Notas iniciais
Gente, sinceramente, a Jessica é muito gente como gente. Não sabe o que quer... rs

>>o Ponto de vista: Jessica
Abri os olhos e estranhei o lugar, logo em seguida estranhei o braço que estava em volta de mim, fechei os olhos e abri mais uma vez. Então era isso, eu e o Will tínhamos dormido juntos exatamente do jeito que deitamos. Eu me sentia tão tranquila, quase em paz.
— Bom dia. — aquela voz rouca de manhã mexeu com cada cantinho do meu corpo e levantou muitas memórias.
— Bom dia. — respondi meio sem jeito.
— Não é que acabamos dormindo?
— Pois é, acontece. — Will se virou para me olhar.
— Por que você está sem graça? Nós não fizemos nada. — desviei meu olhar do seu.
— Eu sei, não estou sem graça por isso. É que bom... como eu posso dizer? Acordar com você é muito familiar pro meu corpo só que de outro jeito. — ele sorriu.
— Entendo, pro meu também.
Ficamos apenas alguns segundos em silêncio, olhando dentro dos olhos do outro, quando eu comecei a me mexer para levantar, Will me beijou. Fiquei tão surpresa que tive alguns segundos de delay, mas rapidamente me recuperei.
Seu beijo era desesperado, urgente, e eu retribuía na mesma proporção. Suas mãos apertavam minha cintura e me puxaram pra cima de si. Meu corpo pressionava o dele contra a cama, eu não queria parar pra respirar, se eu pudesse ficar assim pra sempre, eu ficava. Mas foi apenas uma chuva de verão, intensa, porém rápida.
Senti seu beijo suavizar e ele me colocou na cama novamente ao seu lado, nos afastamos devagar e ainda perdidos. Eu tinha que parar com isso, esse negócio de perder a cabeça por um momento não ia dar certo. Só ia me magoar mais e magoar as pessoas a minha volta.
— Você vai pra faculdade? — perguntou Will meio ofegante.
— Vou.
— Quer uma carona?
— Com certeza.
— Tudo bem.
Levantei da cama muito perdida, meu corpo estava reclamando da falta do calor, enquanto minha mente me recriminava por ter sido tão estúpida. Eu ia enlouquecer se continuasse com isso. Mas como sempre pode piorar, assim que abri a porta encontrei minha mãe e Richard subindo as escadas.
— Jessica? — perguntou minha mãe surpresa.
— Oi. — cadê um buraco no chão quando a gente precisa?
— Você sabe que esse é o quarto do Will, né?
— Claro que sei, mãe.
— Então, por que... — a frase ficou no ar. Eu olhei para minhas roupas e percebi que não podia fingir que tinha vindo de manhã.
— Eu dormi ali. — mais um momento de silêncio.
— Então, vocês voltaram? — perguntou Richard.
— Não.
— Vocês não voltaram? — minha mãe parecia indignada.
— Não, não voltamos.
— Jessica...
— Não aconteceu nada, okay? Eu fui conversar com o Will ontem à noite e acabamos pegando no sono, nada de espetacular.
— Hum...
— É sério, mãe. Acredite em mim se tivesse acontecido alguma coisa, meu humor estava muito melhor. — suspirei.
— Eu sinto muito. — falou ela.
— Eu também. Vou tomar um banho. — segui o meu caminho meio desanimada.
Eu estava muito irritada por ter deixado isso acontecer. Parte de mim queria tanto, tanto que isso acontecesse que deixei ela aparecer porque o meu lado racional fica vulnerável de manhã. E agora que ele acordou está acabando comigo.
Demorei o máximo que pude para me arrumar e fiquei o mais bonita possível, queria passar a sensação de estar mega confiante, quando eu desci todos já estavam terminando o café da manhã. O clima estava um tanto estranho, o que significava que eu (graças a Deus) tinha perdido uma conversa instigante.
— Achei que não desceria mais. — falou Will.
— Desculpe, eu demorei no banho.
— Claro que sim. — sua voz estava um tanto controlada, de um jeito indecifrável.
— Tenho que mandar os convites do casamento hoje. Então, Jessica, se você puder me falar quem quer convidar... — minha mãe estava cautelosa. Não sei por que todos estavam me tratando como se eu fosse uma bomba prestes a explodir.
— Quantas pessoas eu posso convidar?
— Não sei, talvez umas 10. Quero conhecer seus amigos.
— Eu posso pensar um pouco? Te digo na hora do almoço, tudo bem?
— Claro. Sem problemas. E vocês dois, por favor, escrevam uma lista só e me mandam, sim?
— Pode deixar.
— Bom, hora de ir. Vocês dois não demorem muito pra sair. — Richard estava se esforçando para parecer o mais natural possível e agradeci mentalmente pelo gesto.
— Só vou tomar café da manhã.
Minha mãe me deu um último beijo rápido e saiu com o Richard para o trabalho. Will estava ridiculamente quieto e mal me olhou quando eles saíram. Terminei meu café da manhã e subi para escovar os dentes. A curiosidade estava me matando, eu tinha certeza que a conversa antes de eu chegar na mesa foi constrangedora.
— Jessie, está pronta? — a voz do Will vinha da escada.
— Desço em um segundo.
Me olhei uma última vez no espelho e prometi pra mim mesma que ia devagar, prestar atenção no que estava fazendo, parar de agir por impulso antes que eu acabasse me magoando, mais.
Will estava me esperando pacientemente no fim da escada, com o celular na mão e a mochila nas costas. Ele parecia distraído e estava muito lindo assim. Sacudi a cabeça e forcei a minha mente a mudar o foco.
— Pronto. — falei e ele virou para me encarar.
— Então vamos.
— Desculpe pelo atraso.
— Sem problemas.
— Temos que fazer a lista juntos. — falei e ele sorriu.
— Pelo jeito, sim. Pode ir escrevendo, enquanto eu dirijo.
Era engraçado estar com o Will assim, como se fossemos amigos, talvez porque em momento nenhum fomos amigos. Desde que nos conhecemos existia aquele clima de "vamos nos beijar agora". Apenas uma palavra: esquisito.
— Então, vamos lá. — falei.
— Eu já sei quem quero convidar.
— Pode falar que eu estou anotando.
— Josh, Chelsea, Derek, Trina e... — ele parou meio receoso. Por favor, a Julie não. Qualquer um, menos a Julie.— E a Julie.
— Tem certeza? — perguntei e ele deu um meio sorriso.
— Sim, Jessica, tenho certeza.
— Okay, você que sabe.
— Agora, seus convidados.
— Charlie e Austin. Phelipe e Allison. Chris e Chloe.
— Você gosta de casais, hem... — dei de ombros.
— Coincidências.
— Pois bem, acho que já pode mandar pra sua mãe.
— Tem certeza que quer convidar a Julie? — Will suspirou e me lançou um olhar rápido.
— Somos amigos, Jessica. Convivemos um com o outro todo dia e sim, eu tenho certeza.
— Está certo, desculpe.
— Vocês vão acabar se entendendo...
— Eu e a Julie? Sem chance.
— Jessica, você tem uma ideia distorcida sobre fim de namoro. Eu estou solteiro, droga. Você, resolveu beijar o Josh assim que terminou comigo e eu não posso sequer conversar com a Julie. — não soube o que responder e pior de tudo é que eu sabia que ele estava certo.
— Que seja, convide ela.
— Eu já ia convidá-la. Com a sua permissão ou não.
— Tudo bem, William, eu entendi. Você está solteiro e eu também. Então, a próxima vez que alguém me levar pra casa não quero que você fale nem uma vogal diferente comigo, entendeu?
— Sim, senhora.
— Finalmente combinamos em algo.
Graças a Deus já tínhamos chegado na faculdade, porque sinceramente eu não sabia onde essa conversa ia parar. Muito relutantemente enviei a lista de convidados para minha mãe com o nome da Julie.
— Tenha um bom dia. — falei antes de sair e Will soltou um longo suspiro.
— Jessie...
— Tchau, William. Obrigada pela carona.
Saí andando sem olhar pra trás, irritada por ele estar certo e com raiva de mim mesma por ele estar certo. Ia demorar muito para que as coisas voltassem a ser normais com o Will. Ou a gente fica constrangido um com o outro ou a gente discute, nenhuma das opções parece ser interessante.
— Que cara é essa? Parece que vai sair laser dos seus olhos. — Chloe estava curiosa e preocupada.
— Will.
— Vocês brigaram?
— Ele quer convidar a Julie para o casamento dos nossos pais. — falei, Chloe fez uma careta, mas Chris me olhou confuso.
— E qual é o problema?
— Como assim, qual o problema? Eu não gosto dela.
— E o casamento é seu? — Chris parecia disposto a me contrariar.
— Não, mas também não é dele.
— Se os seus pais autorizaram ele chamar quem quiser, quem é você para impedir?
— Eu sou a... — parei no meio da frase. Chris estava certo, o que eu era?
— Viu? Você é a ex-namorada. Saiba que esse título não tem muitos privilégios.
— Mas, poxa, parece que ele faz isso para me provocar.
— Talvez seja. — falou Chloe.
— Jessica, eles são amigos. Entende isso de uma vez. — resolvi ignorá-lo.
— E por que ele ia querer me provocar? — Chris revirou os olhos.
— Porque ele é homem. E é isso que fazemos. — sua voz tinha uma leve pitada de ironia.
— Vocês provocam?
— Chloe, explica pra ela.
— Bom, imagina você na posição dele. Você termina com a garota porque ela não te ama, aí ela...
— Como você sabe disso? — perguntei surpresa.
— Isso o quê?
— O porquê do Will ter terminado comigo, eu não contei pra vocês.
— Chris me contou. — virei para olhá-lo.
— E como você soube disso?
— Trina me contou.
— E como ela soube disso?
— Acho que foi a Chelsea.
— E quem contou pra Chelsea?
— Provavelmente o irmão dela.
— Mas, meu Deus, por que o meu desastre amoroso está sendo espalhado assim?
— Não tem filmes muito bons ultimamente.
— Eu posso terminar de falar? — perguntou Chloe.
— Continue.
— Enfim, imagina, você terminou com a garota que ama porque ela não ama você. Aí de repente ela aparece aparentemente bem, o que você ia pensar? Eu acho que o Will acha que você não gostava dele de verdade, então ele está convidando a Julie para provar que você se importa.
— Isso é loucura, sabe disso, né?
— Nem tão loucura. Uma parte dele acredita que está convidando a Julie porque eles são amigos, mas ele é homem, na verdade só quer fazer você sentir ciúmes. — revirei os olhos.
— Chris, isso é coisa de criança.
— Você ouviu a parte que eu disse que ele é homem?
— Vocês, homens, são muito complicados.
— Obrigado.
— De qualquer maneira, ele vai convidar a Julie e você não pode impedir. — Chloe estava irritantemente certa.
— Será que algum dia eu vou parar de me importar com ela?
— Claro que sim. Essas coisas passam depois de um tempo, não se preocupe. — suspirei.
— Tem razão. Não gostar dela é muito irracional, ela nunca me fez nada.
— Obviamente é irracional. Você só não gosta da Julie porque ela é muito gata, coisa que nem culpa dela é. — Chris também estava irritantemente certo. Já estava na hora de trocar de amigos.
— Eu sei, eu sei. Vamos estudar alguma coisa. Quero parar de pensar nisso.
— Não é tão fácil assim, minha cara Jessica. Mas vale a tentativa.
— De qualquer maneira, estão convidados para o casamento da minha mãe, então sejam legais.
— Que gentileza, Jessie. — Chloe parecia radiante.
— O mínimo que você podia fazer, né?
— O mínimo?
— É claro. Estamos a muito tempo ouvindo sobre a sua vida. Seria legal retribuir isso de vez em quando.
— Uau. — falei e Chris sorriu.
— Estou brincando. Valeu pelo convite, de verdade.
— De nada.
— Vocês convidaram a Trina, certo? — sorri.
— Com certeza.
— Ótimo. Vai ser divertido.
— Ah, não! Se você ficar a festa toda com a Trina, o que eu vou ficar fazendo? — perguntou Chloe.
— Não se preocupe, pode ficar comigo e Josh. — ela revirou os olhos.
— Yup!

>>o
— Jessica... — Josh vinha correndo na minha direção com uma cara estranha.
— E aí?
— Você já está indo embora?
— Estou.
— Podemos ir comer alguma coisa? Quero conversar com você.
— Claro.
— Vou pegar o carro.
Josh parecia ansioso o que me deixava curiosa. Eu torcia para que fosse algo banal, simples, porque de complicação minha vida já estava cheia.
— Jessica. — eu estava tão distraída que não tinha visto o carro do Will se aproximar.
— Oi.
— Eu queria conversar com você, sei que discutimos hoje de manhã e eu não queria chegar em casa nesse clima.
— Certo.
— Já está indo embora? Eu posso te dar uma carona... — eu pensei em falar que ia sair com o Josh, mas isso não ia ajudar na reconciliação.
— Não, ainda não.
— Ah, hum... tudo bem. A gente pode conversar em casa. — mas para infelicidade, a Lei de Murphy entrou em ação.
— Jessica. — o carro do Josh parou do meu outro lado, me deixando sem graça na hora.
A ironia estava na situação, eu no meio entre o Josh e o Will, quase fiquei com vontade de rir.
— Ah, oi.
— Fala aí, Will. — Josh estava sem jeito, o que não ajudava.
— Oi, Josh.
— Então, vamos? — Ah, droga, ele disse.
— Vocês vão sair? — perguntou Will.
— Vamos comer alguma coisa. — eu olhei de relance para o rosto do Will e quase pedi desculpa. Quase.
— Ah... hum... Vejo você em casa, Jessica.
Will me deu um último olhar derrotado e saiu com o carro me deixando parada e me sentindo muito mal, embora eu não estivesse fazendo nada errado.
— Ei, Jessica, está tudo bem?
— Sim, é... acho que sim.
— Você e o Will brigaram?
— Mais ou menos, mas deixa isso pra lá. Vamos?
— Com certeza. — entrei no carro e tentei tirar o Will da minha mente.
Se passaram apenas alguns minutos em completo silêncio nada confortável. Eu sabia que assim como eu, Josh estava pensando na cara do Will.
— Jessie, me conte o que aconteceu. — respirei fundo.
— Ontem à noite eu e o Will brigamos porque ele soube que eu tinha chegado com você, mas depois fizemos as pazes e ficamos bem até hoje de manhã porque eu discuti com ele por causa da lista de convidados. Ele vai convidar a Julie. — Josh deu um meio sorriso sem humor.
— Claro que vai.
— O que quer dizer com isso?
— Nada, é só que... eu fico pensando se o que aconteceu ontem com a gente vai voltar a acontecer. — ah, não!
— Josh...
— Não, Jessie, eu sei. Sei que você precisa de um tempo, mas eu me imagino em desvantagem sabe? Você e o Will parecem tão ligados.
— Claro que somos ligados. Nós namoramos por bastante tempo, vivemos coisas, moramos na mesma casa... Acabamos de terminar, Josh.
— Eu entendo, Jessica. Entendo mesmo, mas mesmo assim eu só... — ele sorriu. — Deixa isso pra lá, é só minha insegurança aflorando.
— Eu sinto muito por fazer você passar por isso.
— Não é culpa sua.
— Ainda sim.
— Não, Jessie, esquece. Eu quero conversar com você, mas não é sobre nós dois... — ele parecia meio inseguro com essa última parte. Embora eu não quisesse admitir, existia um "nós dois".
— Então é sobre o quê? — ele abriu um sorriso nervoso.
— Daqui a pouco. Primeiro, vamos comer.
Josh parou em restaurante chique e eu fiz uma careta, era o tipo de coisa que eu não estava acostumada e procurava evitar para não passar vergonha.
— Josh, melhor eu não...
— O quê?
— Eu não estou arrumada para isso.
— Você está linda.
— Não, Josh, eu acho que...
— Jessie, eu já fiz a reserva.
— Com quantos meses de antecedência? — ele sorriu.
— Na verdade foi quando você falou que podia conversar comigo.
— Mas como...
— Já explico tudo, vamos entrar?
— Josh, eu não...
— Reserva, Jessie.
— Ah, okay. — agradeci mentalmente por ter me arrumado antes de sair de casa, embora não o suficiente para ir nesse lugar.
— Jessie, você está linda. — sorri.
— Para com isso.
— É sério. Devia acreditar nisso.
— Sim, eu deveria.
Tinha uma fila na porta do French, mas passamos direto e nos dirigimos à recepção. Uma mulher muito mais bem vestida que eu sorriu quando nos dirigimos para ela.
— Boa noite.
— Boa noite, nós temos uma reserva ás 19 horas.
— Sr e Sra. Lodge? — olhei para o Josh que sorriu.
— Isso mesmo.
— Queiram me acompanhar.
Seguimos a mulher pelo salão iluminado por lustres e cristais, as pessoas conversavam em voz muito baixa e se ouvia apenas o barulho das taças e garfos sendo deslizados suavemente no prato. A nossa mesa ficava no canto do salão e ao lado dela, um homem esperava por nós.
— Esperam que tenham um ótimo jantar. — disse a recepcionista.
— Obrigado. — o meître puxou a cadeira para que eu sentasse e eu agradeci com um sorriso.
— Gostariam do menu ou a sugestão do chef? — Josh me encarou perguntando.
— Por mim, pode ser a sugestão do chef.
— Então será isso. O que gostariam de beber? — dei de ombros meio sem jeito.
— Pode escolher. — falei pra Josh.
— Vinho tinto.
— Ótima escolha, senhor. — assim que o meître saiu, me virei para o Josh com um sorriso.
— Não precisava ter reservado esse restaurante, sério.
— Por que não?
— Ah, bom... acho que é demais pra mim, não?
— Não custa nada. Eu liguei pouco tempo atrás, nem precisei de muito trabalho...
— Como conseguiu isso?
— Bom, o pai do Justin é o dono daqui. Justin é o namorado da irmã do Phelipe, a Isabelle. Então eu liguei pra ele e ele reservou pra mim.
— Fácil assim?
— Fácil assim.
— Ainda assim, quanto custa jantar aqui? — ele sorriu.
— Não faz diferença.
— Josh...
— Eu te convidei, lembra?
— Sim, mas...
— Jessica, eu queria conversar sobre uma coisa. — suspirei.
— O quê aconteceu?
— Eu... — antes que pudesse terminar o meître chegou com nosso vinho. Esperamos em silêncio ele encher o nosso copo, estava irritantemente delicioso.
— Então... — Josh respirou fundo.
— Eu liguei para a Lílian. — eu imaginei milhões de coisas, menos isso.
— Sério?
— Sim.
— E aí?
— Aí que ela atendeu e ficou muito surpresa com a minha ligação.
— Nossa, imagino.
— Conversamos um pouco, perguntei como ela está e o que aconteceu depois que se mudou pra Austrália.
— E?
— Ela disse que está em Nova York. — dessa vez fiquei verdadeiramente surpresa.
— Aqui?
— Sim. Eu falei que queria conversar com ela.
— Você fez muito bem, Josh. Você precisa conversar com ela, acho que só assim vai se perdoar.
— No começo foi meio esquisito, sabe? Eu não sabia muito bem como agir com ela e o que falar. Na verdade, não sabia nem se ela ia me atender.
— Mas o que ela disse sobre conversar?
— Disse que podíamos marcar em algum lugar por aqui para conversarmos pessoalmente.
— Vai dar tudo certo.
— Eu queria que você viesse comigo.
— Como é?
Nossos pratos chegaram, e ficamos um tempo em silêncio só nos deliciando com a maravilhosidade que tinha chegado em nossa mesa. Risoto de cenoura rouxa era oficialmente meu prato favorito. Mas eu realmente precisava resolver algo.
— Josh, eu não sei se é uma boa ideia.
— Sei que pode parecer meio estranho pra você, mas eu preciso muito que você vá comigo.
— Tem certeza?
— Sim, por favor.
— Tudo bem. Eu vou, por você.
— Obrigado, de coração.
— De nada. Vocês já marcaram a data?
— Daqui a dois dias.
— Certo. Aonde?
— Em frente ao Rockefeller Center.
— Tudo bem.
— Jessica, sobre o Will... — fiz um sinal para que ele parasse.
— Não quero falar do Will. Eu sei que ele ficou chateado por me ver saindo com você porque ele queria conversar comigo também, mas acima de tudo somos amigos, eu posso sair com você se quiser.
— Falar é mais fácil.
— Eu sei disso, mas eu tenho que parar de me sentir culpada por sair com você. Eu e o Will não somos mais um casal e ele tem que aceitar isso.
— Se ele resolver começar a Julie como você se sentiria? — revirei os olhos.
— Isso é diferente, Josh. Eu nunca gostei dela.
— Então no meu caso é pior. Ele pode até falar que está tudo bem, mas no fundo ele se sente traído por mim e eu entendo isso.
— Não é culpa sua.
— Eu acho que ele sabe disso também, mas não faz diferença.
— Eu só espero que minha vida volte ao normal. — Josh deu um singelo sorriso.
— Eu também, Jessie. Eu também.

Notas finais
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