O Filho do Inventor
30 Capítulo 30
Naquela noite, Fran partiu e juntou-se às Caçadoras. E, para Adam fora mais uma noite sofrida. Quando aquilo acabaria? A novidade é que, na metade da noite, não sentia mais como se estivesse sendo aberto à força, mas sim como se já o tivessem feito, com uma enorme bola de canhão na altura de seus pulmões.
Enfim, estavam todos em Nashville. Haviam se encontrado depois de uma breve mensagem de Íris e longas viagens. Caminharam até a réplica do Parthenon sem conseguirem fazer com que a ficha caísse. Era quinta-feira, sabiam disso, mas simplesmente não conseguiam aceitar o fato de que, dentro de horas, se encontrariam com as três mais poderosas deusas do Olimpo para uma guerrinha básica com a possível ajuda de duas deusas consideradas praticamente menores. Ou seja, não lhes caía a ficha de que estavam ferrados, de que todo aquele negócio de semideus era uma roubada e de que dentro de horas estariam mortos ou amaldiçoados.
Enfim, chegaram. Embora nunca tivessem visto o real Parthenon, aquela parecia uma representação muito boa. Se perguntavam o por quê de as deusas terem escolhido aquele lugar para a batalha, sendo que apenas a estátua de Atena estava ali — rodeada de 46 grandes colunas gregas brancas e um telhado muito bem detalhado, representando a rixa entre Poseidon e Atena. Foram em direção à construção.
Ao entrarem, nervosos e hesitantes, encontraram Atena exatamente como em Oregon, sentada de pernas cruzadas, rodeada de livros com títulos ameaçadores.
– Prontos, semideuses? — entoou enquanto virava a página de um grande exemplar com capa de couro marrom
– Eer... Não exatamente. — respondeu Jeff
– Relaxem. — ela fechou o livro e o deixou no chão. Levantou-se e foi ao encontro deles — É só me ajudarem com a argumentação.
É claro que tinha sido um bom plano. Até se darem conta de que teriam de se explicar quando as deusas se dessem conta de que todas haviam sido enganadas. A certeza de que em pouco tempo estariam mortos era grande, apesar de que agora teriam um pouquinho de tempo a mais pela ajuda de Perséfone ser outra certeza. Talvez com Ártemis também, ganhassem mais algum tempo, ou chegassem a ser apenas amaldiçoados ou punidos.
Desde que chegaram, estranharam a quantidade de borboletas dentro do Parthenon. Mas agora, uma grande massa delas invadira o local rodopiando como um cardume de peixes.
– É Afrodite. — lembrou-se Isis
Quando começaram a brilhar, todos fecharam os olhos, um grande clarão tomou o lugar e, quando abriram os olhos novamente, centenas de borboletas caíam delicadas ao chão. No centro, Afrodite, agora vestida com uma túnica grega branca que brilhava em cor-de-rosa.
– Ahá! Vejo que já começaram a convencê-la.
– Do que ela está... — começou Atena, sendo interrompida por uma explosão
Começaram a procurar o que havia explodido, mas tudo parecia intacto. Na grande entrada do Parthenon, Hera.
– Tem razão, Atena. — se aproximava devagar, graciosa — Do que ela está falando?
Droga... Tinha começado. E até ali, nada de Perséfone ou Ártemis.
As três deusas encaravam-os.
– Do que– repetiu Hera, com uma pausa para expressar sua fúria — ela está falando?
Ter as três maiores beldades do Olimpo te encarando com raiva era muito difícil. Te impedia de pensar e raciocinar, formar frases e muito menos convencê-las a não lhe matar.
– P-podemos explicar. — começou Luma — Nossa... Nossa missão... Tínhamos que parar com essa guerra e... Nós pensamos em convencê-las de que isto não levaria a nada...
Com um grito de ira, Hera lançou o braço horizontalmente à sua frente e uma força invisível lançou Luma à parede.
– Luma! — gritou Adam, aterrorizado, correndo até ela
Os outros desembainharam suas armas e recuaram enquanto as deusas aumentavam três vezes de tamanho. Uma flecha zuniu acima de suas cabeças, atingindo a réplica de Atena Partenos, a grande estátua dourada no interior do local.
– Precisamos conversar! — a voz de Ártemis ecoou no Parthenon
A deusa avançou, seguida por uma dúzia de Caçadoras. Entre elas, Thalia e Fran. Ao percebê-la, Audrey olhou para Luma e Adam no canto, assim como Thalia fizera, discretamente.
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– Luma... — os olhos de Adam marejaram
Luma tossiu, sangue escorria em sua testa. Ele se ajoelhou apressado ao seu lado, os olhos arregalados de preocupação. Sua mão direita pousou na mão direita de Luma, jogada no chão. A esquerda, foi à sua nuca, levantando sua cabeça. Ela parecia parcialmente desacordada. Não chegava a estar desmaiada, mas não tinha reação além de tossir e gemer.
– Luma, acorda!
– Eu to bem, Adam. — gemeu.
Apesar de não parecer nada sério, ela não abria os olhos, permanecia em um estado semiconsciente. Naquele momento, assistindo seu segundo amor desacordado em seus braços, não pôde resistir. Sentiu o sangue subindo em seus olhos. Claro, não estava nem perto de perdê-la, mas não conseguia pensar na possibilidade de não reagir a qualquer coisa que podia acontecer a ela.
Luma abriu os olhos.
A dor que, antes tomava todas as suas costas, sua cabeça e sua nuca era amenizada pelo poder de Adam. O toque gentil era uma verdadeira benção de Tânatos para os relacionados com seus filhos. E sem que Adam soubesse, este era o único motivo que a fazia praticamente dormir naquele momento, junto com um imenso prazer que a fazia se arrepiar por inteiro. Nem se lembrava que havia dado de costas com a parede por causa de uma das deusas mais poderosas do Olimpo. Talvez ele estivesse mexido com a batida e a queda dela, confuso, ou pensando em Thalia que havia acabado de entrar, mas algo estava definitivamente aumentando o poder de seu toque da morte.
– Você... — murmurou — está com uma expressão estranha.
Uma mistura de raiva, preocupação e esperança. Estava definitivamente imerso em pensamentos confusos. Luma desejava ter o Toque Gentil para acalmá-lo.
– Desculpa, eu... — Uma lágrima escorreu em seu rosto
Luma levantou a mão esquerda e enxugou-a, e com a outra agarrou a mão dele que estava apenas pousada acima da dela.
– Eu não sei porque você está assim — ela sorriu, sem tirar a mão de seu rosto -, mas espero de verdade que consiga parar de pensar nisso. — houve uma pausa — Temos de voltar para a luta. Só... — Luma tossiu — Só me ajuda a levantar.
Adam levantou e puxou-a pelo pulso.
– Obrigada, Adam. — ela sorriu para ele e os dois se dirigiram para o centro do Parthenon.
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Ártemis não avançou. Havia lançado a flecha para chamar atenção e acabar com a discussão.
– Esqueça! Nunca nos vencerá! — anunciou Afrodite
– Como se eu ligasse muito para isso. — ironizou Ártemis — Eu vim aqui porque estes garotos têm razão! Esta briga não levará a nada a não ser destruição! De que valerá a vitória sem testemunhas e adoradores?
– Do que você está falando? — perguntou Hera, cínica
– Nossa briga é com eles! — Apontou Afrodite
– Estes garotos já nos convenceram disso há tempos, Ártemis. — falou Atena, mais calma que as outras
– Mas então por que estão brigando?
– Eles nos enganaram! — indignou-se Afrodite — Vieram nos convencer de que não devíamos brigar e disseram tudo o que você quer dizer.
– E qual é o problema aí?
– O problema é que eles nos bajularam, se separaram em três equipes e cada uma foi a uma deusa dizer o quanto ela era melhor que as outras e encher a linguiça até que acreditássemos e topássemos vir aqui convencer as outras de que guerra não levaria a nada.
– Olha só... — Isis deu um passo à frente — Nós pedimos nossas sinceras desculpas. Achamos que seria difícil convencê-las e convenhamos... Um elogio ou outro sempre ajuda. — ela piscou daquele seu jeito típico
– Argh! Garota insolente! — Hera fez o mesmo com Isis, que foi jogada para fora do Parthenon
Por sua vez, quem foi atrás dela foram Ângelo e Luma, que já estava de pé.
– Por mais que eu não seja fã dessa garota, você tem que parar com isso, Hera! — exclamou Ártemis
– Não vou perdoar estes semideuses por nada! Eles me prometeram amor!
– Mas aí complica, né, gente? — Ártemis reclamou com a equipe de semideuses
Eles deram de ombros, culpados.
– Chega! — berrou Hera, avançando na direção dos semideuses
– Caçadoras! — chamou Ártemis, atenta — Atacar!
Para iniciar a batalha, Hera utilizou de seus poderes já bem conhecidos por Luma e Isis, desta vez em Jeff. Lançado ao canto, indefeso. Era uma estratégia boa, já que além de mobilizar a vítima, amigos corriam para ajudar e o resto sentia falta de ajuda disponível. Quando Audrey ia correr para socorrê-lo, ele a impediu. Gritou que lutasse e deixasse que ele se recompunha sozinho. Relutante, Audrey voltou para o campo de batalha, utilizando de sua raiva para invocar sombras. Téfra também ajudava, lançando fogo na direção das deusas. Adam ajudava Audrey — dois filhos das trevas faziam uma dupla muito boa. De um redemoinho de sombras no chão (não causado por Adam ou Audrey), Perséfone surgiu, sorriu, piscou para os semideuses e pôs-se a ajudar. Sombras e almas atordoavam Afrodite enquanto as Caçadoras mandavam ver nas flechas contra as deusas. Como resposta, Hera utilizou sua força contra elas — triplicada pela raiva -, mas Ártemis e uma outra Caçadora mais velha tinham grandes escudos e uma de cada lado defendeu o time, apesar de que foi difícil para a Caçadora segurar o poder de Hera. Apenas duas Caçadoras foram atingidas, parando mais longe do que Isis tinha ido. Entre elas, Thalia. De primeira, Adam não tinha percebido, concentrado na parceria com Audrey, mas assim que o poder dela fraquejou, observando a situação, seguiu seu olhar e correu até ela. Ártemis se distraiu por meio segundo percebendo a fuga do garoto, indo ao encontro com uma de suas melhores e mais experientes Caçadoras.
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