O Garoto, os Amigos, a Faculdade
24 Capítulo 24
Notas iniciais
Andamos por horas e entramos em milhões de lojas atrás de um vestido bonito o suficiente para ser a madrinha e na cor salmão. Infelizmente essa não é uma cor fácil de ajudar e as que eu achei, não eram tão bonitos assim.
— Jessie, por favor, eu não aguento mais.
— Não seja tão antipático, faltam poucas lojas agora.
— Já fazem duas horas. Eu preciso sentar e comer. — revirei os olhos.
— Okay, vamos só em mais uma loja.
— Mais uma?
— Mais uma.
— Não tente me enganar, hem...
— Isso nunca passaria pela minha cabeça.
— Vamos logo, então.
A Blake's era uma boutique linda, cheia de estilo e me encheu de esperança. Will rapidamente procurou uma poltrona para se jogar e fez uma perfeita cara de tédio.
— Boa tarde. Posso ajudar?- falou a vendedora.
— Boa tarde. Eu estava atrás de um vestido bonito o suficiente para ser madrinha no casamento da minha mãe, porém ele tem que ser na cor salmão. — ela sorriu.
— Eu acho que eu posso te ajudar nisso.
— Muito obrigada.
— Me acompanhe, por favor. E a propósito meu nome é Marie.
— Jessica.
Segui a vendedora por um corredor no final da loja. Em uma das portas tinham vários vestidos na cor que eu queria, quase chorei. Milhões de modelos diferentes em uma infinidade de tamanhos.
— Só escolher.
— Nem acredito.
— Pois, acredite. — sorri. — Como você gosta? Mais romântico, ousado?
— Que tal eu experimentar um de cada?
— Você que sabe.
Marie pegou uns quatro modelos que eu mais gostei e levou para o provador em frente ao Will, ele nem levantou a cabeça. O primeiro que eu experimentei ficou muito largo em mim e não parecia muito comigo, então nem mostrei para o Will. O segundo tinha um decote grande demais para o meu próprio bem, o terceiro ficou bom, era bem romântico e confortável.
— Will? — chamei e ele levantou a cabeça.
— Gostei.
— Gostou mesmo ou só está falando isso para eu comprar logo.
— Eu gostei mesmo e também estou falando isso pra você comprar logo.
— Eu vou experimentar mais um e acho que você vai gostar dele.
— Por quê?
— Pressentimento.
— Sei...
Voltei para o provador e experimentei o último. Ele era perfeito. Justo nos lugares certos, com um decote sem muito profundidade e uma fenda pequena. Era um rendado na parte de cima com uma manga pequena e o tecido descia fluido pelo resto do vestido. Saí do provador completamente segura de que era esse.
— Que tal? — Will levantou a cabeça e sorriu.
— Eu gostei mesmo. — sinceramente eu esperava que ele ficasse surpreso, com a boca aberta e falasse uau.
— Ah, então pode ser esse.
— Se você gostou... — se eu tinha ficado insegura, agora eu estava quase mal.
— Sim, eu gostei.
— Então compra. — respirei fundo.
— Vou comprar.
Entrei no provador de novo e me encarei mais uma vez, eu tinha gostado muito mesmo e não era o Will que ia me fazer mudar de ideia. Respirei fundo e troquei de roupa, a vendedora me esperava do lado de fora.
— E aí?
— Eu vou levar esse aqui.
— Ótimo, vou levar para embrulhar.
Will seguiu a vendedora para o caixa e eu sentei na poltrona pensando se eu deveria mesmo fazer isso. Queria muito dizer que não me importava com a opinião do Will, mas isso seria uma grande mentira.
— Vamos? — perguntou Will com as duas sacolas na mão, a minha e a dele.
— Claro.
— Por favor, diga que vamos comer.
— Claro.
— Obrigado. Vá na frente.
Eu queria não parecer decepcionada, mas eu estava. Will não estava falando muito e eu não estava fazendo força nenhuma para começar uma conversa. Resolvemos comer em um food truck perto do Central Park e sentamos lá de frente para o lago.
— Aconteceu alguma coisa? — perguntou Will depois de meia hora de completo silêncio.
— Não exatamente.
— Conversa comigo, Jessica.
— Você gostou do vestido, Will? — ele passou um tempo em silêncio, depois começou a rir.
— Você está chateada por causa disso?
— Você gostou ou não?
— Eu gostei, Jessica, de verdade.
— Não pareceu isso.
— Você não entendeu, nada.
— O quê? — ele sorriu.
— Nada, Jessie, nada.
— Conversa comigo, Will.
— Eu converso, é só que falar não vai ajudar em nada.
— Will, eu só...
— Não fala, por favor. Estávamos indo bem.
— Estávamos mesmo.
— Então, deixa pra lá. Vamos pra casa? — respirei fundo.
— Não.
— Não? — ele parecia bem surpreso.
— Quer ir ao cinema?
— Sério isso?
— Nossos pais vão chegar tarde e vamos ficar sozinhos em casa, cada um no seu quarto pensando em quão horrível está essa situação. Você não acha melhor se pularmos essa parte? — ele sorriu.
— Com certeza. Então, vai pagar a pipoca? — fingi surpresa.
— Fala sério, achei que fosse um cavalheiro.
— Eu sou, por isso vou pagar as entradas. Vamos lá.
>>o
— Não acredito que você realmente tenha me feito pagar a pipoca. — falei.
— Por que não? A ideia não foi sua?
— Mas no meu plano você pagava a pipoca.
— Seu plano tinha falhas.
— Percebi. — era bom estarmos tão bem.
Tínhamos andado por toda a Quinta Avenida atrás de roupas para o casamento, fomos ao Central Park e ao cinema, tudo isso sem nenhuma briga.
— Está pensando no quê? — perguntou Will.
— No fato de não termos brigado hoje. — ele sorriu.
— Ainda.
— Claro, ainda.
— Acha que aguenta mais um tempinho sem brigar? — perguntou.
— Acho que sim, por quê?
— Pensei se não poderíamos ir em um lugar mais interessante.
— O que você quer dizer com isso? — Will soltou uma gargalhada.
— Não precisa fazer essa cara. Eu quero te levar naquele rooftop que te levei quando nos conhecemos. — sorri.
— Aquele que dá pra ver as estrelas?
— Esse mesmo.
— Não sei se estou arrumada pra isso.
— Bom, podemos passar em casa. Guardamos as sacolas, tomamos um banho e vamos.
— Acho que alguém não quer ficar em casa.
— E não quero mesmo. — suspirei.
— Por que não? — ele sorriu.
— Por que eu não quero ficar em casa ou essa é você aceitando meu convite? — dei um tapa de leve no seu ombro.
— Não faça eu me arrepender.
— Isso vai ser divertido.
>>o
Larguei a sacola em cima da cama e tomei um banho rápido. Peguei um vestido preto básico, um salto vermelho não tão alto e uma bolsa prata. Levei pouquíssimo tempo ajeitando o cabelo e fazendo a maquiagem, por isso assim que terminei bati na porta do Will, mas como não ouvi barulho, abri assim mesmo.
Will estava saindo do banho com a toalha enrolada na cintura e se surpreendeu quando me viu. Confesso que eu também fiquei surpresa, esperava que ele já estivesse pronto. Quem eu estou querendo enganar, ele estava incrível só de toalha.
— Jessie? — pisquei duas ou três vezes.
— Ah, desculpe. Eu achei que já estivesse pronto.
— Desculpa. Eu tive que falar com meu pai e depois acabei perdendo a hora debaixo da água quente.
— Não, tudo bem é só que... — eu estava muito sem graça.
— Para de agir como se nunca tivesse visto. — Will estava tentando fazer graça, mas também estava constrangido.
— Acho que é por ter visto que eu estou assim.
— Eu... é... vou trocar de roupa no banheiro.
— Não, eu posso te esperar lá fora.
— Não precisa, fica a vontade. Dessa vez vou andar rápido.
Peguei a roupa que estava em cima da cama e entreguei a ele sem conseguir olhar pro seu rosto. Talvez por que esse era uma situação constrangedora ou por que eu não queria ter ideias.
Deitei na cama e liguei a Tv, poucos minutos depois, Will saiu do banheiro devidamente vestido secando o cabelo com a toalha.
— Desculpa te fazer esperar.
— Sem problemas. Está pronto?
— Falta só passar perfume. Você pode pegar minha carteira e meu celular?
— Claro.
Desliguei a Tv, peguei minha bolsa e coloquei as coisas dele dentro dela. Pelo canto do olho, prestei atenção no Will e em como ele ficava bonito quando não sabia que ninguém estava o olhando.
— Estou pronto. Vamos?
— Vamos.
— Ah, e Jessie, você está linda. — sorri.
— Obrigada.
>>o
O rooftop não estava muito cheio, por isso conseguimos pegar a mesma mesa que tínhamos ficado na primeira vez. Não por causa da lembrança, mas por que nela conseguíamos ver as estrelas.
— O que quer beber? — dei de ombros.
— Não sei. Pode escolher, afinal você está pagando. — ele sorriu.
— Estou?
— Com certeza está. Você me convidou lembra?
— Muito espertinha. Vou chamar o garçom.
Will escolheu dois drinks bem docinhos e um tipo de biscoitinho salgado para beliscar enquanto conversa. Eu estava me sentindo muito bem, além é claro de conseguir (depois de muito tempo) ver as estrelas.
— Você está sorrindo. — falou ele.
— Sim, estou.
— Por quê?
— Porque consigo ver as estrelas.
— Já estava com saudade?
— Estava. Obrigada por me trazer aqui.
— Sempre que quiser.
— Lembra quando viemos aqui a primeira vez? — ele sorriu.
— Lembro perfeitamente.
— Conversamos sobre o Nathan e a Megan, sobre nossos pais...
— Sobre o fato de você não saber viver. — sorri.
— Aquela foi uma noite especial.
— Foi sim. Quem diria que mudaríamos tanto?
— Será que mudamos pra melhor? — o garçom chegou com nossas bebidas em um timing quase perfeito.
— Quer saber minha opinião, Jessie?
— Quero.
— Acho que mudamos sim. O fato de não estarmos mais juntos não quer dizer que as coisas pioraram, só quer dizer que amadurecemos o suficiente para saber o que querer da vida.
— Fale por você. — seu sorriso ainda mexia tanto comigo.
— Ainda não sabe o que quer?
— Não faço ideia. Queria tanto ter essa certeza que você tem, acho que facilitaria as coisas pra nós dois.
— Talvez. Acho que as coisas estão acontecendo como deve. — franzi a testa.
— Acha mesmo?
— Acho sim. Sabe, Jessie, eu fiquei muito mal afinal eu te amava. Ainda amo, mas precisávamos desse tempo. Você pra ter certeza do que quer e eu pra organizar a minha vida.
— Achei que sua vida fosse organizada o suficiente.
— Se ela fosse organizada, você acha que teríamos terminado? — pensei a respeito.
— Não sei...
— Exatamente. Quero organizar a minha vida. Caso a gente volte a namorar, quero estar pronto para dar a atenção que você merece. E bom, se não for você, talvez a minha futura namorada também mereça.
— Você é um cara legal, William.
— Você também é uma garota legal, Jessica.
— Não sei não, olha o que eu fiz com você. — ele deu de ombros.
— Me falar a verdade? Não tem nada de errado nisso.
— Você acha que algum dia as coisas entre nós possam se resolver? — ele sorriu e beijou minha bochecha.
— Acho que já estão se resolvendo.
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