Notas iniciais
Seus lindos, acreditem em mim tudo pode piorar ... rs Amo vocês! Dedico esse capítulo a Adrielli Viana, que fez aniversário de 15 aninhos.. Parabéns, linda!

>>o Ponto de vista: Josh

Idiota, idiota, idiota. O Will nunca vai me perdoar, eu nunca vou me perdoar. Eu acabei de estragar tudo. Eu não podia ter perdido a cabeça, mas droga, por que ela falou que gostava de mim? Eu podia ver pelos olhos dela que era sincero. Isso é tão injusto!
Eu estava andando sem rumo pela rua, sentindo culpa e remoendo a merda que eu tinha feito. Eu estava com vontade de socar as coisas e de gritar. Eu queria ir correndo contar para o Will, ao mesmo tempo que queria pegar as minhas coisas e me mudar para as montanhas no Nepal.
Pensa, Josh, pensa. Você não pode beijar a garota e sair de casa como um criminoso. Ah meu Deus, eu beijei a Jessica. Eu beijei a Jessica. Eu realmente beijei a Jessica.
Embora a culpa estivesse acabando comigo, eu não conseguia tirar a imagem dela da minha mente. Ela retribuiu, ela não me afastou, não me empurrou, ela me puxou pra mais perto. Ela queria tanto quanto eu. Mas... que droga, o que eu vou fazer?

>>o Ponto de vista: Jessica
Eu passei alguns segundos processando o que tinha acabado de acontecer. Fiquei olhando pra porta de olhos arregalados, totalmente surpresa.
— Uau. — foi o Phelipe que quebrou o silêncio.
Caí no sofá e coloquei a cabeça entre as mãos. Deixei as lágrimas aparecerem. Eu tinha acabado de trair o Will, depois de prometer que faria tudo pra dar certo. Nossa, eu fiz a mesma coisa que a Megan fez com ele: o traí com seu amigo.
— Jessica. — Allison estava do meu lado e me abraçava enquanto eu chorava de soluçar.
— Eu não acredito que fiz isso.
— Na teoria você não fez nada, foi o Josh que te beijou. — falou Phelipe.
— Claro que fiz. Eu queria, Phelipe. Eu só percebi que queria quando ele me beijou, eu puxei ele pra mais perto. Eu... eu... eu traí o Will.
Ficou um silêncio na sala, a única coisa que se ouvia eram os meus soluços e a minha respiração pesada e descontrolada. Eu não podia ter feito isso, eu não podia. Como eu ia encarar o Will agora? Meu Deus eu tinha que contar pra ele.
— Jessica, para de se culpar.
— Parar de me culpar? Allison, eu beijei o melhor amigo do meu namorado. Eu beijei ele. A culpa é minha. Toda minha.
— Não, a culpa não é sua. A culpa é do Josh. Ele não deveria ter te beijado. Não se culpe por ter reagido. Seu corpo não sabe que não pode, ele reage ao que lhe agrada.
— E como eu vou falar isso para o Will?
— Falar? Você enlouqueceu? — perguntou Phelipe indignado.
— Eu tenho que falar. Eu não vou conseguir encará-lo se eu não contar.
— Você não pode contar, Jessica. Você vai acabar com seu namoro, vai acabar com a amizade dele com o Josh. Droga, Jessica, você vai destruir a vida do cara. — continuou Phelipe.
— Eu já estraguei tudo quando o beijei de volta, Phelipe. Você não entende? Eu não podia ter feito isso com ele. Depois de tudo o que ele passou com a Megan, agora eu vou e... Eu sou uma pessoa horrível.
— Ei, para. Você não é uma pessoa horrível. Você é uma pessoa. E pessoas erram, Jessica. Se o Will já passou por isso uma vez, você deve contar pra ele. Ele tem o direito de saber. — falou Allison.
— O quê? Allison, você também enlouqueceu?
— Phelipe, ele precisa saber.
— Não, ele não precisa. Isso não vai fazer bem pro cara.
— Claro que não vai fazer bem. Mas a verdade precisa ser dita.
— Você tem razão, Alli. Eu tenho que contar pra ele.
— Sim, você tem. — levantei do sofá e peguei meu telefone. — Espera, você vai fazer isso agora?
— Eu tenho que falar enquanto ainda tenho coragem.
— Mas você tem que falar isso pessoalmente.
— Eu sei, mas preciso saber onde ele está.
O telefone demorou pra chamar e eu quase torci para que ele não atendesse, mas (in)felizmente ele atendeu.
— Jessica?
— Will.
— Jessie, aconteceu alguma coisa?
— Você já está indo pra casa?
— Sim, eu chego em 10 minutos. De verdade.— engoli em seco.
— Nós precisamos conversar.
— O que aconteceu, Jessica?
— Em casa. — e desliguei.
— E agora? — perguntou Phelipe.
— Agora que eu vou pra casa encarar a verdade.

>>o
Assim que abri a porta de casa, vi o Will sentado na escada com uma cara preocupada. Ele levantou a cabeça e veio na minha direção com a testa franzida.
— Por favor, me conta o que está acontecendo.
— Acho que você deveria sentar.
— Que droga, Jessica, conta logo de uma vez. — respirei fundo e comecei.
Contei de todas as conversas que tive com o Josh, contei das conversas que tive com a Allison, contei tudo o que estava acontecendo. Seu rosto estava impassível, ele ouvia tudo atentamente até a parte que eu disse que o Josh me beijou, falei que eu correspondi mas que foi nessa hora que nos separamos em choque. Will fechou os olhos e ficou assim até eu terminar de contar. Ele sentou na escada e ficou em silêncio. Não disse nada por minutos, eu achei que teria que quebrar o silêncio, quando ele resolveu falar.
— Você gosta dele? — sua voz estava estranhamente controlada o que me deixou pior.
— Olha, Will, eu...
— Jessica, você gosta dele? — suspirei.
— Gosto, eu gosto dele. Mas eu sou apaixonada por você. Eu sei que você entende isso porque era apaixonado por mim e gostava da Megan. Claro que a situação é muito diferente, mas mesmo assim você entende que não é uma loucura da minha parte. — eu comecei a tagarelar sem parar, estava visivelmente nervosa.
— Eu queria que isso não estivesse acontecendo. — falou em um sussurro. Sua voz estava transformando meu coração em pequenos cacos.
— Will, eu... — antes que eu pudesse terminar, a campainha tocou.
Mais uma vez eu torci para que fosse algum psicopata, ou o carteiro ou qualquer pessoa menos aquela que estava parada na porta quando o Will abriu.
— Nós precisamos conversar... — começou Josh, quando me viu. Ele olhou pra mim e depois para o Will, e entendeu. — Cara, eu...
Will não esperou nada, apenas deu um soco no Josh. Eu fiquei em choque olhando aquela cena. Josh também ficou muito surpreso, seu nariz estava sangrando e ele não sabia muito o que fazer.
— Eu sei que eu mereço isso, mas...
— Sim, você merece. Merece até mais. Você foi a única pessoa que sabia o quanto a traição da Megan tinha me devastado, você ficou do meu lado e agora você beija a minha namorada?
— Eu sei que eu vacilei, cara, mas por favor, me escuta...
— Não quero ouvir você. Eu só quero que você saia daqui antes que eu soque sua cara de novo. — e bateu a porta.
Eu fiquei em choque encarando aquela cena, sem saber o que dizer, o que fazer. Não me mexi apenas levantei a cabeça e olhei para o Will. Seu rosto estava devastado e a decepção que estava nos seus olhos encheram os meus de lágrimas mais uma vez.
— Will, eu...
— Agora não, Jessica.
— Vamos conversar.
— AGORA NÃO! — fiquei em choque mais uma vez. Ele subiu as escadas e bateu a porta do quarto. Corri em direção ao meu quarto e fiz o mesmo deitando na cama e chorando até me perder no meio dos meus soluços.

>>o
Acordei com o despertador, mas a única coisa que eu queria era ficar na cama, comer sorvete e ver todos os filmes românticos idiotas do mundo. Infelizmente tive que levantar e seguir com a minha vida.
Eu quase torci para que o Will estivesse em casa, eu queria conversar com ele, pedir perdão, não sei. Eu queria fazer alguma coisa. Qualquer coisa. Então apenas peguei meu telefone e liguei para o meu refúgio de sentimentos: Charlotte.
— Alô?
— Charlie? — minha voz me traiu.
— Ei, Jessie o que aconteceu?— sem querer, as lágrimas estavam descendo.
— Charlie, eu estraguei tudo.
— Não fala assim. Não fala. Me conta o que aconteceu.
— Eu beijei o Josh, Charlie. Eu beijei ele.
— Você o quê? Como assim, Jessica? Não conta pela metade.
— Eu não sei o que fazer. Eu estraguei tudo, o Will deve me odiar. E odiar o Josh, Charlie, você tinha que ver ontem. O Will socou o nariz do Josh. Charlie, eu acabei com tudo...
— Jessica, você está tagarelando. Para um minuto. Me escuta, está prestando atenção?
— Estou.
— Você vai no mercado, vai comprar sorvete, chocolate e vinho. Depois vai selecionar uns quatro filmes e algumas músicas. Entendeu?
— Entendi. Mas no que isso vai me ajudar?
— Nossa, isso faz milagres. Chego aí em 1 hora e 34 minutos.
— Como é que é?
— Você precisa de mim, Jessica. E nós somos irmãs, então eu vou pegar o meu carro e ir para aí.
— Obrigada, Charlie, obrigada.
— Para de me agradecer. Eu já estou entrando no carro, vai no mercado e me espera pra comer.
— Eu te amo, Charlotte.
— Eu sei, querida. Eu sei.

>>o
Mandei uma mensagem para o Chris avisando que eu não ia pra faculdade e corri para o mercado para fazer o que Charlotte tinha pedido. Eu estava muito mal e pelas minhas comprar todo mundo sabia. Até a mulher do caixa falou: "Sinto muito, vai ficar tudo bem." Sorri e apenas assenti.
Enquanto a Charlie não chegava, organizei as coisas na sala e coloquei o sorvete no congelador. Eu estava com saudade demais dela e queria que nos encontrássemos em outras circunstâncias.
Quando a campainha tocou eu mal consegui controlar a minha ansiedade, saí correndo, mas assim que eu abri a porta e a vi parada ali com uma sacola de mercado eu só consegui chorar.
— Ei, Jessica, não. Não chora.
— Ai, Charlie. — ela me abraçou apertado e eu chorei no seu ombro, como sempre.
Nada era mais familiar do que aquele abraço, sua voz no meu ouvido dizendo que tudo ia ficar bem. Ela praticamente me arrastou para o sofá, sua mão fazia carinho no meu cabelo.
— Agora, Jessica, me conte o que aconteceu. Desde o começo.
Enquanto eu contava, Charlie tirou o sorvete do congelador e colocou outro. A história ficava menos pior com sorvete de chocolate com nozes e vinho. Quando eu terminei, ela me abraçou e ficamos assim por um tempo.
— Jessica, eu sou sua amiga, certo? Sei que eu provei isso vindo pra cá e por isso é minha obrigação falar que parte da culpa é mesmo sua.
— Eu sei, eu não devia ter correspondido.
— Não, não devia. Mas não me refiro a isso.
— Como assim?
— O que eu falei pra você quando você me ligou dizendo que estava com vontade de beijar o Josh? — dei de ombros. — Claro que não lembra. Eu disse: "Não beija o Josh. Simples! A fidelidade está nessa diferença. Você não consegue evitar sentir atração, mas consegue evitar o beijo".
— Disse? — ela sorriu
— Sim, eu disse e falei mais: "Vai acontecer de novo, por isso prepare-se. De resto, supere."
— Eu deveria ter me lembrado.
— Deveria sim. Agora querida, você tem que arcar com as consequências. Desde que o seu pai morreu, você se tornou inconsequente. Não estou falando que isso é ruim, claro que não, mas de alguma maneira você começou a ficar perto demais do fogo.
— Como assim?
— Bom, o Nathan era um idiota. Eu sabia, você sabia, todo mundo sabia. Mas mesmo assim, abria a janela pra ele todas as noites...
— Mas eu gostava dele, Charlie.
— Aí é que está. Sim, você gostava. E por causa disso tem que parar de pensar? Pra quê você usa essa cabeça? Querida, nossos sentimentos enganam muito, por isso temos o cérebro. — eu não sabia o que dizer. — E tem mais, depois apareceu o Will. Ele é o filho do namorado da sua mãe, você sabia o quanto se envolver com ele complicaria as coisas, mas você nem sequer pensou. Estava tão desesperada para esquecer o Nathan, que se jogou na frente do primeiro garoto lindo que apareceu.
— Mas Charlie...
— Não, Jessica, está na hora de me ouvir. O Will é um garoto incrível e um namorado extraordinário, mas podia não ser. Como você ia saber se nem esperou? Saiu com ele pra Nova York na primeira noite que se conheceram. Olha, eu sei que agora você é apaixonada por ele, mas você não parou pra pensar em momento nenhum. Agora tem o Josh. A partir do momento que você percebeu que estava sentindo algo por ele que não podia sentir, deveria ter se afastado. Mas não. Continuou indo atrás dele porque ele falava o que você queria ouvir e o Will não. Nathan te achava linda, mas aí ele começou a se interessar por outra garota então você automaticamente foi atrás de alguém que falasse o tempo todo o quão incrível você é. E depois fez a mesma coisa com o Josh. Assim que o Will parou de te mimar o tempo todo, você foi atrás de alguém que fizesse isso pra você.
Eu simplesmente fiquei encarando ela sem dizer nada. Talvez porque eu não tivesse nada pra dizer ou talvez porque para minha infelicidade ela tinha razão.
— O problema é comigo?
— Sim, o problema é com você. Eu sei que o seu pai era a pessoa mais fofolete do mundo com você, mas você não precisa de garoto nenhum para dizer o quão linda você é. Jessica, seu pai te amava e sabia que você era uma garota incrível. Para de procurar auto satisfação nos garotos. Seja por você, querida. — recomecei a chorar só que dessa vez as lágrimas caíam sem que eu me mexesse, sem desespero.
— Desde quando você sabe dessas coisas? — ela sorriu.
— A faculdade de Psicologia serve para algumas coisinhas.
— Eu senti a sua falta.
— Eu também.
— E o que eu faço agora?
— Chora. Come sorvete, bebe vinho, vê filme e chora. — sorri.
— Só isso?
— Agora, honey, a decisão é do Will.

>>o Ponto de vista: William
A pior coisa do seu melhor amigo ter beijado a sua namorada é que a única pessoa pra quem você quer contar isso é o seu melhor amigo. Eu estava andando sem rumo pela rua há horas, perdi um dia na faculdade. Mas eu precisava decidir algumas coisas e eu precisava urgente. Eu não conseguia falar com o Derek e se eu não falasse com alguém eu ia explodir, então em uma medida desesperada liguei para alguém que eu não falava faz tempo.
— Alô?
— Nathan?
— Corrigan? Nem sabia que você ainda tinha meu número.
— Nem eu. Eu estou desesperado. Você tem um tempo pra mim?
— Claro. O que aconteceu?
Eu contei tudo o que a Jessica tinha me contado, palavra por palavra, depois falei que tinha socado o nariz do Josh, falei que estava me sentindo um babaca e que não sabia o que fazer.
— Cara, que merda!
— Nem me fale. Eu nem sei mesmo o que fazer.
— Eu tenho uma ideia.— mas a voz que respondeu não era do Nathan.
— Quem é?
— Não reconheceu a minha voz? Assim você me ofende.
— Megan?
— Surpresa. Eu e Nathan estamos na praia, então meio que ouvi a conversa toda.
— Ah...
— Presta atenção! Como uma pessoa que já traiu você, eu posso dizer com certeza que você deveria dar uma chance pra ela.— revirei os olhos.
— Você só está dizendo isso porque eu deveria ter dado uma chance pra você.
— Na verdade não. Primeiro que eu não tive coragem de te contar e ela sim, ou seja, pontos a favor pra ela. Segunda coisa é que assim que você descobriu terminou comigo. Não parou pra pensar, não quis me ouvir, nem sequer piscou. Will, você sempre foi decidido e muito certinho. Você deve gostar muito dessa garota pra sequer pensar na possibilidade de perdoá-la.— fiquei sem saber o que dizer por um tempo.
— Acho que no fim, liguei pra pessoa certa.
— Essa é a minha garota.— falou Nathan com um certo divertimento.
— Megan, você disse que tinha uma ideia?
— Conversa com ela.
— Só isso?
— Pelo menos dê a ela a chance de se explicar. Acredito que todo mundo merece segundas chances.— fiquei um tanto sem graça.
— Olha, com você eu...
— Não, Will, tudo bem. As coisas aconteceram como tinham que acontecer. A Jessica é a sua garota e eu não. Então se eu fosse você não deixava ela escapar assim tão fácil.
— Eu sinto que a culpa é um pouco minha.
— E é. Olha, cara, eu magoei muito a Jessica e por experiência própria eu sei que ela é uma garota que vale a pena se ter por perto. Eu não tive coragem de abrir mão de algumas coisas por ela, mas espero que você tenha. — Nathan falava com tanta certeza que só pude concordar.
— Vou conversar com ela.
— Ótimo. Faça isso.
— E o Josh? — só de falar o nome dele, meu punho coçava pra socar alguma coisa.
— O Josh é um cara legal. Ele só estava lá quando você não estava. Não o culpe por isso. Tenho certeza que ele não fez por mal. Ele não fez isso pra sacanear você, ele fez isso porque gostava dela. Não pode culpá-lo por isso.— a Megan tinha meio que razão.
— Então eu tenho que perdoá-lo, simples assim.
— Pra começar você socou a cara dele. E depois você também deveria conversar com ele. Vocês são melhores amigos, e vamos combinar você já transou com a irmã do cara. — o Nathan falou com uma naturalidade que me pegou de surpresa.
— Como você sabe disso?
— É verdade?— a Megan estava (bem) surpresa.
— Bom, eu conversei com a Jessica sobre isso uma vez. Mas não importa, a questão é que você tem que conversar com os dois.— suspirei.
— Vocês dois tem razão. Eu tenho que resolver isso o quanto antes.
— Boa sorte. E Will, estou com saudade.— falou a Megan.
— De certa forma, eu também.
— Manda um beijo pra Jessica. Estou com muita saudade dela.
— Sem promessas.— pude ouvir sua risada antes de desligar.
Eu tinha que resolver meu problema com o Josh e a Jessica o quanto antes. Então voltei para o caminho de onde eu tinha vindo, hora de ir pra casa.

Notas finais
E aí, seus lindos?