Notas iniciais
Gente, eu simplesmente adorei escrever esse capítulo porque foi um desafio pra mim... rs

>>o Ponto de vista: Jessica

Eu acordei meio dolorida e me assustei com o cenário a minha volta. Fechei os olhos e processei o que estava acontecendo, então voltou. Todo aquele sentimento da noite anterior, voltou com uma força assustadora.

— Jessica? — pela voz era Allison que batia devagarzinho na porta.

— Pode entrar. — seu sorriso era um pouco contagiante e ela vestia uma camisa do Phelipe o que fez meu sorriso murchar.

— Eu não sabia que horas você ia pra faculdade, nem se você ia, então eu não te acordei cedo. — falou ela e eu assenti.

— Tudo bem, eu só tenho aula á tarde hoje.

— Ótimo, eu também.

— Cadê o Phelipe?

— Ele já foi. Mas eu prometi que cuidava de você. — assenti.

— Obrigada, Allison.

— Que isso, não tem problema. Pode ficar aqui quando quiser.

— Allison, sabe se... bem... se... — eu não sabia como perguntar.

— Se alguém falou com o Will? — concordei. — Bom, o Josh conversou com ele ontem. — franzi a testa.

— O Josh?

— Pois é, assim que eu terminei de contar o que tinha acontecido com você para o Phelipe, ele resolveu contar para o Josh. — escondi meu rosto com as mãos.

— Meu Deus, que vergonha!

— Não tem do que se envergonhar. O Josh ficou irritadíssimo e foi pra casa de vocês para falar com o Will.

— E o Will? O que ele disse?

— Bom, isso eu prometi que não falaria pra você.

— Por quê? — Allison sentou na ponta da cama.

— Porque vocês tem que conversar.

— Eu não sei se quero conversar com ele hoje.

— Mas têm, Jessie. Você não pode fugir desse assunto.

— Eu estou chateada demais pra falar com ele. Tenho medo de fazer uma besteira.

— Tipo, o quê? Terminar com ele? — fechei os olhos.

— Tipo isso.

— Ás vezes, Jessica, é bom falar tudo aquilo que está entalado na nossa garganta.

— Eu não quero estragar tudo. — ela sorriu gentilmente.

— Mais? — dei de ombros. — Já está tudo uma confusão, não é melhor falar logo o que te perturba?

— Ah Allison, não sei não.

— Confia em mim, eu sei do que estou falando.

— Acho que já está na hora de falar com o Will sobre a Julie, né?

— Com certeza!

— E se ele... e se... e se eles... se ele me traiu, Allison? — seu rosto nem se alterou.

— Ele não fez isso. Tenho plena certeza que ele nunca faria isso.

— Você nem o conhece.

— Bom, eu conheço a história de vocês. O Josh me contou como ele esperou por você. Ele não estragaria tudo por causa de uma gostosa de Economia.

— Eu queria ter essa sua certeza. — ela riu.

— Quando você namora com um gostoso como o Phelipe ou você tem essa confiança ou você nem começa. — eu sorri.

— Acho que tem razão.

— Com o tempo você vai ter essa confiança também.

— Eu espero que sim.

— Agora, Jessica, levanta. Troca de roupa. Nós vamos dar uma volta.

— Pra onde vamos? — ela deu um sorriso parecido com o de Phelipe, estonteante.

— Vamos te provar que você é linda!

>>o

Allison parecia motivada, eu estava curiosa e um tanto coagida com sua vontade de fazer com que eu entendesse. Antes de sair, ela pegou o cartão do Phelipe e me deu um sorriso cúmplice.

— Eu amo quando ele me dá carta branca. — falou Alli.

— O que você está planejando fazer? — perguntei.

— Ainda não, querida. Vem, eu vou te levar para conhecer alguns lugares.

— Vamos de carro?

— Não, eu quero que você veja as pessoas.

— Você que manda.

Andamos em silêncio por um tempo e eu sentia que Allison me avaliava. Quando eu simplesmente cansei, ela parou em frente a uma loja.

— Nós vamos comprar uma roupa pra você.

— Por quê?

— Porque eu quero que você se sinta linda e nada como uma roupa nova.

— Essa é a sua ideia? Me comprar uma roupa?

— Obviamente não é só isso, mas vamos começar com isso.

— Allison, eu não...

— Fica quieta e aceita. Vamos logo, vamos gastar o dinheiro do Phelipe. — ela praticamente me arrastou pra dentro.

Rapidamente uma vendedora veio nos abortar, mas se afastou depois de um pequeno aceno de Allison. Dei uma olhada em volta e percebi que tinha de tudo um pouco na loja, desde vestidos, calças e blusas até sapatos, bolsas e colares.

— Ah não sei, Allison.

— Jessica, por favor. Você pode escolher o que quiser, desde que você se sinta linda.

— Linda? — ela sorriu.

— Nada menos que linda. Repare que eu disse linda e não confortável.

— Que tipo de roupa eu deveria começar?

— Você que sabe, mas eu costumo me sentir linda de vestido.

— Ah...

— Jessica, quando foi a última vez que você se sentiu linda? — dei de ombros.

— Eu estava com um vestido lindo e estava tentando fazer as pazes com o Will. — falei meio sem jeito e Alli deu um sorriso compreensivo.

— Então já sabe por onde começar.

Caminhei por entre as araras sem saber exatamente o que eu queria, no que eu deveria pensar e em como lidar com o olhar ansioso de Allison. E foi assim que eu percebi que eu deveria mesmo me esforçar pra isso, não pelo Will, mas por mim.

Me voltei para a parte das saias, eu me sentia bem de saia. Na verdade eu me sentia sexy de saia e acho que isso provavelmente serviria ao seu propósito.

— Você acha que é uma boa opção? — perguntei pra Allison com uma saia na mão.

— Com certeza. Escolhe alguma blusa que fique boa aí.

— Ah, me deixe pensar.

— Quer ajuda?

— Com certeza.

Allison foi atrás de uma blusa no lado esquerdo enquanto eu fui para o direito. Poucos minutos depois ela voltou com uma na mão e um sorriso enorme.

— Que tal? — sorri.

— Uau.

— Vai ficar linda em você.

— Você acha? — ela sorriu.

— O que você acha? — dei de ombros. — Querida, escolha o que quiser.

— Não custa tentar.

— Assim que se fala.

Peguei a saia, a blusa e fui para o provador, por via das dúvidas me vesti de costas para o espelho. Mas quando eu me vi, eu não consegui evitar o sorriso. Eu realmente estava linda, de um jeito diferente, eu me sentia bem.

— E aí? — perguntou Allison do lado de fora da cabine.

— Uau. — falei.

— Posso ver? — abri a porta um tanto insegura, mas Alli abriu um sorriso enorme.

— Você está simplesmente linda.

— Você acha?

— O que você acha? — dei de ombros.

— Eu não sei, eu não...

— Jessica, por favor, seja sincera. Você gostou? — dei um pequeno sorriso.

— Eu amei.

— Então, é isso. Mais alguma coisa?

— Acho que... talvez... hum... — Allison levantou.

— O que quiser, Jessica.

— Um colar?

— Me dá um minuto.

Enquanto Allison ia atrás do colar, eu voltei para o provador e fiquei me encarando no espelho. Será que eu realmente poderia ser bonita? Não! Você é bonita! Rapidamente me repreendi, eu ia aprender a me amar e ter a confiança da Allison.

— Ei, gatinha...

— Achou alguma coisa? — Alli parecia que tinha ganho na loteria.

— Achei um colar lindo e um sapato. — fiz uma careta.

— Que sapato?

— Sapato de salto alto. Não tem como você não se sentir incrível de salto.

— Você acha?

— Eu acho, mas como eu já disse você que tem que achar.

— Você está animada demais, não acha?

— Eu vou fazer alguém se amar e isso é emocionante.

— Sei...

— De qualquer maneira eu vou deixar aí, se você quiser colocar...

Quando ela saiu, coloquei o colar e o salto meio relutante, mas para minha surpresa ambos ficaram muito bons. O sapato era muito confortável e me deixou sexy.

— Uau, Allison.

— Eu falei. Como você está se sentindo?

— Eu estou me sentindo ótima.

— Fico feliz. Agora vem...

— Espera eu me trocar.

— Claro que não. Você vai assim.

— Mas Alli...

— Fica quietinha, por favor. Eu vou chamar a vendedora para contabilizar antes de você tirar as etiquetas.

As coisas estavam começando a mudar. Acho que só de querer, as coisas começam a mudar dentro de você. Talvez o plano da Allison começasse a dar certo.

>>o

— Aonde vamos agora, Yoda?

— Bom, Jessica nós vamos encontrar um amigo meu.

— Um amigo seu? — perguntei em plena incredulidade.

— Sim.

— Por quê? — ela apenas sorriu.

Caminhamos um pouco até chegar ao Central Park, eu estava começando a me irritar. Eu não sou muito adepta a surpresa, principalmente quando eu não tenho nenhum palpite sobre o que seja.

— Chegamos. — falou ela e eu sorri.

— Eu já conhecia o Central Park, mas obrigada.

— Não seja ridícula. Vem, acho que já vi o Ed.

— Ed? Quem é Ed?

— Tantas perguntas. — e simplesmente saiu andando. Contrariando minha própria vontade, a segui.

O tal Ed era um homem bonito, devia ter uns 23 ou 24 anos, de cabelos escuros e barba. Minha conclusão era de que ele era bonito, mas não de um jeito perigoso como o Phelipe.

— Ed. — Allison simplesmente apertava ele em um abraço de urso.

— Ei, Alli. Como você está?

— Muito bem e você?

— Tudo ótimo. E o seu namorado? Ainda tentando me matar?

— Certas coisas nunca mudam. E a sua namorada? Ainda me odiando? — ele sorriu.

— Certas coisas nunca mudam.

— Bom, Ed, essa é a menina que eu falei, Jessica Lowe. — ele sorriu e apertou minha mão.

— Prazer, Jessica. Ed Parker.

— Igualmente.

— Então, Jessie, o Ed é fotógrafo. Eu quero provar pra você que é linda, através das lentes dele. — fiz uma careta.

— Sério isso?

— Com certeza. — eu encarei a Allison com completa incredulidade, e depois olhei para o Ed que sorria confiante.

— Mas Allison eu sou tímida para esse tipo de coisa.

— Eu sei, querida. Por isso que o Ed está aqui, ele é muito bom nisso.

— Eu não sei não...

— Jessica, eu quero que você tente. O que de pior pode acontecer? Eu prometo que não repasso essas fotos pra ninguém se você quiser. — falou o tal Ed com cara de bonzinho. Dei o meu melhor suspiro teatral.

— Tudo bem, mas vai ser apenas um teste. — ele sorriu.

— Ótimo, vamos começar.

— Aqui? — perguntei.

— Claro, a luz e o cenário aqui são perfeitos.

Dentro de sua mochila, ele tirou a câmera profissional e uma lente. Enquanto ele ajustava algumas coisas, Allison estava inquieta do meu lado e eu tentei distraí-la.

— De onde você conhece o Ed? — ela sorriu.

— Ele foi meu primeiro namorado.

— Sério?

— Sim, por isso que o Phelipe não gosta dele. Ele odeia o fato de eu continuar convivendo com um cara que me viu nua. — eu fiquei sem graça, mas Alli pareceu não perceber.

— Então você não era mais virgem quando começou a namorar com o Phelipe? — ela sorriu.

— Não, não mais. E obviamente o Phelipe também não.

— E como você lida com as ex-namoradas do Phelipe? — ela soltou uma gargalhada.

— Namoradas? Phelipe nunca namorou ninguém além de mim, esse negócio de se apaixonar pra ele era inconsebível.

— Mas ele já tinha tido outros relacionamentos... hum... é... — Alli parecia se divertir.

— Sim, Jessica. Você já olhou bem para o Phelipe? Ele é um gato e gostoso. — soltei uma gargalhada meio inesperada e ouvi o barulho da câmera.

— Eu não estava pronta? — falei e Ed sorriu.

— As melhores fotos são assim. Estou tirando fotos suas a algum tempo e posso dizer, com certeza, que a câmera já te ama. — dei de ombros.

— Não creio que seja esse o caso.

— Jessica, você é linda. — isso me pegou de surpresa. Era a primeira vez que um estranho me chamava de linda ou algo do tipo.

— Hum... ah... obrigada.

— Por nada. Agora vem, temos trabalho a fazer.

>>o

Estava na hora do almoço quando terminamos, no fim eu já estava bem solta e me divirtia muito. Tirei algumas fotos com a Allison e estava grata por ela ter me arrastado pra isso.

— Terminamos. — falou Ed e eu sorri.

— Nossa, obrigada, eu me diverti muito.

— Fico feliz. Quer ver as fotos?

— Com certeza.

Sentamos em um banco de frente para um gramado, enquando Ed conectava a câmera no notebook, eu apertava a mão de Allison que sorria.

— Como você está se sentindo? — perguntou ela e eu pensei um pouco a respeito.

— Acho que... leve.

— Ótimo. Eu acho fotografia uma ótima terapia, esteja na frente ou atrás da câmera.

— Você tem toda razão.

— Pronto, Jessica, dê uma olhada.

Ele passava as fotos devagar e eu não conseguia acreditar que aquela garota era mesmo eu. Até as espontâneas estavam bonitas, sinceramente essas eram as melhores.

— Nossa... eu... uau. Ed, elas ficaram lindas.

— Sim, ficaram mesmo.

— Eu estou linda. O que você fez? — ele sorriu.

— A câmera não faz milagre, Jessica. Se você está linda na foto é porque você é linda.

— Obrigada, Ed.

— Foi um prazer. Agora eu tenho que ir porque minha namorada está me esperando para almoçar.

— Obrigada mesmo, Ed. — falou Allison.

— Que isso, sempre que precisar. E Jessica, hoje mesmo eu passo as fotos para Allison por e-mail, mas saiba que algumas eu vou colocar na minha exposição no mês que vem. — arregalei os olhos.

— Sério?

— Claro, ficaram incríveis. — ele beijou a bochecha da Allison e a minha antes de sair.

— E então? — perguntou Alli e eu a abracei apertado.

— Obrigada por tudo o que vocês estão fazendo por mim.

— Ah, que isso. É um prazer.

— O que vamos fazer agora?

— Comer antes que eu morra aqui.

— Com certeza. — peguei meu celular pela primeira vez no dia e vi que tinha 23 ligações perdidas. — Meu Deus!

— O que foi?

— Eu tenho 23 ligações perdidas.

— De quem?

— Três do Josh e vinte do Will.

— Você vai ligar pra ele? — suspirei.

— Não sei.

— Quer a minha opinião?

— Sempre. — isso a fez sorrir, um sorriso tímido e inesperado.

— Eu acho que você deveria esperar um pouco. Nós estamos indo bem e eu quero que você aprenda a se amar primeiro, ou pelo menos a aceitar que é sim, bonita antes de falar com ele.

— Será?

— Jessica, mesmo que você o perdoe, as coisas não vão funcionar se você achar que não o merece. — respirei fundo.

— Você tem razão.

— Eu sei, agora liga para o Josh.

— Josh?

— Sim, o Josh. Ele ficou muito preocupado com você e merece alguma luz, além do mais pede pra ele avisar ao Will pra ficar longe por um tempo.

— Tudo bem, eu também tenho que avisar a minha mãe que estou dormindo na sua casa, antes que ela enlouqueça.

— Okay, faça as suas ligações enquanto eu ligo para o Phelipe. Quando terminar, vamos almoçar.