O Garoto, os Amigos, a Faculdade
6 Capítulo 6
Notas iniciais
Acho que eu estou em dívida com vocês, mas eu realmente não consigo escrever sempre. Essa faculdade acaba comigo, mas aqui estou...
Capítulo 6
— A gente se vê amanhã? — perguntou Phelipe.— Vamos ver. Se o Will não me trancar em casa... — ele sorriu.— Não se preocupe com isso, qualquer coisa você liga pra polícia.— Claro, tem razão.— Ótimo, se cuida. Deixa eu ir atrás da minha loirinha.— Vai lá. — ele me deu um beijo na bochecha e saiu com um sorriso.— Vocês estão bem amigos, né? — Josh estava sorrindo.— Ah por favor, você não. Sem piadinhas.— Estou só brincando. Mas acho que meu querido amigo William não está muito feliz. — dei de ombros.— Se ele pode ter a Julie, então eu posso ter o Phelipe. — Josh passou alguns segundos me encarando depois sorriu.— Isso é vingança?— Não exatamente. Phelipe é um cara lindo, legal e serviu perfeitamente ao seu propósito. — Josh me abraçou, mas me surpreendeu quando sussurrou no meu ouvido.— Will é um cara legal e confia em você, só não estraga tudo. — ele se afastou como se não tivesse dito nada.— Então, vamos? — perguntou Will.— Vamos. — dei um abraço em Chelsea, Trina e Derek antes de segui-lo. Passamos uns 15 minutos em um silêncio desconfortável, até que eu simplesmente não aguentei mais e me virei para encará-lo. Seu rosto estava sério e ele parecia se concentrar ao máximo no caminho.— Will? — chamei baixinho.— Hum...— Podemos ir ao Central Park?— Fazer o quê?— Conversar. Eu gosto de andar por lá a noite, me ajuda a relaxar. — ele ficou um tempo em silêncio.— Tudo bem, só vamos deixar o carro em casa. E voltamos a ficar em silêncio, eu só queria chegar em casa logo para resolver isso de vez. Will estava muito quieto e seus olhos estavam escuros, infelizmente não era pelo mesmo motivo da última vez.>>o— Então, Jessica, agora pode me dizer o que está acontecendo? — respirei fundo e encarei as luzes de Nova York refletida nas árvores.— Na verdade é uma mistura de várias coisas. Primeiro: Eu estava, talvez eu ainda esteja, com ciúmes da tal Julie que eu nem conheço, o que eu sei que é irracional. Eu sei disso. Segundo: Acho que eu esperava passar mais tempo com você, o que idiota é já que estamos na faculdade. Mas poxa, tente me entender a gente passou semanas juntos, se vendo todo dia ou mandando mensagens e agora, eu mal te vejo. — dei uma pausa pra respirar. — Acho que resumindo é isso.— Nossa. — falou Will e eu dei de ombros.— A última vez que eu não fui sincera com você, você quase terminou comigo. Então achei melhor abrir o jogo logo.— Obrigado, de verdade. Porque eu ainda não sei ler mentes, o que significa que se você não me contar o que está pensando eu não posso te ajudar.— Bom, eu falei tudo.— Sobre a Julie, tem razão não precisa se preocupar. Só pra você saber, sim ela é muito bonita, mas eu sou apaixonado por você. A respeito da faculdade, nós começamos agora. Vamos esperar as coisas se normalizarem, depois a gente vê o horário direito. Afinal, ainda moro na mesma casa que você. Agora não gosto da sua amizade com o tal Phelipe.— Você não quer que eu confie em você sobre a tal Julie? Vai ter que confiar em mim sobre o Phelipe.— Mas eu vi como esse cara olha pra você. — cruzei os braços.— Então já está na minha frente, porque eu não sei nem como são os olhos da tal Julie. — ele respirou fundo.— Quer que eu apresente vocês?— Isso seria um bom começo...— Por que você não disse?— Porque eu achei que fosse óbvio. — agora eu estava irritada.— Me desculpe, então. Eu apresento vocês duas.— Obrigada. Você é um namorado incrível, só dá alguns vacilos de vez em quando.— Eu sei, eu sei. Agora a minha namorada incrível pode me dar um beijo? — Só se for um bem dado. Will colocou as mãos em volta da minha cintura e me puxou, seu rosto estava quase colado ao meu, mas antes de nos beijarmos ficamos um tempinho olhando dentro dos olhos um do outro. Seus olhos estavam meio cinzentos e sua respiração estava um tanto controlada, ele era lindo. Quando seus lábios encostaram nos meus, senti cada partezinha do meu corpo esquentando. Eu podia sentir suas mãos na minhas costas subindo e descendo e eu sabia que toda essa cautela era porque estávamos em um local público.— Quer voltar pra casa? — falou Will.— Claro.— Infelizmente nossos pais estão em casa.— Isso é uma pena.— Sim, concordo. Mas podemos ficar nos beijando até pegar no sono. — eu sorri.— Isso sim é uma boa ideia. A volta pra casa foi muito mais interessante, andamos de mãos de dadas e lançamos olhares meio sem jeito um para o outro. Tudo tinha voltado ao normal, como tinha que ser.— Onde vocês foram? — perguntou minha mãe assim que fechamos a porta.— Central Park. — falei.— Fazer o quê? — respirei fundo.— Debater sobre o nosso namoro. — ela ficou um tanto sem jeito.— Vocês brigaram?— Sim. — continuei andando como se ela não estivesse falando comigo.— Jessica, quer conversar? — ela grita. Will apenas sorriu ao meu lado.
— Não, só quero subir e beijar meu namorado. — esperei pela resposta, mas ela não veio, então eu segui adiante.>>o Meu dia na faculdade estava relativamente normal, embora eu e Will não tenhamos trocado nem mensagens. Chegamos juntos, trocamos sorrisos e beijos, mas só. Por outro lado, as aulas ocuparam todo o meu tempo. Acabei contando tudo o que tinha acontecido na noite anterior para Chris e Chloe que tiveram reaçõe um tanto diferente.— Concordo totalmente com você, Jessie. Por que que direito tem o Will de passar o dia todo com uma garota desconhecida? Sem nem um oi, ou um como você tá? — falou Chloe e eu a abracei.— Ah finalmente alguém que me entende.— Vocês são loucas. O cara tem direito de ter amigas, você não tem amigos? Imagina se você tivesse que pedir a permissão dele para ter amigos? — Chris fazia uma careta. Eu e Chloe ficamos encarando nosso amigo por um tempo.— Você está defendendo o Will? — ele deu de ombros.— Somos garotos, viemos com um código de proteger um ao outro. Faz parte, você deve ter ouvido a frase "os mano antes das mina".— Isso é ridículo, vocês nem se conhecem. — falei.— Nem é necessário conhecer.— De qualquer maneira estamos bem, já resolvemos os nossos problemas.— E esse Phelipe? Ele é só seu amigo mesmo? — falou Chloe.— Claro que sim, eu tenho namorado, caso você esqueceu. Ele pode ser muito lindo, mesmo, mas eu não faria isso com o Will. E o Phelipe também tem namorada, a Allison.— Ah claro... — falou Chris.— O que foi?— Isso é a maior prova de que você tem que relaxar. Você mesmo disse que nunca "faria isso" porque tinha namorado. Ou seja, o Will nunca "faria isso" porque tem namorada. É lógico. Se você não confiasse nele, não namorava. — fiz uma careta, infelizmente ele estava certo.— Tudo bem, eu prometi pra mim mesma que vou pegar mais leve com ele.— Isso já é um começo. — antes que eu respondesse, meu celular tocou.— Alô?— Jessie, onde você está? — Will parecia um tanto tenso.— Estou em frente ao meu prédio do lado norte. Sabe onde é?— Sim, eu sei. Estou indo aí.— Tudo bem, aconteceu alguma coisa?— Não exatamente. Julie está indo comigo. — engoli em seco.— Hum...— Lembre-se que foi você que pediu.— Sim, eu sei.— Chego aí em alguns minutos. — e desligou. Fiquei alguns segundos olhando pro telefone, tentando entender essa ligação bizarra. Eu finalmente ia conhecer essa tal Julie Sloane, mas ainda estava meio receosa.— O que aconteceu? Você está fazendo uma careta. — perguntou Chloe.— Will está vindo pra cá com a Julie.— Ih, estou fora desse clima. — falou Chris.— Ei, você vai embora? — perguntei.— Com certeza. Chloe fica de vigia caso Jessica queira cometer alguma loucura, vejo vocês depois. — e simplesmente saiu.— Qual o problema dele? — perguntei.— Se eu tivesse escolha, também ia preferir não ficar aqui.— Mas você não tem. — antes que ela pudesse sequer responder, eu os vi. Will andava de um jeito confortável e parecia arrancar risos de uma garota linda ao lado dele. Sim, infelizmente, Julie Sloane era linda. Seu cabelo preto era comprido e liso, seus olhos pareciam brilhar em um verde escuro, quase musgo, seu corpo era perfeitamente torneado. Resumindo: ela era o modelo de perfeição.— Putz, Jessica, que droga. — Chloe olhava a mesma coisa que eu e parecia triste por mim.— Ela não pode ser tão perfeita assim... Pode? — meu tom de voz era quase desesperado.— Aparentemente pode. Quando eles chegarem mais perto percebi que Will tinha ficado tenso, e pra ser sincera, eu também. Não sabia exatamente o que esperar desse encontro e Chloe pareceu perceber porque apertou meu ombro em apoio.— Hey. — falou Will e eu sorri.— E aí? — parecíamos mais vizinhos do que namorados.— Jessica, essa é a Julie. Julie, essa é minha namorada, Jessica. — ela apertou a minha mão com um enorme sorriso.— Prazer em finalmente conhecê-la. O Will fala muito de você, até demais. — ela riu, mas eu senti uma pontada de veneno no final da frase. Mas provavelmente era coisa da minha cabeça, então apenas retribuí o sorriso.— Eu sei que ele pode falar muito ás vezes, mas depois você acostuma. — ela sorriu e Will pareceu relaxar.— Ah, essa é a Chloe. Ela é da minha turma de Literatura. — falei e elas apertaram as mãos.— Então, soube que vocês estão muito ocupados com... sei lá o quê. — falou Chloe.— Ah, sim, nós estamos presos em um projeto para mudar o curso da economia atual nos países em desenvolvimento. — falou Julie.— Hum... interessante. — falei e Will riu.— Sei que pra você não é, mas acredite em mim. Vale a pena.— Com certeza, nós estamos nos empenhando muito pra isso. Sei que você vai incentivar o William, mesmo não entendendo o projeto. — Para qualquer outra pessoa parecia ser um comentário amigável, mas pra mim era quase uma ameaça. O nome William fica tão mais bonito na boca dela. Espantei esse pensamento horrível da minha mente.— Eu sempre o apoio. Você vai sair que horas hoje? — perguntei e Will virou pra Julie.— Que horas saímos hoje? — meu coração quase saiu pela boca. Esse "nós" implícito estava acabando comigo.— Acho que 18 horas, por aí. Talvez mais tarde. — falou ela e ele tentou soltar um sorriso sem jeito.— Desculpa por isso, Jessie. Sei que você queria que eu passasse mais tempo com você. — Julie abriu um sorriso meio debochado, eu não ia sair como a namorada controladora.— Nada, que isso. A gente se vê em casa.— Tudo bem pra você? — Claro que não! Sai de perto dessa...— Com certeza. — ele respirou de alívio.— Bom, vamos andando. Temos uma aula importantíssima agora. — falou Julie e eu me virei para dar O beijo no meu namorado. No início, Will não correspondeu, mas depois quase entendeu e aprofundou o beijo. Demos aquele tipo de beijo que deixam as pessoas constrangidas, e queria deixar bem claro que aquele garoto era meu.— Até mais tarde. — falei e ele sorriu.— Até. Eu e Chloe ficamos observando os dois irem embora, depois de um tempo eu virei pra minha amiga e soltei um gritinho de frustração.— Ela é uma... uma... — Vaca? — sugeriu Chloe.— Não chega nem perto do que eu estava pensando.— Tenho certeza que não.— Ela parece tão perfeita. E que história foi aquela de "Sei que você vai incentivar o William, mesmo não entendendo o projeto"? Quem ela pensa que é pra me ameaçar desse jeito e pior eu saí como a burra que não entende um simples projeto e... ah! — finalmente eu parei pra respirar e joguei os braços pra cima em sinal de rendição. Chloe me abraçou.— Ei, Jessica, fica calma. Ela é só uma garota. Linda, é verdade, mas ainda sim o Will quer você. É você que vai pra casa com ele e pode fazer o que quiser. É apenas você que o tem, simples assim. — suspirei.— Não tem nada de simples nisso.— Não fique tão insegura. — não respondi, mas insegurança era a palavra do momento.>>o Não importava quanto meus amigos falassem, nem quanto os professores falassem, nem quanto texto eu tinha pra ler, eu só conseguia pensar em uma coisa: Julie Sloane.— Jessica, você não pode deixar isso te consumir, pelo amor de Deus. Ela é só uma garota. — falou Chloe, pela milionésima vez.— Uma gostosa, você quer dizer. — falou Chris e eu gemi de frustração.— Para de atrapalhar! — surtou Chloe.— Eu não estou atrapalhando, eu só não entendo porque ela está surtando. Não é como se o Will tivesse traindo ela... — eu fiz uma careta.— Você não sabe de nada, vai acabar deixando a Jessie pior. — Chloe parecia realmente irritada com ele.— Gente, eu vou dar uma volta. — falei e comecei a caminhar para nenhum lugar específico. Tentei ligar para Charlotte, mas o celular caía na caixa postal. Parte de mim sabia que eu estava fazendo drama, que o Will era apaixonado por mim. Poxa, ele tinha me aturando durante todo o meu problema com o Nathan e continuou lá firme, não tinha maior prova de que ele me... amava? O Will me amava? Será que o que ele sentia por mim era amor? Sentei na grama e encostei em uma árvore qualquer. Minha mente era um turbilhão. E eu? Será que eu o amava? Eu era apaixonada por ele, mas amor? Amor era pra sempre. Eu tinha tanta certeza disso. Minha mãe ainda amava o meu pai e o Richard ainda amava a Elizabeth, porque assim que funcionava o amor. Então era isso que eu sentia pelo Will?— Ei, o que você está fazendo aí? — levantei a cabeça e vi o Josh em toda a sua beleza parado na minha frente.
— Oi...— Por que você está chorando? — coloquei a mão na bochecha e percebi que ele tinha razão. As lágrimas caíram e eu não tinha visto.— Várias coisas.— Que conversar? — dei de ombros. Ele sentou ao meu lado e pegou a minha mão. — Então, o que aconteceu?— Eu conheci a Julie Sloane. — Josh não zombou como achei que faria, apenas apertou a minha mão.— E aí?— E aí que ele é uma gata. Ela tem um cabelo maravilhoso, um rosto maravilhoso, um corpo maravilhoso e entende o que o Will quer dizer com todos aqueles projetos de Economia e é inteligente... — fechei os olhos e respirei fundo. — Eles ficam lindos juntos.— Pode parar por aí... — eu virei para encará-lo e seus olhos estavam com aquele brilho diferente.— Ela é perfeita, Josh.— Provavelmente seja mesmo. — eu puxei a mão que ele segurava.— Achei que você fosse me animar.— E eu vou, só não posso mentir pra você.— E quando começa a parte de me animar? — ele sorriu.— Provavelmente ela seja perfeita, mas o Will quer você.— Isso é rídiculo...— Não, você que é ridícula. — arregalei os olhos. — Isso mesmo que eu disse. Você, Jessica Lowe, é uma gata. Linda mesmo. E o Will é apaixonado por você. Ele se apaixonou por você desde o momento em que vocês invadiram nosso antiga escola.— Como você...— Ele é o meu melhor amigo, lembra? De qualquer maneira, ele aguentou toda aquela história de você ser apaixonada pelo seu vizinho e esperou. Ele queria arrancar sua roupa e te empurrar pra cama dele desde que vocês se conheceram e mesmo assim esperou até você dizer que podia porque ele é apaixonado por você. O seu problema é que você é a única pessoa que te conhece e não gosta de você. — eu simplesmente fiquei quieta. Assimilei cada palavra que ele disse e esperei.— Acho que você tem razão... — ele sorriu.— Claro que eu tenho. Agora, Jessica, você só precisa aprender a gostar de você.— Talvez isso demore.— Mas é necessário. — respirei fundo.— Tem outra coisa também...— O que foi?— Você acha que o Will me ama? — ele pareceu surpreso.— Você não ouviu nada do que eu disse?— Eu ouvi e realmente acredito que ele é apaixonado por mim. Eu perguntei se ele me ama. Se o que ele sente por mim é amor. — Josh pareceu pensar, ficou um tempo em silêncio me encarando.— Sinceramente? Eu acho que sim, mas isso só ele pode responder.— Imaginei que sim.— Por que você não pergunta pra ele? — eu ri.— Claro que não, esse tipo de coisa não se fala assim.— Então você vai ter que esperar até que ele diga. Mas será que eu queria que ele dissesse? E se ele dissesse, eu diria de volta? Eu o amo?
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