O Filho de Netuno
3 Capítulo III: Percy
Notas iniciais
por favor comentem!!!!
Fugir de um lobisomem não seria tarefa fácil, mesmo se Percy soubesse o que estava fazendo. O tempo que a fera levara para se reintegrar não fora muito, mas o suficiente para dar-lhe uma dianteira até a Berkeley, a cidade que ficava entre o Parque Tilden e a Baia.
Berkeley era uma cidade bonita e serena, comparada a Nova York, é claro. Na verdade era o tipo de lugar em que Percy esperaria encontrar o pai dando uma fugidinha das obrigações.
"Meu pai?" — ele tentou completar o pensamento.- "quem é meu pai, e por que ele estaria aqui?".
Percy sabia que o pai não morava ali, não sabia como sabia, mais sabia. Assim como sabia que ele, Percy, também não morava ali, jamais moraria tão perto de São Francisco. Mas aquele lugar tinha um aspecto familiar ainda assim, talvez um lugar onde ele e o pai gostassem de estar juntos.
Aquele pensamento o alegrou e confundiu. Não sabia quem era o pai, nem mesmo seu nome ou como era seu rosto, mas tinha certeza que ele gostaria de um lugar como aquele.
- Que droga — ele disse em voz alta e depois se arrependeu.
Uma mulher que observava os filhos brincando na calçada o olhou de cima a baixo, de seus tênis sujos de lama a sua camiseta rasgada pelo lobisomem, e depois chamou as crianças pra dentro, antes de lançar a Percy um ultimo olhar, esse ele entendeu bem. Era assim que a maioria dos adultos que o conheciam o olhavam, como se houvesse um letreiro em sua testa dizendo: Cuidado, delinqüentemuitoperigoso.
Ele fingiu não notar e avançou pela cidade, tentando evitar ruas movimentadas demais, enquanto procurava encontrar em sua mente quase vazia de lembranças, algo mais palpável, um lugar, uma pessoa, algo que pudesse desencadear alguma lembrança real. Nada! Era como conseguir um taxi na noite de Natal.
Aquilo era ridículo, como toda a sua vida havia sumido assim de sua mente, aquilo parecia uma piada dos deuses.
"Piada dos deuses" — não sabia de onde tinha tirado aquilo, mas depois de encontrar um lobo gigante que falava de Zeus transformando seu chefe em lobisomem a idéia de deuses gregos passou a vir como algo natural a sua mente, como se realmente pudessem ser reais e de alguma forma interagir com a vida das pessoas.
Ele continuou naquela linha de raciocínio por alguns minutos, mas de alguma forma não estava pensando só naquilo, conseguia ver claramente cada pessoa que passava por ele, os carros passando e até o ônibus azul que iria estacionar no próximo ponto a uns cinquenta metros de onde ele estava. Ele parou por um instante e teve de pensar um pouco para ler o que estava escrito na lateral do ônibus. Era algo como Parque do Mar, ele não tinha certeza, mas resolveu arriscar. Correu e alcançou o ponto antes que o ônibus estacionasse. O que foi incrivelmente fácil.
Assim que Percy entrou perguntou ao motorista para onde aquele ônibus iria.
O motorista olhou o garoto por um instante com a expressão de que nunca havia ouvido aquilo antes.
- Park Marina — ele disse — parada final — e depois ele reparou nas roupas esculachadas do garoto. — Mas se quiser chegar às docas também é bem perto.
Percy entregou os dois dólares da passagem. Graças aos deuses tinha algum dinheiro no bolso e entrou.
O ônibus Park Marina estava quase vazio, a exceção de dois homens com vestes azuis e manchadas de óleo, que deveriam ser trabalhadores das docas, e um pequeno grupo de turistas com suas grandes câmeras e camisetassalvem os leões marinhos.Ninguém demonstrou interesse no garoto maltrapilho, algo pelo qual Percy agradeceu.
A viagem durou quinze minutos dos quais Percy não desligou, na verdade ele nunca desligava ou conseguia concentrar toda sua atenção em uma única coisa. Era como se sua mente não parava. Ele via as pessoas na rua enquanto procurava qualquer sinal de um lobo gigante o seguindo, ao mesmo tento em que ouvia os homens de uniforme falando sobre baseball, e sabia que os turistas estavam empolgados em ver os leões marinhos. Quando finalmente chegaram à marina Percy sentiu o cheiro de sal e peixe fresco e um peso estranho caiu de seus ombros. Ele sabia que não morava ali, mas de alguma forma era como estar chegando em casa.
Desceu primeiro e saiu rápido da vista dos outros passageiros. Estava quase mo mar agora. À esquerda, ficava a entrada para o Projeto de proteção da Biosfera Parque Marina, que consistia em pequenos prédios cercados por viveiros de água salgada para o tratamento e reprodução de animais marinhos. A direita, a uns trezentos metros era a entrada para as docas cercada em toda a extensão, desde onde ele estava por um muro baixo de pedras com pouco mais de um metro. Percy olhou o mar pelo muro, e percebeu que ele funcionava como um quebra ondas, do outro lado havia uma queda de uns seis metros até atingir o mar. Percy sorriu, de repente correr até as bocas e depois se esgueirar até o mar pareceu muito desnecessário. Estava perto demais para perder mais tempo. Subiu no muro e só teve tempo de ouvir alguém disser:
- Ei garoto...
E se jogou no mar.
Um instante antes de cair na água Percy pensou algo como: que merda tô fazendo. Mas assim que afundou nas águas esverdeadas da Baia, qualquer duvida se dissipou. Ele estava em casa, mesmo com todas as duvidas e incertezas ele começava a sentir que superar aquilo seria mesmo possível.
Percy não tinha certeza se ficara ali por muito tempo, se apoderando da energia que o mar lhe oferecia, mas sabia que poderia permanecer ali varias vidas sem nem notar. Era tão aconchegante que ele só resolveu se mover quando percebeu que alguém o observava.
Colocou a mão no bolso enquanto observava a aproximação da criatura, se é que se podia chamá-la assim.
Parecia uma linda mulher, com cabelos longos e cacheados e uma pele da cor da água. Usava um lindo vestido de seda que esvoaçava na água e quando Percy se aproximou o suficiente percebeu seus olhos verdes perturbadoramente belos e intensos.
A mulher sorriu pra ele enquanto se aproximava e ele percebeu que já conhecia aquele sorriso.
- Como vai querido? — ela perguntou docemente.
- Perdido — ele respondeu sincero. — da onde conheço você?
- Do mar, de varias partes dele na verdade, eu o conheço desde sempre, mas já fomos apresentados à alguns anos.
- Você é uma Nereida não é, um espírito do mar. — ele disse encontrando a informação num cantinho da própria mente
- Sim Percy, e meu nome éAgave, e pertenço a corte de seu pai.
- Meu pai — era como sentir que as respostas estavam a sua frente cobertas por uma fina cortina — quem é meu pai.
- Você sabe — ela disse com um sorriso triste — só não se lembra agora, e infelizmente as respostas que quer eu não posso lhe dar. Poderes muito acima dos meus estão envolvidos nisso, poderes aos quais eu não ouso desafiar. No entanto querido, eu não poderia deixar de ajudá-lo em sua missão.
- Que missão? — Percy estava cada vez mais confuso.
- Acalme-se meu herói valente, apenas ousa, estou do seu lado e vou ajudá-lo nisso tanto quanto eu puder, então atenção, o que eu sei sobre sua jornada é um segredo até mesmo para os deuses, ela fez isso de cunho próprio, sem consultar a ninguém, um risco tremendo se minha opinião lhe vale, mas se der certo e vocês não se destruírem, haverá grande chance de vitória.
- Quem... — ela levantou a mão e ele parou.
- Sem perguntas, apenas ouça, o que sei, sei por que o futuro as vezes visita meus sonhos como faz aos meus filhos, os ciclopes, então preste atenção. Tem que chegar ao acampamento, é imprescindível que o alcance em três dias, mas cuidado, aquilo não é um porto seguro e Roma não é o seu lugar. Esteja preparado, será testado e deve mostrar que tipo de herói você é meu querido, mas pra isso deve lembrar que tipo de herói você é, e pra isso eu só conheço um caminho.
Ela estendeu as duas mãos e ele soltou contracorrente no bolso para segurá-las.
- Onde vamos? — ele perguntou.
- Ao lugar de onde acho que deve começar. — ela disse e então girou com ele uma vez, e depois outra, como se estivessem dançando uma ciranda, os giros começaram a ficar mais rápidos e mais rápidos e Percy estava ficando tonto com o movimento frenético que durou alguns minutos, até que de repente parou.
Estavam em algum lugar no mar aberto agora, ainda de mãos dadas e ela o encarava com uma intensidade que chegava a doer.
- Onde estamos — ele perguntou.
- A caminho. — ela disse.
- Mas porque paramos — ele achou aquilo muito estranho.
- Não paramos, apenas o mar seguiu nosso ritmo.
Ele demorou um pouco pra entender e se não pertencesse ao mar talvez jamais percebesse. O mar ainda se movia em volta deles, mas na mesma velocidade e intensidade dos giros, estavam em uma corrente agora, uma corrente marinha que Agave havia criado.
- Incrível, — ele admitiu — mas você disse algo sobre um acampamento.
- Um refugio muitos, um lar para alguns e um desafio pra você.
- Que tipo de desafio? — ele perguntou tentando encontrar algo palpável naquela confusão.
- O inicio do maior desafio da sua vida, a segunda grande profecia, e novamente é sobre você.
- Novamente? — ele fez outra pergunta, e seria capaz de fazê-las a vida toda, estava cada vez mais perdido.
- Sei como se sente meu querido, mas infelizmente ela teve boas razões nesta parte, tirar-lhe o passado é a melhor forma de garantir-lhe o futuro.
- Ela quem! Por favor diga quem fez isso comigo!.
Se é que é possível suspirar embaixo d'agua, foi isso o que Agave vez.
- Simplesmente aquela que está acima de nós meu querido, a senhora do céu.
- Senhora do céu — ele falou, sua cabeça começando a funcionar. — quer dizer a como a deusa dos céus, Hera.
Agave fechou os olhos e encolheu os ombros por um instante e Percy soube que ela esperava um trovão mesmo embaixo d'agua, mas ele não veio e ela voltou ao normal.
- Por favor sem nomes meu querido. Agora por favor, deixe-me completar o que precisa entender. Eu intervi nos planos dela, por que a senhora dos céus cometeu apenas dois erros, e ambos foram para com você.
"O primeiro foi que não haverá tempo de reaprender a seu um herói em Roma, pelo que sei, ou você prova rápido seu valor, ou não durará muito tempo, por isso tratarei para que chegue lá um herói, e pra isso terei de aumentar um pouco seu trajeto. O segundo — ela continuou antes que Percy questionasse — é que heróis não são diplomatas, você foi criado e educado para a guerra e não para promover a paz. Mas a mais em você que um guerreiro Percy, você também é um líder, e dos bons, tirar essa informação de você pode ser muito prejudicial então preste atenção. Quando a hora chegar e você for questionado ou acuado tome a dianteira, sua essencial vai saber o que fazer. Torne-se o líder deles e deixe o resto acontecer.
- Líder — Percy definitivamente estava perdido — como eu posso liderar alguém se nem sei quem eu sou?
- Na hora certa vai descobrir, mas até lá, apenas encontre o herói dentro de você, e o líder que vem junto dele.
Tudo aquilo pareceu muita loucura, mas como todas as informações vinham de uma Nereida que o estava conduzindo por dentro de uma corrente marinha as coisas passaram a fazer mais sentido.
Agave o conduziu por mais um minuto no qual ele tentava discernir sobre o que acabara de ouvir até que finalmente a corrente parou e ele olhou ele percebeu estar em um ponto raso de algum lugar, por que podia ver claramente o sol lá em cima.
- Me despeço de você aqui Percy, sei que vai conseguir meu herói valente.
- Pra onde eu vou agora — ele quis saber.
- Minhas primas o guiarão — ela disse e apontou, alguns metros a frente três figuras bastante parecidas com Agave mas com cabelos coloridos e sorrisos fáceis os observavam.
- Naiades?
- Sim, elas o levarão riu acima até Napa, tá estará seu primeiro desafio herói.
- Napa, mas isso me deixa muito mais...
- A distância é necessária para construir herói, sem reclamações Percy, por favor, confie em mim.
Se for possível bufar embaixo d'agua, foi isso que Percy fez antes de seguir até as Náiades.
- Alguma consideração final — ele perguntou a Agave.
- Sim, não seja marcado, você não é um filho de Roma.
- Você tem falado bastante em Roma, e acho que não quer que eu vá para a Europa, então o que isso quer dizer.
- Vai saber, mas só quando for a hora.
E antes que ele pudesse perguntar mais alguma coisa ela se foi partindo em uma nova corrente, e Percy não teve opção a não ser deixar-se guiar rio acima pelas Náiades.
Napa. Estava varias léguas mais distante do seu caminho indo direto para um desafio que seria capaz de como Agave disse reconstruir um herói, aquilo não parecia nada bom, mas se era a melhor chance de alcançar seu objetivo, mesmo ele não sabendo direito o que isso significava, então infelizmente não havia outra escolha.
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