O Filho do Inventor
32 Capítulo 32
Após assistir ao desespero de Adam ao ver o ataque à Thalia, Luma tentou o máximo que pôde lutar contra seus sentimentos. Não queria se desestabilizar no meio da luta e ficar incapaz de ajudar. Talvez ele só estivesse preocupado, afinal, não devia ser fácil esquecer alguém assim. Se fosse com Jeremy, Luma teria feito o mesmo. Por um lado, compreendia os sentimentos de Adam por aquela garota, por outro, estava realmente insegura.
O momento em que ela quase tropeçara e ele a segurara e eles ficaram realmente muito próximos; os momentos que passaram sozinhos na missão em busca de Hera; o momento em que ele a agarrou no submundo, salvando-a de uma rápida morte; o momento que passou com ele quando ela havia sido atingida e ele havia corrido por ela. Nenhum deles parecia significar mais nada.
Ártemis tivera a mesma reação que ela e isso a preocupava também, significava que a deusa podia sentir o que Thalia sentia por Adam. Isso não era nada bom, afinal, Adam sentia também. Quando já tremia e se sentia fraca, abalada a ponto de fraquejar no ataque, abaixar o arco, juntou-se a Audrey, que havia sido deixada sozinha por Adam — graças àquela maldita Caçadora. Ao lado dela, tinha conseguido se concentrar por algum instante, até que Ártemis parou de flechar furiosamente as outras deusas só por distração e enfraquecimento, e sua expressão furiosa ganhou um toque a mais de insatisfação e vergonha, como se tivesse sido traída. Não conseguiu mais parar de pensar sobre o que estava acontecendo lá fora. Da visão que tinha do lado externo, não conseguia enxergar os dois. Estava realmente acabada com aqueles pensamentos a ferindo internamente. Por volta de cinco minutos depois, os dois voltaram com uma expressão boba estampada na cara, com certeza escondendo algo. Por mais que se recusasse a admitir à si mesma, Luma sabia o que era, e num momento de fúria, acertou Hera no rosto — e sem perceber, se distraiu do assunto Adam/Thalia. Apesar de estar lutando contra ela, se sentiu realmente culpada. O que ela havia dito era verdade, eles haviam lhe prometido o amor de Zeus.
Luma havia ouvido falar de Cronos, o antigo maior inimigo dos deuses, e recentemente, dos semideuses também. Havia prometido a eles o que mais desejavam para que entrassem em seu exército e lutassem contra sua própria família. Mas no final, era tudo mentira. Luma não conseguia encarar o fato de que estava agindo exatamente como Cronos, por benefício próprio. Sentia que era justo que fosse amaldiçoada ou até mesmo morta pela deusa. Se sentia horrível pelo que fizera.
Enfim... Atena quase não era atacada, e nunca atacava, apenas se defendia quando uma flecha vinha em sua direção. Observava toda a batalha atenta, com um olhar sério no rosto, obviamente tirando suas próprias conclusões daquele desentendimento.
Hera se irritava mais e mais com o ataque das Caçadoras e continuava tentando lançá-las para fora do Parthenon, mas Ártemis havia aumentado a defesa e agora ninguém era lançado mais.
Afrodite desviava de flechas e estudava os semideuses com uma expressão muito satisfeita no rosto. A única coisa que havia feito para prejudicá-los fora tirar de Isis e Ângelo as roupas que havia lhes dado, substituindo pelas que vestiam antes.
Ou seja, a única que lutava de fato era Hera, furiosa por ter suas promessas quebradas. Toda aquela ira se acumulava dentro dela. O fato de que nunca teria o amor de Zeus como desejava, o fato de que as Caçadoras praticamente só atacavam à ela, aquelas sombras ridículas a irritando, a defesa das Caçadoras. Estava tudo um saco para ela.
Adam observava cada tentativa de ataque de Hera às Caçadoras, para ter certeza de que nada mais aconteceria, porém não imaginou que algo aconteceria para si. Hera também percebera o sentimento rolando entre os dois, afetando o ar de guerra do local. Irada por não receber o mesmo amor do marido, a mesma atenção e preocupação, e também pelo fato de que Adam era um dos que fora até ela elogiar-lhe e prometer-lhe as mil maravilhas, soltou um berro de fúria e atacou em sua direção. Naquele momento, seus olhos pareceram ser tomados por uma coloração vermelha de uma chama ardente e agitada. Todos os músculos de seu corpo se contraíram e o ataque à Adam foi quase dez vezes mais forte até do que o de Thalia havia sido. Porém, ele não havia percebido, estava muito ocupado monitorando a nova namoradinha. Ignorando toda a mágoa que sentia dos dois, Luma gritou, aterrorizada:
– Não!
E correu na direção dele.
Foi como em câmera lenta. Hera apontando os braços para ele, os olhos cheios de raiva. Luma assistindo a cena e se dando conta de que Hera mataria Adam. Adam preocupado em invocar sombras e almas com Audrey e em proteger Thalia.
Era a vez de Luma de chorar. Correu o mais rápido que pôde e se atirou em sua frente. Por mais que Adam a estivesse ignorando e provavelmente esquecendo de tudo que já lhes acontecera. Por mais que talvez ele nunca tenha se dado conta de que algo acontecera. Por mais que no dia seguinte estaria rindo dela com Thalia... Luma o amava e não o deixaria morrer desta forma. Então estava lá, parada, virada para ele, os punhos cerrados e os olhos fechados com força. Adam finalmente percebeu a situação e ao invés de tirá-la de sua frente, apenas fechou os olhos.
Ouviu uma explosão e de repente, Luma não via nada. Tudo estava quente e preto. Sentia uma fria respiração ofegante. Sentia algo lhe abraçando; algo que possuía o toque de Adam. O toque da morte.
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