O Fruto Proibido
2 Como você foi capaz?
Notas iniciais
Emma Pov’s
Durante 17 anos eu cresci num Castelo cheio de regras, vivi sempre sob protecção máxima, afinal eu era uma “princesa”. Eu tentava a todo o custo libertar-me dessas coisas que me eram impostas. Passava os meus dias a cavalgar pelos campos verdes e a lutar contra os guardas do meu avô. Eu não queria ser uma princesa, encontrar o meu príncipe encantado e vestir vestidinhos cheios de folhos e que fazem comichão. Eu queria ser eu mesma, encontrar o meu amor verdadeiro, onde quer que ele estivesse, queria poder usar as minhas botas de cano-alto, vestir as minhas calças e ser LIVRE. Eu queria ser uma Guerreira e defender o meu reino e o meu povo.
Quando fiz 18 anos decidi que estava na hora de tomar as rédeas da minha própria vida e que a partir de agora eu estava no controle. Tive uma conversa série e sincera com os meus pais. Disse-lhes tudo o que pensava, sentia e queria no futuro. Disse que provavelmente eu nunca seria aquilo que eles tinham planejado e pensado que eu seria.
No Futuro eu iria ser uma rainha que vai á Guerra por aquilo em que acredita, e que provavelmente não iria encontrar um príncipe encantado, o mais que eu poderia encontrar era uma princesa encantada. Isso mesmo, eu sou lésbica e tenho orgulho nisso, sou feliz assim e para mim, ser feliz é tudo.
A princípio eles não aceitaram muito bem, disseram-me que não era assim que era suposto a minha vida acontecer e que não era isso que eles queriam para mim. Andámos uns tempos em guerra e as coisas aqui pelo castelo ficaram complicadas.
Eu vivia com os meus pais, com meu avô Leopoldo, com Regina e seu pai Henry. Todos ficaram estranhos comigo, exceto ela, Regina a Rainha de um Reino que não a respeitava nem a amava. Eu gostava dela, mas não a conseguia ver como a minha avó, primeiro porque ela ao lado do meu avô parecia sua filha, depois nem era do meu sangue e a principal razão é que havia alguma coisa nela que me cativava de uma forma que não é suposto as avós cativarem as suas netas.
Um dia ela disse-me: Emma, minha querida, não te deixes levar por aquilo que os outros acham e dizem que é o correcto. Luta por ti, pelo que tu achas correto e por aquilo em tu acreditas. Ninguém pode fazer a tua felicidade a não seres tu”
Acho que ela me deu um conselho que ela própria não seguiu e quem vivia perto dela, quem realmente se importasse, sabia que ela não era feliz.
Eu segui o seu conselho e nos dias de hoje sou uma pessoa feliz, finalmente fui aceite por todos e deixei de ser controlada. Tenho aulas de luta, não uso vestidos, não calço saltos altos e muito menos uso maquilhagem.
Num dia igual aos outros dirigi-me aos aposentos de Regina e não pude acreditar no que eu vi. Regina nos braços de Graham, um simples caçador. Ela completamente entregue nos braços daquele ignóbil. Quando ela deu pela minha presença eu virei costas e bati com a porta, sem dar tempo para explicações. Sai correndo pelos corredores, uma lágrima solitária caiu pelo meu rosto, como ela tinha sido capaz? Como ela poderia ter feito isso?
Raiva, decepção e muito ciumes, essas palavras me definiam perfeitamente, meu desejo naquela hora foi rasgar aquele maldito caçador em mil pedaços, aquele infeliz bastardo tinha o que eu mais queria no mundo e de uma coisa eu estava decidida, aquela seria a ultima vez que ele tinha tocado na minha Regina. Chegando ao meu quarto comecei a destruir tudo que via pela frente, me sentia traída da pior forma possível, eu a amava com todas as minhas forças e vê-la em pleno coito com alguém que não era eu me destruiu.
Por longas horas fiquei pensando no que fazer, se eu contasse o que vi não só o maldito caçador seria executado mas também ela, isso eu não permitiria jamais, minha cabeça parecia que ia explodir junto com meu coração, eu era um misto de emoções e vontades e não conseguia mais me conter. Eu queria morrer com a dor daquela traição, queria matar aquele caçador, queria fazer Regina pagar o que tinha feito com a mesma dor que eu sentia agora e ao mesmo tempo eu não queria que nada de ruim acontecesse com ela, foi quando de repente a porta do meu quarto se abriu e ela entrou em toda sua gloria e explendor de rainha.
-Emma eu sei que você deve me odiar pelo que viu, só eu peço que pense bem no que vai fazer, a morte não me assusta mas não quero que inocentes como meu pai pagem pelo meu erro e nem quero morrer com você me odiando.
Ela veio em minha direcção dizendo tudo aquilo, tentou tocar em meu braço e minha primeira reacção foi me afastar, por um momento olhei fundo em seus olhos cor de avelã e deixei tudo que eu sentia ser extravassado através de palavras.
-Então agora pensa em teu pai? – Eu sorri em deboche. –Não pense que teu discurso me comove, me diga, quanto tempo isso vem acontecendo? , semanas?, meses? ANOS??!!.
Ela estava em choque com minhas palavras e com a agrecividade que fluia nelas, seus olhos já marejados e com lagrimas a beira de fluirem me fitavam em um pedido silencioso de perdão, que certamente eu não daria tão rapido.
-Como você pôde ter feito isso comigo Regina? Como?????. –Repeti aquela frase varias vezes interrompendo as tentativas da rainha se explicar e quando consegui fitar seu lindo rosto ele estavam ao prantos enquanto ela deixava meu quarto.
Não sei quanto tempo se passou desde que Regina havia saido do meu quarto, meus pais, lord Henry e meu avô estavam em viagem diplomatica e isso foi bom, não queria dar explicações sobre o estado do meu quarto e nem da raiva que me consumia. Depois de um banho rapido, para me recompor e esfriar a cabeça, vou ate o quarto de Regina. Eu sabia muito bem o preço que cobraria por meu silencio e definitivamente eu não deixaria a oportunidade passar.
Ao entrar no quarto percebo que minha rainha estava no banho, facto esse que agradeci mentalmente pois ela estava se livrando do cheiro desagradavel do idiota que lhe possuiu mais cedo, sem fazer nenhum barulho dispenso as damas de companhia que a ajudavam no banho e em seguida entro no banheiro, ela estava tão linda, os longos cabelos negros caidos pelos bordas da banheira, seu rosto limpo sem nenhuma maquiagem e seus olhos fechados desfrutando do calor e conforto da agua morna em seu corpo. Demora alguns instantes até que ela levante o olhar para mim e assim permanecemos por um tempo incalculavel, apenas nos olhando e mentalmente decidindo o rumo que nossas vidas seguiriam daqui em diante.
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