O Filho de Netuno

2 Capítulo II: Grover


Notas iniciais
Por favor não me deixem perder a linha

Comentem pra eu saber se estou no caminho certo, valeu!!!

Chicago estava fria demais, até mesmo para alguém com pernas de bode cobertas por grossas calças de poliéster e forro de fleec. Grover tremia enquanto comia uma lata vazia de feijões e observava a cidade da sacada de vidro do Sears Tower's. Uma imensa caixa de vidro suspensa 103 andares com uma vista privilegiada da cidade dos ventos.

Lá em baixo, Chicago parecia calma aos olhos humanos, cobertos pela nevoa. Mas havia muita coisa fora da normalidade acontecendo, e algumas delas, mesmo para alguém com bons olhos só era possível sentir, e ele temia que estava começando a entender o porque.

A benção que o Deus Pan lhe dera antes de partir tornava certas verdades bem claras para ele principalmente verdades tão antigas e ligadas à natureza.

- Ela está acordando — ele sussurrou e estremeceu, se aquilo realmente acontecesse, seria o fim de tudo. Tentando tirar aquele pensamento da cabeça ele voltou os olhos para o asfalto sobre os pés.

Lá em baixo, mesmo os monstros se comportavam de forma muito estranha, quer dizer, estranha para monstros. A concentração deles era muito maior que Grover jamais vira em todo centro-oeste, ou possivelmente que ele jamais vira em qualquer parte do país fora São Francisco.

Dúzias de ciclopes caminhavam pelas ruas se agrupando, passavam pelas pessoas sem demonstrar interesse algum nos humanos, e mais estranho que isso, eles não pareciam estar procurando algo em particular, só estavam ali se juntando. Enquanto isso no céu centenas de anemoi thuellai, espíritos de tempestade voavam em alta velocidade de extremo a extremo da cidade apostando corridas malucas enquanto mudavam de forma segundo a segundo.

Era estranho, mas simplesmente parecia que todos os monstros estavam ali matando tempo, esperando algo acontecer.

Grover, no entanto temia saber o que eles esperavam e era esse o motivo pelo qual estava ali.

- Cadê você cara — ele sussurrou enquanto movia a cabeça insistentemente à procura de qualquer sinal do amigo

- Cadê você Percy?

Ele estava absorto na busca, talvez concentrado demais para reparar no rosto que o observava pelo arco-íris formado pelo vidro do observatório.

- Grover — ele quase caiu quando ouviu a voz da menina, virou rápido para a direção da voz e se deparou com um par de grandes olhos cinzentos a fixá-lo.

- Annabeth! — ele exclamou seguido por um mééé que não pode conter — novidades? — ele não perdeu tempo, na verdade nem sabia como a amiga havia conseguido uma mensagem de Íris com o Olímpio fechado.

- Não — ela disse e ele viu o abatimento em seus olhos os tornando mais escuros — na verdade eu achei que você pudesse...

- Sinto muito — ele disse — nada por aqui, pelo menos por enquanto, está tudo muito estranho dúzias de ciclopes resolvendo fazer interação social, anemoi thuellai apostando corridas aos milhares sobre a cidade, todos parecem esperar alguma coisa acontecer.

- Anemoi thuellai? — ela disse — tivemos um problema com alguns deles essa manhã durante a extração no Grand Canyon, os semideuses estão bem, mas Hedge foi capturado.

- Aquele velho maluco — disse Grover e havia uma pitada de irritação em sua voz — fique tranquila, eles vão devolvê-lo logo, junto de uma bolsa cheia de dracmas de ouro e um pedido de desculpas, ninguém aguenta aquele velho muito tempo.

- Grover!

- Sabe que é verdade — ele falou tirando outra lata de feijão vazia e amassada do casaco e mordendo um pedaço.

Ela estreitou os olhos encarando o amigo, ele suspirou.

- Se faz questão eu fico de olho, agora e quanto à visão do Oráculo sobre o cara sem sapato.

Ela revirou os olhos e deu um suspiro irritado, na noite passada Rachel, sua amiga mortal que era possuída pelo oráculo de delphos havia profetizado que ela deveria ir a uma missão para encontrar um jovem sem um sapato que seria indispensável para alguma coisa que não ficou nem um pouco clara.

- Achamos o cara, mas não era o Percy, o nome dele é Jason, tem uns quinze ou dezesseis, dá pra acreditar! Ele tá falando com Quíron agora, mas é estranho, ele conhece muita coisa do nosso mundo, mas em outra perspectiva.

- Outra perspectiva?

- Ele conhece os deuses, os monstros e tudo mais só que sobre o ponto de vista dos romanos, não dos gregos.

- Um herói romano? – a voz de Grover estremeceu um pouco, mas ele se recuperou rápido. – que estranho!

Infelizmente para Grover, Annabeth era Annabeth, e é claro que ela percebeu.

- O que você sabe Grover? – disse ela direta.

O garoto-bode desviou o olhar e soltou um mééé baixinho.

- Grover!?

Ele suspirou.

- Não posso falar sobre isso, é proibido, e além do mais não é algo que eu tenha estudado ou vivido, olha Annabeth, eu só sei de certas coisas por que Pan quis que eu soubesse, e mesmo sabendo não posso falar a respeito. Então só fica de olho no garoto, ele não deveria estar aí.

- Como assim? – nada irritava mais Annabeth que ficar a margem dos fatos – ele é um meio sangue, é claro que esse é o lugar dele, o único lugar onde ele estaria seguro.

- Não me faça perguntas, eu não posso responder, aliás, tenho que voltar a minha campana, até mais Annabeth, se tiver noticias do Percy entra em contato...

- Grover Underwood!

- Tchau Anny – antes que ela pudesse dizer mais alguma coisa ele passou a mão sobre o arco-íris desfazendo a mensagem

- Meus Deuses – ele disse olhando o céu acima do teto de vidro, acima dos anemoi thuellai apostando corridas malucas. As perturbações no Olímpio deviam ser realmente grandes para que os deuses permitissem esse tipo de aproximação sempre tão desastrosa entre seus filhos.

- Por quê? – ele disse em voz alta enquanto voltou a olhar o chão displicente a procura do amigo – pra que colocar um herói romano no acampamento grego com um perigo tão grande se formando. Pra que descartar-lo assim, quando cada herói será tão necessário.

E então ele teve um estalo.

Um misto de pensamentos invadiu sua cabeça ao mesmo tempo e ele sentiu vertigem de olhar o chão 103 andares lá em baixo e teve de deitar sobre o vidro.

- Cada herói será tão necessário – ele sussurrou dessa vez com uma espécie de compreensão que nunca teve.

Grover nunca fora o primeiro a chegar a um raciocínio nas missões, mas sinceramente isso não era tão fácil quando se tinha Annabeth na equipe, mas agora uma clareza absurda invadiu sua mente e ele não sabia se sorria os se gritava de pânico.

Agora muita coisa fazia sentido. Pra começar ele tinha certeza que o herói romano que devia estar falando com Quíon agora não era só um herói romano, ele era o melhor, que Roma podia ter pra oferecer. E se pudesse apostar, até diria que ele era filho de um dos três grandes. Além disso, Grover percebeu que passara frio em Chicago a toa, Percy não estava ali, cercado por dezenas de monstros num beco qualquer. Não, ele estava num lugar muito mais perigoso, ou pelo menos estava indo pra lá. Um lugar guardado por muita magia poderosa, em algum ponto de São Francisco, o acampamento romano, o ultimo lugar do mundo onde um semideus grego deveria estar.

Ele ficou ali por algum tempo, olhando o céu cinzento do inverno frio que se aproximava, e colocando em ordem os possíveis motivos que levaram os deuses a trocar de acampamento seus melhores heróis, e provavelmente teria ficado ali por horas se não fosse o redemoinho.

Na verdade tudo aconteceu muito rápido, ele só pode ver com clareza causa da vista privilegiada que o sacada de vidro lhe forneceu. Começou a menos de cinquenta metros acima do ponto onde estava, de repente eles aparecerem, três anemoi thuellai surgiram voando em círculos carregando alguma coisa, era uma carga pesada e desajeitado, mas demasiado pequena para ser um homem, mas era um humanóide, Grover reconheceu o formato das pernas e viu claramente o casco vendido. Não viu o rosto, mas não precisaria mesmo que Annabeth não lhe houvesse dito nada, reconheceria aqueles cascos em qualquer lugar, ainda tinha no ombro as marcas que ele deixara da ultima vez que se encontraram.

- Droga de velho maluco – ele disse se levantando, tinha de pensar em uma forma de atrair os anemoi thuellai para o chão.

Mas antes que qualquer pensamento viesse Grover viu algo que o arrepiou, aconteceu de repente e não foi nada que os anemoi thuellai ou os ciclopes estavam esperando. Uma corrente de vento surgiu do nada, Grover pode percebê-la perfeitamente por que ela se apossara dos anemoi thuellai e começou a fazê-los girar em círculos, foi muito rápido, mas o circulo foi descendo em direção a terra se afunilando até tocar o solo próximo a um parque bem a leste. Então o funil sugou todos os ventos possíveis inclusive os três carregando o velho Hedge.

Grover ficou paralisado por um instante, e depois bufou

- Vai me dever cinquenta latas de Diet Coke por isso velhote. – e saiu da sacada para o elevador, era melhor chegara aquele parque rápido ou quem sabe o que podia acontecer.