Notas iniciais
Boa leitura.

Lys não conseguiu dormir naquela noite. Remoía o dia anterior inteiro para tentar se lembrar de como tudo acontecera.

Hugo, Glyce e Morgan. Morgan Aleny, o pai de Hugo. Ela iria fazê-los pagar. Será que seu pai tinha morrido? Ou Hugo estava o mantendo vivo? E, que espada era aquela?

Acabou que, quando o Sol surgia no horizonte, Elysa conseguiu adormecer.

Enquanto dormia, teve um sonho estranho.

Andava nua pelos corredores do castelo, e todos apontavam para ela. Estava envergonhada, mas não tinha nada para se cobrir.

— Minha bela! — Disse uma voz atrás de si, uma voz que antes achava bela e que agora a enojava. — Venha até mim.

Elysa recuava, e fugia, mas aonde que que fosse, Hugo estava, e todos os olhavam, como esperando que o homem lhe fizesse algo. Ela, por fim, dobrou em um corredor sem saída e ficou presa.

— Minha cara, olhe para mim. — Disse ele, se aproximando, enquanto ela se encolhia no canto do corredor. Quando ele estava à centímetros dela, uma espada surgiu de sua barriga, vindo de algum ponto de trás dele. Hugo caiu, e de trás dele, um garoto surgiu. Devia ter sua idade, mas era mais alto e forte. Usava armadura e o símbolo de seu pai brilhava no peito: a espada azul.

— Elysa, venha comigo. Acorde deste pesadelo. Deixe- me libertá-la. — O garoto estendeu a mão para ela. — Elysa! Elysa! Elysa!

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Lys acordou de um pulo. Uma criada estava do seu lado. — Senhora, Lorde Hugo mandou-me acordá-la e prepará-la. Ele quer que vá ao Salão de refeições.

— Sim, sim. Obrigada. — Elysa conhecia ela. Era a senhora que sempre cuidara de sua mãe...sua mãe.

— Senhora? Está tudo bem?

— Sim. Tudo. Só estava...pensando. — Ela disse.

— Em Lady Aya? — A criada alisou o cabelo da menina. — Ela queria seu bem. Você sabe. — Uma lágrima escorreu de seu rosto. A mãe morrera protegendo ela. E agora, lá estava ela. Em perigo novamente. — Minha senhora, tenho esperança em você. — Susurrou a criada. — Sei que libertará à nós. O trono é seu, e ninguém pode tirá-lo de você.

— Não, o trono é de meu pai. Ele ainda está vivo...- Lys olhou para a boa senhora. — Ele está, não está?

A mulher abaixou a cabeça, triste, calada. Aquilo atingiu-a mais forte que o punho de Glyce. Como um soco na boca do estômago. — Vamos, senhora, está na hora de nos aprontarmos.

A criada a ajudou a se lavar e a trocar de roupa. Logo, estava limpa e com um belo vestido cinza escuro. Odiava vestidos, mas foram ordens do "rei". Ela iria almoçar com o ele.

— Aqui. — Disse a outra, com uma rosa vermelha na mão. — Uma rosa para outra. — E, delicadamente, a prendeu em seu vestido, na direção de seu coração. — Aqui, em seu peito, irá te lembrar que ainda tem coração, mesmo que os outros não tenham. — Ela riu. Lys a abraçou e uma lágrima escorreu. Ela tinha amigos. Mas não se lembrava do nome dela. Como poderia ter se esquecido?

— Perdoe-me, mas qual é seu nome?

— Viriany — Mais uma lágrima escorreu do rosto de Lys. Viriany, para os vampiros, significava Esperança de Viver.

Quando ela saiu do quarto, estava firme, como não estava no dia anterior. E carregava na cintura, escondida pelas dobras do vestido, uma faca. Queria ter a oportunidade de chegar perto de Hugo.

Quando passava pelo corredor da ala sul do castelo esbarrou em um garoto, e quase desmaiou quando viu seu rosto. Era o garoto do sonho.

— Desculpe-me. — Ela disse.

Ele riu. — Acontece. Não peça desculpas. — E se foi corredor adentro.

Ela suspirou, e se virou para frente. Diante dela estava a porta do Salão de refeições. Ela encheu o peito de coragem e forçou o coração a desacelerar: ela era uma vampira. Uma princesa. E, acima de tudo, uma guerreira. Hugo poderia fazer o que quisesse, mas ela ainda iria cravar aquela faca em seu coração. Por vingança à seu pai. E por todos. Respirou fundo novamente e avançou, abrindo os portões.