. — Você acha que realmente seria o único homem na minha vida? — Rindo muito me viro e puxo pela gola da camisa o homem desconhecido e aproximo meu rosto do ouvido dele. — Me tira daqui. — Sussurro baixinho e rindo porque a mistura de gim e tequila aparentemente já subiu e creio que não falei tão baixinho quanto pensei. Logo sou puxada de forma bruta e dolorida pelo braço.
— Lauren, isso é ridículo, esse garoto deve ter a idade do Bran! — Meu sangue ferve com o seu comentário estupido e com um puxão forte me solto dele.
— E quem é você pra me julgar? Que eu saiba você está comendo uma menina que é ainda mais nova que Bran, você me deixou para foder com uma menina ainda mais nova que seu filho e agora se acha no direito de me julgar? Vá se foder Mário! — Começo a rir muito. — Não tá conseguindo seguir o ritmo dela, vai e toma um azulzinho?! — Após dizer isso caio na gargalhada e o belo moço me acompanha e me segura ainda mais firme e agradeço aos céus que ele fez isso, pois minhas pernas não me obedecem.
— Você está agindo como uma adolescente Lauren, não se esqueça que já tem seus 40 anos aí, ah e parabéns, bela forma de comemorar seu aniversário, pagando de adolescente. Agora chega dessa brincadeira, vou te levar para sua casa de onde você não deveria ter saído! — Sou puxada novamente agora com mais força e isso faz doer meu braço. — Me solta, você está me machucando! — Grito assustada tentando me soltar. Em questão de segundos a mão que estava em minha cintura vai parar na gola da camisa do Mário.
— Você é surdo? Você além de um completo idiota ainda é covarde? A moça não está disponível, e não encosta nela de novo! — Olho assustada morrendo de medo da confusão prestes a acontecer. Mas relaxo quando os seguranças do local vem e separa eles e logo vejo Mário sendo levado para fora do local. — Você está bem? Lauren né? — Sou tirada do meu transe ao sentir meu corpo colidir com aquele peito duro do belo homem. Minha cabeça encostada sobre seu peito o que me permite desfrutar do seu aroma incrível e ele abraçado a mim tentando me reconfortar, mas eu nem preciso disso, estou acostumada, mas não vou reclamar, estou adorando.
— Você tem um ótimo gosto para perfume — Digo sem me soltar dele. — Sim, estou bem. Obrigada, e sim, meu nome é Lauren. — Estou morrendo de vergonha então me mantenho assim sem encara-lo. — Você não precisava fazer isso.
— Você ainda quer que eu te tire daqui? — Ele olha em meus olhos e eu me já havia me esquecido desse meu pedido inoportuno. Penso e penso e não consigo responder. — Você bebeu muito, está de carro ou de táxi? Posso te levar embora se quiser, e parabéns por seu aniversário. — Eu o ecaro sem jeito e ele me lança um sorriso arrebatador que nem ligo por ele estar me parabenizando como todos fizeram.
— Obrigada, mas não vou embora, preciso terminar essa noite, minha despedida da juventude. — Digo caminhando para o bar novamente.
— Não sabia que se comemorava isso. — Ele ri e me puxa pela mão até a pista de dança me impedindo de pegar minha bebida. — Posso comemorar com você? — Nem respondo e quando me dou conta estou dançando e bebendo com ele na pista de dança e rindo como loucos. Ele me puxa pra perto pela cintura e me gira e depois me puxa de novo e me gira de novo, acho que isso esta me enjoando. Já estou tonta e rindo mais do que o normal e mais bêbada do que nunca. — Vou ao toilette. — Digo rindo e cambaleando vou até o banheiro. Antes de sair retocou meu batom e passo a mão ajeitando meu cabelo. Saio e sou alcançada pela cintura e puxada para um corredor pequeno e um pouco escuro que tem ao lado do banheiro que da acesso a um camarim que hoje esta fechado. Quando me dou conta estou na parede e rindo olhando para a escultura de homem que conseguiu divertir toda minha noite.
— O que você vai fazer se eu te beijar agora? — Sua voz firme e muito sedutora entra pelo meus ouvidos e afetam diretamente na minha virilha, meu sorriso some e minha respiração automaticamente fica irregular, sei que minhas pupilas estão mais dilatadas que nunca e olho nos olhos dele e me perco naquela cor que me fascinou desde o primeiro instante que o vi. Minha boca chega a salivar quando meu olhar desce para sua boca e volta para seus olhos e coro automaticamente ao ver que ele notou.
— Lauren? — O polegar dele desliza por meu lábio inferior e seus olhos acompanham seu polegar e meus olhos acompanha o olhar dele e minha boca se abre suavemente e seu dedo desce até meu queixo e ele me puxa pelo queixo e aproxima sua boca da minha e seu hálito quente e mentolado com um toque de álcool invade minhas narinas meus olhos se fecham e escapa um gemido da minha boca. Meu coração parece querer sair pela boca e meus olhos se fecham se entregando ao momento. Me afasto dele e o encaro e ele parece confuso e eu estou ainda mais sou muito velha para ele, o que deu em mim?. Me afasto dele e ofegante encosto minha testa no peito dele.
— Tenho que ir! — Antes que ele possa dizer algo eu saio me perdendo na multidão e ao sair entro num táxi e volta para casa indo direto para meu quarto e fico pensando naquele homem, ciente que nunca mais o verei, eu nem ao menos perguntei seu nome, e nem trocamos telefones e lamento e agradeço por isso ao mesmo tempo. Após muito pensar em tudo que ocorreu eu adormeço.
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