Notas iniciais
Putz, sinto que me precipitei postando a fic agora, mas eu precisava me distrair. Qualquer erro, ou falta de nexo, me informem, por favor! Não tenho tido tempo para mais nada! Apenas trabalho, das 5 da manhã as 23 da noite.
Desculpem os erros e o cap curto!

Ele sempre cuidava das flores à noite. Parecia ser um ritual dele, ou coisa parecida. De onde eu o admirava podia ver seu rosto, ainda mais luminoso. As estrelas daquele lugar eram generosas comigo. Mostravam-me toda a beleza daquele ser.

Fazia pouco tempo que eu havia me instalado naquela terra e o único a me tratar bem era ele. Ninguém quer conversar com um estrangeiro logo de cara. Ainda mais alguém como eu. Sou o maior por aqui e há quem pense que tenho algum tipo de pacto com demônios. Engraçado, pois há, também, quem pense o mesmo sobre ele.

- Ué? Pra onde ele foi? – perguntou-se Aldebaran. O gigante ficara tão entretido com seus pensamentos que nem mesmo vira o florista sumir de seu campo de visão. Pensou em se aproximar mais do local, mas recuou. Seu medo em assustá-lo era grande demais.

Na esperança que ele voltasse, ele esperou mais algum tempo embaixo de uma árvore grande e antiga. O pico que ficara olhando a noite toda agora estava totalmente vazio. E assim permaneceu até achar melhor ir embora.

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O dia começara quente. Os barulhos da rua, os comerciantes gritando, as crianças correndo e bagunçando, os militares perseguindo os ladrõezinhos, tudo isso irritava Aldebaran profundamente. O gigante forasteiro, que estava acostumado à calmaria de seu antigo vilarejo, só queria comprar o que precisava e voltar para o sossego de sua humilde casinha. Até que sentiu alguém tocar-lhe o braço.

- Flores?

Aquele rosto, que na noite passada era iluminado pelo brilho das estrelas, agora o encarava. Aldebaran deu um sorriso nervoso.

- U-uma... Por favor...

O florista pegou uma de suas flores cheias de vida e entregou a ele, que em troca deu-lhe uma moeda. Ele agradeceu e deixou o gigante para dar mais voltas pela praça oferecendo sua mercadoria.

Aldebaran ficou parado olhando para a flor que parecia brilhar. Tinha, ainda, gotas de orvalho nela. Seu perfume o deixava entorpecido. Ele não precisava de flores, mas compraria o cesto todo do florista se assim lhe fosse possível. Mas, possível não era. Estava gastando o que não podia comprando o que lhe era oferecido, e sem nem mesmo um trabalho, ele espremia o quanto podia para comprar o básico. Mas sentia algo por aquele misterioso florista que o fazia querer gastar até mesmo o que não tinha.

- Vê se acorda, grandalhão! — gritou um homem para Aldebaran. Ele não percebeu que trancava o caminho dele. Virou-se lentamente e o encarou. O homem recuou e Aldebaran saiu andando com a flor em mãos.

Do outro lado da praça, o florista olhava discretamente o curioso forasteiro que sempre comprava suas rosas. Não era belo como ele, mas tinha seus encantos. Um leve sorriso surgiu em seus lábios e, ao perceber, assustou-se com aquilo. O desfez imediatamente, voltando à face inexpressiva que exibia a grande maioria.

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Aldebaran chegou a sua casa e deu um longo suspiro. Esfregou a testa com as pontas dos dedos, demonstrando dor. Jogou em sua mesa as coisas que havia comprado. Olhou de relance e reparou na rosa. Ainda luminosa. Puxou a cadeira surrada e sentou-se para observá-la. Suas pétalas macias soltavam um perfume inconfundível. Trouxe-a mais perto para cheirá-la e sentiu como se sua dor tivesse sido amortecida. Afastou a rosa e a olhou com olhos serenos. Levantou-se e pegou um vaso de barro, o qual encheu d'água, e depositou a delicada planta nele. Acariciou, pétala por pétala, com os dedos a rosa. Começou a imaginar se o rosto do florista era tão macio quanto à flor. Sabia que era.

Ao final da tarde, cansado pelo calor e de tanto andar, ele sentou-se sob a sombra de uma árvore para repor as energias. Olhou para cima vendo a caminhada que teria pela frente até sua casa. Morar num pico como aquele, longe das pessoas que o irritavam, tinha seus prejuízos. Foi então que ele reparou. Podia ver claramente o topo de sua casa e parte do jardim. O gigante forasteiro tinha uma boa visão dali, afinal.

Ele sabia que estava sendo observado. Só não sabia desde quando isso acontecia. Porém, não achava que seu admirador fosse perigoso.

Afastando os pensamentos e tomando coragem, rumou até sua morada.

-x-

A noite chegara, mas, não a vontade de dormir. Aldebaran se virava na cama tentando encontrar uma posição melhor, mas de nada adiantava. Algo o inquietava, e ele sabia o que era. Bufou e esfregou o rosto, irritado. Fechou os olhos mais uma vez. Ainda assim não conseguia dormir. Rendendo-se ao seu desejo, pôs-se em pé e se vestiu. Postou-se em frente à porta, mas não se mexeu. Sentiu um frio na barriga. Hesitou, a mão parada próxima a maçaneta, e, num impulso, abriu-a e saiu de vez correndo em direção aquele pico.

Tropeçou várias vezes durante o caminho, chegando quase a cair, mas queria vê-lo. Quando chegou até sua costumeira árvore estava ofegante. Demorou alguns minutos até recompor-se, mas quando o fez teve o privilégio de encontrá-lo novamente.

Sentou-se naquele mesmo lugar e ficou observando-o. A única coisa que não compreendia era o motivo dele de cuidar das plantas àquela hora da noite. Numa tentativa, explicou a si mesmo que era para que estivessem frescas no outro dia. Mas, no fundo, sabia que havia mais ali. E era esse tom misterioso dele, junto da beleza, que o atraíram. Todavia, naquela noite ele não ficara tanto tempo quanto antes. Aldebaran se lamentou quando ele desapareceu mais cedo. Mas, agora o sono batia e ele não se deu ao luxo de esperar que o florista voltasse.

-x-

Ele cuidava das rosas com carinho. Era parte de seu dia-a-dia. Era a única hora em que se sentia querido. Não tinha ninguém, não conversava com ninguém. Escolheu por livre arbítrio a solidão. Não desperdiçava palavras com quem não as merecia. Só vendia flores a quem queria. E, por algum motivo que não compreendia, gostava de vender flores a ele.

Olhou de rabo de olho o homem sentado sob a árvore, no meio da noite. Percebeu como ele o encarava, mas não o encarou de volta. Deixou que se deliciasse com sua imagem, depois, sorrateiramente, saiu de seu alcance de vista. Desceu uma parte do morro alto, até perto de onde ele estava, tirou sua roupa e mergulhou. Examinava o homem, silencioso, quase parecendo um peixe. Prestava atenção em cada detalhe do corpo grande. Seu rosto era de feições duras, mas olhar brando, uma diferente combinação. Seus longos cabelos lisos caídos sobre os ombros. As mãos enormes e calejadas. Pensou em se aproximar, mas achou má idéia. Sabia, mais do que ninguém, que as aparências enganavam. Por fim, viu-o saindo um tanto decepcionado de onde estava.

Esperou em silêncio, para ter a certeza de que não havia ninguém ali, para que pudesse sair. Seus cabelos, que estavam espalhados pela água ao redor do corpo, agora grudavam formando uma veste dourada nele. Foi até perto de onde o estranho estava e debruçou-se sobre a terra para espiar, metade do corpo ficando dentro d’água. Não podia negar. Estava curioso com aquilo.

Nem bem o Sol nascia e lá estava ele, colhendo de suas flores e as depositando em um cesto. Seu rosto aparecia mais já que seus cabelos estavam presos por uma fita. Quando os primeiros raios tocaram a terra de seu canteiro, ele se levantou e rumou para o pé da colina.

Andava sem pressa, pois sabia que suas flores estariam lindas a hora que chegasse, mesmo que demorasse. Os cantos dos pássaros do bosque que o cercava, os feixes de luz que conseguiam passar por entre as folhas das árvores, os pequenos animais passando de uma árvore para outra, o cheiro da terra úmida, o delicado som da água corrente, tudo isso dava a ele uma sensação de calmaria. Não tinha pressa quando passava por ali. Foi quando notou. Há alguns metros de distancia, distraído com um pequeno animalzinho, encontrava-se seu admirador. Escondeu-se imediatamente atrás de uma árvore antiga. Não que estivesse com medo dele, mas sentiu certa vergonha. Só não sabia o motivo. E, questionando-se a mesma coisa tomou coragem e saiu de trás da árvore, rumando em direção ao estranho.

Respirou fundo e disse: — Bom dia... Flores?

Para sua própria surpresa, sua voz saiu mais humilde do que pensara. Não costumava ser assim com ninguém.

- Olá, bom dia! – Aldebaran levantara-se e olhava para ele. – Eu receio que hoje tenha de negar suas rosas...

- Oh... Certo. Não tem problema.

- Não é por mal. Por mim eu compraria uma todo dia, mas não posso.

- Sua esposa deve ser alérgica, ou você. Eu compreendo.

- Antes fosse isso... Eu nem esposa tenho! É que não sou daqui, e não tenho muito mais dinheiro. Apenas o suficiente para me manter mais um tempo. Depois disso não sei o que farei.

- Se precisa de dinheiro, por que não procura um trabalho ao invés de se enfiar neste bosque?

Para sua maior surpresa ainda, seu tom saiu mais rude do que intencionara. Ficou sem jeito, mas não pediu desculpas.

- Eu já tentei... Enquanto não consigo nada, vou fazer alguns vasos e jarras para vender. Há um local por aqui no bosque que possui um barro perfeito para isso.

- Boa sorte – disse ele com um sorrisinho de desdém. – Nenhum artesão consegue nada por aqui. Este é um vilarejo digno de pena.

Formou-se um grande “bico” no rosto do florista. Ele olhava para a direção da vila com certo asco.

- Ah, é mesmo! Ainda não me apresentei. Me chamo Aldebaran.

O grandalhão exibia um largo sorriso no rosto. Mas o florista nada disse. Nem mesmo retribuiu o gesto.

- Você não tem nome?

- Tive um, mas prefiro não ter mais.

- Ora, vamos lá, diga seu nome. Senão, do que vou chamá-lo?

- Me chame de “florista”. Todos me chamam assim.

- Mas, eu não sou todos.

- Então não é ninguém. Agora, se me der licença, tenho que vender algumas flores.

Deu as costas para o estrangeiro e saiu andando em direção a vila.

Ao contrario de muitos, Aldebaran não se sentiu chateado com o que o florista dissera. Sentiu pena dele.

O dia passara rápido para Aldebaran. Ele se distraíra fazendo seus vasos, e ainda estava contente por ter conversado com o florista, mesmo que tão pouco. Sentia-se leve e esperançoso. Só não sabia a razão. Naquele momento ele guardava seus poucos materiais dentro de sua casa quando uma idéia lhe surgiu. Pegou o vaso que mais achava bonito e o colocou num saco de pano. Fechou suas janelas de madeira e suas portas, saindo na esperança de encontrar o alvo de sua admiração.

O mesmo bosque em que o encontrara agora estava silencioso. Ouvia-se apenas o pio da coruja e seus próprios passos. Não estava tão tarde, nem tão escuro, mas, abaixo de tantos galhos de árvores, a pouca luz mal passava.

Esperou por ele por um bom tempo. Achou que ele voltaria à noite. Mas não aconteceu. Preocupou-se e, num impulso impensado, foi até sua costumeira árvore.

Se o dia passara rápido para ele, aqueles minutos de espera pareciam não passar. Seu coração quase saía pela boca. Foi quando o avistou. O dourado de seus cabelos escondiam seu rosto. Viu-o erguendo os braços e os colocando para trás da cabeça, e então os fios dourados revelaram o rosto que tanto queria rever.

- Ei! — gritou sem pensar. Tapou sua boca imediatamente, torcendo para que o florista não o tivesse ouvido, mas ele ouvira.

Não só ouvira como respondera:

- O que quer? – gritou ele de cima do morro.

- Entregar-te isso!

Ele levantou o braço e revelou o jarro de barro.

- Desculpe! Não tenho interesse em comprar jarros! Se você não tem dinheiro, eu tão pouco.

E entrou, deixando o outro sozinho.

Aldebaran sentiu-se envergonhado por um instante. Dera ao florista a idéia de que queria vender-lhe aquilo? Sentindo-se mal por aquilo, resolveu deixar o vaso embaixo da árvore que costumava ficar. Não escreveu nada. Apenas o deixou lá.

Notas finais
Eu tinha essa ideia ha algum tempo, resolvi colocá-la em ação. Espero que tenham gostado do comecinho...
Bjos ^3^