Notas iniciais
Bom, eu sei que fiquei séculos sem dar sinal de vida, mas se vocês me perdoarem eu serei eternamente grata. Aviso importante: Se vocês forem muito puritanos, me perdoem... :)

Josh me deu muito o que pensar. Sempre achei que ele fosse um tanto inconsequente, meio louco, sempre na farra. Mas filho? Nunca tinha pensando que ele pudesse ter sido quase pai. E pior, ter tido coragem de fugir da responsabilidade.

Não encontrei ninguém no primeiro andar, então subi as escadas pensando na minha conversa com Josh e na confiança que ele tinha depositado em mim. Nunca tínhamos sido grandes amigos, na verdade, assim que eu o conheci, tinha rejeitado ele logo de cara.

— Ei, Jessie. Tudo bem? — Will estava parado no corredor e parecia um tanto curioso.

— É... hum... acho que sim. — falei.

— Tem certeza? — ele veio andando lentamente na minha direção. Parecia quase flutuar.

— Eu só estava pensando.

— Em quê exatamente? — levantei o rosto para encará-lo. Seus olhos demonstravam preocupação e eu lembrei que podia conversar com ele sobre isso, Will já sabia.

— Josh me deu uma carona e viemos conversando no carro...

— E...

— Ele me contou uma coisa que me deu o que pensar.

— Pode me contar?

— Acho que sim. — ele me encarou por um momento e sinalizou para que o seguisse.

Fomos para o seu quarto, Will sentou no sofá de frente para a parede de vidro e sinalizou para que eu deitasse. Apoiei minha cabeça no seu cabelo e respirei fundo.

— Bom, pode me contar se quiser.

— Ele me contou que engravidou uma menina quando tinha 17 anos. — Will me encarou surpreso, ficou em choque.

— Ele te contou isso?

— Sim. Conversamos bastante sobre isso. Ele me disse que você já sabia.

— Quando Josh veio conversar comigo, estava aterrorizado. Não sabia o que fazer, não queria ser pai e não queria ter nenhum tipo de responsabilidade. Ele me contou que a menina tinha ido para a Austrália com a família porque estava com vergonha e que ele não queria ter contato com a criança.

— E o que você falou pra ele?

— Eu disse que filho é pra sempre. Não tem como ele conseguir ignorar isso a vida toda, uma parte dele sempre ia pensar no que ele poderia ser para aquela criança. Ele já tinha feito, só lhe restava amá-la e cuidá-la, porque ninguém merece crescer sem pai. — fiquei um tempo em silêncio.

Will pensava exatamente do mesmo jeito que eu e isso amoleceu ainda mais meu coração. Era por esses pequenos motivos que eu tinha me apaixonado por ele.

— Mas a menina perdeu o bebê. — comentou Will.

— Sim, ele me contou.

— Quando ele soube, ficou aliviado. Disse que agora não precisava se preocupar, que podia seguir com sua vida tranquilamente. Mas com o passar do tempo percebi que ele nunca tinha superado o fato de ter fugido da responsabilidade, e talvez nunca fosse superar.

— Todas as nossas escolhas têm consequências. Todas elas. E infelizmente, ele aprendeu isso do jeito mais duro. — falei.

Will ficou encarando o rio East por um tempo, as luzes de Nova York estavam começando a piscar e tudo parecia ganhar vida. Sentei ao lado de Will e fiquei encarando seu rosto por um tempo.

— O que foi? — perguntou ele.

— Eu sou apaixonada por você. — com certeza isso pegou ele de surpresa.

— O que você disse?

— Eu disse que sou apaixonada por você. — ele sorriu.

— Eu lembro a primeira vez que eu te disse isso, bem aqui nesse sofá. Naquele dia eu só queria que você me aceitasse, que quisesse estar comigo...

— E hoje?

— Fico feliz que o sentimento seja recíproco.

O beijo dele era suave, como uma lareira. Calmo, tranquilo e aconchegante, mas ainda sim fogo. Aos poucos eu podia sentir que ia esquentando gradativamente. Mesmo assim eu me afastei um pouco dele.

— O que você quer fazer agora? — perguntei em um sussurro, Will sorriu.

— O que você quiser, Jessica. Mas eu tenho um palpite. — falou com um sorriso.

— Onde estão os nossos pais?

— Eles foram uma festa do trabalho vão chegar tarde. — sorri.

— Acho que alguém pensou em tudo. — ele deu de ombros.

— Não em tudo, mas... — levantei e estiquei a mão.

— Vem.

De mãos dadas eu o levei para a cama, eu estava nervosa e minhas mãos estavam ligeiramente trêmulas. Seus olhos estavam escuros e eu sabia que ele estava me deixando fazer as coisas do meu jeito.

Ele sentou na cama e esperou, mordi o lábio meio sem saber o que fazer e o senti prender a respiração. Arranquei a blusa pela cabeça e esperei, não queria apressar as coisas, mas ao mesmo tempo eu queria isso, queria muito. Fui até o Will e tirei a camisa dele, fiquei um tempo encarando seu rosto e depois seu abdômen. Não conseguia acreditar que um garoto daquele realmente me quisesse. Tirei a saia um tanto relutante e esperei.

— Você é linda. — sussurrou Will e eu prendi a respiração.

— Para com isso. — falei sem jeito.

— Tudo o que eu não quero agora é parar.

William me beijou com ferocidade, suas mãos subiam e desciam pelo meu corpo me deixando totalmente desconcertada, eu o queria. Antes que eu sequer percebesse, ele me jogou na cama. Ele começou beijando meu pescoço, depois minha boca e foi descendo. Fechei os olhos e sorri. Como ele era apaixonante.

>>o

Abri os olhos devagar e tentei assimilar o que estava acontecendo, meus olhos se voltaram para a parede de vidro, ainda estava de noite e eu me virei para o outro lado. Will parecia dormir profundamente, seu cabelo estava bagunçado e sua boca estava ligeiramente aberta, mesmo assim ele estava lindo.

Levantei devagar, vesti minha roupa íntima e a camisa de Will, pelo horário minha mãe e Richard ainda não tinham voltado, então peguei meu celular e desci para comer alguma coisa, eu estava morrendo de fome. Antes de chegar a cozinha, meu celular tocou, era a Charlotte.

— Charlie!

— Jessie, e aí? Não consegui deixar de te ligar. Estou com saudades.

— Eu também. Como foi o primeiro dia em Yale?

— Nossa, a faculdade é incrível. Eu, sinceramente, estou tão animada com Psicologia.

— Nunca se esqueça que eu fui a sua primeira paciente.

— Como eu poderia esquecer? E Nova York? Continua incrível?

— Melhor. Eu adorei a faculdade, fiz até um amigo novo. Chris Mead, você ia adorá-lo. Ah e também tem a Chloe, você não ia gostar muito dela.

— Está tentando me substituir, Jessica Lowe?

— Nunca, Charlotte Scarrow. São só da minha turma de Literatura.

— Ah, acho bom mesmo. Eu estou longe, mas estou perto.

— Vou responder a essa afirmação assim que eu entender. E o Austin, como está?

— Austin é o mesmo, né? Está se dando bem, eu acho. Ainda não teve treino de basquete, mas parece estar animado. E sim, nós estamos bem. Estamos ótimos pra falar a verdade. E você e o Mr. Perfect?

— Mais que ótimos. — Charlie não respondeu de imediato, mas ouvi sua risada ao fundo.

— Não me diga que vocês transaram.

— Bom, se você não quiser, não digo.

— Jessica Lowe, que avanço. E aí, como foi? — dei um sorriso involuntário.

— Apenas uma palavra: Uau! — ouvi ela bater palmas, só esperava que ela estivesse sozinha.

— Nossa, Jessie, eu queria tanto estar aí agora pra você me contar todos os detalhes. Mas eu realmente tenho que desligar, a menina que divide o dormitório comigo chegou e ela não é muito simpática.

— Espero que ela não tenha ouvido isso.

— Eu espero que ela tenha ouvido. Te ligo amanhã.

— Tudo bem, até amanhã. Estou com saudades.

— Nem me fale, eu também. Beijos.

— Beijos.

Abri a geladeira em busca de alguma coisa gostosa pra comer e encontrei o meu sorvete preferido de avelã e nozes. Liguei baixinho o rádio e estava tocando Salted Wound, da Sia. Automaticamente eu comecei a lembrar do que tinha acabado de acontecer, do toque de Will pelo meu corpo e sorri.

— Está pensando em quê? — Will chegou na cozinha apenas de calça e eu aumentei o sorriso.

— Adivinha. Peguei sua camisa emprestada.

— Fique á vontade. Adorei esse visual seu, uma camisa minha e calcinha. Pode andar sempre assim por aqui.

— Vou me lembrar disso. — ele pegou uma colher e pegou um pouco do sorvete.

— Como está se sentindo? — dei de ombros.

— Acho que não dá para descrever muito.

— Isso é bom?

— Com certeza. — ele sorriu.

— Fico feliz.

— Charlotte acabou de me ligar.

— E como ela está?

— Está bem, parece animada com Yale.

— Você sente saudade dela?

— Nossa, muita. Eu adoro a Trina e a Chelsea, mas a Charlie é como uma irmã. — falei um tanto nostálgica.

— Bom, ele pode vir quando quiser. Tem um quarto sobrando mesmo.

— Eu sei, mas a nossa vida vai ficar uma loucura agora. — ele me deu o melhor sorriso sacana.

— Espero que fique mesmo uma loucura.

— Ah, Will. Você não pode falar essas coisas pra mim.

Nem consegui respirar quando ele me beijou, suas mãos apertavam minha cintura e seu quadril me prendia contra a pia. Meu coração estava acelerado e eu queria mais e mais.

— Na minha cozinha? — nos separamos rapidamente. Minha mãe e Richard estavam parados nos encarando. Minha mãe estava perplexa, já Rich sorria com satisfação.

— Hum... mãe, olá. — falei meio sem jeito.

— E aí, pai? — falou Will me abraçando pela cintura.

— Volto a repetir: Na minha cozinha? — perguntou Richard.

— A gente só estava se beijando. — falei um tanto na defensiva. Mas pensei: Só se beijando é eufemismo.

— Jessica, você está de calcinha e com uma blusa do William. — falou minha mãe.

— Sobre isso... — começou Will, mas Rich sinalizou para que ele não falasse.

— Ellie, antes que Will continue eu te pergunto: Você quer mesmo saber?

— Com certeza não. Embora eu já saiba o que aconteceu.

— Agora que tudo foi esclarecido, eu vou subir. — falei pegando o pote de sorvete.

— Vou com você. — falou Will.

— Por favor, não me deixem ver isso de novo. — falou minha mãe.

— Pode deixar que eu não deixo você ver. — falei e ela deu uma risada sem humor.

— Ah, que piadista minha filha. — ainda a ouvi gritar quando cheguei na escada. — Vai colocar uma roupa.

Will e eu subimos de mãos dadas, fomos direto ao seu quarto meio por instinto. A cama bagunçada me fez sorrir, a lembrança estava vívida na minha mente e na minha pele.

— Então... — começou Will, mas eu cortei.

— Nem pensar. Nossos pais estão lá. Quero me comportar. — ele revirou os olhos.

— Você é uma estraga prazeres.

— Obrigada.

Sentamos no sofá e voltamos a comer o sorvete em silêncio, embora nossos olhares se encontrassem de vez em quando. Assim que o sorvete acabou, ele deitou no meu colo e eu comecei a mexer no seu cabelo.

— Você é boa nisso. — falou sorrindo.

— No que exatamente? — ele soltou uma risada um tanto espontânea.

— Acho que em tudo. — dei de ombros.

— Obrigada. Talvez eu seja mesmo. — ele soltou outra risada e eu não consegui evitar o riso também. Queria poder continuar esse momento, mas meu celular tinha tocado.

— Você está muito popular hoje. — comentou Will.

— Alô?

— Por que você deu meu telefone para o Mead? — fiquei um tempo processando.

— Oi, Trina. Como você está?

— Não me venha com "oi, Trina". Por que você deu o meu telefone para o Mead?

— Não dei seu telefone para Chris, Trina.

— Então como ele tem meu telefone?

— O que aconteceu?

— Ele me ligou, fica me mandando mensagens. Se não fosse tão chato trocar de telefone, eu trocava.

— Você não está exagerando?

— Exagerando? — ele parecia realmente irritada. — Olha, tem certeza que não deu meu número para o Mead?

— Tenho sim, eu não... — e então eu lembrei. — Ah, ele pode ter pego.

— Como assim?

— Ele pediu meu telefone emprestado, achei que fosse pra ligar pra alguém. Não sabia que ele ia pegar seu número. — ela soltou um palavrão.

— E o que eu faço agora?

— Eu sinto muito. Por que você não gosta dele? — Trina ficou um tempo em silêncio.

— Ele é insistente.

— Tenho certeza que não é isso. Ele é um garoto tão legal, Trina.

— Você não o conhece. — sua voz estava perigosamente controlada.

— Por acaso você já foi apaixonada por ele?

— Agora você forçou. Boa noite, Jessica. — e desligou, simples assim.

Eu simplesmente não sabia o que fazer, fiquei um tempo encarando o celular meio incrédula, depois não consegui controlar o riso.

— O que aconteceu? — perguntou Will.

— Acho que a Trina gosta do Chris.

— Mas ela parece odiá-lo. — eu sorri.

— Por isso mesmo. — ele levantou e me encarou.

— Eu quero que você saiba que isso não faz o menor sentido. — revirei os olhos.

— Que isso, Will, você realmente não acredita nisso.

— Eu não estou entendendo nada.

— Claro que não. Boa noite. — falei levantando.

— Ei, espera.

— Não, eu tenho que dormir. Amanhã eu tenho aula de manhã.

— Eu também, mas mesmo assim... — eu o beijei interrompendo sua frase.

— Boa noite. Sonha comigo. — ele sorriu.

— Sempre.

>>o

Abri os olhos e estranhei tudo, a luz entrando pela janela sem cortinas e a vista. Então me lembrei, novo quarto em Nova York. Eu ainda não tinha terminado de arrumar as coisas, podia ver algumas caixas ainda empilhadas no canto. Mesmo assim, de um jeito estranho, eu me sentia em casa.

— Filha, já levantou? — perguntou minha mãe batendo na porta.

— Sim, querida Ellie.

— Ótimo.

Caminhei com profunda preguiça em direção ao banheiro, a noite anterior tinha sido tão... incrível. Mesmo com tantas coisas que eu tinha descoberto a respeito de Josh e as minhas suspeitas sobre Trina, a única coisa que eu conseguia pensar era no Will. No jeito como ele me olhou, no jeito como me tocou... Sorri um tanto bobamente pra mim mesma.

Encarei meu novo closet de roupas estilosas, novo quarto, novas roupas, nova Jessica. Sem conseguir evitar um pensamento passou pela minha mente. Tem certeza que você quer mudar, Jessica? Pense bem! Meu subconsciente ultimamente estava bem criativo.

O dia na casa dos Corrigan começava cedo, então quando eu desci minha mãe e Richard já estavam terminando de tomar café da manhã pra descer. Will tinha acabado de chegar e me entregou uma xícara de café fumegante.

— Obrigada. — falei com um sorriso.

— De nada. — nós dois estávamos só sorrisos hoje um para o outro.

— Vocês dois estão um pouco enjoativos. — falou Ellie.

— Mãe, não tem nada mais bizarro do que ver sua mãe de agarramento com um cara e eu superei. Faça o mesmo. — Richard quase cuspiu o café, mas minha mãe apenas revirou os olhos.

— Acho que nós temos que trabalhar. — falou meu futuro padrasto.

— E vocês não se atrasem. — eu senti várias coisas implícitas nesse comentário que minha mãe soltou.

— Tudo bem. — respondi apenas.

Enquanto eles saiam para trabalhar, eu e Will sentamos pra tomar café. Ele parecia um tanto inquieto, com um olhar distante, mas mesmo assim sorria.

— Está pensando em quê? — ele deu de ombros.

— Ontem a noite. — sorri.

— Acho que isso é meio inevitável pra mim também.

— Fico feliz.

— Que horas terminam suas aulas hoje? — perguntei.

— Infelizmente, hoje terminam bem tarde. Estava conversando com uma menina da minha sala e ela disse que a minha última matéria tem um tal de debate. Enfim, acho que eu vou me enrolar. — ouvi pouca coisa que ele disse, mas foquei na parte "menina da minha sala".

— Que menina? — perguntei tentando deixar um tom natural, mas saiu mais irritado do que pretendia. Will sorriu.

— Ninguém que você tenha que se preocupar. — levantei a sobrancelha.

— Desculpe, eu não quis dar uma de namorada ciumenta. Só que não sei ás vezes eu... Não sei, só sai.

— Tudo bem. Eu entendo, mas quero que você saiba que não tem ninguém no mundo que me encante mais do que você.

— Isso foi muito fofo.

— Obrigado. Agora temos que ir.

— Pois é, a faculdade. — falei meio desanimada.

— Exato, a faculdade.