O Filho do Inventor

31 Capítulo 31 - Adam & Thalia


Correndo feroz, gritando seu nome como já havia feito antes, Adam assistiu a grande queda de Thalia. Esta era uma cena muito dolorosa para ele, pois a última vez que a vira ser arremessada deste jeito, Thalia morrera e transformara-se em árvore, vítima de um tapa de um ciclope.

– Thalia! — sentiu as lágrimas chegando

Como a força utilizada por Hera havia sido maior, a queda de Thalia havia sido bem pior do que a de Luma. Se Luma já fraquejara e quase ficara inconsciente, Thalia desacordou na hora.

Tropeçando, Adam praticamente se jogou no chão ao lado dela, chorando.

– Não, não... — pensava alto — De novo não!

Agarrara os ombros dela, chacoalhando-a, esperando uma resposta. Definitivamente iria tentar de tudo. Definitivamente estava decidido a não ficar como das outras vezes, sem poder reagir.

– Thalia! — gritava

Sua subconsciência o repreendia por voltar a se importar tanto com ela, por correr atrás dela. Mas não tinha como não fazê-lo, afinal, era seu primeiro amor. Porém, de qualquer forma, tinha de se acalmar, aquilo não resolveria nada. Abraçou-a lentamente e derramou o pranto em seu ombro.

– De novo não, Thalia. Não vou vê-la partir de novo. Você é forte, resista. — sussurrava

Nada, Thalia não se mexia, embora respirasse fracamente.

– Resista! — disse enquanto derramava outra lágrima

Thalia deu um soluço, e abriu os olhos em espanto, sentando-se num pulo, ofegando.

– Thalia! — sorrindo, secou as lágrimas

– Adam! — ela arregalava os olhos, depois da grande descarga de energia que recebera de Hera

Lembrando-se de seu poder, Adam se aproximou mais dela, devagar.

– Adam, você...

– Está tudo bem, só vou... — sem terminar a frase, segurou na mão dela, delicadamente

Thalia encarava sua mão entrelaçada com a dele. Lentamente, levantou os olhos. Agora era Adam que sentia como se tivesse sido vítima de uma descarga elétrica. Nunca esqueceria aquele olhar. Ela parecia confusa, ofegante, mas num instante, acalmou-se; sua respiração se tornando lenta, a expressão menos surpresa.

– Você... — começou Thalia

Rapidamente, Adam soltou a mão dela e interrompeu sua fala:

– Só estou te ajudando, sem segundas intenções. — sorriu, sem graça — Se sente melhor?

Com as pernas expostas pelos shorts, seus joelhos e canelas estavam gravemente ralados, o cabelo extremamente bagunçado e cheio de grama, a bochecha ralada, sangrando levemente.

– S-sim, mas... — ela fez uma pausa, olhou para o chão com medo do que iria falar — Você realmente se importa comigo, não?

Adam corou. Agora quem tinha medo era ele. Já havia levado um fora, mas era um fora bom, do tipo que o ajudou a entender que nunca daria certo de qualquer forma. O fez abrir os olhos para novas oportunidades e se desprender de Thalia. Embora achasse que nunca deixaria de amá-la, agora se conformava por estar longe dela, por não ser correspondido. Então não queria que ela o repreendesse mais do que ele próprio já fazia, sendo que aquela era uma ajuda sincera baseada num antigo amor, um amor que apenas se amenizava, que não passava, mas que também não atrapalharia em outras situações. Ele fora honesto quando dissera que não tinha segundas intenções, só queria que ficasse bem e voltasse para a luta. Só isso.

Sem olhá-la, disse:

– Bom... Eu não vou mentir, eu me importo muito com você, Thalia. Mas o amor que senti por você um dia foi arrancado de mim por uma boa causa, — fechou os olhos para não se emocionar novamente — e não vim com segundas intenções mesmo, eu só queria que voc...

Então ele parou de falar. Parou porque seu rosto estava quente de uma outra maneira. Algo irradiava calor perto dele. E quando abriu os olhos, era Thalia. Thalia estava perto demais para que ele pudesse se conter. Porém, tentou. Sabia que não era a intenção dela. Talvez ela o estivesse testando. Não beijou, porém não recuou e ficaram os dois se olhando, procurando um sentimento que talvez sim, mas talvez não estivesse ali, dentro deles.

Thalia se mostrava claramente nervosa. As sardas se ressaltavam com o rosto corado. Passara tanto tempo sem contato com homens, e agora estava tão perto de fazer uma besteira muito grande. Só havia beijado Luke em toda sua vida, mas não fora sua iniciativa. Aos treze, ele a beijou de repente e ela não sabia o que fazer. Logo depois, entrando na Caça não teve a oportunidade de saber. Nunca sentira vontade de beijar alguém antes que não fosse Luke. Mas Adam havia se tornado um rapaz muito bonito. E ele se importava com ela. Será que arriscaria sua vida na Caça por causa de um amor platônico de um menino seis anos mais novo que ela? Embora seus pensamentos estivessem correndo, amontoados, demorou um tempo para que tudo isso passasse por sua cabeça. Até que pensou o quão jovem era. Será que era aquilo que ela queria mesmo? Uma vida de Caçadora? Ser imortal, porém sem amor? Não. Definitivamente não era o que queria do resto de sua vida. Então o fez. Thalia o beijou.

Num primeiro momento, Adam não a beijou de volta, surpreso. Não havia nem fechado os olhos ou encostado nela. Então Thalia se afastou aproximadamente cinco centímetros dele. Ele sentia sua respiração e o calor de seus lábios irradiando nos dele. Ela não abrira os olhos. Então Adam voltou a si. Depois de tudo aquilo, conseguira Thalia ali, esperando que ele reagisse e a beijasse. Era tudo que jamais havia querido. Não desperdiçaria esta oportunidade. Com certeza não. Mas tinha medo, por algum motivo não parava de pensar em Luma. Ela agia estranho quando ele estava perto de Thalia e deixava de falar com ele por pouco tempo, como se estivesse magoada. As peças em sua cabeça se juntaram de repente. Mas então voltou a si novamente. Thalia ainda estava ali. Em sua cabeça, minutos pareciam ter passado, mas apenas segundos foram gastos de fato. Levou as duas mãos em seu pescoço. Thalia era seis anos mais velha que ele, mas parecia tão frágil. Ela abriu os olhos, o olhou brevemente, esperando paciente por uma reação. Então Adam reagiu, puxou-a muito lentamente para si.

Adam estava sentado sobre os próprios joelhos, em meia-ponta dos pés, as pernas separadas. Thalia estava apoiada de lado, em sua mão direita. Com o andamento do beijo, a velocidade se ajustava e Thalia se aproximou lentamente, sentada entre as coxas de Adam, com os joelhos dobrados por cima de uma de suas pernas. A mão esquerda de Adam estava em seu pescoço, acariciando sua pele macia e de vez em quando se entrelaçando em seus cabelos; enquanto a direita ia de suas pernas à sua cintura, lentamente, por mais rápido que o beijo estivesse.

O beijo ficava mais rápido, por conta da vontade que passaram de se entender com este sentimento. Após alguns minutos, os dois voltaram para dentro, recompondo-se e tentando ficar sérios, voltar para a realidade, mas estava realmente difícil.