O Fim - As Crônicas dos Sete
2 Jared
Levantou-se rapidamente sem fôlego,já não era a primeira vez em que ele sonhava com aquela garotinha, é como se aquilo tudo fosse real de alguma maneira, que um dia seria sua filha, ele reconhecia bem aquele rosto daquele homem, mas com algumas diferenças, um rosto maltratado, castigado por tudo aquilo que aconteceu naquela sua história imaginária, mas reconhecia que era ele aquele homem. Mas não passava de um sonho totalmente esquisito e sem o menor nexo, era daquele tipo de sonho que parecia tão real, que ás vezes por alguns momentos você pensa que é real, mas pelo menos viu que poderia estar ainda em boa forma, mas infelizmente cabelos brancos estavam surgindo, mas era apenas um sonho. Era estranho pensar que talvez um dia ele encontrasse uma mulher que realmente valesse a pena, que ele poderia construir uma família de verdade, não tinha muitas esperanças com relação a isso, ele não era do tipo que as mulheres do Brasil gostavam, do tipo bonitão forte, ele tinha um pouco mais de um metro e sessenta, em forma nada além do normal para um rapaz da idade dele. Seu irmão mais velho Gerard era da mesma altura que ele,Jared tinha olhos verdes e cabelos castanhos um pouco grande, enquanto seu irmão tinha cabelos negros e curtos e olhos azuis. Nenhum dos dois conheceu seu pai, foram criados apenas por sua mãe Julie, seu pai fora um soldado da Inglaterra, mas morrerá em uma missão de seu país quando Jared tinha apenas quatro anos de idade. Sua mãe tinha alguns amigos no Brasil e resolveu ir para lá apenas tirar o pai deles do pensamento. Comprou uma casa na rua Euclides Pacheco, no bairro do Tatuapé na cidade de São Paulo, a maior capital do Brasil, e a mais importante. A cidade era imensa e com uma diversidade cultura maior ainda, apesar de que algumas coisas não eram realmente culturais e simplesmente abominações ideológicas inúteis que boa parte dos jovens brasileiros e até alguns mais velhos gostavam muito. Jared odiava aquelas coisas idiotas e sem sentido, principalmente na época do Carnaval, ele nem ligava a televisão. Ele não gostava realmente dessa ignorância brasileira, boa parte deles preferiam o prazer momentâneo do que lutar pelos seus direitos. Os brasileiros faziam algumas manifestações, que ele sabia que eram inúteis, pois o povo brasileiro não foi feito para lutar, por que eles têm medo de fazer o que é necessário, tem medo de guerra, mas como fora criado por uma inglesa, sabia que os brasileiros nunca iriam sair do buraco de sociedade em que viviam se não pegassem em armas contra seu governo. Um governo totalmente corrupto, não só naqueles dias, mas desde que o Brasil surgiu que a corrupção assolava aquele país. Jared não via a hora de ir embora dali, gostava de São Paulo, amava aquela cidade. Mas não pertencia aquele país.
Sua avó Martha, mãe de Julie vinha visitá-los uma vez por ano, para rever seus únicos netos, para uma mulher de setenta e três anos, ainda era uma mulher muito bonita, com seus longos cabelos ruivos, olhos azuis bem vivos cheios de vida, um corpo esguio, quando ela vinha no suposto inverno brasileiro, vinha vestida tipicamente como uma inglesa dos anos sessenta. A mãe de Jared tinha cabelos castanhos como os dele, e os olhos verdes também. Sua avó dizia que desde que seu pai havia falecido que sua mãe estava deixando de lado sua vida amorosa, mesmo ainda sendo uma mulher de quarenta e oito anos. Ela disse uma vez aos filhos quando eles perguntaram se ela teria vontade de conhecer alguém, ela respondera que o único homem da vida dela era o homem com quem ela casará e tivera eles dois. E que não precisava de mais nenhum. Mas sabia que não deveria se intrometer na vida de sua mãe mesmo sabendo que ela estava triste, provavelmente ela iria melhorar de animo assim que eles voltassem a morar na Inglaterra. Seu irmão estava nos Estados Unidos estudando já tinha quatro anos e se decidirá de que de Harvard ele iria direto para Londres para morar e trabalhar, Jared, no entanto pensava em ir para Oxford. Mas isso seria isso dali alguns meses quando terminasse sua faculdade de História da Arte.
Já era hora de se levantar e ir trabalhar na empresa que ele trabalhava já fazia dois anos como assistente de um consultor de obras de arte. Seu chefe era um cara maior que ele, mas era bem magro do tipo esquelético e já tinha uns cinquenta anos, mas parecia ter uns setenta. O homem o perturbava a cada cinco minutos querendo saber sobre as obras que estavam chegando na cidade e quais ele queria que viessem, e algumas que iam pra leilão e ele tinha que saber. Mas sempre que o Senhor Carvalho saia ou se trancava dentro de sua sala, ele entrava em algum site pra ver notícias ou no seu celular. Na maioria das vezes eram sempre notícias estúpidas sobre alguma celebridade que estava em algum relacionamento ou que estava se drogando.
Desde pequeno ia da sua casa até o bairro onde seus tios moravam para treinar kung-fu. Não que queria ser igual ao pai que sabia boxe ou algo do tipo, ele simplesmente se sentia bem em fazer exercícios. Sua mãe o colocará e seu irmão juntos, mas apenas Jared continuou. Começará em uma escola de artes marciais depois sua tia Sakura continuou ensinando ele, de vez em quando seu tio Miyoto tentava ensinar algo á ele, normalmente era algo que a sua tia já o ensinará. Ele considerava desde criança esse casal de descendentes de japoneses seus tios, pois eles eram antigos amigos da mãe dele na época em que ela estudava em Cambridge junto ao seu pai nos anos oitenta. Eles eram ótimas pessoas, tinham uma filha que era apenas um ano mais velha que ele. Jared e ela sempre se deram muito bem sempre muito amigos, até os dias de hoje mesmo ela tendo ido para o Japão estudar, os dois mantinham contato, muita gente achava que os dois ficariam juntos, mas Jared via Niuk apenas como uma irmã, ela sempre queria que ele ficasse com alguma das amigas dela antes de ela ir embora para o oriente. Toda vez que ia à casa dos Tojiama, no meio do caminho prestava muito atenção nas orientais da Liberdade, ele amava aquelas mulheres orientais. Eram poucas suas amizades mesmo na época da escola, talvez por ter sido um garoto que pensava mais em estudar do que em garotas, ele era considerado o anormal da sala. Ele não ligava, amava estudar e amava mais ainda ter conhecimento sobre diversas coisas, história, geografia, biologia, universo. Até seu irmão mais velho o achava muito estudioso demais, ele era um pouco tímido na realidade e quando adolescente um tanto excluído por não ligar para modinhas, ou não gostar do que os outros gostavam, ele preferia ter sua própria identidade, seus próprios gostos, não viver a sombras dos outros, uma vez ele disse á um colega que “Vou ser quem eu devo ser, não o que as pessoas querem que eu seja”. Na realidade essa atitude dele gerava grande conflito fora de casa, pois a maioria das pessoas da idade dele ou mais novas iam no embalo uma das outras, e ele seguia sempre outro caminho. Eram coisas como essa que faziam com que ele fosse excluído das outras pessoas da idade dele, simplesmente por ter mente própria, sem seguir o caminho dos outros.
Algumas garotas tentaram ficar com ele, ele até experimentou duas, mas as outras que queriam ficar com ele posteriormente simplesmente eram lá o que se podia dizer de mulher que eram mulheres decentes, apenas queriam usá-lo e jogá-lo fora, ele dissera não algumas vezes e inventou desculpas em outras. Apesar de se sentir mal um dia por ter rejeitado algumas, ele tinha pensamentos antigos, de que o amor que vale a pena e não prazer momentâneo e barato, era um dos motivos pelos quais ele queria tanto sair do Brasil e ir para um lugar mais conservador como o Reino Unido, não que no Brasil não tivesse mulheres que valiam a pena, Jared simplesmente sabia que eram poucas e que essas poucas ou já estavam namorando, ou casadas ou até mesmo desistiram de encontrarem um homem por simplesmente a maioria deles não valerem nada. Talvez quem sabe ele ficasse realmente com Niuk caso não encontrasse nenhuma outra, mas sabia que não ia conseguir pois não poderia mentir dizendo que a amava, sendo que seu sentimento por ela era de amigo. Ele a respeitava demais para mentir tão idiotamente.
Finalmente era hora de se levantar e ir para o trabalho antes que se atrasasse, deixar esses pensamentos para trás, depois de tomar banho e fazer tudo que precisava foi tomar café da manhã sozinho, sua mãe trabalhava em Guarulhos em uma multinacional, enquanto ele trabalhava a apenas quatro quadras da casa deles. Ele saia sempre sete e quarenta da manhã para estar lá um pouco antes de o Senhor Carvalho chegar, e a recepcionista da empresa,chegava sempre no mesmo horário que Jared, ou antes, era uma mulher de meia idade, bem meiga e que trabalhava na empresa a mais tempo que o Senhor Carvalho, ela que havia pedido transferência para aquela filial antes mesmo do Senhor Carvalho entrar na empresa, ela havia ido para essa filial para poder estudar em uma faculdade ali perto em que ela estava terminando sua pós-graduação. Estranhamente para uma manhã de outono havia uma neblina até que bem densa, mas São Paulo era assim, em apenasem um dia poderia se ter o clima das quatro estações do ano. Muita gente reclamava daquilo, mas ele adorava aquela neblina, aquele frio da manhã, o revitalizava mais do que quando estava sol. O lugar onde ficava a empresa era em um local onde mais parecia uma casa normal de dois andares além do térreo que um escritório de Arte. No térreo ficavam alguns quadros e estatuas pequenas que eram de artistas que não eram conhecidos, mas obras muito bem feitas e a recepção onde a recepcionista Márcia ficava. No primeiro andar era tão bem espaçoso quanto o térreo, mas com duas salas bem espaçosas que era onde Jared ficava junto á uma moça chamada Deyse o ajudava com a pesquisa e descrição de obras que chegavam ao escritório ou que poderiam ir para lá. O segundo andar era sala de reunião e a sala do Senhor Carvalho.
Caminhava calmamente, mas atento aos carros pois na rua Tuiuti, era um local muito movimentado sempre havia carros, ônibus e motos passando por ali com muita rapidez mesmo com os faróis por ali. Chegou no escritório e achou estranho ver que ele era o primeiro, normalmente quem chegava primeiro era a recepcionista Márcia, então ele teve que abrir com a chave dele pois como o Senhor Carvalho sabia que ele morava perto e era de confiança poderia ter uma chave além de Márcia. Era raras as vezes em que ela se atrasava, Jared entrou normalmente mas não trancou o portão automático, apenas encostou para que os outros funcionários entrassem normalmente, em vez de subir para sua sala ficou na recepção para o caso de alguém chegar e não ter ninguém para atender algum cliente ou pessoa interessada naqueles trabalhos. Deyse chegou minutos depois dele.
– Bom dia Jay! – respondeu a moça negra alta sorridente
– Bom dia Deyse. – respondeu retribuindo o sorriso da moça
– A Márcia ainda não chegou? – perguntou olhando em volta procurando ver se a recepcionista poderia estar em algum outro lugar – Ela sempre chega no horário.
– Sim, verdade. Mas parece que ela vai chegar um pouco tarde. – respondeu educadamente – Provável que ela ligue avisando o motivo do atraso, mas o Carvalho não vai gostar nada do atraso dela. – um frio correu pelo corpo.
Tinha pena da bronca em que Márcia iria levar do Senhor Carvalho pelo atraso. Pediu para que Deyse subisse e visse o que tinham pra fazer naquele dia, era melhor adiantar as coisas antes que o chefe chegasse, ele não gostava que as pesquisas ficassem para mais tarde. Enquanto isso ele ficou na recepção esperando Márcia ligar, mas ela não ligou. Quando deu oito e cinquenta da manhã e Mário Carvalho entrou pela porta da frente e olhou para o balcão onde estava Jared e ele sabia que o dia não seria nada agradável. Caminhou lentamente olhando ao redor, provavelmente procurando saber onde estava a recepcionista, o balcão que ficava á sete metros da porta naquele momento parecia estar numa distância pelos longos segundos que levou para ele chegar até o balcão.
– Onde está a Márcia? – perguntou colocando sua maleta em cima do balcão da recepção. Encarou Jared como sempre encarava qualquer subordinado dele, seus olhos grandes e negros eram inquisidores, suas sombrancelhas grossas ajudavama pôr medo.
– Ela ainda não chegou Senhor – respondeu prontamente.
– Nem ligou avisando o por quê? – perguntou logo em seguida com sua voz de serpente.
– Não senhor – infelizmente não poderia mentir por que vai que ela nem fosse trabalhar.
Ele ficou encarando Jared por uns segundos, pegou bruscamente sua maleta de cima do balcão e foi para sala dele. Poucos minutos depois das nove da manhã ele desceu e já foi direto a Jared.
– Quando a Márcia chegar, fale para ela ir a minha sala assim que eu voltar entendeu? – E foi embora do escritório.
Jared aproveitando pegou o jornal que Carvalho havia esquecido e começou a ler. As notícias principais eram de corrupção, e esportes, ele foi direto as notícias internacionais. Algumas falavam de ataques terroristas e outra notícia que era um trecho de umas vinte linhas sobre desaparecimentos na Europa e na América do Norte dentre outros países, mas pelo que dizia a matéria a maioria dos desaparecimentos eram na Europa Central. Mas era mais sensacionalismo do que realmente verdade. Sempre surgia nos jornais esse tipo de matéria com lendas urbanas acontecendo pelo mundo, da última vez que vira uma notícia assim, era que algumas pessoas na China haviam relatado que sombras de olhos vermelhos estavam possuindo as pessoas de uma região montanhosa no lado oeste do país. Era certo dizer que essas pessoas do interior não importa em qual país fosse, sempre inventavam essas histórias para por medo nas pessoas, a pessoa deveria ser muito inocente ou muito idiota para acreditar nessas histórias, era o que Jared pensava, ainda mais naqueles dias em que era provado que fantasia era fantasia, apenas lendas, nada, além disso. Mas os conspiratórios de plantão sempre faziam grandes alardes sobre essas histórias chulas. O mais provável era que algum grupo terrorista que estava sequestrando essas pessoas.
Márcia não apareceu o dia inteiro, e muito menos deu notícias. Ele e Deyse acharam estranha aquela atitude que não era o seu natural dela. Mas todos foram embora normalmente e Jared foi direto para a sua faculdade que ficava no bairro da Barra Funda. A aula foi muito interessante, era sobre Da Vinci, a faculdade ficava perto da estação de metrô. Após dar horário da saída da faculdade ele foi descendo a rua que estava tranquila ás dez e meia da noite, ele olhou pro lado viu uma pessoa atravessando a rua mais a sua direita bem uns cinquenta metros de distância, e duas luzes vindo na direção de Jared, e de repente um carro passou com tudo por ele junto com os seus faróis vermelhos e amarelos mais fortes, ele tinha pulado para trás para não ser atingido, levou um susto, não era para aquele carro estar correndo tanto numa rua movimentada como aquela, pelo menos a pessoa que estava a sua direita já tinha atravessado e estava indo na direção oposta da estação, era estranho, mas provável que fosse algum morador de rua. Dentro da estação não havia muita gente, ele pegou um livro sobre um trabalho da escola pra ler enquanto o trem não vinha, demorava uns cinco minutos para vir o trem naquela estação de metrô, pois ela era fim de linha. Seu celular começou a tocar, fechou o livro e atendeu.
– Alô.
– Jared, filho onde você está? – reconheceu a voz da mãe que estava chorosa.
– Estou na Barra Funda – achou estranho o modo como a voz dela saiu e logo perguntou – Mãe aconteceu alguma coisa ?
– Sua avó – falou ela com voz desesperada, mas em tom baixo.
– O que tem a Vovó? – já esta estava pensando em mil coisas ao mesmo tempo.
– O papai ligou aqui agora a pouco e eu não sabia mais o que fazer, se devia te avisar antes ou quando chegasse aqui – parecia que ela tentava se acalmar para poder falar, então ele esperou alguns segundos – Sua avó desapareceu.
Fale com o autor