O Garoto, os Amigos, a Faculdade
23 Capítulo 23
Notas iniciais
Josh me deixou em casa às 22 horas, o que significava que minha mãe e Richard estavam em casa. Assim que abri a porta, ouvi conversas na cozinha e fui pra lá, mas parei quando ouvi meu nome.
"... é a Jessica. O que eu posso fazer?" — era a voz do Will.
"Nada. Você não pode obrigá-la a gostar de você." — era com certeza a voz do Richard.
"Ela gosta de mim, só não me ama."
"O que não ajuda em nada, certo?" — Richard parecia cansado.
"Você acha que ela gosta desse Josh?" — o que minha mãe estava fazendo nessa conversa?
"Ela, com certeza, gosta dele. Mais do que ela admite pra mim, ou não sei talvez mais do que admite pra si mesma. Eles se beijaram ontem." — a voz de Will estava pausada. Isso acabou comigo.
"Se beijaram? Mas isso não quer dizer nada." — falou Richard
"Eu conheço a Jessica, isso significa muito pra ela."
"Eu sinto muito, Will".
"Ellie, será que ela vai me amar um dia?"
"Isso eu não posso te dizer, na verdade nem ela."
"E o que eu faço?" — eu não via, mas sabia que minha mãe sorria.
"Vive."
Saí dali meio perdida, mas pisei forte na escada para saberem que eu tinha chegado. Assim que tranquei a porta do meu quarto eu me deixei caí na cama. O que eu estou fazendo? Eu ia acabar destruindo o Will. Isso não é justo. Eu queria tanto dizer que o amava e acabar com isso. Mas eu não podia fazer isso com o Josh, porque quando eu estava com ele, eu não pensava muito em mais ninguém.
— Jessie? — o Will estava batendo na minha porta, parecia meio sem jeito.
— Só um minuto.
Prendi o cabelo, ajeitei a roupa e abri a porta. Will estava com uma calça de moletom e uma blusa preta, parecia tão triste. Saí da frente da porta para que ele entrasse no meu quarto.
— Você chegou faz muito tempo?
— Não, acabei de chegar.
— Vocês foram aonde?
— No French. — Will fez uma careta.
— E como foi?
— Quer mesmo falar sobre isso? — ele deu um meio sorriso.
— Sim, quero.
— Foi interessante. Conversamos bastante e comemos uma comida deliciosa.
— Ah, sim...
— Ele vai encontrar com a Lílian essa semana. — ele me encarou confuso.
— A Lílian? — sorri.
— Sim, ela não está mais na Austrália. Agora mora em Nova York, e ele a convidou para sair, conversar, sabe?
— Ele quer tirar a culpa, não é?
— Sim.
— Espero que dê certo.
— Eu também.
— Jessica... — respirei fundo e o cortei.
— Antes que você fale, quero que saiba que eu não tenho direito de me importar com a Julie. Sei que são amigos e eu não posso te impedir de nada. Respeito isso. — ele sorriu.
— Obrigado, Jessie, de verdade.
— Não posso cobrar algo de você e fazer a mesma coisa.
— Sei que temos nossos altos e baixos, mas quero que dê certo.
— O quê, a amizade?
— Sim. Eu sei que você gosta de mim, e obviamente você sabe que eu te amo, mas as coisas têm que caminhar, Jessie.
— Está certo, eu sei que está. — ele sorriu.
— Bom, vamos falar sobre algo mais fácil. O presente de casamento dos nossos pais. — fiquei surpresa.
— Nossa, é mesmo. Eu não tinha pensado nisso ainda.
— Temos que escolher logo, o casamento está chegando. Ellie já começou a distribuir os convites.
— Okay... hum... o que você sugere?
— Eu achei que você poderia ter alguma ideia.
— Nenhuma, pra falar a verdade. — rimos juntos por um instante. E era estranhamente agradável.
— Tudo bem, podemos pensar em alguma coisa.
— Okay. — seu sorriso foi diminuindo.
— Bom, então, vou deixar você descansar. A gente se fala. — Will me deu um beijo na bochecha e saiu meio sem jeito.
Mais uma vez me joguei na cama e respirei fundo uma, duas, três vezes até me sentir melhor o suficiente para levantar e tomar um banho demorado.
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— E agora eu estou presa em uma encruzilhada que eu não sei como sair. — Charlotte sempre foi a melhor ouvinte do mundo e hoje não estava sendo diferente.
— Amiga, por favor, você tem que aprender a dizer não.
— Eu não consigo.
— Pra mim você diz não.— ela deu o seu melhor suspiro teatral. - Jessie, por favor, eu sei que você precisa ir com o Josh nesse encontro, então vai. Mas se afasta dele e do Will antes que você enlouqueça. Quanto tempo mais você acha que isso vai durar? Quanto tempo mais o Will vai esperar por você? E o Josh?
— Eu não sei, eu só...
— Está perdida! Eu entendo isso, mas você se colocou nessa situação. Pois agora, se livre dela.
— Eu odeio quando está certa!
— Eu sei. Só se dê um tempo, tá?
— Tudo bem. Agora me conta, e o jogo do Austin?
— Ganhou, é claro! Estou mega feliz por ele.
— Eu também. Mande meus parabéns pra ele!
— Mando sim, pode deixar.
— Ah, você já recebeu os convites do casamento?
— Ainda não. Devem chegar amanhã ou depois.
— Por favor, vocês dois têm que vir.
— Nós vamos. Claro que vamos!
— Promete?
— Como se eu fosse perder o drama Jessie x Will x Josh.
— Charlotte!
— Amo você!
— Eu também amo você!
— Agora vai pra faculdade, a gente se fala depois.
— Okay, até depois!
Levantei meio a contragosto e me arrumei para ir a faculdade. Mais uma vez, a família estava toda reunida no café da manhã. Eu quase não encontrava com o Will de manhã quando namorávamos e agora ele está sempre aqui. Maravilhoso!
— Bom dia! — falei pegando uma xícara.
— Bom dia, Jessie. Dormiu bem? — minha mãe estava com um sorriso engraçado no rosto.
— Dormi sim e você? — ela arriscou uma olhadela para o Richard.
— Muito bem. — que maravilha! Minha mãe fazendo sexo por aí e eu não.
— Que bom!
— Jessica e William, eu queria muito que vocês saíssem para ver a roupa do casamento. — eu e ele nos olhamos meio sem jeito.
— Claro. Pode deixar. — falou ele.
— Ótimo. Obrigada!
— A gente vai chegar tarde hoje porque temos uma reunião importante, então não nos esperem. — falou Richard.
— Tudo bem.
— Combinado. Tenham um bom dia. — Richard levantou primeiro e minha mãe foi logo atrás, mas antes me deu um olhar significativo.
Eles mal saíram e o clima ficou automaticamente estranho na mesa. Eu queria falar alguma coisa, mas também não queria brigar com o Will e isso acabava acontecendo quando conversávamos.
— Então, você tem a tarde livre pra vermos isso da roupa? — perguntei meio sem jeito.
— Estou livre a partir das 15 horas.
— Então, podemos resolver isso logo.
— Combinado. Você quer uma carona?
— Claro, vou só pegar minha bolsa.
— Estou te esperando aqui em baixo.
Subi rapidamente as escadas, torcendo para que dessa vez a nossa conversa no carro fosse normal e sem maiores problemas. Queria mesmo que desse certo, éramos uma família (argh!) e isso me preocupava.
— Vamos? — perguntei.
— Depois de você.
Caminhei de cabeça baixa até o carro. Eu odiava esse clima que ficava entre a gente, mas odiava mais ainda quando brigavamos. Will também não falou muito no carro, apenas ligou o rádio e ficamos em silêncio ouvindo as músicas que tocavam, quando percebi já tínhamos chegado.
— Obrigada pela carona.
— Sempre que precisar.
— Hoje ás 15 horas, né? — ele assentiu.
— Eu ligo pra combinar com você pra gente se encontrar.
— Tudo bem, então. — dei um beijo na sua bochecha meio inesperadamente e ele sorriu.
Saí dali em direção ao meu prédio meio aérea, eu queria poder mudar tudo isso, mas estava tão cansada dessa história. Um momento fica com o Will, depois fica com o Josh, depois fica com o Will de novo, é um círculo vicioso que eu tenho que sair.
— Ei, Jessie. — Chloe estava acenando pra mim desesperadamente.
— E aí, Chloe.
— Recebi o convite do casamento da sua mãe. Chegou hoje de manhã.
— Você vai?
— Com certeza. Você pode me ajudar a encontrar alguma roupa pra ir?
— Claro, a gente marca com calma, tudo bem?
— Com certeza.
— Cadê o Chris? — perguntei.
— Ele me mandou mensagem avisando que estava chegando.
— Ah, bom, então, vamos pra aula?
— Claro. — respirei fundo e caminhei com Chloe em direção a minha primeira aula.
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— Você está estranhamente quieta hoje, Jessie. — Chris estava me ajudando a recuperar a matéria atrasada por causa do drama da minha vida amorosa.
— Sei lá, eu só estou cansada de falar do Will e do Josh. Prefiro não falar nada.
— Não se preocupe, vocês vão se resolver.
— Sei... Mas me conta, como estão as coisas com a Trina? — ele deu um meio sorriso.
— Devagar, mas caminhando. Eu estou dando um tempo pra ela se acostumar com a ideia.
— Ideia de quê?
— De me ter de novo na vida dela.
— Ela ainda te ama. — Chris deu de ombros.
— Espero que ela descubra isso também.
— Recebeu o convite do casamento?
— Sim, chegou hoje de manhã.
— E você vai?
— Vou, claro. Ainda não falei com Trina sobre isso, mas creio que nós dois vamos.
— Não se preocupe, vai dar tudo certo. — ele sorriu.
— Sei...
— Conheço esse tom, mocinho.
— Deve ser porque imitei você, mocinha.
— Deve ser, então... — encostei a cabeça na parede e fechei os olhos, queria tanto poder dormir por uns três ou quatro dias sem parar.
— Seu celular está tocando, Jessie. — atendi ainda meio perdida.
— Alô?
— Jessie?
— Oi, Will.
— Já está livre pra ir?
— Ah, é, o negócio da roupa. Claro, vamos lá.
— Onde você está?
— Na biblioteca central.
— Quer que eu te encontre aí?
— Não precisa, eu te encontro no carro. Pode ser?
— Perfeito!
— Ótimo. Estou indo pra lá.
— Okay.
Comecei a juntar minhas coisas sobre o olhar curioso do Chris, embora seu sorriso estivesse começando a me irritar.
— Desculpa, mas eu tenho mesmo que ir.
— Vai encontrar com o Will?
— Nós temos que comprar a roupa do casamento.
— Claro que tem.
— Chris...
— Não, tudo bem. Só tenha uma coisa em mente: vocês não são mais namorados.
— Eu sei disso.
— Sabe mais ou menos, né?
— O que você quer dizer com isso?
— Para de dar esperança pro cara quando nem você sabe se vão ficar juntos.
— Você tem razão.
— Eu sei que tenho. Agora, vai lá, ele está te esperando.
— Obrigada, Chris.
— Sempre um prazer.
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Will já estava dentro do carro quando eu cheguei, no rádio estava tocando uma música lenta e seu rosto estava um tanto pensativa. Fiquei pensando se ele estava pensando na gente, na época que nada era tão complicado.
— Então vamos? — rapidamente ele se ajeitou no banco e trocou a música para uma mais animada.
— Vamos.
— Pensei em resolver sua roupa primeiro já que, provavelmente, é bem mais rápido.
— Claro, vamos lá.
— Eu vou só ligar pra minha mãe pra ver a cor.
— Mas não é um terno? — me virei para olhá-lo.
— Claro que é um terno, mas ele pode ter várias cores diferentes.
— Por favor, Jessie, é só um paletó preto e uma blusa branca.
— Por favor, você, não sabe de nada.
Peguei o telefone e disquei o tão familiar número da minha mãe.
— Alô?
— Oi, mãe.
— Jessica. Algum problema?
— Não, é só que eu e o Will estamos indo ver a roupa do casamento.
— Ah, claro. Pode falar.
— Eu queria saber sobre a cor. O terno dele vai ser preto com branco, simples, ou vai ser cinza, enfim...
— O paletó é preto, mas o colete é prata e a blusa branca. A gravata vai ser salmão, quase rosa, da cor do seu vestido.
— Ah, tudo bem. Eu posso procurar algo assim.
— Vocês conseguem. Por isso primeiro ache primeiro o seu vestido, depois mande fazer a gravata daquela cor.
— Pode deixar. Sem problemas.
— Ótimo. Boa sorte e obrigada, filha.
— Mais que um prazer e você sabe.
— A gente se vê mais tarde.
— Até!
Eu não sou a melhor pessoa do mundo pra escolher vestidos, muito menos quando tenho uma cor específica. E de alguma forma fazer isso com o Will era estranhamente confortável.
— E aí? — perguntou.
— Bom, deixe o carro em casa. Vamos andando.
— Por quê?
— Porque vamos ter que andar bastante atrás de um vestido e não tem onde estacionar.
— Tudo bem.
— E a propósito sua gravata vai ser salmão.
— Salmão? Como o peixe? — revirei os olhos.
— Salmão é uma cor. É como um bege rosado, ou um rosa bem suave. — ele levantou uma sobrancelha.
— Rosa?
— Will, não foca muito nisso não. Vamos deixar o carro em casa.
— Você que manda.
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Achar uma loja que vendesse ternos foi extremamente fácil, Will não estava muito confortável, mas de alguma forma era divertido.
— Boa tarde. — falou o simpático vendedor, tomei a dianteira.
— Boa tarde, nós gostaríamos de ver um terno preto, com um colete prata.
— Alguma ocasião especial?
— Ele vai ser padrinho do casamento dos nossos pais.
— Ah, que ótimo. — o vendedor olhou alguns minutos para o Will. — Acho que já sei o seu tamanho, só um minuto.
Enquanto o vendedor ia atrás do terno, eu me sentei na poltrona de frente para o espelho, Will sentou ao meu lado um tanto inquieto, até parecia que ia acontecer algo muito importante.
— Você parece ansioso. — brinquei.
— Desconfortável, é a palavra certa.
— Por quê?
— Eu odeio terno, e você sabe.
— Sim, eu me lembro. E eu odeio...
— Salto alto, eu sei. — o clima caiu em 20 graus, apenas respirei fundo.
— Will, eu...
— Pronto, aqui está. — se o vendedor percebeu o clima estranho, ignorou.
Will arrancou a camisa pela cabeça e jogou pra mim, sinceramente, não conseguia pensar em nada mais sexy do que aquilo. Ele não precisava ter feito aquilo, mas fez. A camisa, assim como o colete e o paletó ficaram perfeito no seu corpo torneado, o que não era nem um pouquinho justo comigo.
— Que tal? — perguntou ele e eu sorri.
— Lindo.
— Eu ou o terno?
— Você no terno.
— Obrigado.
— Senhor, se puder me acompanhar para ver a calça.
— Claro. — enquanto Will seguia o vendedor, respirei fundo e olhei pra sua camisa no meu colo. Definitivamente, eu sentia falta dele.
Poucos minutos depois ele apareceu completamente vestido e com uma gravata salmão. Estava irritantemente bonito.
— Acertou a cor da gravata. — falei e ele sorriu.
— Foi o vendedor que pegou.
— Foi o que eu pensei.
— E como ficou?
— Muito bom.
— Só isso?
— O que mais quer que eu diga?
— Que eu estou incrível. — sorri.
— Nunca.
— Você só não quer admitir.
— Pode ser isso também. Agora pode tirar, vamos levar esse.
— Ótimo. Já volto.
— E então? — perguntou o vendedor.
— Vamos levar.
— Venha comigo. — o segui em direção ao caixa.
Outro vendedor veio acompanhando o Will com uma caixa em que estava o terno muito bem dobrado. Depois de pagar, pegamos uma sacola para levar a caixa e saímos atrás do meu vestido.
— Aonde vamos? — perguntou Will e eu apontei para a Quinta Avenida.
— Loja por loja. — ele revirou os olhos.
— Ah, que ótimo.
— Eu sei, mega divertido. Vamos lá.
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