O Fim

3 Capítulo 3


Notas iniciais
As águas termais.

Após algum tempo caminhando... Ou cavalgando, os quatro cavaleiros do Apocalipse encontram um pequeno povoado, pelo seu estado, a grande ditadura que envolvia a maior parte do Norte Europeu não havia prestado muita atenção nele.

Nesse povoado localizado na encosta de uma montanha, para a sorte dos quatro, havia piscinas naturais de água vulcânica. Exatamente o que nossos protagonistas estavam procurando.

Os quatro se encontravam na beira de uma dessas piscinas. Até que Morte começa a falar:

– Eu falei que se achássemos alguma cidade, haveria termas.

– Sim, o mais difícil foi encontrar uma cidade. Mas isso a gente abstrai. Vamos só curtir o momento. — Responde Fome entrando na piscina natural de água vulcânica com suas vestes de caçador.

– Fome, o que você pensa que está fazendo? — Guerra

– Hmmm... Entrando na piscina? — Fome

– Cara, você tem que entrar “realmente” no momento. — Guerra

– O que voe quer dizer? — Fome

– Tira as roupas cara. — Guerra

– Espera, nós “podemos” tirar nossas roupas? — Peste.

Guerra arranca suas ombreiras de metal dos ombros, com ela, sai seu capuz vermelho vinho e sua capa. Ele também retira a armadura que cobria seus braços e joelhos. Sua pele era avermelhada, e possuía um grande buraco no peito de onde saiam chamas, tão grande que era possível ver através dele sem dificuldade alguma. Logo em seguida, ele se vira para o resto dos seus companheiros e fala:

– Bem, na minha humilde opinião, acho que podemos tirar essas roupas sim. — Logo após dizer isso, Guerra entra na piscina. Essa era rodeado por neve, mas mesmo assim saia vapor de sua água.

– Nossa. Então está bem. — Fome

Fome então retira seu manto feito de peles. Ele não parecia possuir carne, apenas ossos envoltos em sua pele acinzentada. Até mesmo sua “ausência de face”, era ossuda e cadavérica. Morte se manifesta:

– Não sei se isso é uma boa ideia... — Morte

– Vamos lá, nem quando éramos humanos você tinha pudor algum perto de nós. Ainda mais agora, que não possuímos genitais... — Após completar essa frase, Peste suspira.

Morte não se manifesta ao comentário infeliz do Peste, ela apenas retira seu elmo grego completamente negro e com ele seu manto, que mantinha sempre fechado. Ao fazer isso, ela revela o um corpo feminino e voluptuoso, sua pele era enegrecida, um cinza quase negro. Seu rosto não era (tão) ausente como o dos outros, ela possuía nariz e boca, mas esses eram apenas ossos, brancos como o marfim. Enfim, nada que eles já não soubessem. Guerra fala:

– Às vezes me esqueço de como você é bonita. — Guerra

Morte entra na piscina com Guerra e Fome e responde:

– Eu mal me lembro de como era antes... Faz tanto tempo... Qual foi a última vez que nós sequer conversamos sobre isso? — Morte

– Já faz um tempinho... Bem, se não se incomodam, vou me juntar a vocês. — Peste

Peste vestia uma armadura de pedra, os musgos cresciam livremente nas inscrições dela, assim como insetos e plantas. A armadura vinha acompanhada de uma máscara, luvas, botas... Seu corpo não era visível. Quando ele começa a tirar suas vestimentas, qualquer desavisado ficaria abismado. Seu corpo era de um homem quase perfeito, sua pele era extremamente dourada, e ele simplesmente não possuía a cabeça acima do nariz.

Ele se junta aos outros na piscina. E um silêncio paira incessante... Mas não pois eles não haviam o que dizer, mas por não terem vistos seus próprios rostos (ou o que podiam chamar de rostos) já havia muito tempo.

– Por que... Por que nós? — Morte

– Como? — Peste, Fome e Guerra

– Por que fomos nós os escolhidos? Por que fomos tirados no meio do auge de nossas vidas para carregar o peso do mundo nos ombros? Por que fomos nós a virar monstros...?

– Se eu soubesse... Se qualquer um daqui soubesse, creio que já teríamos cumprido nosso papel há muito tempo... — Guerra.

– Isso é tão... Tão injusto! — Fala Morte abraçando suas pernas.

– Sim... Sim é injusto. Mas é nosso fardo. E agora devemos carregá-lo. E... E nós não estamos sozinhos, nunca estivemos, e nunca estaremos. Sempre teremos um ao outro para dividir esse fardo. — Fala Fome ao colocar a mão no ombro de Morte.

– Não fomos escolhidos para dividir um peso, para carregar um fardo, ou algo do tipo. Nossas atitudes definem o que somos, e quem julga o certo e o errado afinal? Deus? Nós não viramos monstros. Nós estamos acima disso tudo agora. Morte, nós viramos deuses. — Fala Guerra ao segurar as mãos de Morte. E, logo em seguida, olha para Fome.

– Ok. Deuses que não conseguem fazer a porra do próprio trabalho direito... — Peste

– Ahhhhh. Foda-se a humanidade. Foda-se esse grande amontoado de almas que insistem em continuar existindo. Vamos para outro lugar. — Morte

– Quem dera existir outro lugar... Já estivemos em todos os cantos desse mundo... — Fome

– Não outro lugar físico. Vamos para outro plano espiritual. Inferno, Paraíso, Limbo, Valhalla, Olimpo... Qualquer merda dessas.

– Para irmos para “qualquer merda dessas” precisamos terminar nosso trabalho. Que é, em suma, dar início ao Apocalipse.

– Por que não podemos explodir tudo mesmo? -Guerra

– Por causa das regras. Você não lembra caramba? Voz misteriosa vinda do além logo após nossa transformação explicando tudo que podíamos e não podíamos fazer? Lembra disso? — Peste

– Tenho uma vaga lembrança. — Guerra

– Isso mostra que você não perdeu sua sanidade... Por completo. Nós, simplesmente não podemos... Simples assim. — Peste.

Um minuto de silêncio ocorre, até que Morte o quebra.

– Mas... Nós não podemos... Ou não conseguimos fazer isso? — Guerra

– ... Creio que os dois... Ou... Só um já não basta? — Fome

Guerra se levanta da terma e fala:

– Não, não basta. E eu já sei o que vamos fazer.