O Filho de Netuno
1 Capítulo I : Percy
Notas iniciais
Correr em meio a uma floresta sem fazer barulho não é difícil, é impossível!
Fazia menos de uma hora que a perseguição havia começado e ele já estava ofegante, tinha de escapar daquele maldito parque e seguir para leste seguindo o oceano.
"Não pare por nada" — ela o havia alertado — "chegue lá vivo e talvez encontre algumas respostas, demonstre fraqueza e eu mesma cuido de estraçalhá-lo".
"Que gentil" — ele pensou — "mas não tenho escolha, a única forma de obter respostas era atravessando São Francisco, o lugar mais perigoso do mundo para semideuses".
- Como eu sei disso? — ele fez a si mesmo a pergunta errada, o que ele realmente queria saber é porque ele não se lembrava de mais nada. Tudo o que sabia é que seu nome era Percy Jackson e que ele não pertencia aquele lugar. Também que ele tinha um gosto estranho para camisetas e colares de contas, por causa do colar cheio de contas esquisitas que ele usava e a camiseta laranja com um o desenho de um centauro segurando arco e flecha sobre os dizeres acampamento meio-sangue
"O que será um acampamento meio-sangue" — pensou enquanto desviava de um amontoado de galhos secos e ouviu um uivo vindo do sul.
"Próximo demais"! — pensou apertando o passo. Duvidava que pudesse vencer aquele inimigo no habitat dele — "Se ao menos tivesse água por aqui". — e, no entanto não fazia idéia do por que água seria tão importante, será que ele resolveria dar um banho daquela criatura.
A idéia pareceu divertida, mas ele duvidava que isso ajudaria de qualquer forma, no entanto algo lhe dizia que água era sua melhor opção.
"Mas onde encontro água por aqui?".
Como se o próprio corpo resolvesse responder por ele, sentiu algo sobre os pés, não como se tivesse pisado em algo especial, era algo mais em baixo, sob a própria terra havia água correndo, ele podia sentir a velocidade da água que corria dentro de canos de metal atravessando o parque.
Uma espécie de encanamento antigo se estendia abaixo dele por quilômetros.
"Por favor, que não seja esgoto" — pensou se preparando, mesmo sem saber exatamente para que, enquanto outro uivo indicava que haviam inimigos muito próximos vindos pela esquerda.
Ele queria virar para a direita e correr para longe dos uivos, mas algo lhe dizia para não fazê-lo.
"siga a água" — era como se seu corpo falasse e era impossível não ouvir, ele continuou seguindo o fluxo do duto subterrâneo que rumava para leste.
"o oceano" — pensou em suas chances, se eu tiver sorte esse duto deságua na baía
Aquela possibilidade o animou e o fez correr mais rápido, desviando de arvores enquanto tentava seguir sem desvios a água que sentia sobre a terra.
Correu por mais alguns minutos até encontrar um descampado de onde pode avistar seu ponto cardeal, o lugar que durante muito tempo lhe causou arrepios, a baia de São Francisco. Estava a poucos quilômetros do mar agora.
- Linda paisagem, — ele ouviu uma voz rosnar atrás dele — realmente um bom lugar para morrer.
Ele se virou rápido para encarar seu adversário e viu pela primeira vez a figura completa do maior lobo que jamais deveria existir.
- Quem é você? Por que está me perseguindo. — disse Percy e então sentiu como se tivesse cometido uma espécie de gafe. Afinal o que um monstro deveria fazer, convidá-lo para um happy aluer?
O lobo pareceu se divertir com a pergunta.
- Digamos apenas que eu tenho um fraco por frutos do mar- e então o lobo soltou outro rosnado que parecia uma risada, ou talvez tenha sido uma risada com aspectos de rosnado, mas certamente foi assustador.
- O que quer dizer?
O lobo escancarou os dentes
- Sei bem quem você é Percy Jackson, o grande herói que arrancou a cabeça da Medusa e mandou o próprio Cronus de volta ao Tártaro.
- Eu fiz o que? — Percy não conseguia assimilar aquelas coisas como feitas por ele, quer dizer, ele era só...ele nem sabia quem, ou o que ele era de verdade.- deve estar me confundindo com alguém cara.
- Não há confusão — disse o lobo e de repente Percy percebeu algo mais grave em seu tom e um certo brilho em seus olhos, um instinto primitivo o fez segurar contracorrente, de repente ele sabia que esse era o nome da sua caneta bic, mas o por que de uma caneta ter um nome e principalmente no que isso o ajudaria em uma luta com um lobo gigante ele não sabia, mas ele segurou a caneta em seu bolso com força e esperou.- você é Percy Jacson — o lobo continuou — um semideus, um herói, e a melhor presa que eu poderia esperar essa manhã.
E então o lobo atacou mais rápido e mais forte do que Percy esperava, mas de alguma forma seu corpo estava totalmente preparado, assim que o monstro voou sobre ele visando seu pescoço, Percy virou para a esquerda desviando e destampando sua caneta, que sem surpresa alguma se transformou em uma espada gigante que perfurou uma das patas dianteiras do lobo, o monstro recuou um instante para se recuperar e voltou a rosnar enquanto circulava Percy.
- É forte Jackson, mas não pode me vencer — disse enquanto rodeava — eu sou Pancrácio, o General do Rei Licaón mordido ao tentar conter sua furia depois da ira de Zeus.
Percy tentou se lembrar enquanto rodeava sem tirar os olhos do bicho. Conhecia essa história de algum lugar, Licaón e a irá de Zeus e também sobre lobos, um segundo e sentiu um estalo de compreensão, bateria na própria testa se a situação fosse outra. Licaón, o cara que foi transformado em lobo por oferecer carne humana a Zeus, e se aquele era um de seus generais, então se tratava de um lobisomem muito velho e poderoso.
"Não posso deixar que ele me fira". — pensou analisando suas chances.
O lobo estava ferido na pata dianteira esquerda, o corte era profundo, mas ele nem ao menos mancava, era bem treinado para suportar a dor, mas até que ponto, Percy tinha de descobrir.
O animal começou a fechar o circulo e Percy se preparou, um novo ataque, tão rápido quanto o anterior e novamente o corpo de Percy estava preparado. Ele virou a lamina de Contracorrente apontando diretamente para a perna ferida, o lobo levantou a perna para desviar o ataque e era tudo o que Percy precisa, girou contracorrente na mão, numa velocidade e agilidade que não parecia ser possível e a enfiou no peito do animal. No mesmo instante uma cortina de poeira se espalhou onde outrora havia um lobisomem.
Percy respirou ofegante, não sabia onde aprendera aquele blefe em combate, ou mesmo como conseguira aquela caneta-espada legal, mas sabia que estava em perigo, então se levantou e limpou a poeira das veste e olhou para o chão. Depois que a explosão de adrenalina passou, ele sorriu.
- Aquele a que tudo vence — ele disse de alguma forma conseguindo traduzir o nome de Pancrácio — vai precisar escolher outro nome quando voltar.
E como que uma resposta imediata ele viu algo que jamais esperaria algo que ele sabia, não era natural, nem para uma situação como aquela, as cinzas do lobo no chão começavam a se reunir lentamente enquanto ele observava, começando a tomar forma novamente.
- Isso é muito errado — ele falou, mas não ficaria ali para entender o porquê, tapou a caneta, colocou-a no bolso e fugiu seguindo para a Baia.
Correr para a baia, seguir para leste até o locar seguro enquanto monstros que não ficam mortos tentavam matá-lo. De repente a voz que ouvira quando acordara pareceu ter toda razão. Não parar por nada talvez fosse a única forma de chegar lá vivo.
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