O Fogo de Eloin

1 I - O Regresso do Filho Pródigo


Notas iniciais
Peço desculpa se o capítulo não fizer muito sentido, mas a ideia ainda está fresca e há coisas que quem escreve sabe e acaba por não escrever.Vou tentar postar um capítulo todas as semanas, mas como a escola vai começar não sei se vai ser possível.Espero que gostem e que comentem, porque é-me fundamental que o façam, dá-me motivos para continuar a escrever.Obrigado. *capítulo com algumas pequenas alterações*

Dizem que foi Eloin que criou o mundo em que vivemos. Dizem que foi Sachz que destruiu a paz e a harmonia das Primeiras Criaturas. Dizem muitas coisas, os humanos, mas é tão pouco o que eles sabem. Em verdade vos digo, nem Eloin nem Sachz estavam lá na criação e destruição do mundo. Para ser honesto, ninguém lá estava. O mundo cria-se e destrói-se a si mesmo e nós somos meramente as criaturas de um novo ciclo. O primeiro, o último, ninguém sabe.

O meu nome não é importante porque eu não sou importante para a história. Conto-vos o que me contaram, e o que contaram à pessoa que me contou a mim. Nunca ninguém saberá o que se passou na realidade, mas esta é a verdade mais próxima da verdade mais verdadeira.

Aproximem-se, humanos, que a lenda arde

E enquanto o fogo a consome, e a cerveja nos aquece,

Enquanto a lua brilha, o riso é alto e não amanhece;

Aproximem-se, humanos, antes que seja esquecido

Aquilo que não se esquece.

Foi na manhã de Solstício que Mochk a viu pela primeira vez. A sua face era redonda e os seus olhos escuros brilhavam com a pouca luz daquela manhã invernal. A sua pele era escura, da cor do chocolate, e parecia tão macia que ele se teve de conter para não se aproximar dela e tocar as suas mãos, o que já era inapropriado por si só. A rapariga estava vestida com uma túnica de linho tingida de púrpura e com um longo casaco de pele de raposa, e do seu elegante pescoço pendia um lindo colar de prata, onde encrostado se encontrava uma pedra azul. Mochk deduziu que ela pertencia à realeza das terras exóticas a sul do Rio Prata, local que ele só visitara em livros.

– Apreça-te, rapaz! – falou o ferreiro, que tal como ele esperava na fila por uma senha de refeição dada por um dos guardas do Rei Kaim. Ele não notara que já chegara a sua vez, e apercebeu-se que era o único a olhar a rapariga. Esticando o braço e abrindo a mão, esperou que o guarda finalmente se decidisse a colocar a senha na sua mão calejada e cheia de sujidade.

Apressou-se a entrar no seu Palácio Mental para deixar de comtemplar a rapariga e voltar à sua vida rotineira, mas foi difícil deixar de pensar na beleza de tal criatura, uma beleza que só se presenciaria uma vez na vida. Dirigiu-se à estalagem da aldeia e apresentou a sua senha. Sentou-se numa mesa afastada e esperou pela taça de guisado e pelo copo de vinho aguado que lhe era destinado.

A sua refeição não durou muito tempo, e quando acabou saiu e dirigiu-se para a casa abandonada onde dormira nas últimas noites. Colocou os seus parcos pertences na sua mochila velha e remendada e partiu da aldeia para o único sítio que lhe restava: o Palácio de Merrean, onde os seus pais governavam desde as Montanhas de Syl, no canto mais a norte do mundo, até aos vales de Merr, onde, a poucos quilómetros para sul dos mesmos, se encontrava o Rio Prata.

Mochk fugira de casa há anos. A vida de rua passa mais devagar e parecia-lhe que tinha fugido há séculos. Cada dia parece uma vida, com a morte à espreita e a esperança a morrer lentamente quando é percetível o verdadeiro estado de miséria em que se encontra quem por essas vidas anda. Fora estúpido, e ele sabia-o, mas o seu coração selvagem não lhe permitiu permanecer no palácio. E agora ali estava ele, um príncipe perdido que queria, por fim, ser encontrado.

Mochk não soube quantos dias vagueou pelos vales. Comia algumas folhas que encontrava e pedinchava aos habitantes das aldeias por onde passava. Conseguiu caçar alguns coelhos selvagens, mas eles não passavam mais do que sacos de ossos. Mesmo assim, guardou as peles para trocar por alguma comida. A Estrada do Rei estava completamente destruída, e cedo decidiu que seria mais fácil ir pela Floresta de Ghy do que saltitar por entre as pedras que tinham sido removidas da estrada sem razão aparente.

Fora numa estação nada gentil em que se decidira a regressar, e estava a pagar pela sua estupidez. Tremia constantemente e começava já a ficar azul. O seu pobre cobertor não o aquecia e a neve que começara a cair há alguns dias queimava-lhe os pés.

Mochk começou, então, a duvidar que chegaria ao Palácio com vida.

Notas finais
Sei que está pequeno, mas estava a pensar fazer o capítulo em duas partes e pensei que assim fosse melhor, porque o próximo já terá uma extensão mais agradável.