O Garoto, os Amigos, a Faculdade
17 Capítulo 17
Notas iniciais
Sabe, gente, eu chorei escrevendo, então por favor, chorem lendo..
Amo vocês!
>>o Ponto de vista: Jessica
Eu e a Charlie já tínhamos visto dois filmes quando a porta da frente abriu. Para minha surpresa, Will entrou com uma cara péssima o que me deixou péssima.— Charlie? — ele estava visivelmente surpreso.— E aí, Corrigan?— O que você está fazendo aqui? — ela sorriu.— Bom, a Jessica precisava de alguém para dividir o sorvete e o vinho. Como sou uma amiga incrível, peguei o carro e vim.— Ah... — e só aí ele olhou pra mim. Seu rosto estava um pouco vermelho, seus olhos estavam cansados e seu cabelo estava bagunçado como se ele tivesse passado a mão por ele várias vezes.— Já está na minha hora. — falou Charlie.— Tem certeza? — perguntei meio sem jeito.— Tenho sim, querida. Está na hora de você e o Mr. Perfect terem uma conversa. — Will deu um sorriso fraco.— Estou longe de ser o Mr. Perfect. — Charlie deu de ombros.— Você deveria se enxergar pelos olhos da Jessica, assim entenderia. — ele me olhou de relance e suspirou. Em silêncio, Charlie recolheu suas coisas e me abraçou. Seu abraço era apertado e dizia milhões de coisas: que ela estava lá se eu precisasse e que não importava a distância, ela viria.— Te amo, Jessica. E já estou com saudade.— Eu também, Charlotte. — ela beijou minha bochecha com suavidade. Will continuava parado no mesmo lugar, então Charlie foi em sua direção e o abraçou pegando ele de surpresa. Mesmo assim, ele retribuiu com um sorriso. Para minha extrema curiosidade, ela sussurrou algo no ouvido dele que o fez arregalar os olhos. Depois de um tempo, se afastaram e Charlie beijou sua bochecha com a mesma suavidade.— A gente se vê, Corrigan. E você, Jessica, saiba que Yale não é tão longe assim. Assim que Charlie saiu, o silêncio ficou constrangedor. Eu não queria quebrá-lo, mas queria falar alguma coisa. Me explicar, talvez, mas me conhecia o suficiente para saber que ia começar a tagarelar.— Jessica.— Oi. — estávamos totalmente sem jeito um com o outro e isso não era bom.— Ainda tem vinho? — suspirei.— Está na geladeira. Depois de algum tempo, ele veio com uma taça na mão e a garrafa na outra. Em silêncio sentou do meu lado e se serviu, colocou um pouco na minha taça sem perguntar se eu queria, mas não o interrompi.— A gente tem mesmo que conversar. — falou Will.— Sim, nós temos. — ele suspirou.— Pode falar. — dei de ombros.— O que você quer que eu diga?— A verdade. Quero que me conte como isso aconteceu, como chegou a esse ponto. Me explica o que está acontecendo. Porque, Jessica, tínhamos um namoro normal até entrar na faculdade, depois tudo começou a desandar. Começamos a brigar mais e discutir até que estamos aqui. O Josh, Jessica. E o pior de tudo é que eu não consigo odiar você. Por que eu não consigo te odiar, Jessie? — Will... — eu não sabia por onde começar, nem o que dizer.— Olha, antes de você me dizer o que tem pra dizer, quero que você entenda que eu preciso da verdade. Quando a Megan me traiu, tudo o que eu sentia por ela era raiva e ódio, mas tudo o que eu consigo sentir por você é decepção e uma pitada de esperança. — ele deu uma breve pausa. — Então, Jessica, o que aconteceu?— A culpa é minha. Eu não conseguia mais a sua atenção e isso estava acabando comigo. Eu queria entender os seus motivos, queria mesmo, mas tudo o que eu sentia era insegurança. Quando você me disse que estava o tempo todo com a Julie, eu não consegui controlar. Eu tinha medo de perder você, sua atenção, seus sentimentos por mim, eu só... Eu estava muito insegura, mas me sentia uma idiota por me sentir assim. Então eu liguei para o Josh e nós conversamos um pouco. Ele foi um amigo incrível naquele momento e eu percebi que podia contar com ele para dizer as coisas que você não dizia. Não quero te culpar, nem nada, só que eu precisava tanto ouvir o quão era linda e perfeita como a Julie que nem percebi que estava te perdendo. — Jessica...— Não, me deixa terminar. A culpa não era e não é sua. Você não deveria precisar dizer isso pra mim o tempo todo. Eu deveria saber disso. Eu tinha que buscar a satisfação comigo mesma em mim, mas isso é comigo não com você. De qualquer maneira, o que aconteceu foi que eu me aproximei de mais do Josh, mais do que se julga necessário. Mas foi no dia em que eu fui para casa da Allison e do Phelipe fugindo de você, magoada e destruída emocionalmente que eu descobri que o Josh gostava de mim. E o que eu fiz? Ignorei isso e continuei seguindo esse mesmo caminho. Resolvi brincar com fogo. Não sei o que eu pensei, mas quando eu vi o Josh com a Julie, me senti como se tivesse acontecendo de novo. Mais uma vez, Sloane, estava tirando de mim o garoto que me falava o que eu queria ouvir. Senti ciúme e raiva como uma idiota, como uma criança. Dei uma pausa para respirar e o Will não disse nada, apenas esperou. Eu não estava olhando pra ele, senão não conseguiria falar nada. Apenas fixei em um ponto da parede e fiquei olhando pra ele.
— Eu achei que estivesse enlouquecendo, por isso fui na casa da Allison pra conversar com alguém e ele apareceu. Nós discutimos e eu disse que gostava dele, mas que era apaixonada por você e que isso me matava, esse impasse. Então ele me beijou, no impulso. Acabei retribuindo, também no impulso. E menos de um segundo depois estávamos nos afastando um do outro surpresos e arrependidos. — suspirei. — E essa é a história toda. Lentamente virei a cabeça para olhar para o Will. Ele me encarava como se me visse pela primeira vez. Seus olhos azuis estavam brilhantes e um pouco desfocados. Ele mexeu no cabelo e suspirou. Senti o meu rosto quente e com um susto percebi que estava chorando. As lágrimas caíram sem que eu percebesse.— Então, você gosta mesmo dele. — dei de ombros.— Não sei. Talvez eu goste dele ou goste apenas da atenção que ele me dá. Sinceramente, não sei. Will ficou em silêncio por tanto tempo que achei que não fosse falar mais nada. Por fim, ele pegou as minhas mãos e olhou dentro dos meus olhos.— Eu amo você. — suas palavras me pegaram muito de surpresa. Eu imaginei milhões de coisas, menos isso. — Eu amo você. Eu descobri isso no momento em que você me disse que tinha beijado o Josh. Sabe por quê? Porque a única coisa que eu conseguia pensar era em te conquistar de novo. Só que apenas uma coisa importa agora. — mais uma vez ele deu uma pausa e eu esperei. — Você me ama, Jessica? Eu queria tanto, tanto dizer que sim, mas eu não conseguia. Eu o amava? Amor era algo tão sério e ele parecia ter tanta certeza. Desviei os olhos e ele suspirou.— Eu já imaginava. — ele soltou as minhas mãos e levantou do sofá.— Espera, Will, espera. — eu peguei sua mão e apertei. — Eu... eu só...— Não, Jessica, tudo bem. Não posso te forçar a nada. Eu posso não saber muitas coisas, mas sei que o amor é algo natural, tem que nascer no nosso coração. Não posso te obrigar a me amar.— Mas eu quero te amar. — ele deu um sorriso singelo.— Querer é um começo, mas infelizmente não basta.— E o que acontece agora? Você... você vai... você... está terminando comigo? — essas não pareciam as palavras certas, elas sequer faziam sentido. Elas saíram estranhas ao meu próprio ouvido. Will fechou os olhos e soltou minha mão mais uma vez.— Sim, eu estou. — as lágrimas caíam como cachoeiras no meu rosto deixando minha visão turva, mas mesmo assim não me importei em secá-las.— Não, Will, não faz isso. Por favor.— Acredite em mim, essa era a última coisa que eu queria fazer. Mas estou fazendo isso por você. Você me disse que tinha que buscar satisfação em si mesma, portanto eu estou te dando espaço pra isso. Busque o amor, Jessica. Seja comigo ou não.— Para de falar assim, Will. Não estamos no século XV, isso não é um jogo de palavras bonitas e você não é Shakespeare. Isso não é justo. Eu quero você. — eu estava em completo desespero. Abracei ele pela cintura manchando sua camisa com as minhas lágrimas.— Jessica, você não precisa de mim. Você precisa de você mesma. Corra atrás disso e quando você se achar, me procure. Eu estarei no quarto no fim do corredor. Will pegou os meus braços e me afastou dele gentilmente. Seus olhos também estavam turvos e eu sabia que ele também queria chorar. Mesmo assim, ele secou as lágrimas da minha bochecha e beijou as últimas que insistiram em cair no meu rosto.— Sabe quando eu me apaixonei por você? No momento em que eu sequei as suas lágrimas na livraria quando você me contou do Nathan.— Will...— Eu amo você e eu espero que você encontre o amor também. Seus lábios encontraram os meus com uma gentileza que eu não achava possível. Seus braços apertavam a minha cintura e eu aprofundei o beijo meio desesperada. Eu podia sentir que era uma despedida e antes que eu pudesse sequer ir além ele se afastou. Will beijou a minha testa e saiu em direção ao seu quarto. Depois de um tempo em silêncio, fui para o meu quarto também e enchi a banheira. Chorei debaixo da água quente e deixei ela levar toda a tristeza que eu sentia. Eu queria poder apagar tudo o que tinha acontecido da minha mente, seguir com a minha vida ou talvez até invadir o quarto do Will, mas me forcei a ficar ali e chorar, muito.
Notas finais
Snif, snif
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