A luz que vinha da janela do seu quarto começava a incomoda-la, sua colega de quarto Katherine já havia se levantado do seu quarto da frente. Pelo visto, foi apenas o que deu para perceber quando Anna sem se levantar, olhando para a sua porta entreaberta, viu de relance que sua amiga já havia se levantado, pelo menos a porta do quarto dela estava aberta, o que normalmente era sinal de que Katherine estava de pé em outro cômodo da casa. Com seus cabelos negros compridos atrapalhando um pouco a sua visão, sabia que sua amiga havia ido abrir as janelas. Já era costume Kate sempre acordando cedo para ir fazer café ou buscar algo na rua para elas comerem no café da manhã. Mas ela sabia que sua amiga não estava mais ali por que provavelmente estava arrumando suas malas para voltar ao Kentucky para acompanhar as investigações sobre o desaparecimento de sua irmã mais nova. Desde que ela recebera esta notícia de seus pais ela já não era a mesma, estava mais distraída, chorando quando pensava que Anna não estava por perto ou dentro do banheiro. Era triste ver sua amiga assim, foi ela que havia incentivado ela a sair do interior do Canadá para ir a Caltech estudar. As duas haviam se conhecido em uma vez que Anna tinha ido á um evento de pessoas que gostavam de quadrinhos, mangás, filmes em San Diego. Um dos motivos pelos quais ela foi para lá era pra esquecer-se de coisas que machucaram seu coração. Mas tinha que tirar aquilo da mente, ela prometeu a si mesmo que seria forte o bastante para superar tudo para ter um futuro na sua carreira de astrofísica, era seu sonho desde criança quando assistia documentários sobre o tempo e espaço na TV. Mesmo sua família sendo de bom nível social em sua cidade, não aprovava muito essa ideia de ela ser uma astrofísica. Diziam eles, que ela deveria ter uma profissão mais voltada para ter tempo de cuidar de marido e filhos, não viver só para o trabalho, pois isso não traria a ela bons rapazes. Ela não se importava nem um pouco com a opinião dos familiares e foi sozinha sem ajuda dos pais, e é claro que ela só foi por que havia ganhado uma bolsa de estudos, um teste que ela havia feito sem os pais dela saberem, que garantiu cem por cento de bolsa, levou também um dinheiro que ela havia ganhado ao longo dos anos como mesada dos pais, e mudou a senha na sua conta de banco, pois sabia que os pais iriam impedir a ida dela. Ela arranjou um emprego como assistente de uma professora que era astrônoma, era bom trabalhar com a sua professora e mesmo no trabalho aprender coisas incríveis sobre o universo, uma pena que sua família não partilhasse do mesmo sentimento de conquista dela. Ouviu algo quebrar e se levantou para ir ver, colocou sua pantufa de coelho cinza que ela adorava, foi a primeira coisa que comprou quando chegou em Pasadena. Saiu do seu quarto e olhou o quarto em frente e viu uma cama bagunçada, seguiu a sua direita saindo direto na pequena sala, e a esquerda era o banheiro e a cozinha em seguida. Já na porta da pequena cozinha viu Kate chorando e tentando pegar os cacos de vidro do chão.

— Deixa eu te ajudar – falou gentilmente pegando os cacos que Kate já havia pegado e pegando outros do chão.

Kate se levantou e foi lavar as mãos, enquanto Anna terminava de pegar os pequenos pedaços de vidro do chão e ia jogando todos no lixo perto da pia a sua frente. Como a cozinha era pequena, elas não tinham mesa. Na realidade a casa toda tinha cômodos pequenos, pois era mais barato o aluguel dela para as duas poderem pagar e se sustentar mensalmente com outras coisas de necessidade.

— Obrigado – ela fez uma pausa enquanto enxugava as mãos e com as próprias mãos enxugava as lágrimas – Vou hoje a tarde pra casa, ficarei lá até as férias terminarem.

— Tudo bem – começou dizendo Anna – Como as férias já começam amanhã, vou para Cambridge visitar o Howard. Ele disse que tinha umas coisas para me contar sobre uma pesquisa que ele vem fazendo sobre a biologia de novos seres de regiões montanhosas e isoladas de regiões asiáticas... – Falou tudo aquilo, mas percebeu que sua amiga não estava nem ali pelo visto.

Anna abraçou sua amiga, na realidade a fez chorar mais ainda, fez carinho nos cabelos castanhos e curtos da amiga, se sentiu mal por ter partilhado aquilo com ela, sendo que ela tinha coisas mais importantes pra pensar. Ajudou Kate a terminar de arrumar suas malas, pois sabia que a amiga não iria conseguir a tempo, para economizar tempo pediram pizza para o almoço. Não gostava de pensar que ia ficar sozinha naquela casa, mesmo que o campus ficava perto dali e muitos alunos ficariam lá por perto mesmo durante as férias. Aquela casa dava arrepios, mas ela não sabia por que, mas era melhor ali que na casa dos seus pais. Ás cinco da tarde o táxi já esperava as duas em frente a casa, não podia deixar sua melhor amiga ir sozinha até o aeroporto estando naquelas condições, não iria junto com ela para casa dos pais dela pois já tinha marcado sua viagem para visitar seu amigo de infância de North Bay no Canadá. Os dois sempre foram bem amigos, a família dele sempre foi amiga da família dela, cresceram juntos, ele até uma vez confessou que era apaixonado por ela, mas ela o via como um irmão e não queria magoar o coração dele.

Chegaram em quarenta minutos no aeroporto internacional de Los Angeles, estava lotado, um caos tremendo, com crianças chorando, confusão em embarques. Mas com uns poucos minutos de atraso Katherine conseguiu embarcar. Anna saiu de lá já pedindo mais duas pizzas, pois tinha que terminar de arrumar sua mochila para ir a Inglaterra, o caminho até em casa foi de pensamentos muito profundos sobre o passado que tivera, e o grande vazio que era não ter sua família por perto, apesar deles não serem o que ela queria ter como família, mas era sua família apesar de tudo. Chegando a frente da sua casa, ela pagou o taxista, já era pouco mais de oito da noite as casas estavam com suas luzes de fora acessas, ela havia se esquecido que iria voltar já á noite, e acabou não acendendo a luz de fora da sua casa, no meio do caminho até a porta passando pelo jardim de frente com grama mal aparada, olhou para sua direita e viu de relance á umas três casas de distância onde a luz da frente estava apagada, mas se via que havia gente lá dentro, pois alguma luz de dentro estava acesa, ela viu alguém correndo para parte de trás daquela casa, viu apenas o vulto, parecia que alguém estava usando algum tipo máscara em um tom de um vermelho bem vivo, mesmo rapidamente percebeu que a máscara estava apenas na região dos olhos. Ela se apressou a entrar em casa, aquilo á deixou apavorada, mas sabia o que fazer. Foi rapidamente abrindo a porta da frente entrando e acendendo tanto a luz de dentro quanto a de fora, foi direto ao seu quarto pegar na sua escrivaninha a nove milímetros que seu tio Carl havia dado á ela quando foi visitá-la logo quando chegou em Los Angeles, carregou a arma levando mais a caixa com os dois outros cartuchos e se sentou na sala ligando a TV deixando seu volume bem baixo e fechando a janela que ficava ao lado da porta e em frente o pequeno sofá de dois lugares e onde a TV ficava bem embaixo da janela, pois achava mais seguro ficar ali do que nos outros cômodos da casa, trancando a porta de cada um deles e fechando suas janelas, pois se o ladrão ou quem quer que fosse poderia ir das outras casas direto para ir na dela, ela saberia onde atirar com precisão e não ficar procurando em qual cômodo estava o criminoso, uma boa estratégia que seu tio a ensinou, que o salvou anos atrás quando ele ficou sozinho em sua casa e um delinquente entrou em sua casa e ele matou o bandido por ter feito essa estratégia.

Se passou vinte minutos depois que ela chegou em casa e a campainha tocou e ela quase atirou acidentalmente no próprio pé, a sorte que ela tirou o dedo do gatilho antes mesmo de ela ouvir a campainha, mas foi logo tranquilizada quando depois de ouvir a campainha o rapaz da pizza que ela já conhecia avisou com um grito de “PIZZA PIZZA”. Era um código que ela e Kate haviam combinado com Bob o rapaz da entrega, ela guardou a arma na cintura pro caso de um imprevisto, mas quando atendeu a porta realmente viu que era o pequeno rapaz branco de cabelos negros e sardas que sempre fazia as entregas em sua casa, ela tinha a suspeita que ele tinha uma queda por sua amiga.

— Oi Anna – cumprimentou o rapaz com um sorriso tímido – São trinta dólares e cinquenta centavos. – entregou as pizzas e ela o dinheiro – Vocês duas estão com fome hein. E a Kate como está?

— Oi Bob, as pizzas são só pra mim ok ! – ela sorriu fazendo uma careta de brincadeira para ele – A Kate foi pro Kentucky quase duas horas atrás – sorriu gentilmente.

— A sim – ele pensou por um momento – Verdade, ah espero que esteja tudo bem com a irmã dela e que ela volte logo. – ele se esforçou para sorrir, mas não foi muito bom.

— Não se preocupe, ela volta logo depois das férias – tentou tranquilizar o rapaz – Ai finalmente você poderá a chamar pra sair – sorriu maldosamente.

O garoto ficou muito vermelho se despediu dela e foi embora em sua moto. Mesmo assim depois de comer uma pizza inteira e ficar com medo de que estava engordando. Sabia que não engordaria, sempre magrela, branca demais com olhos azuis da cor do céu em um dia bem claro, ela sempre comia demais e nunca engordava, mas sempre achava que era questão de tempo, e não se importava com isso. Não foi para seu quarto, ela era um pouco paranoica com segurança, então achou melhor pegar alguns cobertores e dormir na sala mesmo. Por dormir no sofá, mesmo ela sendo pequena e o sofá menor ainda acabou por tendo dores nas costas, acordou desejando que durante o voou a poltrona do avião fosse bem macia, seu café da manhã foi pizza do dia anterior mesmo com café requentado do dia anterior. Seu voou era ás onze da manhã, mas para prevenir atrasos iria sair de casa ás oito, quando estava saindo de casa com sua mochila e uma mala com rodinhas que era mesma cinzenta que ela tinha chegado dois anos antes ali naquela casa, parou na calçada e viu ambulância, carros da polícia afastando pessoas ao redor daquela mesma casa onde ela tinha visto o vulto no dia anterior, seu táxi não tinha chegado ainda e um vizinho dela que ela conhecia da universidade que morava em frente a sua casa veio até ela.

— Você ficou sabendo que aconteceu Anna? – perguntou o gentil grandalhão de que sempre raspava o cabelo, chamado George.

— Não, o que aconteceu? – perguntou curiosa

— Parece que ontem a noite o rapaz que morava ali junto com um amigo meu, entrou em combustão espontânea – ele fez uma pausa pensando sobre o que haviam contado a ele – O meu amigo que encontrou ele com a pele toda queimada hoje de manhã quando ele voltou de uma festa.

— Você disse que só a pele tava queimada? – ela perguntou achando estranho.

— É eu sei, estranho não? – ele deu de ombros – Acho que essa combustão saiu pela culatra – ele sorriu gentilmente, se despediu dela e foi para o seu carro estacionado do outro lado da rua.

Cinco minutos depois seu táxi chegou, e ela foi para o aeroporto, mas com o pensamento no que ela tinha visto na noite anterior. Tinha medo do que ela poderia descobrir na volta de viagem quando talvez já tivessem resolvido o caso, ou o medo de descobrir durante a viagem.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.