Notas iniciais
Sejam gentis, certo?

Capítulo 5

— Você pode pelo menos me dizer por que está tão irritada? — perguntei, mas Trina continuou andando para algum lugar.

Não paramos de andar até ela chegar em uma árvore onde estavam algumas pessoas sentadas. Reconheci a bolsa de Trina, seu celular e algumas outras coisas espalhadas em cima de uma toalha.

— Olá. — falei meio sem jeito para as pessoas que estavam ali.

— Olá. — eles responderam constrangidos.

— Pessoal, eu vou dar uma saída com uma amiga. Vejo vocês depois. — comunicou Trina pegando suas coisas e me arrastando logo em seguida.

— Ei, já chega. — falei puxando meu braço.

— O que foi?

— Eu que pergunto: O que foi? — ela respirou fundo e parou.

— Passei o tempo todo pensando no que você me disse ontem.

— O que eu disse?

— Sobre eu... é... sobre eu e...

— Sobre você gostar do Chris?

— A questão é que eu achei que você merecia saber a história por mim. — sorri.

— Trina, você parece confusa. — ela revirou os olhos.

— Confusão é a palavra da minha vida. Vem, vamos sentar.

Sentamos em um banco de jardim, com os prédios de Nova York formando uma vista urbana demais pra mim. Senti falta da grama, na hora, parecia mais tranquilo.

— Jessica, o que você sabe? Digo, o que o Chris te contou?

— Que vocês se conhecessem por causa de seus pais e que quando você veio para Nova York o chamou, mas ele não aceitou.

— Só isso?

— Ele falou mais algumas coisas, mas em resumo foi isso. — Trina olhou pra frente e não disse nada por um tempo.

— Quando nós éramos crianças sempre brincávamos juntos porque pensavamos parecido. Nunca gostamos de ser o centro das atenções, ao contrário das outras crianças. Estudamos juntos e enfrentamos basicamente quase todas as fases da vida. Na adolescência, eu já sonhava em sair de casa e viver a minha vida, mas Chris era covarde. Ele não aguentava o pai e os planos que a família tinha pra ele, mas mesmo assim ele não pensava na possibildidade de ir embora. — mais uma vez ela ficou um tempo em silêncio sem ter o que dizer, quando falou sua voz estava baixa perdida em pensamentos. — No meu aniversário de dezesseis anos eu pedi um carro e um apartamento em Nova York.

— E os seus pais te deram? — perguntei e ela sorriu.

— Claro que deram, eles mal ouviam o que eu dizia. Então eu contei para o Chris que ia embora pra Nova York e chamei ele pra vir junto. Primeiro ele riu, mostrou vários problemas que eu teria por morar sozinha em uma cidade desconhecida, mas mesmo assim não me respondeu o que me deu esperança. Naquela noite, nós perdemos a virgindade juntos. Foi uma noite que eu jamais vou esquecer por mais que eu tente, eu não consigo, foi especial entende? Foi tudo o que eu tinha imaginado e planejado. Mas quando amanheceu, ele me disse que não vinha embora comigo porque não tinha coragem. Imagina a minha decepção quando eu descobri que depois de tudo o que a gente tinha passado junto, ele não ia embora comigo.

— Vocês... — ela me encarou e seu olhar estava perdido.

— Não me interrompe, por favor, se não eu não consigo terminar de falar. Ele me disse que não tinha coragem de abandonar tudo, abdicar de todas as coisas que o pai planejou pra ele, inclusive a herança. Isso ele não poderia aguentar. Eu chorei tanto que ele não soube o que dizer. No dia seguinte, eu peguei o carro, enchi a mala de coisas, peguei a chave do apartamento, o meu cartão de crédito e deixei um bilhete para os meus pais dizendo que ia pra Nova York. Três dias depois eles apareceram no apartamento. Me imploraram pra voltar pra casa, mas eu estava decidida, então eles me deixariam em paz se eu aceitasse o dinheiro que eles depositassem na minha conta todo mês e me matriculasse em alguma escola, e foi o que eu fiz. Desde aquela noite que eu não via o Chris, então imagine a minha surpresa quando eu o vi com você estudando Literatura Inglesa.

— Uau. — falei depois de tudo, Trina sorriu.

— Pois é, uau.

— Trina, eu acho que ele gosta de você. — seu sorriso endureceu na hora.

— Eu pensei isso uma vez e quando eu pedi pra ele vir comigo, ele disse não. E pior, ele transou comigo sabendo que não ia aceitar ir pra Nova York comigo.

— Trina, eu sei que ele vacilou com você, mas as pessoas mudam. — ela revirou os olhos.

— Você acredita mesmo nisso, né?

— Sim, acredito.

— Jessie, nem todo mundo muda, entendeu? Algumas pessoas trocam uma opção por outra, mas mudar? Completamente? Isso nem sempre acontece.

— Por que você não dá um voto de confiança? — ela olhou dentro dos meus olhos.

— Você deu um voto de confiança para o Nathan? — arregalei os olhos com a surpresa, por essa eu não esperava.

— Foi diferente...

— Ah, foi? Em que sentido? O Nathan não disse que estava apaixonado por você? Não disse que talvez, as coisas fossem diferentes? Então, por que não deu a ele um voto de confiança?

— Eu tinha meus motivos.

— E eu tenho os meus. — depois dessa verdade que ela jogou na minha cara, não tinha muito o que eu pudesse fazer.

— Tudo bem, então. — ela suspirou.

— Bom, agora que nos entendemos vou pra aula.

— Eu também. E Trina, qualquer coisa é só chamar. — ela assentiu e foi embora.

>>o

— Aonde nós vamos? — perguntei.

— Vamos comemorar o primeiro dia na faculdade. — falou Chelsea.

Todo mundo já tinha assistido sua última aula e estava pronto para curtir e comemorar (menos o Will). Eu e Chelsea combinamos com Derek, Trina e Josh que sairíamos para comer alguma coisa.

— O que você quer fazer? — perguntou Derek.

— Ainda não sei. Quero esperar o Josh chegar pra decidir. — respondeu a ruivinha.

— Espero que ele venha logo. — falou Trina no seu tom habitual.

— Também espero que sim. — falei.

— Ele mandou uma mensagem avisando que está vindo e está trazendo um amigo. — falou Derek.

— Achei que fosse uma coisa nossa. — falou Chelsea.

— Ele deve ter algum motivo. — comentei.

Alguns segundos depois começamos a avistar Josh vindo com alguém, ou melhor, um garoto muito estiloso com ar de importante. Assim que ele chegou perto o suficiente para vermos seu rosto, eu e as meninas trocamos olhares rápidos. O tal amigo de Josh era lindo, tipo lindo mesmo. O tipo de lindo perigoso. Seu cabelo era muito preto e seus olhos eram muito claros (tão claros que dava pra ver seu reflexo neles), sorriso lindo de tirar o fôlego, rosto sem imperfeições e eu podia apostar que seu corpo era perfeitamente malhado.

— Uau. — ouvi Trina suspirar.

— Sério, gente? Na minha frente? — falou Derek.

— Amor se você me der licença... Uau. — falou Chelsea.

— Ele é real? — comentei meio sem jeito.

— Vocês só podem estar de brincadeira. — falou Derek irritado.

— E aí, gente? — falou Josh que nem parecia mais tão bonito assim.

— Olá. — respondeu Derek.

— 'Tá tudo bem? — perguntou meu querido amigo ruivo.

— Ótimo. Seu amigo, quem é? — Derek ainda parecia um tanto estranho.

— Ah, gente, esse é o Phelipe. Ele é da minha turma de Ciências Políticas e nós precisávamos discutir algumas coisas pra amanhã, como estou morrendo de fome resolvemos sair com vocês. Tudo bem?

— Com certeza. — falou Trina nada discreta e Josh percebeu porque lançou "aquele" sorriso.

— Phelipe, essa ruivinha é minha irmã gêmea Chelsea e esse cara aqui é o Derek, o namorado dela.

— Prazer. — o tal Phelipe tinha uma voz que mesmo sem querer fez a minha pele se arrepiar.

— O prazer é meu. — falou Chelsea fazendo Derek revirar os olhos.

— Essa loirinha aqui é a Trina e a morena é a Jessica. — ele apertou a nossa mão com um sorriso enorme.

— Prazer. — assenti apenas.

— Cadê o Will? — perguntou Josh, na hora meu rosto endureceu.

— Ele não vem.

— Julie? — perguntou Josh.

— Infelizmente sim.

— Quem é Julie? — perguntou Chelsea.

— A mais nova amiguinha do William. — falei reunindo todo o meu veneno.

— Nossa, W-I-L-L-I-A-M. Acho que você está irritada mesmo. — falou Trina.

— Você não sabe o quanto.

— Esse William é seu namorado? — perguntou Phelipe.

— Sim.

— E o meu melhor amigo. — falou Josh.

— E ele não veio por causa da amiga? — perguntou Phelipe de novo.

— Exato.

— Acho que você tem um problema. — tentei (em vão) encarar seus olhos azuis.

— Você não sabe o quanto.

— Então, queridos, vamos? — perguntou Chelsea.

— Vamos. Mas quem está de carro?

— Eu vim com o Will. — falei.

— E eu vim com você Josh. — falou Chelsea.

— E eu vim com o Derek. — falou Trina.

— Então vai Jessica e Phelipe comigo e Chelsea e Trina com Derek. — falou Josh.

— Tudo bem. — falei, mas Trina pareceu murchar.

Phelipe tinha um jeito todo peculiar de andar como se tivesse plena certeza de que fosse muito gato. Garotos assim sempre são um problema. Tive que me lembrar que já tinha namorado.

— Então, Phelipe, você é daqui? — perguntei assim que entramos no carro.

— Mais ou menos. Eu fiz o meu último ano do ensino médio aqui, mas sou do Rio. — arregalei os olhos.

— Que Rio? — ele riu. Só pra constar: sua risada era nada menos que incrível.

— Rio de Janeiro, Brasil.

— Sério? Mas como você veio parar aqui? — Como eu nunca fui para o Rio antes?

— Vai começar o interrogatório, Jessica? — provocou Josh.

— Não, tudo bem. — falou Phelipe e eu fiz uma careta pra Josh. — Meus pais são separados, quer dizer, eram separados... enfim, eu morava com meu pai e minha irmã com a minha mãe. Quando minha mãe veio trabalhar em Nova York, Isabelle veio junto. Alguns dias depois Belle começou a namorar um carinha daqui, o que fez meu pai me obrigar a vir atrás dela em Nova York.

— Você está dizendo que veio pra cá porque seu pai mandou você vigiar a sua irmã? — ele riu.

— Exatamente. Eu sei que é um motivo idiota, mas meu pai é assim e eu era muito babaca, então eu vim. Eu e minha irmã não nos davamos muito bem, mas isso é coisa do passado.

— E onde ela está agora? — perguntei.

— Londres. Esse tal namorado dela passou pra Oxford e ela foi atrás dele. Só que ela passou pra University of London.

— Nossa, que incrível.

— Também acho. Mas eu sinto uma saudade dela. — confessou e Josh fez uma careta.

— Se a Chelsea resolvesse ir pra Londres, eu faria uma grande festa. — Phelipe riu.

— Eu também pensava assim até que Isabelle foi pra Londres e bem... sinto sua falta. — Anotação mental: gato e fofo.

— Por que você não foi junto? — ele soltou um sorriso meio bobo.

— Allison. — franzi a testa.

— Allison?

— Sim, minha namorada. Ela ia ficar em Nova York, então eu fiquei. — Claro que ele tem namorada. E você também, Jessica. Me lembrei rapidamente.

— Onde ela está agora?

— Estudando. Chamei ela pra vir, mas ela não quis. Disse que ia ficar porque ia ajudar Abigail com algumas coisas. — não sei quem é Abigail, mas não perguntei.

— Você mora no campus?

— Não, eu divido um apartamento com a Allison e mais amigos nossos. O Jack e a Abigail.

— Dois casais? — perguntou Josh.

— Sim. — Phelipe deu um enorme sorriso sacana que Josh retribui, eu só pude revirar os olhos.

— Para onde estamos indo exatamente? — perguntei e Josh deu de ombros.

— Não sei, mas estou seguindo o Derek.

— Espero que Chelsea escolha um lugar razoável. — falei.

— Falando em razoável, a Trina não sabe ser muito discreta, não é? — falou Josh e encarei a janela fingindo inocência.

— Como assim?

— Ela estava secando o Phelipe. — revirei os olhos.

— Ela não sabe que ele tem namorada.

— E por isso ela secou ele? — Josh estava com a voz indecifrável.

— Phelipe, você se incomoda? — perguntei, ele deu de ombros.

— Tive que aprender a conviver com isso. — soltei uma risada.

— Porque você é muito lindo. — Josh revirou os olhos.

— Você está secando ele também?

— Claro que não, eu tenho namorado e ele tem a Allison. Eu estou apenas constatando um fato. — falei.

— Obrigado. — falou Phelipe com um sorriso de perder o folêgo.

— Sabe o que eu acho? Que você está com ciúmes da Trina. — falei e Josh soltou uma risada seca.

— Eu? Com ciúmes? — eu e Phelipe nos encaramos e soltamos em uníssono.

— Ele está com ciúmes.

— Já disse que não estou apaixonado.

— Não disse que estava. Na minha opinião você está com ciúmes porque era o único garoto gato na vida da Trina. Vocês tinham aquela "amizade colorida" e agora percebeu que ela pode ficar com outros caras, mas você se esquece que fica com outras garotas. O nome disse é egoísmo.

— O nome disso é alucinação. Você já está viajando. — troquei olhares com Phelipe e seu olhar dizia (assim como o meu) que eu tinha total razão.

— Voltamos a conversar quando você se estiver pronto para admitir.

— Ou seja nunca.

— Então é verdade, certo? — Josh não respondeu, mas deu seu melhor sorriso de canto de boca.

>>o

Paramos em um lugar que esbanjava elegância, fiquei um tanto intimidada, mas percebi que Josh já conhecia o lugar. Se o Phelipe compartilhava do mesmo sentimento que eu, não demonstrou.

Chelsea, Derek e Trina já estavam sentados e riam de alguma coisa, Josh foi andando na frente me deixando pra trás com Phelipe. Eu estava um tanto constrangida, por isso me assustei quando meu celular tocou.

— É o seu namorado? — perguntou Phelipe, eu fiquei encarando o celular por um momento.

— Sim. — ele sorriu.

— Me deixa atender.

— Por quê?

— Porque eu quero ver qual é a dele.

— Você nem me conhece.

— Conheço o suficiente. — se eu estivesse no meu juízo perfeito, provavelmente não deixaria isso acontecer, mas eu estava irritada por causa daquela garota então entreguei o celular pra ele só que Phelipe não atendeu.

— O que foi? — perguntei.

— Deixa cair na caixa postal primeiro.

— Por que? — ele sorriu.

— Vem, vamos esperar ele ligar de novo. — Phelipe me arrastou pra fora do restaurante. Meus amigos estavam todos muito surpresos quando saímos porta a fora.

— O que você está tramando? — perguntei e ele riu.

— Quando ele ligar eu vou colocar no viva-voz, mas você vai ter que me prometer que vai ficar quietinha. — revirei os olhos.

— Tudo bem. — não deu nem trinta segundos depois Will me ligou. Phelipe deixou tocar por um tempo depois atendeu.

— Jessica, tudo bem? Você não me atendeu. — fiquei com uma vontade enorme de falar, mas Phelipe me encarou com um meio sorriso.

— Alô? — falou Phelipe e eu senti que Will parou de falar.

— Quem está falando?

— Phelipe.

— E quem é você? — a voz de Will estava muito irritada.

— Quem é você?

— William. Cadê a Jessica?

— Ela está ocupada, quer deixar algum recado?

— Por que você está com o celular dela?

— Porque nós estávamos juntos e ela deixou o celular dela comigo.

— Por que vocês estavam juntos?

— Creio que eu não seja obrigado a responder. — eu quase podia ver Will prendendo a respiração.

— Onde vocês estão?

— Por que você quer saber?

— Porque eu sou o namorado dela.

— Ah, você é o namorado.

— Exato, o namorado. Onde vocês estão?

— Estamos em um restaurante.

— Fazendo o quê?

— O que você acha que se faz em um restaurante? — Will soltou a respiração.

— Eu já posso falar com a Jessica?

— Ah, pode sim. Ela está vindo espera. — ele ficou um tempo me encarando, depois disse. — Baby, acho que é um tal de William.

— Baby? — eu podia apostar que ele estava fazendo uma careta.

— Alô? — falei com uma voz transbordando inocência.

— Jessica, quem é essa cara?

— Lipe? Ele é só um amigo.

— Lipe?

— Sim, ele é meu amigo.

— Amigo?

— Will, você me ligou por um motivo, certo?

— Jessica, ele te chamou de baby...

— E? — ele prendeu a respiração novamente.

— Eu só queria saber se você já tinha saído.

— Sim, eu saí. Eu estou em um restaurante.

— Posso te encontrar aí?

— Claro. Eu só não sei que restaurante é esse, foi a Chelsea que escolheu.

— Ah, vocês estão com a Chelsea? — a voz dele transbordava alívio.

— Eu não disse? Estamos eu, Phelipe, Josh, Trina, Derek e Chelsea.

— E por que você levou esse Phelipe para um encontro de amigos?

— Eu não disse que ele era meu amigo?

— E desde quando você tem um amigo que eu nunca ouvi falar?

— Desde do momento que você começa a sair com uma amiga que eu nunca tinha ouvido falar.

— Jessica...

— Você quer que eu passe a localização pelo celular?

— Tudo bem.

— Ótimo, até daqui a pouco.

— Até.

Desliguei o telefone e fiquei um tempo olhando para Phelipe, mas não aguentamos. Gargalhamos por minutos, o meu mais novo amigo tinha uma risada gostosa de ouvir.

— Quer ser meu amigo? — perguntei

— Com certeza. Você vai gostar da Allison.

— Espero que sim. Não posso dizer o mesmo do meu namorado.

— Exato. Vamos entrar, seus amigos já devem achar que a gente está se pegando.

— Eu jamais faria isso. — falei e ele endureceu o rosto.

— Eu não sou bonito o suficiente para você? — fiquei sem graça.

— Não de forma alguma, você é muito gato. É só que você tem namorada e eu jamais... — antes que eu concluisse percebi que ele estava rindo.

— Estou zoando com você. Eu entendi o que quis dizer. — caminhamos para dentro do restaurante, mas antes de chegarmos a mesa, Phelipe soltou. — Ah, e só pra você saber se eu não estivesse namorando nem você, eu com certeza estaria investindo.

Sorri e me permiti ficar vermelha. Meus amigos estavam bebendo refrigerante e ficaram quietos quando chegamos.

— Onde vocês estavam? — perguntou Josh (o que todo mundo queria saber).

— Falando com o Will. — falei e todos me encaram confusos.

— O Will está aí? — perguntou Chelsea.

— Não, mas está chegando.

— O que você fez, Jessica? — olhei para o Phelipe com um meio sorriso e ele me lançou uma piscadela.

— Vocês dois estão estranhos. — falou Trina.

— Somos amigos, só isso. Eu tenho namorado, lembra? — falei.

— E eu também. — falou Phelipe e Trina pareceu murchar.

— Tem? — ele sorriu.

— Sim, eu tenho.

— Merda! — falou ela e ele deu de ombros.

— Devia ter me conhecido há alguns meses atrás.

— Devia mesmo. — falou ela.

— Já pediram? — perguntei.

— Sim, pedimos três pizzas. Espero que dê pra todo mundo.

— Vocês têm que provar a pizza do Brasil, é muito diferente da daqui. — todos olharam pra ele curiosos, menos eu e Josh.

— Você já foi ao Brasil? — perguntou Derek.

— Eu sou de lá. Rio de Janeiro. — falou e Trina sorriu.

— E por acaso você teria um irmão? — ele soltou sua melhor risada.

— Não, desculpe. Eu só tenho uma irmã e ela está em Londres.

— Ah, eu amo Londres. — falou Chelsea.

— Eu não conheço. Ainda não fui visitá-la. — falou Lipe.

— Ela está morando lá faz muito tempo?

— Não, ela começou a faculdade junto comigo. Ela passou pra University of London, por causa do namoradinho que passou pra Oxford.

— Você não gosta dele? — perguntou Trina.

— Gosto, ele é meu melhor amigo. Justin é um cara legal e faz a Isabelle feliz, então...

— Boa noite. — Will estava parado ao lado da mesa e seu olhar passeava de mim para Phelipe.

— E aí, Will? — falou Josh.

— E aí? — respondeu ele ainda sem desviar o olhar. Só aí percebi que eu e Phelipe estávamos praticamente colados.

— Olá. — falei.

— Olá, Jessica. — Hum... Jessica? Acho que tem alguém zangado.

— Senta aí, cara. — Phelipe chegou pra lá e eu o segui, não achei uma boa ideia Will sentar perto do meu mais novo amigo.

— Você deve ser o Phelipe? — a voz de Will estava fria, quase indiferente.

— Eu mesmo.

— Que maravilha! — Phelipe sorriu, mas não comentou. Mesmo assim, segui seu olhar e ele era divertido.

— Sua aula terminou tarde? — perguntou Derek.

— Na verdade não, eu tive que ficar para terminar uns relatórios. Julie estava me ajudando com um trabalho. Talvez eu consiga um emprego pela faculdade.

— Nossa, parabéns! — falou Chelsea, mas eu só conseguia ouvir Julie, Julie, Julie.

— Cadê ela, falando nisso? — perguntei. Minha voz saiu doce demais, o que fez todos da mesa olharem pra gente.

— Eu até a chamei pra vir, mas ela não quis ser indelicada. — falou Will olhando exclusivamente para Phelipe que nem piscou.

— Claro que não. — falei e Trina soltou um risinho.

Eu e Will trocamos olhares intensos e não de um jeito bom, graças a Deus o garçom chegou com as nossas pizzas. Eu pedi uma Coca Cola e tentei relaxar um pouco.

— Você vai embora comigo? — perguntou Will.

— Claro, moramos na mesma casa. — saiu mais ríspido do que eu gostaria.

— Jessica, algum problema? — infelizmente, todo mundo ouviu a pergunta e calou a boca. Eu encarei seus olhos claros e tentei não deixar me abater.

— A gente conversa sobre isso em casa.

— Não quero ir pra casa com esse climão.

— E eu não quero discutir isso na frente dos nossos amigos. — Will percebeu que estava todo mundo olhava e desviou o olhar.

— Em casa, então.

Respirei fundo e bebi um gole da minha Coca, ia ser uma noite longa e eu talvez não estivesse preparada pra ela.

Notas finais
Nós ainda amamos o Will, né?