Notas iniciais
Vocês tem todo o meu apoio para odiarem o Will, okay?

— Jessica, já acabou com o devaneio? — Josh me encarava e eu pisquei algumas vezes antes de responder.

— Desculpa, você disse alguma coisa?

— Eu disse que estava indo encontrar com o Phelipe quando te encontrei, então ele provavelmente ele estava me esperando bem irritado. — Phelipe, é claro!

— Vamos lá, eu também tenho que falar com ele. — Josh fez uma careta.

— Por acaso eu não sou o suficiente? — revirei os olhos.

— Preciso perguntar pra ele uma coisa que você não pode responder.

— E seria?

— Desculpa, Josh, mas é particular.

— Eu passei uma parte do meu dia dedicado a te ajudar e é assim que você me trata. Tudo bem, vamos atrás do seu amigo. — ignorei o comentário amargurado de Josh e o segui.

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Phelipe estava se atracando com uma menina loira quando encontramos com ele. Eles pareciam tão apaixonados que chegava dar um pouco de inveja. Será que eu e Will ficavamos lindos assim juntos?

— Ei, com licença. — falou Josh e eles se separaram devagar.

— Onde você estava? Eu fiquei muito tempo te esperando... — falou ele sem parecer se importar muito.

— Grande coisa, pelo jeito estava ocupado. — falou Josh e a menina loira riu.

— Deixa de ser idiota, Josh. Vai achar uma garota interessante e nos esquece. — e foi então que ela me viu. — Será que já achou?

— Ah não, Allison. Essa é a Jessica Lowe. — falou Phelipe.

— A Jessica?

— Exato. — ela me abraçou e me deu um beijo na bochecha me deixando bem surpresa.

— Prazer. Você deve ser a namorada. — falei e ela riu.

— Com certeza. Não costumo deixar Phelipe se agarrar com outras loiras por aí... — falou e Phelipe abriu o seu melhor sorriso sacana.

— Apenas morenas. — para minha surpresa ela também sorriu.

— E somente as terças.

— Certo. — falei.

— Então, Jessica, o que te trás aqui... — fiquei meio sem jeito.

— Bom, eu... é... queria falar com você. — Allison nem titubeou.

— Ah, então vou indo. A gente se vê depois? — Phelipe sussurrou algo no ouvido dela. — Mal posso esperar.

— E eu faço o que? — falou Josh um tanto irritado.

— Vem comigo, meu caro amigo ruivo. Tenho algo pra você. — Allison simplesmente arrastou ele pelo braço, mas antes de sair... — Foi um prazer te conhecer, Jessica. E não deixe o Phelipe te irritar.

— Ela é incrível, não é? — eu sorri.

— Sim, é mesmo. Deve ser muito bom ter essa confiança.

— Ela sabe que eu a amo. — aí está a palavrinha que me assombra. Devo ter feito uma careta horrível. — O que aconteceu?

— Precisamos conversar.

— Pode mandar.

E eu contei tudo. Falei sobre meu encontro com a Julie, minha conversa com o Josh e as minhas indagações sobre o amor. Eu esperava que ele me ajudasse a desvendar meus sentimentos, ou pelo menos aquilo que mais se passava na minha mente.

— Uau, Jessica. — falou e me abraçou. Pelo incrível que pareça, era exatamente isso que eu estava precisando no momento.

— Eu simplesmente não sei o que fazer.

— Odeio ter que falar isso, mas o Josh tem razão. Você é uma gata, Jessica. Tudo mundo vê isso menos você.

— Mas ela parece ser tão perfeita...

— E daí? As pessoas perfeitas não estão com nada. Elas são sempre previsíveis, são sempre controladas. Nada divertido, elas enjoam fácil. E ainda tem o fato de que o Will é apaixonado por você. — suspirei.

— Pois é, aí é que está. Será que o Will me ama?

— Por que toda essa pressa para o amor? — arregalei os olhos.

— Pra quê eu vou ficar em um relacionamento que não existe amor? — Phelipe sorriu.

— Jessie, o amor é um processo. Você acha que eu amei a Allison desde a primeira vez? Claro que não. A nossa história é complicada, engraçada e foi evoluindo ao longo do tempo.

— E como você descobriu que a amava? — ele deu um sorriso meio sem graça.

— Bom, eu estava dentro do almoxarifado com uma garota chamada Meredith. — levantei uma sobrancelha.

— Que tipo de epifania foi essa? — ele deu de ombros.

— Eu não beijei a garota. Na verdade, eu nem encostei nela. Só que a Allison viu a gente entrando, enfim quase perdi a minha garota. A questão é que quando você ama alguém você sabe.

— Sabe? — ele deve ter percebido a minha cara de desespero porque me abraçou.

— Vem cá, vamos sentar. — Phelipe meio que me arrastou até um banco.

— O que eu faço?

— Jessica, presta atenção. Quando você ama alguém, você não imagina sua vida com outra pessoa. Sabe que nada no mundo importa mais do que estar ao lado dela, vê-la feliz e ter a certeza de que você é o motivo daquela felicidade.

Fiquei encarando o nada por um tempo. Não sabia exatamente o que pensar, preferia não saber disso. Ele estava certo e isso me deixou mais confusa. O Will era o único na minha vida, mas pra sempre?

— Phelipe... hum... quando você ama, você sente desejo por outras pessoas? — ele pareceu pensar.

— Desejo? Bom, desejo é química, é corpo. Isso sempre vai existir, mas você não vai além disso. Não porque tem um compromisso, mas porque sabe que não vale a pena perder a pessoa por um momento de pura química. — eu parei de respirar.

— Ah meu Deus... — falei e me curvei de olhos fechados.

— O que foi? Você teve uma epifania, não é? — eu queria responder, mas só conseguia pensar: não, não, não, não. Isso não. — Jessica, o que aconteceu?

— Não sei, eu não... eu não...

— Você está se sentindo atraída por outra pessoa? — mal percebi quando concordei. — Jessie, quem é?

— Não posso... eu não... não consigo... — levantei, mas Phelipe segurou meu braço.

— Jessica... hum... é o Josh? — prendi a respiração.

— Eu. Não. Posso. — falei e Phelipe me abraçou.

— Presta atenção. — eu não queria ouvir, mas ele me segurava com força. — Escuta o que eu vou te dizer. O Josh está te dando atenção quando o Will não está, ele está suprindo essa falta que você está tendo por atenção. Ele te elogia, te protege e cuida de você enquanto o Will está aqui com a Julie.

— Não quero ouvir... — minha voz estava engasgada.

— Escuta que eu não terminei. Só que mesmo o Josh sendo tudo isso, o Will é apaixonado por você e eu sei que você é por ele. Se você quiser seguir meu conselho, se afasta do Josh. Não estou falando pra você ignorá-lo, mas para de procurá-lo para reclamar do Will, isso não ajuda.

— O que eu vou fazer?

— Você vai fazer o que acha certo. — respirei fundo.

— Tudo bem, tem razão. Eu vou dar um jeito nisso. — falei me afastando com um sorriso.

— Aonde você vai? — dei uma piscadela.

— Victoria Secret's

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— Eu estou um pouco curiosa. — falou Chloe.

— Em relação a...

Eu praticamente arrastei Chloe para a loja. Estava na hora de fazer alguma coisa legal para o Will e como eu nunca tinha comprado uma lingerie bonita, achei que já estava na hora de agradá-lo.

— O que você pensa em fazer. — olhei pra ela com incredulidade.

— Achei que nessa altura da vida você já soubesse como isso funciona. — Chloe revirou os olhos.

— Querida, eu sei como funciona. A questão é por que agora?

— Porque eu preciso ter a certeza de que ele ainda me quer.

— Bom, você que sabe... Vamos atrás de uma lingerie maravilhosa.

Eu e Chloe dispensamos a vendedora e nos concentramos em procurar algo bonito, sexy, mas que seja a minha cara. Andamos por toda a loja e nada me agradou muito até que eu achei.

— Chloe... — apontei para a última lingerie da arara.

— Hum... bonita. — revirei os olhos.

— Bonita?

— Ah, Jessie, eu buscaria algo mais sexy.

— Essa é sexy o suficiente pra mim.

— Tudo bem. Quer experimentar? — dei de ombros e fui para o provador.

Eu nunca me senti tão bonita quanto naquela lingerie. Ela era preta e o busto era cavado o suficiente para ser sexy, mas não vulgar. A calcinha era bem pequenina, mas nada que me incomodasse muito. Perfeita.

— Chloe, é essa!

— Ótimo. Acho que alguém vai ter uma boa noite.

— Espero que sim.

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Assim que cheguei em casa com a sacola, vi um bilhete da minha mãe dizendo que ela e Richard iam passar a noite fora por causa de um congresso. Mal consegui controlar o sorriso, tudo estava caminhando como deveria. Antes de subir, liguei para o Will:

— Alô?

— Oi, meu amor.

— Oi, Jessie. Aconteceu alguma coisa?

— Não, claro que não. Eu só queria saber se você já está vindo pra casa?

— Estou quase. Por quê? — sorri.

— Bom, nossos pais saíram e eu pensei que a gente poderia... — eu o ouvi rir.

— Chego aí em 10 minutos...

Subi correndo as escadas e fui direto tomar um banho perfumado de banheira. Eu não conseguia controlar a minha ansiedade e animação, eu queria que tudo fosse o mais perfeito possível. Estava fazendo isso por ele, mas por mim também. Queria me sentir bonita e desejada.

Coloquei a lingerie, peguei uma das suas camisas brancas de botão e sentei em sua cama para esperar. Cada segundo parecia uma eternidade e eu já não sabia mais o que fazer para controlar a animação.

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Abri os olhos devagar, primeiro estranhei o quarto e a parede de vidro. Eu tinha cochilado, me irritei profundamente e me xinguei por ter sido tão idiota, só que aí olhei o relógio: 22:55.

Eu tinha dormido por horas e o Will ainda não tinha chegado, tentei ligar pro seu celular mas só dava caixa postal. Comecei a pensar em milhões de possibilidades horríveis entre sequestro, assalto e até assassinato.

Assim que peguei o celular pra ligar pra polícia, recebi uma mensagem de um número desconhecido. Antes de abrir, pedi a Deus que fosse uma boa notícia:

"Jessie, é o Will. Eu não consegui chegar cedo. Estou na casa da Julie resolvendo uma coisa. Não se preocupe. Beijos!"

Fiquei um tempo sem reação diante daquilo, só podia ser um mal entendido. Ele não me daria um bolo por causa da Julie e foi então que eu chorei. Eu não queria acreditar que tinha preparado e imaginado uma noite maravilhosa para ele sequer reparar, sequer ligar.

Em meios as lágrimas, decide que não podia dormir lá. Não queria ter que vê-lo quando chegasse senão provavelmente faria uma besteira. Meu primeiro impulso foi ligar para o Josh e pedir pra ficar por lá, mas resolvi seguir o conselho do Phelipe e me afastar. Então liguei para a Trina, mas seu celular caía direto na caixa postal. Sentei no chão de frustração, eu queria a Charlie, queria minha mãe e pior de tudo queria o Will.

Por fim, resolvi ligar para o Phelipe e lhe implorar um lugarzinho no sofá. Eu só queria um amigo agora, alguém que pudesse me abraçar e chorar comigo.

— Alô? — não reconheci a voz logo de cara.

— Phelipe?

— Jessica?

— Sou eu.

— Jessica, é a Allison. Está tudo bem? — desanimei na hora.

— Sim, é... acho que sim.

— Claro que não está bem. Você estava chorando?

— Não foi nada, é só que...

— Tem a ver com o Will? — quando Allison mencionou o nome dele prendi a respiração e ela pareceu perceber. — Ah meu Deus, Jessie, quer dormir aqui essa noite?

— Eu não quero incomodar vocês...

— Não vai incomodar. O Phelipe sabe chegar aí?

— Não sei...

— Manda a localização pro celular dele. Chegamos aí em 10 minutos.

Assim que ela desligou, voltei a chorar. Isso não podia estar acontecendo. Por que o Will simplesmente não tinha voltado? Por que ele não tinha me ligado? Por que ele tinha ficado com ela?

Respirei fundo e deixei as lágrimas saírem, peguei uma pequena bolsa e coloquei algumas mudas de roupa, escova de dentes e algumas coisas importantes para passar um tempo em algum lugar. Um tempo! Isso me assustava mais do que eu gostava de admitir.

Realmente em 10 minutos, tocaram a campainha e eu percebi que ainda estava de lingerie e camisa branca. Não tive coragem de trocar de roupa, coloquei apenas uma calça e saí carregando a bolsa.

Allison estava me esperando do lado de fora do carro e me deu um abraço apertado assim que me viu. Eu não queria chorar na frente deles, mas simplesmente não consegui evitar.

— Vem querida, vamos pro carro. Depois você me conta tudo, okay? — eu apenas assenti.

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Eu passei o caminho em silêncio e de cabeça baixa, mas quase podia perceber a troca de olhares de Phelipe e Allison na frente. Eu sabia que eles estavam preocupados e até um pouco curiosos, mas eu não sabia o que dizer.

O apartamento deles era confortável, não tão grande quanto o de... Will. Mas parecia um lugar que eu chamaria de lar, de algum jeito passava segurança.

— Jack e Abigail dividem o apartamento com a gente, mas eles saíram e vai saber quando voltam. — falou Phelipe com um meio sorriso.

— Vou colocar a sua bolsa no antigo quarto da Isabelle. Fica a vontade. — falou Allison apontando a sala. Sentei no sofá menor e esperei.

— Agora, você quer nos contar o que aconteceu? — perguntou Phelipe. Eu me mexi desconfortável.

— Posso contar só pra Allison primeiro? — ele pareceu ofendido.

— Por quê?

— Porque é um tanto vergonhoso e eu prefiro contar pra ela. Mas tenho certeza que ela vai te contar depois.

— Acho bom mesmo. — Phelipe saiu meio a contra gosto e Allison veio sentar do meu lado.

— Agora me conta, Jessica.

— Phelipe te contou das minhas pequenas desavenças com o Will?

— Contou sim, acho que contou tudo. Pra falar a verdade, me contou até da sua última conversa sobre você gostar de outro garoto. — gelei. — Mas ele não me falou qual.

— Ah... Pois é...

— Mas achei que você tivesse saído animada. Ido para a Victoria Secret's. — fechei os olhos pra evitar chorar.

— Então sobre isso... — então eu contei. Contei tudo. Falei sobre o que eu estava sentindo e como o que ele fez tinha me afetado e no final, ela apenas me abraçou.

— Ah Jessica... Eu sinto muito.

— Eu também sinto.

— Mas bem, ele não fez por mal sabe? Ele não sabia que você estava esperando...

— Sabia sim, eu liguei pra ele. E ele me disse que chegariam em 10 minutos. Se passaram horas, Allison, horas. Ele não me ligou, não me mandou mensagem. Eu só não me desesperei porque peguei no sono.

— Ele mandou mal, eu sei... — fechei os olhos e respirei fundo.

— Eu só quero dormir e esquecer isso, tudo bem? — ela assentiu e me levou para o quarto que eu ia dormir.

— Jessie, se você ainda quiser conversar amanhã ou se quiser um lugar pra ficar por um tempo... é... só dizer. — Allison estava sendo mais do que essencial, mais do que especial.

— Obrigada. — ela saiu do quarto e fechou a porta. Me joguei em cima dos travesseiros e deixei algumas lágrimas caírem sem soluçar. Eu só queria esquecer isso de uma vez.